fevereiro 05, 2010

Alguns dias eu venho concreto...

Minta sobre um destino que não te escolheu, um caminho que te foi fechado para sempre. Minta sobre as opções que fez e as lindas feridas que proporcionou... Minta sobre como deixou o coração alheio e minta também sobre como consegue mentir. Produza todos os seus feitos com a beleza noturna que nunca lhe foi característica. Seduza o orvalho perfeito e encha-se do seu perfume. Dê risadas abafadas, toques singelos e olhares perdidos. Crie a sua fantasia e faça disso uma poesia desconexa, falsa e sem nenhum sentimento. Jogue palavras ao vento e se enquadre em algo único e peculiar. Dance uma lira desconhecida, cante a ópera criada e faça da sua vida um teatro de fantoches vespertino. Porém quando todos se enjoarem e você não conseguir mais fingir o que é, chore! Chore as lágrimas inexistentes, mostre um choro confuso e sem voz. Nunca um choro daqueles enjoativos, recheado de pedidos e compaixão com um sofrimento inculpável. Culpe, fira, destrua e prometa... Simples jogos insolúveis que você proporciona. Engraçado como a inspiração transforma o sofrimento em prosa livre, transforma um aperto em parábolas construtivas... Engraçado é ver que, após tudo isso, você morrerá sozinha no caminho que sempre quis estar.

fevereiro 01, 2010

Com a cor branca de um rocheado...

Trabalhado o olhar correto em um momento inusitado, com todas as imperfeições características e um clima impossível de se notar. A inspiração falta e a construção pede à imaginação que venha fértil. Que venha e traga, junto ou em partes, o doce orvalho da tentação... Do impossível esquadro, das páginas usadas e do rascunho vislumbrante. As histórias se perdem, o olhar não passa de uma fachada esculpida em algo frio e o doce sereno enrola-se noite adentro. Situado como um jargão não utilizado, guardado com a vergonha alheia e a piedade de um sonho que nunca se concretiza, nunca vira algo diferente de um sonho. Redundâncias e brincadeiras jogadas ao vento singular e cortante... Frio como sempre, frio como um olhar que não responde as investidas e congela, para um todo sempre, um coração latente...

janeiro 23, 2010

Lançados dados no orvalho da sorte...

Diga para a ela que eu estou bem, que meus olhos se cansaram de esperar na mesma janela, dias inteiros, o carro azul chegar para poder sorrir. Que me cansei de sonhar com um endereço de uma cidade grande que pudesse estar meu futuro promissor. Diga que eu não ganhei fama ou nada com os versos endereçados e que fui virar poeta depois de muito tentar e que consigo não mais associar a banda de rock que era a predileta por ela... Diga para ela que eu consigo sorrir, que todos os textos que fiz durante as noites, serviram para eu ver o quão distante estamos e impossíveis de juntar. Que todas as noites em claros serviram para eu ver que cansado amo bem menos. Diga que todas as vezes que falei que amava ficaram guardadas em mim, porém endereçei elas para um desconhecido qualquer da rua, para que ele pudesse, encontrá-la naquele lugar e ocupar o posto que sonhei durante anos ser dono. Diga para ela que parei de sonhar, que todas aquelas horas no telefone congelaram meu coração que pulsava para o impossível. Que os momentos foram curtos e rápidos, assim como a morte durante o sono. Diga que minhas caminhadas serviram para conhecer o meu mais profundo sentimento e que, apesar da minha mínima idade, eu jamais seria o maior amor da sua vida. Diga para ela que não aceitei mais pedidos, que sei distinguir impulso de verdade e que minhas poesias sempre foram melhores abstratas. Que apesar da peculiaridade, a verdade e sinceridade sempre prevalecem em um mundo perfeito. Diga que eu percorri caminhos demais e sei que minha maldição é terminar só, afogando sentimentos e ganhando a doce solidão como prêmio final de um crime perfeito. Diga para ela que não sou tão igual quanto ela pensou, ou até possa parecer. Que meu sorriso não se incha ao vê-la e que tudo que passou, nesse meio-tempo gigante, pode ter ficado na história de um livro esquecido, folheado e guardado com estranheza. Diga que eu tive muitas idas e vindas e que as fotos borraram a parede lisa da minha vida. Depois de tudo, se alguma me procurar, diga que sei que fico sozinho, não por escolha ou destreza, porque sei que sempre vai ser assim, mudam-se os amores, pessoas e até as promessas, mas permanece o olhar único que congela, que inflama, que ama e que odeia... Aquele bendito olhar que pula de pessoa para pessoa, que atravessa épocas e não envelhece, que sabe que quanto mais você mude, ele jamais vai mudar pois será sempre notado. O olhar que hoje fujo e corro distante, o olhar que diz tanto sobre mim como se me conhecesse há tempos... E ele me conhece, muito mais do que eu gostaria, pois ele é o olhar do amor.

janeiro 12, 2010

Frustração guiada para a descrição...

Titularizar um poema abstrato que traga a evocação e resumo necessário. Flertar com rimas inexistentes, deixar a modernidade de um piscar de olhos guiarem o ritmo de uma dança fúnebre e carregada de sentimento... Caminhos traçados aos quatro ventos mundiais, inspiração que chega como um telefone amarelado da espera. Mãos atadas com nós invisíveis que frustram todo o amor latente. Cenário talvez impossível de se imaginar ou montar, porém vivo no coração de um poeta desconhecido, perdido e insolente, que utiliza sua lira, seu doce brincar, como forma de expressão e alimento. Sabe que carrega um espírito trovador dentro de si, com facilidades de cantigas e sonetos menores... Frustrado! Como sempre foi e como sempre será... Buscando em cada aurora reconhecer seus pontos comuns, reconhecer a origem de sua dor e seus desejos. Onde foi que iniciou sua jornada, razão da sua tortura, e onde que está o último capítulo... O desfecho de uma odisséia sem personagens ou enredo. Caminhou por entre montes conotativos, bebeu das chuvas que fizeram desgraças, sonhou com estrelas que queimavam seus olhos e tropeçou em jargões tontos e feitos. Procurou em pedras e pergaminhos, procurou nas escrituras e nas flores... Desistiu de encontrar sua missão e então, já alucinado com as possibilidades, decidiu que iria transcrever nos livres caminhos a incerteza do nada... Virou o silêncio do escuro.

janeiro 08, 2010

Morremos na tentativa do nunca...

A escuridão ganha um movimento estranho quando me pego pensando em você... As alternativas se esvaziam de um mundo paralelo e no horizonte brotam todos os sonhos que talvez tenha tido com você. Minhas histórias se confundem em um gotejar de oportunidades nunca assumidas pela razão. Esvaziado pelo parecer absoluto, me ponho a vasculhar se você não passou de mais um sonho etílico, desgarrado e ordinário, que ganhou vida em minha mente devastada. Se fosse para dizer qualquer coisa me perderia nas linhas que já escrevi, sóbrias ou não, completamente entupidas de adjetivos atormentados. As cores mudam de órbita, ganham um peculiar som de tristeza e desenham um sorriso perdido no céu negro... Em números me perco e multiplico tesouros inventados. Desenho mapas frustrados e escondo um dicionário de razões para ter você nesta loucura. Mas agora, a pintura principal de uma exposição visitada me mostra a mais terrível denotação... Você é a pérola perdida em um mar que um cruzeiro levou.
O prazo de validade venceu...

Nossos olhos não se cruzam mais... As palavras, antes doce, transformaram-se em imenso silêncio. Como aconteceu em outros tempos, me sinto um desconhecido lembrando de algo tão bom que é impossível dizer que foi real. Sua voz sumiu da lembrança e não posso mais dizer que era doce e sincera. O tempo passou e, pelas dificuldades alheias, fomos nos separando como duas peças nunca encaixadas... E os dias, que lembrava tanto, viraram "outros dias"... E pela solidão e sua ausência me faz questionar se foram reais... Os olhos em lágrimas, a caneta falha, a fome surpreendente são simples sinais que estou vivo na imperfeição e as marcas de um vidro fazem menção a um dia perdido em uma longa e distante estrada... A estrada que sem saber percorri pensando em você.

janeiro 04, 2010

A folha machucada transcrevia emoção...

Dedos entrelaçados em um futuro de propostas, lágrimas indecifráveis contando os minutos de um tempo que já não era senhor, nem tampouco, inspirados na odisséia de contar... Era ouvida uma canção ao longe, conhecida e com batida abafada, mas com outro refrão que dedilhava a mudança. Idéias marcadas de outros autores coroavam o momento e decoravam a parede do único cômodo com vida... Cores! Muitas cores formando um batalhão de claro e escuro... Misturadas ou aglomerando-se em um mar de hipóteses, certas ou erradas, vitais para seus dedos. Existia a folha no canto limpo da escuridão. Marcada e sofrida, dobrada e sofrida, rabiscada e sofrida... Nela se existia um único momento, era aquele que se perde no contexto para ter um fim... Aquele momento que, de tão carregado, experimenta o abismo primeiro de emoção e não volta ao seu estado normal. A folha tentava, em vão, ajudar e organizar... Mas existiam ali amor e sonhos tão complexos e abstratos que ao mexer eles evaporavam para uma nova mente... Um novo estágio de comoção. Não era nenhuma poesia perdida, muito menos um conto romântico ou um épico triunfal de algum herói desconhecido e manjado. Nas poucas linhas completas e nas palavras carregadas, existia ali simplesmente algo impossível de dizer, mas que todos conhecem e correm da sua existência... Existia ali, na sua inteira simplicidade, a angústia da dúvida.

janeiro 03, 2010

E tudo traduziu com o verde...

Se fosse para lembrar uma imagem, seria do seu sorriso. Se fosse uma razão, seria da água. Se fosse um momento, seria seu "Oi". Se fosse um som, seria da sua risada. Como compromisso, minhas chances se perdem ao dançar ou passam pelos corredores infinitos. Seriam quatro números e uma vírgula de uma história que não foi contada. As palavras fogem de uma descrição melhor e a minha razão se perde em não saber o que seu olhar quer dizer. Me perco no triste fim de um nunca, me perco em um silêncio ruim que não posso gritar para preencher. Todo o balanço não é capaz de me tirar do lugar, e, assim, sem soma ou subtração, continuo contemplando um olhar perfeito que é o seu...

novembro 26, 2009

Encontrei a solidão até na poesia...

Tentar encontrar a linha que larguei tanto tempo atrás, por pensar diferente e sentir gostos que, nos momentos passados, fizeram o efeito de exclusão geral. As pétalas saboreiam o vento de uma forma delicada e angustiada... Os pássaros cintilam uma doce esfera com a rajada de vento... Meus olhos tentam captar a poesia por trás das cores, tentam cantar a melodia doce que antes era fácil e completamente conhecida... A música mudou, as notas foram invertidas ou, de alguma forma, são desconhecidas aos ouvidos que se entristecem ao saber que o mundo girou e não captei essa mudança. A frequência de tudo oscila agora em passadas diferentes, em ritmos diferentes, em mundos diferentes... Minha antes companheira de noites em claro, em angústias imensas se foi para um lugar que preciso, novamente, aprender a viver... E até lá, até no recanto da poesia encontrei a solidão fria como companheira estimável.

outubro 30, 2009

A falta de poesia, a falta de amor...

Os dedos antes sempre acostumados a ver a beleza na incerteza, a ver a beleza na neblina que paira sobre a vida, sobre as decisões não tomadas. Dedos estes que sempre buscavam uma viagem mais longa da mente e do coração. Dedos estes que sentiram falta de um amor para se cantar. Sentiram falta de ter aqueles sonhos inexplicáveis e completamente despojados. Sentiram falta da risada singular e do olhar perdido em meio a uma multidão encantadora. Parecia cego, mas houve uma busca por isso! Parecia surdo, mas houve atenção aos sinais luminosos que brotavam vida. Olhou marcas deixadas pelo caminho e eles levaram a um passado de lembranças boas e vivência única. Encontrou um velho álbum de fotografias e folheou com lágrimas inocentes. Embriaguez imposta pela vontade contraditória, ligações perdidas no silêncio do segredo, páginas seladas de um futuro completamente idealizado... Enfim, nisso tudo achou a poesia que tanto sentia falta e se cansou, pela vez que já nem sabia contar, de perder a essência da sua existência e voltou a prometer que desta poesia jamais iria sair.

setembro 29, 2009

A pintura isolada em um imenso jardim...

Com entorno de criação me perdi para sempre. Tentei almejar um bom lugar para avistar tudo, mas de só avistar, meus braços doeram e tive que ir para luta. Nesta luta, suei e perdi os pontos necessários mais do que ganhei, porém, na outra visão disto, ganhei vida e ganhei a alegria do tentar, a sabedoria do perder, a abstração do planejar e o aprendizado do retornar. Vi minha vida sair do amarelo colorido para um cinza solitário, vi minha vida sair dos sonhos calmos para o vazio sem fim da aquarela abandonada. Sem ajuda e com muitas incertezas eu consegui reconstruir as passarelas que fizeram muitos curiosos voltar a visitar as obras perdidas e sem significado. Sem ajuda vi muitos partirem rindo da insolência e esbravejarem críticas altas, mas sem um esforço nítido em mãos... Mas, sem razão plena, eu sorria e a cada vez que parecia um novo declínio de vida, eu transformava a tristeza avassaladora em conto e prosa. Com personagens abstratos eu transcrevia meus sentimentos e assim, sem mais nem menos, nascia outra obra isolada e sem sentido algum. Para mais uma volta deste brinquedo...

agosto 20, 2009

Eu te amei...

Com todas as forças inexplicáveis... Eu te amei! Construindo caminhos difícies, me privando de luxos financeiros e pessoais... Eu te amei! Em toda briga, em toda discussão, em todo toque e em toda atração... Eu te amei! De dia, de madrugada, a tardezinha ou a cair de sono... Eu te amei! Eu inflei meu peito, contei aos trinta mil cantos do mundo, falei ao carteiro, porteiro e telefonista... Eu te amei! Em jogos sérios, em horas parados, no calor e frio intensos... Eu te amei! A cada surpresa, jantar, viagem e realeza... Eu te amei! De minúsculo ao infinito, de fraco até indestrutível, de rascunho até arte perfeita... Eu te amei! E hoje, hoje acordo com um gosto acre na boca, uma pontada no coração de que tudo foi um banho de mentira, cada palavra e cada gesto que achava real... Se desfez como pó no vento, hoje percebo que em todo sorriso, existia uma ponta de incerteza que antes não enxergava... Hoje eu percebo que a cada palavra pronunciada, tinha por trás uma tormenta de mentira... E hoje eu percebo... Que amei a mentira, a falsidade e fui vítima de um jogo que achava não existir atrás das suas doces palavras... Hoje eu te mato e sigo minha vida, mais desconfiado do que tudo... Mais triste e introspectivo... E hoje é a última vez que pronuncio seu nome para alguma coisa...

agosto 14, 2009

De todo o céu escuro...

Brotam raízes intermináveis, brotam poesias de um épico drama, brotam sorrisos de faces conturbadas, brotam lágrimas esquecidas de um poema ignorado. Vivem fantasias de olhos admirados, vivem contos de passados históricos e doces... Doces aventuras ditadas. Os sorrisos mostram os meses convividos, as histórias simbolizam a confiança adquirida. O álcool rega o final da dança, mas que continua pela malícia e irreverência. Pelo pensamento negro e proibido, pela foto vista e educadamente ignorada. Pelo pudor ou pelo riso de canto, pela vontade profissionalmente reprimida. Com o simples abaixar de olhos maldosos eu continuo ou retomo... Aquela linda dianteira mal-interpretada e consciente de que a melhor escrita é a do platônico embriagado.

agosto 07, 2009

Na volta do refrão partido...

Depois de muito pensar e pesar hoje me despeço para sempre... Hoje começo um capítulo novo e angustiante de uma vida em que todos clamam que perdi. Hoje começo um novo caminho. Hoje começo com aquele gosto acre da incerteza, mas certo que fiquei contemplando o vazio por muito. Hoje eu saio e não tenho hora para voltar, se voltar... Hoje ponho a camisa que você detestava e mudo até meu cheiro. Hoje um novo nome surge no meio de uma multidão triste e desolada. Hoje o álcool rega, amanhã arrepende e depois alegra. Hoje meu telefone muda e minhas cartas endereçadas para o platonismo são queimadas... Hoje canto o refrão débil e hoje eu volto a ser aquele cara que você conheceu há um tempo atrás...

agosto 06, 2009

E depois de tudo...

Foram frases jogadas em uma ajuda melancólica. Uma investida de lembranças, mas pareciam lágrimas com sorrisos. Uma alegria simples, mas sincera. Uma alegria do passado vivido. Era uma relação pelo olhar, uma sinceridade pura e o complexo relacionamento. Éramos uma peça única de um quebra-cabeça indefinido. Éramos um tear de sonhos que sustentavam-se pelo sentimento. Éramos tudo e acabamos como um nada... Acabamos com um melhor momento escolhido por cada um... E mesmo assim, tendo a certeza que nunca irá se concretizar. E o que restou disso tudo, além das lembranças, das investidas conhecidas e das muitas figuras pintadas... Foi o dia mais triste de nossa vida, que sonhávamos ser o mais perfeito.

junho 29, 2009

As razões de lágrimas inexistentes...

Seria uma falta sentida, uma ausência irreal, seria um novo sonho quando todos os outros morreram, seria um novo entendimento daquela velha frase, seria uma vontade de tentar diferente, seria uma falta ao lado, seria uma saudade das coisas tolas, seria uma letra diferente, seria até mesmo o toque... Poderia ser o suor de satisfação ou até mesmo o do esforço, seria uma voz longe que faz pensar, seria a música que é teclada, seria o beijo dado, seria a imagem distorcida, seria o apito final, o alarme do carro, o fósforo do aquecimento, o brilho vindo da janela ou até mesmo o picadeiro de uma discussão... Só que não é nada aqui, sem você.

junho 14, 2009

Tingiu-se de fosco colorido...

Um céu outrora branco e listrado de promessa se pôs a lamentar-se. Correu-se por veias divinas cheio de lamentação e confuso de Sol e Chuva. Hiportemia barata do amor, com lágrimas secas de uma pétala cor de violeta. Pergaminho ditando um caminho doloroso e cintilante, de brilho eterno, rumo ao desconhecido jardim infantil. Se fosse amor não seria notado, com flash embutidos na gola alta da surpresa... Se fosse amor não seria ruído de dentes feitos para bater... Se fosse amor seria um anúncio de infinito com data de validade. As portas pratas que abriam o desfecho tinham um ar de mistério... Os poucos atentos viram o pedido mortal pixado em seu rodapé... Os poucos atentos ouviram, ao bater, as notas fúnebres de uma canção mal-resolvida... Os poucos atentos olharam os pássaros voando para longe. E se bateu! Como bater asas? Não! Como bater ovos na frigideira? Quase! Ele sentiu-se encurralado demais... E correu pelos cantos! Só se deparou nas portas do labirinto que não fora construído, não fora planejado e não fora instruído. Seu amor selou a carta resposta e atravessou a avenida desenhada a sua frente... Sol e chuva pintaram de vermelho a rosa descabelada.

maio 22, 2009

Os mesmos sapatos...

Que outrora desbravaram dificuldades e novos caminhos, que foram guias em dias perdidos, que conheceram muitas pessoas de sotaques diferentes e que ouviram muitas histórias. Um sapato vive o que a pessoa decide, seus caminhos e decisões, suas lutas e vitórias... Seu suor e seu orgulho. Foram esquecidos por muito tempo, anos se passaram... E, no mesmo espírito anterior, calçaram confortavelmente e se puseram a andar por terrenos de onde eles nasceram mas, pela ironia do destino, nunca houvera andado. Depois de anos, os sapatos tão surrados, conheceram a cidade onde foram feitos e comprados... Onde, há anos atrás, encontrou um par de pés, tão perdidos quanto eles e, juntos sempre, venceram inúmeras lutas... Inúmeras trapaças e desconfianças... E juntos, novamente, deram, ao dono de tudo, as memórias passadas e, juntos, prometeram, pelo pouco tempo que resta dos sapatos, virar mais uma página da vida do dono e vencer mais algumas batalhas. E por isso que eu olhei para eles e sorri, como quem sorri para o sol após uma tormenta infinita... A página que nunca seria cerrada, começou a virar.

fevereiro 20, 2009

Se foi como o sabor dos dedos...

Foi sem querer e teve malícia, foi um olhar e teve razão, foi uma brincadeira sem verdade, foi algo simples sem redenção. Foi melado com sabor de hortelã, com um olhar bobo e palavras de vento. Foi uma explicação já devidamente entendida, foi quente como se nunca tivesse que parar, foi com sorrisos e roupas amassadas. Foi tão significativo que a noite acordou o sonhador e proferiu suas palavras, melancólicas e sentimentais, de alívio com um toque de depressão... Coube ao poeta encontrar as rimas e os lugares simples de uma transcrição, coube ele viver um momento em que ele somente sonha e escreve suas vontades. Coube ao poeta a ingrata tarefa de dar vida as experiências de alguém. Tentar, em meio a palavras desconexas, fazer o mesmo sabor que jamais imaginou provar. E ele assim o fez, tentando tornar o acaso em perfeição, o simples em algo completamente especial, as desculpas em conforto... Ele mentia, para ele e para o mundo. Em certo momento, se perdeu da inicial e assim finalizou sua poesia, como tantas outras, sem uma rima final.

fevereiro 19, 2009

A oferta irredutível da vida...

Como um balanço de estoque oferecemos e vendemos nossas energias e acumulos gerais, para nos completarmos, desejamos o melhor da vitrine ou, dependendo do desespero, nos contentamos com uma leve migalha insignificante. Corremos para o por-do-sol mas nossos pensamentos estão em como conseguir um bom café-da-manhã, em como conseguir a fartura que nos faça ser notados. Nos abstemos simplesmente tentando ser aquela pessoa que os estranhos olham na rua e desejam... Mesmo sendo carnal e falso, mesmo sendo o que fazemos diariamente, mesmo sendo só por um minuto, mesmo sendo eternamente...