maio 30, 2010
Deste rabisco sem início surge uma nova epopéia. Das letras tensas e tremidas é composta uma nova canção. Das lembranças e dos abraços em ruas perdidas aparecem os personagens conhecidos... E a poesia é cantarolada no silêncio de um coração observador. Julgamentos, felicidade, promessas e discussões. Olhares, beijos, gritos e angustiantes lágrimas. Brincadeiras, vergonha, sorrisos e separação. A espera, a chegada, o Oi e o Adeus... Em grupos que se equivalem tecem, juntos e separados, a teia de mistério e significados que estaria por vir. A teia que poderia conter as suas características únicas naquele bando de desconhecido. Se fossem todos bons, seria o fim melancólico. Se fossem ruins, seria o fim alegre. Mas estão balanceados e tentam, frase após frase, cantar a música infinita de um amor desconhecido. Tentam depois de linhas escritas e completamente perdidas nas estrofes, significar o que o dicionário amigo definiu como amor.
maio 18, 2010
Começou com a chuva que esfriou...
As alças não se estendem mais como deveriam. Com um véu seco, impermeável que dança ao vento noturno. Noturnos bailam em um redemoinho de cantorias leves e complexas... Poderia criar imagens de encontros ditados, mas o Previsível nunca repete seus atos. Traz consigo a brandura do antes, as alegorias do nunca e a resposta do sempre... Cria um caminho desenhando outro, conta finais de histórias que não foram escritas, proclama números que são incontáveis... Sim! Ele transforma um verde na pose infantil da fotografia, no lugar que se perde nas lembranças vividas. Peca o espírito, chora a tríade importante, testa seus órgãos em um contato completamente compreensível... Pede a uma criança que o descreva, pois quer saber como se pinta para o mundo. Na inocência do amanhã, a criança dobra o papel e berra saltitante e incrédula 'A folha em branco é muito para sua poesia!'
abril 28, 2010
Meus desejos de ser...
Sonhei certa vez em ser um daqueles poetas que não passam despercebidos, que todos olham e admiram a obra. Que todos admirem, mas sem sucesso ou brilho. Seguiria a vida cantando uma prosa indecifrável, mas que marcasse os passos dados em uma névoa vital... Sonhei tanto que me perdi dos endereços do meu plano inicial. Continuei sem denotação, sem prosa e sem lírio... Continuei como uma vírgula colocada em um lugar errado que ninguém percebe e continua... Continua este ditado mal falado de palavras soltas ao vento, sem significados e sem distinção. Continuo tendo o abstrato como acolhedor da falta de sintonia entre eu e minha fraca tendência... E sonhei certa vez que gostaria de ter uma escrivaninha e um caderno limpo para escrever meus contos de amor... Sonhei tanto que hoje escrevo as lamentações, dia após dia, em retalhos de um coração que já se cansou de alimentar essa ilusão...
abril 20, 2010
O perfume percorre o ambiente, impregna as mãos e guias meus sonhos. Seu olhar me conforta em pensamento, me acalma em meu deleite e aprofunda quando está perto. Tuas mãos trazem a tortura do aumento cardíaco, porém, sua leveza faz do inferno um imenso mar calmo. Tento colecionar os momentos rápidos e o sorriso sereno para poder completar o meu sono no recanto do amor... Falho nas inúmeras tentativas, afobo nas chances, anseio o som da vitória em seus lábios. Mas nada me traz de volta, nada me deixa retornar e conquistar. Você caminhava por entre o desconhecido e hipnotizado tentei seguir-te nesta névoa intolerável e daninha para meu sentimento... Ao acordar do transe, um sorriso nos lábios pelo sonho bom e a angústia funda no olhar por ver que tudo não foi real e como resultado minha vida no clichê infame do: Me perdi tentando te encontrar...
março 22, 2010
Me ensina a ser como você quer, me ensina a me perder de uma razão para fazer tais coisas desfeitas. Me ensina a brincar de sorrir ao te ver. Me ensina a te tocar de um jeito único e me ensine a entender que seu olhar é o infinito do meu viver! Me mostre o caminho de ida, me faça esquecer a volta e me faça, cada dia mais, ser menos dependente de você. Sim, eu já pensei em tudo acima e resolvi desligar os fios sobre o meu colchão. Já desenhei meus novos mapas sem teu nome e as suas iniciais se perderam nas teclas do telefone... Eu esculpi a melhor obra do parque, cortei a melhor cena e fotografei a poesia viva... Todas elas, que antes me pertenciam, anotam outros nomes em suas placas frias... Todas elas se cansaram de cá e buscaram a alegria fora deste mundo melancólico. Em um lá maior que faz mais do que acordes e boa sinfonia... O lá faz as pedras menos polidas e mais marcadas de vida que você possa imaginar...
março 13, 2010
O vento frio vem do tímpano da dúvida, de um pingo neutro da falta de coragem, que latiu em disparada há alguns dias e um pouco das letras apagadas da inspiração, que faltou onde mais se precisou, para traçar um caminho além. Os pingos que caem fazem a melodia triste e cadenciada do nada. Um dedilhar de sons agrupados, mas sem um ritmo definido. Sinais que passaram e que tentei, em vão falho, desvendar. Um olhar e um braço jogado para confortar, um beijo doce e um brincar que não sei o que pensar. É aquele sorriso que congela com um adeus inevitável. Um até breve que de breve, a estação muda e o esperar se cansa. Hoje contemplo traços invisíveis na parede onde antes escrevia seu nome em códigos... Para ser mais fácil de te encontrar e saber exatamente como te entender. Hoje, passeio nos brancos espaços de um terremoto sem fim, de uma dificuldade e uma falta absurdamente sentida, mas que, nem eu mesmo, saberia se é isto que eu gostaria de ter agora... Contemplo o hoje, tentando entender o agora, imaginando que em um futuro encontre, nos seus traços, o enredo para a próxima história a ser desvendada na fogueira...
fevereiro 28, 2010
A viagem ganha um mundo paralelo. Companhia diária importante, o álcool começa a ser mostrar fraco para o desenvolvimento do sentimento e novas, e até então proibidas, substâncias são utilizadas. Elas afloram a mente e criam um paralelo que pode ser logo sentido nas primeiras linhas das leves brincadeiras. São jogadas ao vento palavras desconexas, que vão ganhando significado perante o caos supremo. A abstração vai aos poucos se tornando a maior parte da nossa mente e, cada vez mais, pede combustível para permanecer viva. Dia após dias ela ganha terreno mental e não conseguimos mais distinguir os paralelos que criamos. Alguns conseguem o controle quase total e só desenvolvem a parte abstrata do amor, outros se perdem no novo sabor e passam as horas de vida brincando com o concreto. Como o amor é complexo demais para descrevermos, a nossa abstração quebra a dificuldade de síntese com outros elementos. Abstraímos da respiração ao pulsar, do sorriso mais belo ao vento gélido da solidão. Entramos totalmente em um labirinto emocional que muda constantemente seus caminhos. Em leves clarões vemos seus resultados, porém, no instante seguinte, tudo é alterado e o jogo de palavras volta com novos significados. Vivemos neste parque de diversões das idéias, com suas charadas e suas adivinhações. Experimentamos o extremo de significados possíveis e impossíveis. Figuras transformando-se em sons, paisagens declarando todo seu amor em hinos irreconhecíveis, personagens perdendo a vida por olhares personificados. A pureza sendo envenenada na mudança de linha e o perdão mais puro aprisionando para sempre o eterno apaixonado. Todo este caos em linhas é o trabalho que resulta de uma mente perturbada, vivendo em outra realidade, com outros rumos e sem dificuldades. Assusta em seu início, mas vai ficando menos acre com o passar do tempo. E o que antes causava perturbação, ganha um sorriso leve ao final. Após um tempo indeterminado, deciframos todas as curvas existentes, dissipamos toda névoa causada pelo amor e sua descrição é vista em todos os rostos e textos dos viajantes. Porém, como uma brincadeira sem fim de uma terra incompleta, uma nova ponta nos é colocada, não sabemos se por culpa da abstração extrema ou da complexidade do amor, acabamos por viver cercados da Personificação dos Sentimentos...
fevereiro 12, 2010
Nos é mostrado um mundo de sonhos perfeitos e caminhos perfumados de paixão. Jardins repletos e fartos, com a temperatura ideal para se apaixonar por todas as circunstâncias. Caminhando um pouco além, descobrimos que é só a fantasia que nos é mostrada. Alimentamos uma fome gritante, mas que jamais se mostra fim. Vivemos nos sonhos repletos e quando sonhamos com o realizar, nosso peito inflama e caímos novamente no início deste mundo. Redundâncias perfeitamente acentuadas! Lua e estrelas, nossas companheiras de túnel, tornam-se nossas melhores amigas, pois passamos madrugadas inteiras gritando a angústia do quase, a infelicidade da falta de perfeição e cantamos o nosso amor não correspondido. O álcool vira nosso combustível de vida, vira o sol de nosso mundo, pois não conseguimos viver sóbrio com a perfeição sem fim e nada real. Vivemos para nos embriagar e, desta embriaguez, soltar nosso lado de fantasia para tentar aguentar toda essa redundância. Seu doce e acre destilado infla nossas veias com a inspiração embriagada e fazemos poesias para a mais perfeita bela do mundo. Com todas essas poesias coletadas pela pureza do sentimento, durante dias e dias, criamos um jardim repleto da arte romântica e alcoolizada. Em nossas andanças madrugada adentro, escrevemos um rio de poesias, provas e juras eternas de amor, porém elas se calam ao amanhecer e ao fim das nossas forças. Essa infinita espera do nunca deprime e acentua a angústia. Em flashes com o mundo de nossa amada é quase impossível segurar a razão, uma loucura latente nos invade e perturba ao ver todos os nossos sonhos ruir como areia ao encontro do mar da realidade. Conhecemos os diferentes sabores da derrota e sabemos identificar todas as suas personificações. Quando estamos conectados ao mundo real, queimamos em seu inferno e nossas poesias, tão trabalhadas e verdadeiras, são as laminas que nos cortam e nos jogos novamente à fantasia e sonhos. Esta constante não realização de sonhos faz nascer, depois de muito sofrer, dúvidas da nossa capacidade. Dúvidas que tatuam nossa pele para tentar entender como o amor, vivido em nossa maneira tão pura, é capaz de ser tão injusto e diferente fora do mundo das idéias. Há os que ficam pelo caminho dos dias infinitos da solidão e do álcool e há também os que migram para outro estágio, o estágio forte da Abstração e Não-Lucidez...
fevereiro 07, 2010
Frio e implacável, úmido e convidativo, descritivo e conotativo. Colorido recheado de escuridão, em suas paredes carrega as marcas de seus passageiros... Recheadas de gritos, angústia, poesias, frases soltas e amor. O amor existe em seu mais perfeito estado de espírito. Cada caminho trilhado contém seu doce perfume. É na solidão que o amor consegue seu auge, na solidão que o amor rege seu sentimento e personifica-se em personagens diversos: pinturas, canções, letras, rimas e risos... Todos os elementos da inspiração fluída do amor. A pura inspiração destemida e ilícita do amor. Inspiração que expira o entorpecimento proibido. O entorpecimento das mais impuras naturezas, desde pílulas, cartas, comprimidos e sonetos até gotas, redondilhas, picadas e refrões. Doce impureza que arrasta madrugada adentro para um impossível desfecho. Sabe escolher para cada momento a melodia certa, a certeza da estrofe perfeita e nos faz cantar. Rasga-nos o peito e explode nossa garganta com sua lira, seu tenebroso veneno. Seu ilusório cantar. Perdemos os sentidos e as forças, vamos ao encontro das diversas loucuras em nome do nosso amor, ou quem ele tenha escolhido nestes meses tortuosos. Traçamos o plano perfeito, sonhamos acordados com o perfeito momento. Nunca nos importamos com a negação, pois ninguém pode negar o amor! Não o verdadeiro amor e nunca o maior amor que infla nosso peito. Tentamos descrever em palavras o que arde em nosso interior, mas procuramos este sentido em folhas inexperientes e sem significados, pois só quem é passageiro ou percorreu estas estradas consegue entender o que é viver isto intensamente. Suspeitamos de tudo e de todos que se dizem experientes, pois nosso sofrimento nunca se compara ao de ninguém. Luas e estrelas são testemunhas de nossa crescente angústia, de nossa terrível jornada. Só elas conseguem suportar quando avistamos o fim do túnel, o fim da jornada e realização do nosso amor, a resposta de nossa crescente dor, só elas conseguem nos suportar quando finalmente iremos desfrutar de toda a paralisia das nossas engrenagens. Neste fim é que conseguimos saborear o amor em seu mais profundo gosto, na sua mais profunda pureza... Sonhamos com este momento, com suas cores e cheiros singulares, com suas músicas cadenciadas e luz indescritíveis. E está ali, bem à frente, na saída que sonhamos durante dias incontáveis. Finalmente os últimos passos dentro do túnel que nos mostrou tudo com mágica e sabedoria. Ao primeiro passo, sempre dado em falso fora do túnel, descobrimos que mudamos de mundo e somos os mais novos Habitantes do Platonismo...
fevereiro 06, 2010
Trapos e cacos de um caminho perdido se juntam no chão empoeirado. Tudo que podia lembrar você abstrai-se como a chuva repentina. Caem gotas silenciosas neste carrossel visionário. O álcool, que era para regar uma alegria, tomou conta do sangue e desenhou em minhas veias um pequeno abismo infinito. Um ponto verde, abaixo da língua adormecida, reluta os fatos jogados na praia de pedras. Rastejo para algo concreto neste oásis e vejo apenas um livro despedaçado. Logo me aprumo e vejo que livro conta uma história conhecia e surreal, divertida e piegas, com alguns personagens domesticados por todos. Seu primeiro capítulo, em letras miúdas que cobrem toda a extensão da página, sugere o início: O Túnel da Solidão...
fevereiro 05, 2010
Minta sobre um destino que não te escolheu, um caminho que te foi fechado para sempre. Minta sobre as opções que fez e as lindas feridas que proporcionou... Minta sobre como deixou o coração alheio e minta também sobre como consegue mentir. Produza todos os seus feitos com a beleza noturna que nunca lhe foi característica. Seduza o orvalho perfeito e encha-se do seu perfume. Dê risadas abafadas, toques singelos e olhares perdidos. Crie a sua fantasia e faça disso uma poesia desconexa, falsa e sem nenhum sentimento. Jogue palavras ao vento e se enquadre em algo único e peculiar. Dance uma lira desconhecida, cante a ópera criada e faça da sua vida um teatro de fantoches vespertino. Porém quando todos se enjoarem e você não conseguir mais fingir o que é, chore! Chore as lágrimas inexistentes, mostre um choro confuso e sem voz. Nunca um choro daqueles enjoativos, recheado de pedidos e compaixão com um sofrimento inculpável. Culpe, fira, destrua e prometa... Simples jogos insolúveis que você proporciona. Engraçado como a inspiração transforma o sofrimento em prosa livre, transforma um aperto em parábolas construtivas... Engraçado é ver que, após tudo isso, você morrerá sozinha no caminho que sempre quis estar.
fevereiro 01, 2010
Trabalhado o olhar correto em um momento inusitado, com todas as imperfeições características e um clima impossível de se notar. A inspiração falta e a construção pede à imaginação que venha fértil. Que venha e traga, junto ou em partes, o doce orvalho da tentação... Do impossível esquadro, das páginas usadas e do rascunho vislumbrante. As histórias se perdem, o olhar não passa de uma fachada esculpida em algo frio e o doce sereno enrola-se noite adentro. Situado como um jargão não utilizado, guardado com a vergonha alheia e a piedade de um sonho que nunca se concretiza, nunca vira algo diferente de um sonho. Redundâncias e brincadeiras jogadas ao vento singular e cortante... Frio como sempre, frio como um olhar que não responde as investidas e congela, para um todo sempre, um coração latente...
janeiro 23, 2010
Diga para a ela que eu estou bem, que meus olhos se cansaram de esperar na mesma janela, dias inteiros, o carro azul chegar para poder sorrir. Que me cansei de sonhar com um endereço de uma cidade grande que pudesse estar meu futuro promissor. Diga que eu não ganhei fama ou nada com os versos endereçados e que fui virar poeta depois de muito tentar e que consigo não mais associar a banda de rock que era a predileta por ela... Diga para ela que eu consigo sorrir, que todos os textos que fiz durante as noites, serviram para eu ver o quão distante estamos e impossíveis de juntar. Que todas as noites em claros serviram para eu ver que cansado amo bem menos. Diga que todas as vezes que falei que amava ficaram guardadas em mim, porém endereçei elas para um desconhecido qualquer da rua, para que ele pudesse, encontrá-la naquele lugar e ocupar o posto que sonhei durante anos ser dono. Diga para ela que parei de sonhar, que todas aquelas horas no telefone congelaram meu coração que pulsava para o impossível. Que os momentos foram curtos e rápidos, assim como a morte durante o sono. Diga que minhas caminhadas serviram para conhecer o meu mais profundo sentimento e que, apesar da minha mínima idade, eu jamais seria o maior amor da sua vida. Diga para ela que não aceitei mais pedidos, que sei distinguir impulso de verdade e que minhas poesias sempre foram melhores abstratas. Que apesar da peculiaridade, a verdade e sinceridade sempre prevalecem em um mundo perfeito. Diga que eu percorri caminhos demais e sei que minha maldição é terminar só, afogando sentimentos e ganhando a doce solidão como prêmio final de um crime perfeito. Diga para ela que não sou tão igual quanto ela pensou, ou até possa parecer. Que meu sorriso não se incha ao vê-la e que tudo que passou, nesse meio-tempo gigante, pode ter ficado na história de um livro esquecido, folheado e guardado com estranheza. Diga que eu tive muitas idas e vindas e que as fotos borraram a parede lisa da minha vida. Depois de tudo, se alguma me procurar, diga que sei que fico sozinho, não por escolha ou destreza, porque sei que sempre vai ser assim, mudam-se os amores, pessoas e até as promessas, mas permanece o olhar único que congela, que inflama, que ama e que odeia... Aquele bendito olhar que pula de pessoa para pessoa, que atravessa épocas e não envelhece, que sabe que quanto mais você mude, ele jamais vai mudar pois será sempre notado. O olhar que hoje fujo e corro distante, o olhar que diz tanto sobre mim como se me conhecesse há tempos... E ele me conhece, muito mais do que eu gostaria, pois ele é o olhar do amor.
janeiro 12, 2010
Titularizar um poema abstrato que traga a evocação e resumo necessário. Flertar com rimas inexistentes, deixar a modernidade de um piscar de olhos guiarem o ritmo de uma dança fúnebre e carregada de sentimento... Caminhos traçados aos quatro ventos mundiais, inspiração que chega como um telefone amarelado da espera. Mãos atadas com nós invisíveis que frustram todo o amor latente. Cenário talvez impossível de se imaginar ou montar, porém vivo no coração de um poeta desconhecido, perdido e insolente, que utiliza sua lira, seu doce brincar, como forma de expressão e alimento. Sabe que carrega um espírito trovador dentro de si, com facilidades de cantigas e sonetos menores... Frustrado! Como sempre foi e como sempre será... Buscando em cada aurora reconhecer seus pontos comuns, reconhecer a origem de sua dor e seus desejos. Onde foi que iniciou sua jornada, razão da sua tortura, e onde que está o último capítulo... O desfecho de uma odisséia sem personagens ou enredo. Caminhou por entre montes conotativos, bebeu das chuvas que fizeram desgraças, sonhou com estrelas que queimavam seus olhos e tropeçou em jargões tontos e feitos. Procurou em pedras e pergaminhos, procurou nas escrituras e nas flores... Desistiu de encontrar sua missão e então, já alucinado com as possibilidades, decidiu que iria transcrever nos livres caminhos a incerteza do nada... Virou o silêncio do escuro.
janeiro 08, 2010
A escuridão ganha um movimento estranho quando me pego pensando em você... As alternativas se esvaziam de um mundo paralelo e no horizonte brotam todos os sonhos que talvez tenha tido com você. Minhas histórias se confundem em um gotejar de oportunidades nunca assumidas pela razão. Esvaziado pelo parecer absoluto, me ponho a vasculhar se você não passou de mais um sonho etílico, desgarrado e ordinário, que ganhou vida em minha mente devastada. Se fosse para dizer qualquer coisa me perderia nas linhas que já escrevi, sóbrias ou não, completamente entupidas de adjetivos atormentados. As cores mudam de órbita, ganham um peculiar som de tristeza e desenham um sorriso perdido no céu negro... Em números me perco e multiplico tesouros inventados. Desenho mapas frustrados e escondo um dicionário de razões para ter você nesta loucura. Mas agora, a pintura principal de uma exposição visitada me mostra a mais terrível denotação... Você é a pérola perdida em um mar que um cruzeiro levou.
Nossos olhos não se cruzam mais... As palavras, antes doce, transformaram-se em imenso silêncio. Como aconteceu em outros tempos, me sinto um desconhecido lembrando de algo tão bom que é impossível dizer que foi real. Sua voz sumiu da lembrança e não posso mais dizer que era doce e sincera. O tempo passou e, pelas dificuldades alheias, fomos nos separando como duas peças nunca encaixadas... E os dias, que lembrava tanto, viraram "outros dias"... E pela solidão e sua ausência me faz questionar se foram reais... Os olhos em lágrimas, a caneta falha, a fome surpreendente são simples sinais que estou vivo na imperfeição e as marcas de um vidro fazem menção a um dia perdido em uma longa e distante estrada... A estrada que sem saber percorri pensando em você.
janeiro 04, 2010
Dedos entrelaçados em um futuro de propostas, lágrimas indecifráveis contando os minutos de um tempo que já não era senhor, nem tampouco, inspirados na odisséia de contar... Era ouvida uma canção ao longe, conhecida e com batida abafada, mas com outro refrão que dedilhava a mudança. Idéias marcadas de outros autores coroavam o momento e decoravam a parede do único cômodo com vida... Cores! Muitas cores formando um batalhão de claro e escuro... Misturadas ou aglomerando-se em um mar de hipóteses, certas ou erradas, vitais para seus dedos. Existia a folha no canto limpo da escuridão. Marcada e sofrida, dobrada e sofrida, rabiscada e sofrida... Nela se existia um único momento, era aquele que se perde no contexto para ter um fim... Aquele momento que, de tão carregado, experimenta o abismo primeiro de emoção e não volta ao seu estado normal. A folha tentava, em vão, ajudar e organizar... Mas existiam ali amor e sonhos tão complexos e abstratos que ao mexer eles evaporavam para uma nova mente... Um novo estágio de comoção. Não era nenhuma poesia perdida, muito menos um conto romântico ou um épico triunfal de algum herói desconhecido e manjado. Nas poucas linhas completas e nas palavras carregadas, existia ali simplesmente algo impossível de dizer, mas que todos conhecem e correm da sua existência... Existia ali, na sua inteira simplicidade, a angústia da dúvida.
janeiro 03, 2010
Se fosse para lembrar uma imagem, seria do seu sorriso. Se fosse uma razão, seria da água. Se fosse um momento, seria seu "Oi". Se fosse um som, seria da sua risada. Como compromisso, minhas chances se perdem ao dançar ou passam pelos corredores infinitos. Seriam quatro números e uma vírgula de uma história que não foi contada. As palavras fogem de uma descrição melhor e a minha razão se perde em não saber o que seu olhar quer dizer. Me perco no triste fim de um nunca, me perco em um silêncio ruim que não posso gritar para preencher. Todo o balanço não é capaz de me tirar do lugar, e, assim, sem soma ou subtração, continuo contemplando um olhar perfeito que é o seu...
novembro 26, 2009
Tentar encontrar a linha que larguei tanto tempo atrás, por pensar diferente e sentir gostos que, nos momentos passados, fizeram o efeito de exclusão geral. As pétalas saboreiam o vento de uma forma delicada e angustiada... Os pássaros cintilam uma doce esfera com a rajada de vento... Meus olhos tentam captar a poesia por trás das cores, tentam cantar a melodia doce que antes era fácil e completamente conhecida... A música mudou, as notas foram invertidas ou, de alguma forma, são desconhecidas aos ouvidos que se entristecem ao saber que o mundo girou e não captei essa mudança. A frequência de tudo oscila agora em passadas diferentes, em ritmos diferentes, em mundos diferentes... Minha antes companheira de noites em claro, em angústias imensas se foi para um lugar que preciso, novamente, aprender a viver... E até lá, até no recanto da poesia encontrei a solidão fria como companheira estimável.
outubro 30, 2009
Os dedos antes sempre acostumados a ver a beleza na incerteza, a ver a beleza na neblina que paira sobre a vida, sobre as decisões não tomadas. Dedos estes que sempre buscavam uma viagem mais longa da mente e do coração. Dedos estes que sentiram falta de um amor para se cantar. Sentiram falta de ter aqueles sonhos inexplicáveis e completamente despojados. Sentiram falta da risada singular e do olhar perdido em meio a uma multidão encantadora. Parecia cego, mas houve uma busca por isso! Parecia surdo, mas houve atenção aos sinais luminosos que brotavam vida. Olhou marcas deixadas pelo caminho e eles levaram a um passado de lembranças boas e vivência única. Encontrou um velho álbum de fotografias e folheou com lágrimas inocentes. Embriaguez imposta pela vontade contraditória, ligações perdidas no silêncio do segredo, páginas seladas de um futuro completamente idealizado... Enfim, nisso tudo achou a poesia que tanto sentia falta e se cansou, pela vez que já nem sabia contar, de perder a essência da sua existência e voltou a prometer que desta poesia jamais iria sair.
setembro 29, 2009
Com entorno de criação me perdi para sempre. Tentei almejar um bom lugar para avistar tudo, mas de só avistar, meus braços doeram e tive que ir para luta. Nesta luta, suei e perdi os pontos necessários mais do que ganhei, porém, na outra visão disto, ganhei vida e ganhei a alegria do tentar, a sabedoria do perder, a abstração do planejar e o aprendizado do retornar. Vi minha vida sair do amarelo colorido para um cinza solitário, vi minha vida sair dos sonhos calmos para o vazio sem fim da aquarela abandonada. Sem ajuda e com muitas incertezas eu consegui reconstruir as passarelas que fizeram muitos curiosos voltar a visitar as obras perdidas e sem significado. Sem ajuda vi muitos partirem rindo da insolência e esbravejarem críticas altas, mas sem um esforço nítido em mãos... Mas, sem razão plena, eu sorria e a cada vez que parecia um novo declínio de vida, eu transformava a tristeza avassaladora em conto e prosa. Com personagens abstratos eu transcrevia meus sentimentos e assim, sem mais nem menos, nascia outra obra isolada e sem sentido algum. Para mais uma volta deste brinquedo...
agosto 20, 2009
Com todas as forças inexplicáveis... Eu te amei! Construindo caminhos difícies, me privando de luxos financeiros e pessoais... Eu te amei! Em toda briga, em toda discussão, em todo toque e em toda atração... Eu te amei! De dia, de madrugada, a tardezinha ou a cair de sono... Eu te amei! Eu inflei meu peito, contei aos trinta mil cantos do mundo, falei ao carteiro, porteiro e telefonista... Eu te amei! Em jogos sérios, em horas parados, no calor e frio intensos... Eu te amei! A cada surpresa, jantar, viagem e realeza... Eu te amei! De minúsculo ao infinito, de fraco até indestrutível, de rascunho até arte perfeita... Eu te amei! E hoje, hoje acordo com um gosto acre na boca, uma pontada no coração de que tudo foi um banho de mentira, cada palavra e cada gesto que achava real... Se desfez como pó no vento, hoje percebo que em todo sorriso, existia uma ponta de incerteza que antes não enxergava... Hoje eu percebo que a cada palavra pronunciada, tinha por trás uma tormenta de mentira... E hoje eu percebo... Que amei a mentira, a falsidade e fui vítima de um jogo que achava não existir atrás das suas doces palavras... Hoje eu te mato e sigo minha vida, mais desconfiado do que tudo... Mais triste e introspectivo... E hoje é a última vez que pronuncio seu nome para alguma coisa...
agosto 14, 2009
Brotam raízes intermináveis, brotam poesias de um épico drama, brotam sorrisos de faces conturbadas, brotam lágrimas esquecidas de um poema ignorado. Vivem fantasias de olhos admirados, vivem contos de passados históricos e doces... Doces aventuras ditadas. Os sorrisos mostram os meses convividos, as histórias simbolizam a confiança adquirida. O álcool rega o final da dança, mas que continua pela malícia e irreverência. Pelo pensamento negro e proibido, pela foto vista e educadamente ignorada. Pelo pudor ou pelo riso de canto, pela vontade profissionalmente reprimida. Com o simples abaixar de olhos maldosos eu continuo ou retomo... Aquela linda dianteira mal-interpretada e consciente de que a melhor escrita é a do platônico embriagado.
agosto 07, 2009
Depois de muito pensar e pesar hoje me despeço para sempre... Hoje começo um capítulo novo e angustiante de uma vida em que todos clamam que perdi. Hoje começo um novo caminho. Hoje começo com aquele gosto acre da incerteza, mas certo que fiquei contemplando o vazio por muito. Hoje eu saio e não tenho hora para voltar, se voltar... Hoje ponho a camisa que você detestava e mudo até meu cheiro. Hoje um novo nome surge no meio de uma multidão triste e desolada. Hoje o álcool rega, amanhã arrepende e depois alegra. Hoje meu telefone muda e minhas cartas endereçadas para o platonismo são queimadas... Hoje canto o refrão débil e hoje eu volto a ser aquele cara que você conheceu há um tempo atrás...
agosto 06, 2009
Foram frases jogadas em uma ajuda melancólica. Uma investida de lembranças, mas pareciam lágrimas com sorrisos. Uma alegria simples, mas sincera. Uma alegria do passado vivido. Era uma relação pelo olhar, uma sinceridade pura e o complexo relacionamento. Éramos uma peça única de um quebra-cabeça indefinido. Éramos um tear de sonhos que sustentavam-se pelo sentimento. Éramos tudo e acabamos como um nada... Acabamos com um melhor momento escolhido por cada um... E mesmo assim, tendo a certeza que nunca irá se concretizar. E o que restou disso tudo, além das lembranças, das investidas conhecidas e das muitas figuras pintadas... Foi o dia mais triste de nossa vida, que sonhávamos ser o mais perfeito.
junho 29, 2009
Seria uma falta sentida, uma ausência irreal, seria um novo sonho quando todos os outros morreram, seria um novo entendimento daquela velha frase, seria uma vontade de tentar diferente, seria uma falta ao lado, seria uma saudade das coisas tolas, seria uma letra diferente, seria até mesmo o toque... Poderia ser o suor de satisfação ou até mesmo o do esforço, seria uma voz longe que faz pensar, seria a música que é teclada, seria o beijo dado, seria a imagem distorcida, seria o apito final, o alarme do carro, o fósforo do aquecimento, o brilho vindo da janela ou até mesmo o picadeiro de uma discussão... Só que não é nada aqui, sem você.
junho 14, 2009
Um céu outrora branco e listrado de promessa se pôs a lamentar-se. Correu-se por veias divinas cheio de lamentação e confuso de Sol e Chuva. Hiportemia barata do amor, com lágrimas secas de uma pétala cor de violeta. Pergaminho ditando um caminho doloroso e cintilante, de brilho eterno, rumo ao desconhecido jardim infantil. Se fosse amor não seria notado, com flash embutidos na gola alta da surpresa... Se fosse amor não seria ruído de dentes feitos para bater... Se fosse amor seria um anúncio de infinito com data de validade. As portas pratas que abriam o desfecho tinham um ar de mistério... Os poucos atentos viram o pedido mortal pixado em seu rodapé... Os poucos atentos ouviram, ao bater, as notas fúnebres de uma canção mal-resolvida... Os poucos atentos olharam os pássaros voando para longe. E se bateu! Como bater asas? Não! Como bater ovos na frigideira? Quase! Ele sentiu-se encurralado demais... E correu pelos cantos! Só se deparou nas portas do labirinto que não fora construído, não fora planejado e não fora instruído. Seu amor selou a carta resposta e atravessou a avenida desenhada a sua frente... Sol e chuva pintaram de vermelho a rosa descabelada.
maio 22, 2009
Que outrora desbravaram dificuldades e novos caminhos, que foram guias em dias perdidos, que conheceram muitas pessoas de sotaques diferentes e que ouviram muitas histórias. Um sapato vive o que a pessoa decide, seus caminhos e decisões, suas lutas e vitórias... Seu suor e seu orgulho. Foram esquecidos por muito tempo, anos se passaram... E, no mesmo espírito anterior, calçaram confortavelmente e se puseram a andar por terrenos de onde eles nasceram mas, pela ironia do destino, nunca houvera andado. Depois de anos, os sapatos tão surrados, conheceram a cidade onde foram feitos e comprados... Onde, há anos atrás, encontrou um par de pés, tão perdidos quanto eles e, juntos sempre, venceram inúmeras lutas... Inúmeras trapaças e desconfianças... E juntos, novamente, deram, ao dono de tudo, as memórias passadas e, juntos, prometeram, pelo pouco tempo que resta dos sapatos, virar mais uma página da vida do dono e vencer mais algumas batalhas. E por isso que eu olhei para eles e sorri, como quem sorri para o sol após uma tormenta infinita... A página que nunca seria cerrada, começou a virar.
fevereiro 20, 2009
Foi sem querer e teve malícia, foi um olhar e teve razão, foi uma brincadeira sem verdade, foi algo simples sem redenção. Foi melado com sabor de hortelã, com um olhar bobo e palavras de vento. Foi uma explicação já devidamente entendida, foi quente como se nunca tivesse que parar, foi com sorrisos e roupas amassadas. Foi tão significativo que a noite acordou o sonhador e proferiu suas palavras, melancólicas e sentimentais, de alívio com um toque de depressão... Coube ao poeta encontrar as rimas e os lugares simples de uma transcrição, coube ele viver um momento em que ele somente sonha e escreve suas vontades. Coube ao poeta a ingrata tarefa de dar vida as experiências de alguém. Tentar, em meio a palavras desconexas, fazer o mesmo sabor que jamais imaginou provar. E ele assim o fez, tentando tornar o acaso em perfeição, o simples em algo completamente especial, as desculpas em conforto... Ele mentia, para ele e para o mundo. Em certo momento, se perdeu da inicial e assim finalizou sua poesia, como tantas outras, sem uma rima final.
fevereiro 19, 2009
Como um balanço de estoque oferecemos e vendemos nossas energias e acumulos gerais, para nos completarmos, desejamos o melhor da vitrine ou, dependendo do desespero, nos contentamos com uma leve migalha insignificante. Corremos para o por-do-sol mas nossos pensamentos estão em como conseguir um bom café-da-manhã, em como conseguir a fartura que nos faça ser notados. Nos abstemos simplesmente tentando ser aquela pessoa que os estranhos olham na rua e desejam... Mesmo sendo carnal e falso, mesmo sendo o que fazemos diariamente, mesmo sendo só por um minuto, mesmo sendo eternamente...
novembro 20, 2008
Se fosse uma palavra jogada ao ar, seria intensa... Se fosse uma imagem, seria a de você acordando... Se fosse um momento, seria nossa viagem... Se fosse uma razão, seria a do beijo... Se fosse um lugar, seria o primeiro bar... Se fosse uma estação, seria o verão... Se fosse um som, seria o do teto... Se fosse uma conclusão, seria o indefinido recheado de momentos singulares... Porém jogo tudo ao alto vendo você sorrir... Jogo tudo ao alto por ter você fazendo o seu melhor... Jogo tudo ao alto por você... E se fosse para exlicar o porque, seria o porque você é especial.
novembro 04, 2008
Com certa nostalgia de tempo eu me guio por uma escada beirando um abismo bicolor... Um som inaudível passa pelas tormentas da piedade até que explode em uma boreal matinal. Os sentidos se aguçam, o paladar se ergue em meio a ressaca etílica, e, com passos grandiosos, a lembrança vem até mim, estacionando em diagonal a sua entrega. A melodia me remete a um tempo que não consigo descrever, a leitura me leva a infância e a todas as tagarelices realizadas... A saudade me leva a você e, o pulsar de veias, me traz a angústia da distância dos laços. Nossos laços talvez, pequenos fragmentos unidos, talvez. Expliquei por palavras soltas e fáceis um cenário inigualável... A conversa é feita e lembrada, é berrada e terminada, é idealizada e lacrimejada... Os sinais são os mesmos, mas diferem por causa da escuridão do quarto... Como um roubo em que nasceu para morrer, como olhos que pregam uma imagem na parede, como copos quebrados pelo corredor de vitórias... Foi neste mesmo lugar que o menino ficou esperando seu ídolo... Contemplando uma parede que exibia marcas das alucinações e marcas de gestos inexplicáveis... Foi isso que ele queria ser e lutou para ser... Ao ver tudo desmoronar, voltou ao seu triciclo e se pôs a guiá-lo para casa no fim de tarde... Você, eu e todo mundo que conhecemos...
outubro 19, 2008
A inspiração me vinha com suas frases feitas, com o seu cenário convidativo, com sua melancolia postada e eu deixei passar... Deixei passar por não me sentir digno de sua presença, de sua confiança... Foram lamentações ao vento, foram lágrimas de angústia ignoradas... Foram e nunca mais voltaram... Não me sentia vivo o suficiente para por, de peito aberto, a minha poesia em rima... A propriedade sentimental era demais para mim, era veneno aos meus olhos que não conseguiam mais enxergar a beleza que sempre me foi dada. Foram meses, muitos, que eu não conseguia mais sentir meus dedos guiados pelo romantismo da escrita... Foram meses sentindo um amor de um jeito diferente, de um jeito que jamais senti antes... Um amor solitário, um amor absurdamente estranho... Um amor que não me deixava ser quem eu era... E depois, descobri que não era amor, tão pouco paixão... Era uma doença instaurada em minhas veias, pulsadas pelo mesmo coração que antes amava o platonismo e idealizava a perfeição... O tratamento foi intenso mas com resultado... E agora eu volto a caminhar pelo mesmo vale que já conhecia, volto a caminhar pelo mesmo sentimento de antes... Volto a sentir beleza na escuridão e na solidão... Volto a me sentir sugado pela melancolia e me sinto bem afogado nos delírios do álcool... Volto a ser o poeta que tinha morrido e preciso contar ao mundo o que sinto...
maio 13, 2008
É estar de passagem e ver o gol da vitória, é abrir os olhos depois do sono e ver um salto de alegre, olhar para o lado e ver um abraço de saudade, é pegar um pouco de uma conversar e sorrir. É ouvir alguém cantarolando uma canção e lembrar quando ouviu pela primeira vez. É sentir um perfume e lembrar de um momento. É associar uma árvore à uma fotografia. É ter o que pensar quando se olha para o infinito. É saber que nesse aglomerado de dias que se faz nossa vida, vivemos e gostamos, choramos e sorrimos, perdemos e pulamos e acabamos por aprender que a felicidade real está em uma mensagem simples, na doce sinceridade de alguém que nos chama de amor... E ao ver isso conseguimos viver completos, pois descobrimos o motivo de viver.
abril 13, 2008
É complicado escrever sobre um beijo que se espera, um abraço que se sonha, um sorriso que se guarda... A regressiva sendo aguardada, o telefonema para agendar, as dezenas de mensagens trocadas... Quando o momento chega não existe desespero, suor nas mãos, não existe prerrogativa e muito menos aflição... Existe algo quase mágico, uma sintonia completa, uma união propriamente dita que pronuncia uma perfeição tão intensa, e saborosa, que as noções são arremessadas para um infinito e só conseguimos viver em função dela. Nisso tudo as palavras, por mais que tentem definir com simplicidade e clareza, não chegariam a um nível que se pudesse compreender... Quando esta união termina, cabe ao coração pulsar as lembranças e nos saborear com um gosto de felicidade inexplicável... E a única coisa que consigo dizer em meio a tamanha alegria é: "Eu te amo muito e quero passar meus dias com você..."
março 12, 2008
Os traços carregados sempre contam uma história antiga, talvez uma cantiga ou uma mentira dos tempos dourados. Os olhares simples e discretos, sempre mostrando uma leveza, buscam no ambiente alguns ouvintes. Velhinhos contam histórias da época, derrotas, dúvidas e vitórias... E tem vitória mais linda do que estar vivo contando a lenda? De marcas fortes à voz rouca, de pele passada aos apetrechos interessantes. Os causos passam de política até maneiras de como criar bichos... Os comentários vão de aspirante-vereador até fazendeiro-bilionário... Nunca constante, sempre um novo amigo a cada passo e é assim que colecionam fatos e mais histórias... Alguns de fora odeiam e ficam nervosos, porém a maioria gosta e se diverte. Não se importando muito, mas respeitando... Afinal até guerra mundial já lutaram e sobreviveram, dizem eles. E depois de um tempo se vão, com um aceno e um aperto de mão. Um sorriso sincero, carregado de alguma malandragem que o tempo se fez responsável por brotar... E o caminho deles parece que nunca tem fim e se fosse escrever uma página por história, as costas se curvariam ainda mais com o peso das páginas ditadas...
janeiro 23, 2008
Just name a place...
Se a inspiração falta, o ar respira as notas na vitrine do saber... Se a conjugação é fraca, as diretrizes explicam e desenham uma incognita. É assim que vem as idéias e são transcritas em verso livre, livre de escolhas e razões... Espalhadas em uma dedicada linha mental que, atrapalhada pelos dedos, ganha um sentido mais uniforme. Tudo termina e se renova, porém o que está partido jamais voltará a ser completo. As luzes piscam e o tamanho aumenta o lugar, mas o que seria das setas se indicassem um caminho sem volta? Um leve brinquedo que perdido em letras, se aglomera com tantos outros inusitados e se faz, quando menos se percebe, notado. Palavras e gestos transcrevem um amor falso, de passatempo... E nunca este amor será o de lágrimas de saudade que, apagado pela areia, renasce a cada luar... Gostaria de gritar uma liberdade branda, porém não consigo enxergar além dos dias e, mesmo se pudesse, teria medo de olhar para o vale corrido... Pois nele atirei meus amores e nunca mais quis olhar. Se é para batizar o lugar, seguiria os caminhos deixados pela lebre branca que saltitante nunca parou de cantar...
novembro 22, 2007
As encurtadas de uma vida paralela...
Poderia ser aquela simples indagação de 'se todos gostassem do verde, o que seria do azul?' Mas eu penso em você. Poderia ser culpa daquelas toneladas de músicas que eu associei a você, poderia ser os planos que nunca conseguimos realizar... Poderia ser os astros, o telefone, as horas ou até mesmo a distância... Mas não, nunca seria nada disso a não ser eu e você. Tudo que planejamos, tudo o que sonhavámos absurdamente... E eu guardo, guardo como quem pensa que vai voltar, que vai ser diferente, que vai ser intenso... Eu guardo as bibliotecas da vida... Guardo cada coisa escrita, cada carta enviada... Eu guardo. Com o mesmo carinho, mesma noção de uma realidade que me trouxe até aqui... Me acordou tarde demais... Eu gosto de você, eu penso em você... Você. Simplesmente eu te infernizei e te coloquei como pessoa mais importante da minha vida... Você. E como você mesma disse há uns tempos atrás... 'De você eu não tenho nada, um abraço, um sorriso, um beijo ou um cheiro... NADA'... Do nada criamos um tudo impossível... Do nada sonhamos acordados coisas absurdas... E hoje, insustentável por culpa, desaba e vai sendo mostrado tudo que ignoramos antes... E disso tudo, a única coisa que não desabou foi o que eu sinto absurdamente por você, o tamanho do seu nome na minha vida... Eu nunca menti... Eu te amo... Gostaria que não fosse... Mas é verdade...
Para a mulher da minha vida...
outubro 23, 2007
Do mêtro de manhã lotado, dos aflitos por espaços e da gritaria debochada. Dos papéizinhos batidos, da venda de CD, do pães caseiros vendidos de manhã, das promoções de chocolate, chicletes... Do movimento de pessoas, das figuras centrais que tem em toda cidade... Dos lugares, do chopp, das razões do chopp, dos amigos, das conversas, das zueras, das azarações insanas... De tudo! E vou sentir muita falta mesmo... Mas eu prometo que volto...
setembro 09, 2007
Com os barulhos e a sensação de infinito eu pensei em você. Eu me revi ao seu lado, mesmo tudo sendo um sonho. Eu imaginei os números e a sintonia do rádio. Vi o filme novamente contigo, massageando pés e seu ombro tenso. Era envolvente e sempre de muito carinho. Os sons que me levaram, me trouxeram e um mergulho foi merecido. A diversão infantil guiada pelos mais velhos, o perigo constante... A virada da onda e o refúgio das marolas. Foi a promoção do alimento que me fez lembrar de você e o céu foi o cenário para os meus olhos viajarem... A música tocou na minha mente e meus lábios cantarolaram as doces frases... Eu ainda penso em você... E como a música da noite dizia que eu me lembro de tudo que eu quero esquecer...
setembro 03, 2007
Não é poesia, tão pouco algo romântico... Simplesmente beira o trágico, a angústia e até o desespero... Algumas noites, sem saber o real motivo, eu sonho que estou acordado. Longe de ser normal e, muito menos, engraçado. É horrível você querer dormir e seu sonho te provar que as horas passam e você não consegue sonhar. É angustiante quando você realmente acha que aquele sonho é real e não tem motivos para abrir os olhos, pois você já está com eles abertos... Ontem foi assim... Deitei e comecei a virar de um lado para o outro... Olhei para o relógio, 1:04... Não sei se era o horário real ou se já fazia parte do sonho... Mas sei que foi assim... Olhei até chegar as 4:30... Ouvia buzinas, ouvia os carros passando na avenida, até bebados conversando... Ouvi fogos, ouvi sirenes... E sempre ao tentar uma nova investida, eu olhava o relógio... Por um estalo qualquer acordei, de verdade e pensei que já eram 5:00 da manhã... Mas, para total surpresa... Eram 4:15... Aí sim... Consegui dormi de verdade... Sonhei com campos verdes, com sombra fresca e um descanso dominical... Infelizmente hoje é segunda, dia de trabalho e da correria básica dos nossos dias... Pelo menos, de descanso, eu tive 2h30 pois hoje o dia promete...
agosto 24, 2007
Retratos e esbarrões do dia-a-dia...
Poderia ser o bom dia de elevador, o barulho da porta, o cheiro do café ou a risada alta. Poderia ser o guarda-chuva derrubado, a esmola pedida, a leitura da manchete ou a moeda acolhida. Talvez fosse o bilhete vendido, o grito oferecido, os olhares indecifráveis ou o lugar cedido. A bala melada, o som alto do player, o xaveco furado ou a camisa desbotada. Tudo pode ser o ator principal do meu viver, mas continuo tentando lutar para descobrir de que eu vivo. Eu vivo da ilusão, vivo das emoções partidas. Da doce mentira que guia as noites, do sacolejo corporal diário. Vivo inspirando novidades, vivo remexendo diários. Escrevendo livros imaginários, traçando amores platônicos, vivo saindo sozinho e imaginando alguém. Vivo dando goles da alegria, mesmo amarga, mas desenhos um final doce e tenro. E se os retratos do dia não são suficientes, me vou... Esgueirando em não-lugares adaptados, em mundos criados. Sentindo a pressão da saudade, a angústia da distância... Vivo alcoolizando o meu sentimento interno e até onde a sanidade querer... Eu vou viver.
agosto 21, 2007
Os semáforos...
Ou sinais, sinaleiros, faróis... Marcam a atenção, o seguir ou o pare brusco. O pare desajeitado e nervoso também... Mostram a singularidade de sinais, codificados em cores, transcritos em ações. As vezes piscam por descansarem, ou apagam com o cansaço merecido. Muitos esperam, outros ignoram... Mas os sinais existem e movem mundos diferentes de diferentes planos... Sem sinais não sabemos como devemos beijar e nem se devemos amar. Sem sinais não conhecemos o caminho a seguir e nem se devemos olhar... Quanto mais tarde fica, mais sinais são ignorados e desta ignoração em massa, surgem acidentes, brigas e até mortes... Semáforos para beber, para parar de fumar, para ter atenção com as bicicletas... Semáforos... Eu olho para os seus sinais e não sei se devo te amar ou se apenas te beijo para sentir o perigo em minhas veias... Onde ficariam os sinais do amor?
abril 19, 2007
Sorrateiramente bicou a porta dos fundos para adentrar a festa que nunca fora convidado. Serviu-se na sala das melhores entradas e petiscos... Bebida, como havia de sobra, pode experimentar, em doses altas e completas, para nunca mais esquecer dos sabores. As risadas dos outros em nada interferia no seu próprio gozo. Sentia-se, mesmo ali sendo alvo das maiores balbúrdias, um ser-humano realizado. Após o jantar e das diversas bebidas experimentadas, foi o álcool que ditou a sua conduta festiva. Cantou músicas de sua infância e dancinhas típicas dos quatro cantos do mundo... Nesta hora as risadas se transformaram em tensas gargalhadas, com toses e pegadas de ar... Alguém até se aproximou e filmou a cena... Com mais algumas doses, se virou ao seus pensamentos... Lágrimas surgiram na sua face, brotou uma estranha e perversa tristeza... Sem falar nada foi meditar na cozinha... Roubou um livretinho e escreveu... Suas angústias, dúvidas, amores e pensamentos... Lotou o livreto... Deixando-o para trás foi para casa aos prantos... Uma daquelas pessoas que riram, pegou o livreto e leu para os convidados reais... As gargalhadas foram transformadas em espanto, em brilhos e, para os mais sensíveis, pequenas lágrimas... A grafia era vivida e perfeita, sem rimas mas ritmada pelo mais belo sentimento... Tentaram, em vão, achar o sujeito... Sem nome e só com as palhaçadas feitas... Era essa a imagem que todos tinham... E nunca imaginariam que era um poeta...
abril 14, 2007
Tratou os trapos com carinho e destreza, esquecendo dos defeitos e sujeiras que possuíam e concentrando-se na forma. Imaginava os caminhos por onde tinham passado, as frestas que percorreram e quantos não agregaram. Alguns novos e tristes, outros velhos e felizes, outros simpáticos, outros emburrados... Porém, ainda, trapos. De tanto estudar e admirar fez-se a filosofia do trapo. Sem uso ou denotações... Simplesmente o nome para o trabalho de meses de estudo. Como era muito homogênea e carente de novidades, perdeu o interesse... Não tinha mais o brilho do fascínio nos olhos e muito menos a vontade de desenhar formas na sua mente... Como tudo na vida, morreu o desejo abstrato por trapos. Continuou usando-os diariamente, para as mais simples tarefas... E com um pouco mais de tempo, esqueceu completamente que criara a Filosofia... E em um belo dia de almoço familiar, pegou-se fascinado pelos guardanapos... Bradava pela singularidade, forma e maciez... Fez-se então um novo amor, a partir daí... Pisou nos trapos, acabando com a vida que ele mesmo criara.
dezembro 13, 2006
Ae peles deixaram marcas no corpo virgem de aprendizado, sereno pela brandura porém perverso pelo olhar. Os sonhos desenhavam planos perfeitos na mente jovial, porém a realidade era implacável na realização e nunca deixou-me sentir o gosto de um gozo pleno. Sinceridades a parte, encontrei-me sempre no lado escuro da vida... Remoendo sentimentos, buscando respostas, caminhos ou cantigas para exemplificar o sofrimento carregado. Nunca achei e nunca aprendi como deveria ser certo nesta descrição. Por conta disso passiei pelos moldes, escolas, mestres e manuais... Criei algo da mente, algo novo porém conhecido... Criei uma vida em palavras, amada e odiada, ovacionada e vibrante... Nunca cheguei perto da cruel realidade... Porque me disseram que a vida era poesia barata, esdrúxula, fria e incalculável... Sempre pensei diferente e por isso, para minha morte, eu ditei palavras que ficaram boas em um soneto livre. Nunca me ensinaram como eu deveria ser para isso...
E terminei minha vida escrevendo sonetos
Rimas soltas apaixonadas ao vento
Poesias completas endereçadas para a alma
Que de tão branda, reluzia perfeita.
Foi de início triste, passando a escuridão
Do gozo sincero a tenra depressão
Encontrava nas linhas sinuosas e rochosas
Esta completa e apaixonada maldição
Foram dias inteiros imaginando este lindo fim
Tentando encontrar, no nada, alguma beleza final
Algo que chegasse perto de uma morte triunfal
Em ruas do meu coração eu me pus a procurar
Outra palavra que mostrasse o presente que andei
Porém só achei o pretérito imperfeito de vida: AMEI.
novembro 26, 2006
Lancei dados ocultos em névoa clássica, pendurei por ponteiros que marcavam alguns instantes desenhados nos muros de outrora. Caminhei pelas pétalas da vida de uma daninha, serena e carregada de culpa pelos lados. Avistava cores que simbolizavam pessoas ou talvez fossem pássaros, que voavam livremente pela pista estrelar. Talvez fossem escolhas ou alguma fechadura perdida neste caminho curto, porém sinuoso. A música embalava os problemas, porém eram nos inversos que a resolução dos problemas se intensificava. Aplicava regras, colhia resultado, verificava a natureza material de ser... Tudo tinha o custo vital. O semblante fechado pela tristeza acolhia agora o inverno que vinha quente e chuvoso. A vida sempre mostrou mapas, oportunidades e rasteiras prontas a se moverem no Xadrez Mortal. Um xeque ou um movimento de pedras errado, fazem você perder peças importantes, porém o adversário é sedento e logo aproveita para uma segunda chance. As palavras se desordenam na cartilha poética, a escuridão avança pelo vale de planícies... Sempre tentando se mostrar pecador, porém com amor em lira suave. O bilhete amassado mostra o último destino da mochila viajante... E sempre estará pronta para outra, só é preciso a alegria de seguir em frente e se mostrar pronto para picar sonhos em migalhas e se alimentar do gosto inexperiente da vida...
novembro 21, 2006
Ser acordado pelo pleno orvalho e pelas pétalas de vida invísivel, desatando os laços unidos e fantasiados de um relacionamento vitalício. Abrir os olhos e buscar a fuga certa para a caça desesperada do viver, relatar em pequenos contos a epopéia da vida. O enfermo busca a esperança na janela pingada de chuva, nessa hora se perde em pensamentos melancólicos e duvidosos questionamentos. Busca a necessidade, corre pelos corredores da sua mente albina, um grito desesperado e angustiado para se sentir novamente vivo. As horas nunca passam quando estamos tristes e confusos, traçamos planos e promessas para possíveis empreitadas perigosamente suicídas e nunca teremos o sangue-frio necessário para iniciar a batalha. Cada dose do remédio é medicinalmente controlada para trazer o alívio necessário, a falsa cura por horas, para que, pelo menos nesse curto espaço, possamos nos lembrar como é a vida sem nossa doença. O enfermo sabe disso pois são os únicos momentos que consegue dormir. O apaixonado pelo mundo desconhece este conforto, mais uma vez se acaba nas promessas embriagadas e sem destino. Caminha pelas ruas sem conseguir olhar para frente e enfrentar sua depressão. Busca o conforto em coisas mundanas, doses e fumos. Relaxam e criam um paradigma novo de alegria, horas se passam e com isso ele consegue dormir um pouco. Os sonhos são diferentes para os dois, pois eles já passam a diferença na realidade. Um tranquilo o outro carregado. Um ascendente e outro descendente. A única semelhança é quando acordam, sem efeitos adversos e a angústia inicialmente relatada, se mostra viva e presente e os desejos antigos se tornam mais uma parte da vida. E é perceptível que falamos de uma única pessoa, presa nos seus sonhos e acometido de uma doença impraticável... Ele a amava.
outubro 19, 2006
Foi mais uma vez que eu estava no bar, bebendo minhas cervejas... Sozinho na mesa... Olhando o infinito ou o lugar que antes ia diariamente... Olhei as paredes mudadas, as mesas sempre iguais, o balcão... Lembrei das inúmeras amizades que fiz ali... Desde dono, funcionários ou simples clientes... Era mais ou menos minha segunda casa... O lugar que meus pais sabiam que eu iria e conheciam também... E eu fui lá porque estava acabado, deprimido, nervoso... Triste... Quase perdido no caminho milenar, mas seguindo a corda-guia da rotina. Pensei nos problemas, nas soluções, nas variáveis e medidas... Lembrei de músicas, de poeias, de brigas e das discussões... Dos planos traçados até os que foram derrubados... Da simples matada de aula até o conselho regado ao álcool... Pensei em desistir de tudo, achar novos rumos para minha jovem vida. Pensei em conversar diretamente para expor a situação... Pensei em gritar de peito aberto minha angústia... Lembrei das festas que fiz ali... Da reunião de amigos e das vezes que cheguei em casa por sorte. De como éramos lembrados e provei que nunca fui esquecido. Do aperto de mão drenado pelo tempo até o pedido de retorno breve. No fim fiquei com o sorriso no rosto, de um lugar que nunca deveria ter mudado... Porém foi suficiente para enxergar mudanças necessárias... Tanto minhas quanto externas... Sentimentais quanto racionais... Foram duas cervejas, antes da obrigação... Pouco mais de trinta minutos... Quase quarenta... Que fez eu me sentir vivo e calmo para pensar e repensar sobre qual rumo minha curta vida deve levar... Necessário para ver que mudanças existem e outras traçadas de rumos são extremamente importante na nossa vida... Morreram seis reais e renasceu a minha esperança redudante velha de guerra.
outubro 18, 2006
Não me importei com o horário, lugar ou situação... Não conseguiria mais aguentar dentro do meu coração a pergunta fatual... Não fiquei completamente feliz com a resposta, porém aliviado... E talvez disso saia a maior importância de todas... Nunca quis saber os motivos porque não pertence a mim... Nesta esfera pactual eu fico na marginal do saber... Na redondilha menor dos versos, perdido na perfeição de sonetos e rimas simbolistas... Vou guardar para sempre o momento, poucos copos, sorrisos, novas amizades, o básico conhecer, os sonhos, desejos, vontades, realidades e mitos. A pefeição estava ali por um curto período... Porém se esvairou ao perceber do erro e deixou a ventania noturna como companheira total... Fiquei pasmo, quase doente... E eu nunca poderia querer mais, sem antes te conhecer...
setembro 26, 2006
As mentalidades se chocam, trazem o incosciente da flor, uma pele morena branda e nunca acostumada com a intensidade necessária da poesia. Um quê de dúvida e significado, um jaleco da pureza estampando o pecado capital, números aleatórios que mostram a codificação da vida. Perambular sobre a vida, textos e idéias, talvez nunca sejam retratadas e ouvidas, talvez sejam transferidas para outro aquém. Pétalas ao vento, letras na areia, canções no papel... Seria tudo um complemento único, se fosse dono desta razão. Danço pelas vielas, ruetas e cidadonas. Construo vários projetos aqui, ali e acolá. Sou o poeta desvairado, sempre compreendido, eternamente odiado e impossível de ser esquecido... Talvez sina ou benção... O futuro irá me dizer... Naquela mesa de bar, onde brindaremos um possível final para a vida. E eu nunca pensei que ele deveria ser feliz...
setembro 17, 2006
E foi assim que as velas se apagaram com o vento, a mágica foi desfeita e talvez uma ponta de verdade apareceu. Nunca seríamos um do outro... Nunca. E é assim que ficarei... Sozinho... E hoje eu canto as poesias sozinhos no mundo, sozinho por escolha... Sozinho por ter sonhado demais... E não aconteceu nada, mas estou sentindo a falta, a falta de manias, a falta de rotina, a falta de reconhecer... Uma alívio sútil, porém... um alívio que traz a alegria e tenta encobrir a falta que você faz na minha vida... A linda falta que eu senti todos esses dias... A falta de ter mais sonhos planejados e não realizados... E essa é a minha sina, o sofrimento por amor que eu tanto fiz, colho grão a grão por sua causa. Este é meu cruel destino... Por amar demais o impossível e desprezar o possível que sempre tive em mãos... E este é o jeito que vou morrer... Pelo menos deveria...
agosto 31, 2006
De nervoso tinha os lábios que tremiam em direção a um abismo de palavras ingratas. As mãos saltitavam pela superfície procurando o albornoz para esconder e não parecerem perdidas. Olhos, estes lacrimejavam de pavor e nunca focalizavam algo por mais da fração existente. Pernas tortas, sempre, e balançavam a um sabor de vento convidativamente seduzido. O cérebro tentava não entrar em curto e processar as informações ao mesmo tempo que mandava o coração obedecer... Este último pulsava disparado, um misto de sabor acre e doce... Uma mistura de alegria, tristeza, nervosismo e gozo... Não sabendo qual e como seria o final. Foi neste cenário que foi montado o Ele e Ela, os medos adolescentes adultos, os olhares encontrados no caos... E o beijo aconteceu. Foi aí que criou-se, enfim, os planos de amor, as juras bizarras, o desejo do infinito... Foi desta maneira que sonhou, na tarde qualquer, o beijo perfeito e o início do amor da vida.
agosto 27, 2006
Dentro de seis dias vai começar o que promete ser a maior empreitada rockeira da minha vida... Dentro de seis dias vou embarcar no meu mês do rock, dos shows e de todo aquele sentimento que amo tanto... Shows, lugares novos, amigos de longa datas, músicas vivenciais, bandas importantes e talvez melhor show da minha vida... Sexta-feira, dia 01, começa o mês de setembro e junto com ele, abrindo a cortina total e fazendo a minha preparação, Street Bulldogs... Em Piracicaba... Lugar novo... Depois, na outra sexta, The Ataris em São Paulo... Segunda melhor banda, segundo show de setembro, candidato forte a "Melhor Show da Minha Vida"... Depois dia 22 temos o tão famoso e aguardado Vans Zona Punk Tour... Noção de Nada, FISTT, Shilleper High, US Bombs e Pericles... Segunda edição do melhor festival do ano passado... Com bandas diferentes e bandas essas que fazia tempo que não via e admiro tanto... Fistt e Noção... Depois disso... Uma semana depois, dia 01 de outubro, finalizando meu mês do rock... NOFX... Impossível adjetivar o que NOFX representa para o mundo... Não sou dos maiores fãs... Mas NOFX é história viva... E merece ser creditado entre os melhores shows... Imperdível... Cada segundo, cada show, cada centavo gasto... De todos eles... E que venha setembro... Que traga boas novas e bons fluídos... Que deixe mais feliz e apague a sombra negra e dolorida de agosto...
agosto 17, 2006
Confiável ao mesmo tempo que dizem eu sou um bom mentiroso. Sabem do que preciso mas dizem que irei ficar mal. Que sou amigo mas não recebo nenhuma ligação. Que sou novo mas tenho cara de acabado. Que tenho o sorriso mais lindo mas sou perigoso. Que tenho cara de calmo mas não querem se meter comigo. Que sou triste mas nunca me viram chorar. Que querem saber de mim mas nunca para me ajudar e sim para satisfazer uma curiosidade que, supostamente, mata. Que querem que eu ajude mas não recebo um ombro. Querem saber como estou mas só para ter algo para perguntar. Me acham inteligente mas não provam que gostam disso. Então o que devo para viver? Ouví-las? Me refugiar no meu mundo? Fiz isso... Sabe que eu ganhei? Insultos, críticas e muitas, mas muitas mesmos, maldadades do tipo que eu sou egoísta, chato, preguiçoso, infantil, galinha, insuportável... E depois de dizerem tudo isso... Se foram, seguiram suas vidas... O que aconteceu depois? Quando elas precisavam de ajudas, me pediram perdão... Falaram que eu sou lindo, amigo, atencioso, gostoso, irrestítivel, apaixonante, psicólogo, companheiro... O que elas precisavam? De sexo, de um beijo confortante, de um ombro para chorar e desabafar a vida profissional / pessoal / sexual... Precisavam de uma fantasia real... E acharam EU... Sorridente, amigo e sincero... E depois que enjoaram? Jogaram fora como uma criança mimada que cansou do brinquedo do Natal e quer um novo que saiu e aparece na TV... Fui objeto por muitos mas muitos anos... Simplesmente cansei e resolvi viver minha vida e não acreditar em promessas que nunca vão se cumprir quando os OUTROS não quiserem... Eu também tenho vida, sou humano, tenho meus sonhos e objetivos... E preciso das coisas em algumas horas... Nada mais igual do que o resto...
agosto 12, 2006
Encontrei as velhas lembranças, escritos nos amorosos anos passados. Anos aqueles que brindavam o platônico, as esferas de alegria. Descobria o mundo da liberdade, do contato intimo. A liberdade do ter. Lendo revivi todos aqueles momentos que, ao sabor do álcool, me deixava levar para os caminhos de poesia. Experimentei o extremo, o excesso... Brindava a boemia a cada nova manhã de recuperação. Contava as horas para a noite e nelas ia-me sorridente. Dessas andanças nasceram amores e outros tantos foram revividos. Eu era livre e com combustível de vontade. Atrevia, usava, sondava e sonhava. Lembro-me de alguma escuridão, de tristeza e noites mal-dormidas... Lembrei dos momentos e tratei de esquecê-los, pois estavam enterrados. Voltei ao hoje, ao não poder... Enclausurado na angústia e nas lembranças da solidão extrema. Do peito caloroso doendo pela falta. Estou mais vivido, mas vazio... Alegre porém incompleto... Não sei até que ponto vale o sacrifício da mudança. Mas tenho esperanças e sei que não vai me abandonar. E só me resta escrever para entender a angústia que corrói e a minha única companhia depressiva, que chamo carinhosamente de Minha Vida. E eram apenas poesias cantando a solidão e o platonismo saudável... Pelo menos naqueles anos eu tinha por quem cantar. Hoje nem sei mais a cor deste caminho e nem sei mais como trilhar...
agosto 08, 2006
Talvez as coisas que seriam mais especiais se fizeram quando eu era muito novo... Visitei lugares que se fosse hoje talvez nem voltasse vivo, conheci pessoas importantes que talvez hoje me levassem para o mal caminho, pensei coisas que se fossem pensadas hoje me trariam tristezas... Ainda fico pensando o que pode ser certo e errado... O que é traição ou simples atração... O que pode ser considerado veneno e, descoberto isso, achar a acidez do gosto de alerta... Misturo idéias, idiomas, músicas, vidas e sonhos... Amo sem poder, vivo para crescer... Tenho as companhias que eu quero, mas não sou egoísta... E conquisto o que quero, pois sou intenso o suficiente para ser creditado. Jamais esquecido... Porque meus sonhos são feitos das lembranças boas que surgem e vivo em meus dias... As vezes existe uma tentação obscura que faz mal... Mas todos somos tentados aos desejos da carne... É bom conhecer...Melhor ainda sentir os olhos lacrimejarem por reviver algo que lavou a alma... E hoje, ao voltar para casa, eu gritei o máximo que pude... Sensação de liberdade... A liberdade mesclada a uma saudade imensa, a vontade de falar tudo que se quer para ser entendido, e, talvez a maior delas, poder sentir o sorriso puro ao meu lado... Sem pressa para cumprir as promessas... Vou ter tudo que eu sempre sonhei...
julho 20, 2006
Foi assim que comecei a trilhar estradas. Traças metas, buscar objetivos e significados. Talvez nem tenha me importado em demasia sobre as consequências sobre meu passado... E as pessoas que nele estavam... Porém sempre fui cuidadoso sobre isto. Nunca dei um passo sem antes me garantir que tudo estava como antes, sem mudanças drásticas e rebeldes... Não sei me esquecer das vozes, dos momentos e de tudo que passamos juntos. Com estas mudanças, que todos passamos, vi pessoas desaparecer, não comparecer, viver outros mundos e em outra sintonia... Alçei meus braços para tentar a conciliação dos mundos, cansei nas tentativas. Cansei nos momentos que mais precisei e não existia a conexão mágica... Fui deixado para trás... Por muitos... Como muitos outros me estenderam os braços, as mãos, me cederam momentos novos... Mostraram caminhos... Compartilharam experiências. Por estes continuei, por estes vivi e ainda agradeço por isso. Tanto quanto posso. O resultado é estranho, porém prazeroso. Um remédio que tem um gosto ruim porém dá alívio imediato. Esta é a vida sobre amigos... Uns continuam perto, companheiros e insistentes... Outros buscam novos, falsamente sem esquecer dos velhos, companheiros de jornada e regam a amizade como um jardim gigante. Esquecem que só existe uma pessoa para regar este imenso jardim plantado e, aos poucos, algumas dessas sementes, que brotaram e criaram um fruto bonito e intenso, vão perdendo o brilho inicial e deixam o jardim para buscar a beleza em outros... Já perdi a conta em quantos já passei, porém nunca me arrependi de ter vivido um pouco... E tenho certeza, que os mais especiais, continuam ainda no meu coração e destes eu nunca vou sair.
julho 12, 2006
A descrição falhou nos minutos finais. Trazendo a tona algo desconexo, uma criatura bizarra, sem molde e perpétua. Alimenta-se do longínquo, dos momentos espúrios, da maleável lábia humana. Cresce desordenado, noite a dia, finito a infinito, ingestão a digestão... Percorre mundos, vilas, bairros e casas. Todos precisam dele e não enxergam a dor que lhes causa. Divindade posta a coroa ganha... É clamado. Criou-se então uma legião de adoradores... Como se fossem titãs correndo para a vitória certa. E Ele gosta, cresce mais... Parece criar diversas micro-diferenças de um tipo para outro... Porém são todos frutos de um só... Quase uma alma habitando o coração e a vida de muitos normais... Que ainda cantam de peito sóbrio, outros embriagados, que sem Ele a vida seria injusta, imoral e sem significado. E Ele nada faz, pois não tem consciência... Nada faz pois o sofrimento ou a alegria é o alimento predileto... Ele mata milhões e também devolve a esperança pra outros... E quem há de achar ele injusto ou initeligível? Ninguém os entende... Nem seus criadores... Uma experiência fracassada no minuto final... Transformando algo perfeito em desordenado. Algo perfeito em incontrolável... O que poderia só causar risos hoje cria lágrimas, tristezas, perdição... Mas Ele cresce e continua habitando os corações alheios... E de todos os nomes, o que Ele mais gosta é Amor...
julho 07, 2006
No início era algo desconhecido, buscando simplesmente o conhecimento... O saber... Buscando sinais de entendimento, algo que pudesse fazer uma aproximação... E assim aconteceu, não lembro quando e nem como... AS mãos foram dadas e um destino, indescritível e inexistente, traçado. Foi-se um tempo aproveitando o momento... Simples não saber se estava gostando... Não existia o conhecimento... Pode ter sido lento e horrível, pode ter sido rápido e fatal... Nunca irei saber... O beijo veio selando a felicidade. Veio simbolizando algo que parecia fazer sentido. E rimos, como crianças, como anjos, como espíritos soltos... Do momento, do lugar, das pessoas, das histórias, do sabor... Rimos! Veio o fim... Incertezas, pensamentos, felicidade... Isso sim, felicidade. O próximo veio mais concreto... Veio mais vivo... Pouco conhecíamos, porém fizemos valer disso para sempre... Início, meio e o fim... Tudo com a mesma intensidade, nada triste, de algo novo e inexplicável... Se está certo, errado, bom, ruim... Só sei dizer por mim, nunca por ela... Causa talvez um estranhamento, unilateral, do sentido... Sentimento? Quem sabe... Eu ainda procuro entender para compreender... Porém as mãos e o perfume mágico ficaram em mim para lembrar...
julho 03, 2006
Éramos tudo, completos por amor e eternizados por razão.
Conhecíamos intimidades com olhares serenos.
E agora tudo é vazio... Nem nos falamos mais...
E por tudo isso que o inverno chegou.
Acolheu mais um em seus braços frios.
Emplacou, para sempre, as verdades não ditas.
O beijo faltante, o carinho a menos.
As lindas histórias e as risadas sutis...
As novidades brandas, o calor do nosso atrito.
Tudo é lembrança não lembrada...
Pois nunca mais foi vivida.
junho 18, 2006
Era evidente que um dia aconteceria. Era certo que nos viríamos e trocaríamos palavras fulas na noite. Era evidente que eu iria pensar muito sobre isso. As horas foram poucas, me perdi no não-saber, coisas básicas sem expressões e algumas risadas lançadas no ar. Ao rever o mesmo olhar de anos atrás modificado, entendi o significado. Mudamos com a vida e esquecemos de tudo que poderia significar para nós. Crescemos e nosso amor infantil ficou para ser, talvez, contado para os inexistentes. Porém, mesmo sabendo de tudo isso, eu lembrei de cada minuto, de cada discussão e de tudo que existiu em nossa vida. Lembrei dos beijos, dos olhares, das mensagens e do choro. Dos presentes e até dos erros, das risadas e da companhia no momento certo. As inúmeras idéias e promessas apagadas pelo tempo. De tudo que seu nome simboliza. Sei que é passado, mas certas coisas não morrem e ainda diria para você: "Você é a mulher da minha vida, simplesmente porque eu te amo!". Eu gostaria de cumprir cada segundo com você...
maio 28, 2006
Você que sempre era só minha... Tão clara e certa... Sempre tão linda...
Deixou ao vento a minha lira... Deixou ao mar meu canto profundo...
Agora espero em berço pardo... A redenção do meu sofrimento...
Profundo e turvo o meu olhar... Meu sorriso sem brilho flutua...
Buscando sempre as respostas... Das perguntas que fizera então...
Ao coração, sempre tão triste... Que bate e vive em função de ti...
E se tivesse alguma voz... Pra ecoar e fazer a canção...
Ser ouvida, ser cantada... Pela garganta seca, triturada...
Mas não consigo nem mais nada... A não ser deitar e sonhar...
Com a melhora, a esperança... De te ter em mais um momento...
Não é perfeito, tão pouco intenso...
Quero o simples complexo demais...
E no mais, nada em mente... Mas usufro das drogas sim...
Elas me trazem o gozo pleno... Elas me fazem você em mim...
Elas me mostram tudo que quero... Elas conseguem recriar o amor...
O amor... O amor...
maio 21, 2006
Sua suavidade me assusta, a calmaria plena do olhar. O instante perdido inédito e a reprise dos momentos vividos pela vivência. A certeza do erro inconstitucional e humilde. A criação desordenada do bem-estar. Você como sempre a rainha dos meus pensamentos, dona da minha angústia acuada, retentora de toda minha tristeza e causa do meu maior amor. Incondicional, sem-limite, sem guarda ou atenção. Amor puro e verdadeiro. Amor até o fim da vida. Amor que cresce durante os anos. Simplesmente amor. E agora queria fazer as malas, planejar sonhos na janela de um ônibus, passando de imagens rápidas e cenários construídos. Começar a vida novamente, ter um novo nome e um novo estilo. Esquecer das manias e dos gostos, esquecer do caminho passado. E por dificuldades extremas acabo me sentindo pequeno perante a grandiosidade mundial, dos problemas e das causas que não me deixam voar. Acabo esquecendo do meu princípio e de toda a poesia corrente. Esqueço até de mim e me ponho a chorar os rios que ficarão para trás após seguir o caminho... Piorando aos poucos, encobrindo a real culpa e a necessidade. Transparência suja de medo, motivos insignificantes e maliciosos... Fazem-me continuar sendo a mesma pessoa, enganada e destruída. O mesmo que riem e o mesmo que recita lindas palavras que são sopradas pelo vento e levam aos kilometros as mesmas baboseiras gratificantes... Não sou mais eu, nem sei que sou e muito menos onde posso encontrar... Sem amor, sem vida, sem destino, sem proposta... Continuo a insolente rotina ditada pela subjetividade.
abril 29, 2006
Sopram boas, sopram más... Sopram nortes, suis, lestes e oestes... Nunca concreto e sempre abstrato. Nunca completo e sempre misterioso. São imagens desconexas mas que fazem sentido final, são sinais bizarros e completamente inteligível. Falam do cuidado, da bobagem, do perigo e da inocência. Do amor, do ódio, da alegria e da tristeza. Sempre obscuras porém com resultante clara e branda. Talvez sempre tenham dito a mesma coisa porém de intonações diferentes que transformaram sempre seu significado. Dizem, as vezes, coisas futuras que devem ser guardadas... E são simples alcoviteiras, mulheres da vida que percorreram os caminhos e guardaram suas lições e experiências, mulheres essas que entenderam do sofrimento da falsidade, da usabilidade, do prazer não correspondido e da solidão... Mulheres da vida bandida... Que perdem um pouco do seu tempo eterno, ensinando um pobre coitado a não seguir o mesmo caminho que tantas sofreram...
abril 16, 2006
Para uma noite ao redor de amigos, cervejas, risadas, zueras e anos e anos de confiança. A pura, perfeita e longa amizade. Amigos brindando o impalpável, uma ajuda mútua... Um sentimento compartilhado e sabíamos que seria intenso. Foi assim meu último final-de-semana em Santos... Foi isso que senti ao olhar pro rosto de cada um... Cada zuera, risada, conversa... Somos únicos e imortais... Todos por um e um por todos. Nunca nos abandonamos e nunca iremos, talvez um pouco distante por causa da vida cotidiana mas nunca esquecidos... Sem falsidade, sem preço, sem porque... Simplesmente amigos! E foi isso que senti também em Serra Negra, na sexta-feira, onde fomos passar o dia e ficamos embriagados por tudo, conversamos, nos entendemos e continuamos trilhando a perfeição da amizade longa... Como comecei em Santos continuo construindo com novas pessoas e mesmo sendo novas, intensas e leais... E eu necessito disso, sempre foi assim e vai continuar sendo...
março 31, 2006
Sempre quis mais do mesmo, preferi do fim ao começo. As jangadas de emoção distantes ao som do mar fumegante. O princípio do consulado correto, príncipe de copas no carteado. Cachoeiras e redemoinhos de memórias, castiçais na dança champagne. Você por mim, eu por ti. Olhos e boca, mãos e pegadas. Brilho ofuscado na solidão da madrugada, estrela cadente carregada de mel. Esperanças nas provas de linhas, brancura no sorriso matinal. Sem razão, sem coração, sem tensão, sem destino. Rimas soltas e fracas, nunca perfeitas, em um lago de emoção e muito pesadelo brando. Lembranças arrepiam, sonhos concretizam. Brincadeiras revelam, confissões envergonham. Prazer inigualável, chocolate em dia frio. Você por mim, eu por ti, nós por tudo, vós pra sempre. E sempre o mesmo do eu e você, unidos ao rumo infinito que tem a cor que sonhamos sempre colorir. O caminho, os planos, as metas, o que foi nos dado, o que foi ganho. Tudo que existe após as reticências, o tesouro no fim do arco-íris, os três desejos livres, o encantamento celestial. Tudo que simplifica a vida por de trás da cortina de espetáculos mortais.
março 19, 2006
Temia escrever sobre o efeito do astral... Onde ele sempre me traz suas lembranças e mais do que existir de especial... A tristeza se instala e o que mais me dói é sentir a distância, o silencio, a completa depressão por causa da nossa curta história enfática. Fomos quase tudo, realizamos e descobrimos um mundo... E todo março eu volto no mesmo ano, na mesma janela, com as mesmas músicas e os mesmos sonhos banais que tinha. Você foi a primeira que me despertou o amor, que fez eu encontrar a poesia dentro de mim. A primeira que fez eu chorar e nublou os vários dias da minha vida... Eu te esperava, eu te amava, eu te escrevia, eu te venerava... Se era infantil, errado, novo, inexperiente... Não me importava... Tudo tinha motivo porque era por você e sempre foi... Te escrevi tanta coisa mas sempre tive medo de mostrar... Mas lembro quando te entreguei o meu primeiro texto... O nervosismo crescendo e o teu sorriso depois foi o mais lindo que eu vi... Só este gesto valeu todo o sofrimento, fez selar, para mim, uma recompensa única... E depois de seis anos só aumenta a saudade, a distância, o silencio que temos de viver... Não sei de você, como está, onde e nem os seus porques... Continuo minha vida mas sempre vai existir março, os dois dias que nos separam... E você sempre vai ter sido a minha primeira... Em tudo e por tudo.
março 02, 2006
Se tudo é o mesmo por que buscamos o que não conhecemos? Por que contemplamos um desconhecido e infinito universo de probabilidades? O medo de se deixar levar, o medo do sentimento e simplesmente o medo do mesmo, faz-nos carentes corredores do impossível. Fracos e metódicos apreciadores do sistema insolúvel. Um olhar, um acompanhamento bizarro, uma torrenta tenebrosa. Sem razão, conhecimento ou tato. Lançei-me em uma viagem solitária para tentar desvendar meus desejos. Bebi, sonhei, escrevi e pensei... Como pensei! Sobre eu, nós, vós e eles... Sobre os tempos verbais e a regência mundial das palavras. O certo, incerto, correto e errado. Tudo, quase, um pouco e nada. As lágrimas puseram fim a busca e continuei a trilhar o descoberto não conhecido do mundo sozinho e culpando os meus passos... A rotina virou vida.
fevereiro 23, 2006
A vida chuta cada hora para que possamos vencer os obstáculos e sempre continuar a seguir, coletando os pedaços que caem para irmos montando o quebra-cabeça do sempre incompleto. As manhãs, tardes sempre trazem algo especial que deve ser lembrado.. Um fantasma qualquer saberia disso e nunca deixaria um susto bom de lado... Não para a perfeita vítima, nunca para o hipocondríaco de plantão... Ou talvez seja carregado naquele gesto ofensivo, defensivo, solitário e mobral. Sempre damos o braço a torcer pela pior fatia e nunca nos deixamos levar pela leve brisa do mar eterno. Como o sal na água... A tristeza da vida existe, como também a beleza de sentir algo íntimo e ao mesmo tempo jovial. Monstros penetram o pesadelo adolescente, a mente inexperiente viaja a qualquer substância... E somente as olheiras carregadas pela noite que saberiam distinguir o bom do ruim e saber o nível exato a se entorpecer... Sem isso tudo é colocado na caixa de brinquedos esquecidos que só serão lembrados pelas lágrimas da recordação... Com as lamentações todas de desejos de se voltar no tempo.
fevereiro 13, 2006
Pétalas ao vento de almaço. Ferro ardente polar. Simplificando o complexo de mitos transcendentais. Forçando o coração a abraçar o impalpável. Percorrendo uma corrida pela camisa xadrez. A rotina sem fim se instaura na rede negra do lazer. Cores misturam-se formando algo neutro e binário. Tudo se desfaz quando não é o essencial da liga frutífera. Acordes molhados em uma chuva de notas e marcações. Sim, simples. Não, objetos. Talvez, figuras embaralhadas. Um perfume marcante no carro mesmo após um atrito. É o semblante do sorriso puro. O brilho maestrino do olhar. A diferença da divisão sem resto definido. Um fluxograma para entender o amor e seus méritos. Tudo, nada, pouco e muito. Placares modificados pelo urro interno dado com a intensidade necessária de se mover para o nada. Dobradiças de sono com a ignição momentânea da partida do não-saber. Os olhos se encontraram, juntaram a energia, interligaram o coração e aí se fez a junção do singular conjunto, do unido múltiplo. E era só mais um telefonema em um dia escuro de primavera. Pássaros cantando a fúnebre marcha da vida. Felizes, porém, carregados na sádica jornada da rotina e da obrigatoriedade.
fevereiro 08, 2006
Sentindo a dor no peito, acuado com o vento frio das manhãs, caminhando pela escuridão e tentando ser igual a tudo. Foi assim que comecei a redescobrir a angústia, a provar o amargo gosto da tristeza, sentir-se novamente sem vontade de vida. Depressão. O sorriso pesa, os braços não se mexem, o querer se esvazia, o ar falta. Eu sinto falta, sinto saudades. Quero mais, quero tudo. A inconsistência gera a dúvida e involuntariamente me atiro no abismo do não. Queria saber do olhar fraternal, das mãos trêmulas e suadas, do balançar involuntário. Queria ter, Queria ser. Sou o antônimo da vida mesclando-se como fantasmas no invisível do mundo. Sem cor nem vida. Sem vida nem amor. Sem amor nem riso. Sem riso nem afeto. Morro na vontade, nos lindos 1:23 minutos que falamos. No tudo bem, nas novidades antigas. Morro na simplicidade da vida, em ver que se lembra, em ver que os olhos pesam e tentam reviver burlando a distância. É por isso que eu me calo, porque eu não consigo viver assim, não sem sentir e muito menos sem desejar. Eu desejo, eu quero, eu espero... Mas os dias nunca me deixaram assim... Preciso de um olhar seu, aquele que me paralisou, que mostrou a perfeição da beleza... Preciso de um só olhar. Todo dia, toda hora que precisar. Preciso e talvez por isso que eu esteja assim, perdido e inerte. Carente e sedento. Tudo isso porque gostei de você e comecei a gostar...
fevereiro 01, 2006
Eu sempre quis saber o porque das coisas serem assim... Sempre quis saber o significado de um sorriso seu... Sempre busquei a felicidade para ambos... Encontrei na simplicidade da vida, o tudo. O amor, o respeito, a amizade, o gozo. Todas as sensações desde a angústia até o prazer pleno em estar próximo. E eu nunca iria deixar de te dar um abraço, um último adeus, algo que simbolizasse, que fizesse lembrar... As vezes pensamos nas coisas complexas de um relacionamento e não vemos que um simples beijo, em uma tarde qualquer, preparando um almoço fosse simbolizar um novo início. Uma nova descoberta, com um gosto já experimentado, porém com mudanças. Se eu fiquei tanto tempo matutando ao escrever tudo isso saiba que nada me fazia perder você do meu pensamento... Nada faria sentido se fosse escrito sem um aperto do coração. Passagens de músicas as vezes dizem, sem querer, uma infinidade de coisas a nosso respeito... Você tem o significado da minha vida e eu só não queria te dizer Adeus. Não queria deixar-te livre para o mundo, não após tudo. Seis anos nunca foram seis meses... Quantas coisas passamos, quantos caminhos e quantas mudanças sofremos... Eu queria poder passar mais tempo contigo, pagar todas as promessas que agente fez na nossa adolescência inocente, ouvir mais histórias e contar os rumos que minha vida tomou para hoje eu ser assim... Apesar de ser sempre o mesmo contigo e você também para comigo... Crescemos mas nunca deixamos de lado tudo que construímos... E eu não consigo mais escrever sobre nós... Eu não queria ser só mais um amigo... Mas alguém a quem você lembrasse sempre e que fosse incomparável... Lutei por isso, construí nossa relação para esse propósito... Como você é para mim... Única e especial... Perfeita nos detalhes e em tudo que compõe seu nome... Posso falar que nunca vou esquecer o perfeito vinte e oito de janeiro de dois mil e seis e nunca conseguiria esquecer a hora... Um sorriso me foge do rosto mas lembrar sempre é bom, porém a solidão de agora é fria... Mas uma doce lembrança foi marcada e te agradeço por poder ter tido você para mim... Se hoje me despeço o meu coração aperta e a emoção é inevitável... Te adoro muito... E espero que agente ainda possa se abraçar, beijar e nos divertir neste mundo... Com saudades, com emoção, com amor... Do seu eterno...
janeiro 17, 2006
Era perfeito. Era realização de sonho. Era novo. Era lindo. Era sentimental. Era sentido. Era vivido. Era estimulante. Era a concretização de tudo. Era tudo. E ao mesmo tempo nada. Era o mundo. Era uma folha de papel almaço, daquelas que agente tinha que fazer ditado no primário. Era um encontro de olhares. Era um sorriso. Era uma risada sem compromisso. Era uma troca de favores. Era o sem-querer querendo. Era atiçado. Era safado. Era de propósito. Tudo ou nada. Depende sempre do olhar depois. Do livre atrito das mãos que não sabem o que buscar. Nem o que achar. E sem saber o que achar eu fiquei aqui. Sonhando. Descrevendo tudo nas linhas poéticas livres do meu coração. Tudo amando demais. De menos. Menosprezando tudo. Focalizando a perfeição que não conheço a espécie. Tentando aprender. Apreender. Amar.
janeiro 08, 2006
Como sinto saudades da menina loira que tinha o melhor patins de todos, da menina que morava na rua da locadora, da menina que eu tive de subir a serra para conhecer e da outra que comecei a conhecer por uma ligação em uma tarde qualquer... Indago-me toda vez que vejo algo que me lembra elas... Como seria se estivessemos juntos? Se o destino não fosse ingrato e não tivesse colocado curvas e dificuldades nesta vida... Acredito que estaria sozinho mas com pouca história... Sem choro adolescente e nunca teria passado aquelas doze noites em claro, em diferentes anos, escrevendo, chorando, bebendo e tentando buscar as respostas na minha vida amorosa... Eu poderia ser mais vazio mas algo teria mudado nesta vida e talvez eu nem fosse o poeta que muitos conhecem, não seria o menino doente que fica sempre com perguntas na mente e fica triste quando escuta músicas e se encaixa no contexto de um todo. Eu teria algo a me orgulhar e não este vazio que conforto em meus braços... Eu teria uma foto perdida na gaveta e lembraria de todos os momentos que passei juntos... Eu seria diferente de tudo... E mesmo hoje eu sendo diferente... Eu ainda casaria, teria filhos e seria muito feliz... Se fosse com aquela menina única e linda que um dia eu disse que amaria para sempre e todo o sempre... Em um dos meus poemas, em alguma noite solitária e bohemia como eu passei...
janeiro 04, 2006
Escuto frases soltas de músicas que batem na minha mente, trazem alguma lembrança e um pouco de sonho. Não amo pois tenho medo do sofrimento que vem antecedendo sua presença. Mas quero encontrar alguém para endereçar as minhas linhas, as minhas liras, poesias e toda sinceridade que brota da minha vida. Certa vez, numa dessas estradas perdidas que peguei procurando, um velho poeta me demonstrou esta busca. Falou do sofrimento, das noites sem dormir, de tudo parecer ter significado ou perdê-lo pois não se tem para arfar em peito brando. Não deixou eu me esquecer, como se fosse possível, de tentar controlar os olhos e não perder a vista em algo que aparece na sua vida e falou desta inspiração louca, que me mata aos poucos, que traz tantas respostas que deixam duvidosas as minhas tantas perguntas. Aparecem poesias certas e destinadas mesmo sem conhecer a amada, sem saber dos seus sentimentos. Falou por último, antes de me deixar seguir, dos planos que são traçados pelo coração e dotados pela mente, que nunca se concretizam e causam a angústia e tristeza da vida. E foi por isso que continuei e, mesmo sabendo o tão errado que era, busquei te encontrar, te ligar, te desenhar e até a sonhar. Infelizmente eu ainda estou no prado e completamente só na chuva de ilusão que este coração mandou criar.
dezembro 28, 2005
E o silêncio me afoga na angústia
O não saber se transforma na tortura
Amarga, volátil que me carrega em dias.
Supervalorizada você em meu coração
Que não recebe nenhum afeto, nem afeição
Mas chora a ponto de lembrar, dos olhos
Sorrisos, boca e abraços afeituosos.
Viajaria em linhas se fosse te encontrar
Perdida em alguma poesia barata de cantar
Mas não sei onde estás, onde foi parar
E não sorri mais depois de tudo que ouvi
E de tudo que você sentiu por mim também...
Sonho acordado nos dias ensolarados
A noite sou morto por pesadelos
Que me mostram sua ida para sempre
E eu fico sempre com braços a te esperar
Em um canto nosso, que possa te conhecer e mostrar
O quanto amor eu sinto e quanto amor posso te dar.
dezembro 18, 2005
Ficou paralisado ao ver afastar e desejar um final feliz para o estranho passageiro do lado. Quis meditar sobre as possíveis razões das estradas de vida. Gritou e fez chorar todos os que assistiam o espetáculo mudo-preto-branco-dinâmico... Foi por tudo o fim esperado e sacramentou o encontro da raiz real. A poesia ritmizada trilhou os caminhos obscursos com a beleza inevitável. E assim terminou a vida para o lindo casal de desconhecidos que praticavam a telepatia como hobby e busca de felicidade. Foi assim, sem um beijo ou atrito, um olhar ou compreensão, que tudo chegou no seu final... Sem aparência e ciência só para forçar a rima final eles continuaram suas vidas solitárias com o coração apertados e sedentos de felicidade. O telefone tocou e não quis atender pois já tinha se cansado do engano inventado do destino sortido. A carta chegou e sem o envelope foi queimada... Guardou porque tinha o endereço e pensou que algum dia de insônia bateria na porta do andar escolhido, e ali encontraria, talvez a companhia tenra, que sonhava nessas noites. Duplo sentido para tudo e não para qualquer coisa. É isso que fez o motivo da curva fechada.
dezembro 08, 2005
São os olhos de um poeta louco que contempla a noite. Um daqueles que ficou sozinho no caminho cantando poesias, cantando a vida. Estirado pela vida, sem direção ou destino. Tendo a tristeza, a angústia e as lágrimas como companheiras de viagem. Quis parar e saber dos significados do infinito virado para a mesma palavra. A raiva e a implacável solidão foram apresentadas e soube que estava perdido em uma caminho inexistente e populoso... Foi quando virou e contemplou o céu e passou a amar intensamente o impossível... Foi quando passou a sonhar e viu-se morto no destino da vida inteira.
dezembro 04, 2005
Um caderno e sons melódicamentes tristes, uma seleção repleta de lágrimas e angústia... Pensamentos regados da melancolia mais profunda, lembranças e momentos... E nada saiu dessa mente pra escrita... Ficou mais um desses buracos no coração onde nada vive mais do que poucos momentos... A frieza natural do ser humano... Simplesmente cravei a espada mais profunda e deixei a dor tomar o controle da situação... Chorei pela falta e muito mais pelo não dizer... E tudo se perdeu...
novembro 14, 2005
A lua brilha ao longe, como você está longe de mim...
Tentando buscar significados pelas paredes do meu quarto,
pelas linhas poéticas e sem transversal.
Significados perdidos, eternas buscas.
Uma cor sem definição, uma viagem sem razão.
Isto é o amor puro e sem culpa.
Sem pretérito e nem imperfeição,
vivendo o presente do infinitivo com toda a sua colocação usual,
mas nunca prática e perfeita.
Nunca uma noção de realidade ou de intensidade,
Sempre o mesmo grau de psicodelismo e imaginativo.
As curvas do caminho ditam um ritmo cadenciado,
Que percorro em cegueira e melodia.
Por você, pelo seu amor e por um momento contigo.
Um sonho, uma viagem e um encontro.
Talvez pela luz da madrugada ou pelo reflexo do espelho,
Te vejo criar o redemoinho de sentimentos
E corro para alcançá-lo.
Sendo que sou mais um adolescente, sem saber de nada.
Cantando para uma folha rabiscada e pela mente alcoolizada.
Algo sem definição e incompleto de saturação.
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Nem revi o texto... É segunda-feira, véspera de feriado e acabei de escrever.
Do jeito que veio está aqui... Pode estar errado mas depois eu vejo e corrigo mentalmente....
É isso... Beijos e Abraços
novembro 02, 2005
Mudamos... Nos apagamos de uma vida completa que poderia ser perfeita... Sumimos um do outro... E hoje somos irreconhecíveis... Nada que dure mais de cinco minutos... Não temos nada mais... Não sei se está bem, se está precisando de algo, se tem angústia naquelas noites que não consegue dormir... Não tenho coragem de te pedir ajuda mais... Distantes não se ajudam... Não sabe o que acontece e desconhece os fatores... Dói ver que já vivi por você e de nada adiantou... Nem sabia do seu carro como vou poder ajudar você com algo que te atrapalha na vida presente? As palavras que deveriam ser minhas é de outro alguém, minha função é feita por outros... E eu perdi o que mais prezo nessa vida... O significado... O meu nome... Não sou mais nada... E isso não se aplica só a você e sim a muitos... Mas me machuca o fato todo por você... Espero que esteja bem e que um dia eu possa entender e te ajudar no que for preciso... Até lá fico na lembrança das mensagens, conversas, passeios, momentos, risadas e ajudas... E sonhando algum dia para poder ter a esperança de batalhar para te ter junto denovo... Porque te amo mais do que deveria... E eu sei que não deveria ser assim...