dezembro 15, 2010

Pedaços da totalidade imersa...

Eu sou um sonhador, eu sou aquele que fica por último por não ter acordado para ver o final... Que sonhou demais com aquele oceano de verão. Sou aquele que oferece a carona mais complexa e abstrata, que cobra por ela como se não tivesse um fim. Eu sou o último a sorrir, pois na poesia que transcrevo não carrego rimas prontas e ditadas por algum sopro de paixão. Sou apaixonado pelo impossível, sou eterno companheiro da solidão. Sou aquele que estende a mão, mas ganha um abraço. Abraço que poderia consolar ou dar amor, mas traz só o combustível da minha inspiração. Sou um eterno sorriso inexplicável, sou aquele que sonha com aquela estrada percorrida e que não lembra onde ficaram os contextos idealizados. Sou aquele que traz as flores sem perfume e aquele que, como sempre, busca o amor mais idealizado possível. Por ter este intento, rimei o meu final com o platonismo e carreguei os meus pertences para o início novamente...

dezembro 01, 2010

Perturbação por inúmeras tentativas...

A insônia guia um tiro certo, guia um mar em respaldo a clareza da mente. Guia, em fase sustenida, a mente por entre vielas que já foram visitadas... A insônia completa o jogo, reacende o desejo e mascara, com todas as forças, a vontade crucial de se voltar para casa. Depois de um dia, de uma semana ou até um momento, ela se torna personificada naquele rebento que é seu fruto de alimento. Ela se torna o momento oportuno, a vaga pretendida, a recompensa da promessa... Em canos com formas, em espirais difusas, no doce negro acre e no branco pálido de um opaco futuro... Ela guia em linhas tortas, o que deveria ser concreto e sem graça. Ela mostra uma ironia de funeral, como se fosse uma pétala perfumada no verão conturbado. A única coisa que ela não faz é falar... Ela não te informa seu progresso, ela não consegue pronunciar frases interrompidas... Não conseguimos definir a sua voz, se é doce ou pesada, ela simplesmente vem, dita as coisas em sua mente e fica ali, pesada o suficiente para ser notada e jamais esquecida...

novembro 06, 2010

Pelo menos teremos nossas histórias...

Ao ouvir a frase acima, entendi que todas as lembranças se encaixavam em uma gigantesca espiral... Nós crescemos em ruas conhecidas, em marchas solitárias e altas... Crescemos com cervejas baratas e trocos fantásticos... Construímos nossa identidade em letras e ritmos parecidos e tão distantes em alguns casos que formaram um grande círculo. Crescemos nas risadas de aprendizado e nas culturas aderentes. Crescemos com números e combinações prontas... Crescemos e fortalecemos as palavras "para sempre"... Prometemos nessa jornada tantas coisas que nem lembramos mais... Planejamos tanto que vimos os ventos levarem tudo para o nunca... Mas algo que nem imaginamos conquistar, se tornou parte da nossa essência. Essa essência tão única se faz presente nas lágrimas que escrevem essas linhas, essa essência traz as lembranças de dias tão comuns que se tornaram nosso conto épico. Nossa identidade maior e que carregamos sem querer, nos sorrisos e abraços estendidos. Se hoje o círculo aumenta e distancia as vidas pelas escritas de cada um, temos a certeza que carregamos na bagagem vital tudo que pode ajudar, tudo que acalma e que traz a certeza que estaremos no eterno laço do infinito.

novembro 02, 2010

As confusões de vozes que não se encaixam...

Um vento me puxa para o lado escuro e que precisa de angústia para descrição. Outro vem quente, ameno e reconfortante. Soprando poesia rimada, em um ambiente claro e totalmente único. Um suspira o cansaço da jornada, carregado em lembranças e apologias perversas de anteontem na vida passada... Um vem como brisa do mar, aquela que ao fechar os olhos as idéias se refrescam e tudo ganha a leveza correta, o certo no momento. Outro vem com aflição e causa um desconforto que necessita de ajuda, necessita de atenção e necessita de exposição para aliviar o coração pesado. Poetizo o lugar calmo, as vozes de alegria e o ar completamente suspenso na leveza de um paraíso. Descrevo com orgulho a solidão, a escuridão que se faz tão presente em dias e meses... Sinto os cacos jogados na trilha, rostos alegres manchados de passado, de algo tão antigo que não se faz mais presente. De um enxergo o sol e toda a paz que buscamos em vida. De um enxergo os vales percorridos e melodias introspectivas que dizem tanto sobre mim... O som que saí pelo quarto, dita os caminhos e aumentam as vozes de onde prosseguir este caminho sem conexão de algo. Percorrendo estas transições não consigo escolher, não consigo catalogar todas as idéias e desenhar este quadro de traços, este quadro de retalhos... Perdido em expectativas, travado nas equações... A brisa reconforta em paz os momentos passados e tudo o que foi vivido... Espalho ao meu redor todos os momentos de risos que confortaram meu coração outrora. Não carrego mais a angústia em mim, pois sei o que construí em romantismo concreto. Vejo certos pontos brilhantes nesta escuridão... Personifiquei a felicidade e hoje completo minha totalidade. Só com a abstração me sinto perto de ti. Nossas mãos uniram-se em infinito com o Sol dourando nossa união. E sem um fim, me despeço sabendo que fracassei hoje...

outubro 17, 2010

Talvez eu queira te dizer...

Que nem penso mais em formas geométricas para termos uma ligação esotérica. Que tudo que se guiou para o longe, foi forte o suficiente para não ter vento contra. Que as barreiras transpuseram nossa maré em pequenos afluentes de uma vida maior... E que agora eu olho sua letra com um pesar grande o suficiente, para virar um novo capítulo. Em pensar que hoje estaríamos perdidos em nossas energias, em nossas triangulações. Em pensar que em pouco tempo escreveríamos aquele parágrafo tão surreal, quanto surpreendente. Em pensar que tudo seria diferente, com eu e você, com nossos olhos se cruzando incrédulos... Seria diferente, pois seria algo unido e com uma aquarela de desejo. Seria diferente, pois teria uma risada abafada que mudaria qualquer infinito, transformando-o simplesmente em algo palpável e memorável para se guardar próximo a carteira. Hoje eu seria aquele que eu jamais me espelharia e diria coisas que iria me arrepender em minutos. Hoje eu usaria aquelas roupas despojada para me sentir sociavelmente ativo e corajoso o suficiente para te deixar para trás. Hoje eu escreveria emocionado algo tão único, tão pessoal que não seria para ninguém mais... Mas o ninguém é alguém tão longe que não existe. Alguém que talvez ainda nem nasceu e nem desenha pegadas nas trilhas perdidas da estrada. Hoje eu escrevo isso, pensando em minhas mãos e em meu suspiro que aprisiona o meu amor em uma cápsula chamada coração...

outubro 09, 2010

Alguns pontos não precisam ir além...

Ela veio me acordar no meio da madrugada com um sussurro nos ouvidos. "Acorda e vem cá!" dizia em som baixo que custei a entender. Seu sorriso estava postado em seu rosto. Seu sorriso era tão leve, tão limpo e tão lindo... Ele foi responsável algumas vezes em meus sonhos, me levando a lugares únicos somente pela sua beleza... "Vem poxa... Dorminhoco!" brincou ela brava em certo momento... Acordei e a segui pelo corredor, tentando acompanhar seus passos quase surdos, sem barulho, como toda suavidade possível. Ela me levou até a varanda, com a noite fria e o vento forte. Ela parecia não se importar com a temperatura e me chamou para o seu lado na cadeira que sobrava... Obedeci conforme ia acordando e a tontura do sono dissipava-se graças ao vento forte de fora... Perguntei o que tinha acontecido e o que ela queria me mostrar afinal. Seu sorriso sumiu durante um curto espaço de tempo, porém voltou com grande intensidade... Ela levou seu peito em meus ouvidos e falou "Escute este som, é o som do meu amor pulsando no meu peito, por você..."

outubro 06, 2010

Turbilhão de dúvidas sem parecer...

E o que será que ela quis dizer com seu sorriso e seus olhos vagos? O que será que ela quis dizer com o entrelaço de dedos e o sorriso para baixo? O que será que quis dizer aquela dança perdida no meio da noite? O que será que quis dizer aquele sorriso de madrugada bem no fundo dos olhos? O que será que tinha naquele copo que causou alegria em ambos? E aquele convite perdido para ver o luar? E aquela rebatida com olhar fixo e certo? E por que será que eu fiquei aqui contemplando um vazio ao ver que nada aconteceu e tudo pareceu um sonho? Novamente, só com lembranças vagas de momentos de vento em uma vida desgarrada...

outubro 03, 2010

Distantes como poesia esquecida...

A inspiração vem na solidão, ela vem me beijar sempre quando contemplo, incrédulo, a passagem estreita da vida... Vem com lira, vem com desejo e vem com obrigação. Vem como melodia, convida a dançar e a seguir o seu ritmo... Mostra cores no escuro, som no vácuo, a sensação de infinito em plena caixa fechada. Com ela tenho a descrição de completo em qualquer lugar que minha visão alcançar... Com ela tenho a explicação dos meus enigmas e toda sanidade explicada em prosa livre... Sem lágrimas e deixando os dedos ditarem o destino mais complexo do universo. Ouço um grito de uma canção que nunca se repete, ouço o sussurro de uma nova vida chegando, ouço o nascer de uma relação que jamais sairá do papel... Me pego dançando pelas vielas que sempre sonhei, me pego cantando desafinado o amor que nunca entendi, me pego escrevendo linhas que quando acordar deste sonho, vou duvidar que fiz. Crio um refrão que ficará suspenso durante a eternidade e perdido nas curvas da minha vida... Capitalizo as sensações e vejo que estou feliz. Sou o poeta que já fui em alguma etapa perdida... Não sou mais, mas ainda assim, continuo sorrindo, pois falam que sou melhor assim...

agosto 19, 2010

Se pedissem para escrever meu sonho...

Não sei se conseguiria, acho que faltaria algo que sustentasse tamanha descrição. Talvez não desse foco na cor, na mistura plausível de uma aquarela infinita... Talvez faltassem ouvidos para apurar os sons, sons de tudo, da planta respirando ao eco em um vale perdido... Talvez as máscaras que cobrem as personagens sejam mal interpretadas, pois elas nem sempre são os principais nos devaneios... E por fim, talvez eu não sonhe, talvez eu viva em uma realidade alternativa e que todas as vezes que me pego falando sozinho é, na realidade, a minha participação ativa nesta outra. Talvez este texto já tenha sido escrito e toda minha obra, minha loucura repentina transformada em frases, seja só um diário das lembranças deste meu outro eu, em um outro lugar... E, longe de novas definições, eu não sei dizer mais nada, além de notas, de rima e de abstração.

agosto 07, 2010

Seja educado, diga algo bem vago...

E não adianta o que eu faça, é meio impossível. Olhá-la é como um crime de tentação, uma sentença perpétua do organismo... É invisível a perceptividade, porém é completamente visível o não desejo dela... A vejo perfeita, sorridente por minha lira, dançando conforme minhas letras e arranjos... Entrando naquele leve estado de frenesi por causa de meu ritmo... A vejo assim e quase posso tocá-la... O sorriso é correspondido, os olhares se cruzam, o cabelo esvoaçante dança em um ritmo que quase posso acompanhá-lo... É o meu ritmo! Meu ditado embaçado e incompreendido a fazendo dançar. Empolgo-me ao mesmo tempo em que seus olhos cruzam outros e o mundo para... O sorriso é de outro brilho, o ritmo tem quebradas estranhas e desacompanhadas com o anterior... Os cabelos esvoaçam e gritam para a volta do anterior, mas o coração dela já foi engatilhado para o outro... O coração ditou mais uma das loucuras existentes... E em segundos, eu a perdi para um par de sorrisos ao seu lado. Sem lira, sem ritmo, sem poesia e sem rima... Simplesmente o pouco espaço existente venceu todo o meu trabalho...

agosto 02, 2010

Eu não finjo que conheço...

Depois de inventar caminhos desfeitos, tentei sacramentar a poesia. Inscrevi dizeres populares e rimas prontas, perfilei grupos de sonetos e tenras epopéias. Figurei de colorido os finais sombrios, assoviei cantorias esquecidas e nunca inventadas... Transcrevi tudo que pude enxergar com meus olhos desacostumados, experimentei os limites impostos pelo meu tato, agrupei sons que pude dedilhar pela audição. Utilizei todos meus sentidos para conseguir chegar ao lugar comum do não lugar... Ao lugar que talvez nunca deveria ter saído e, quando consegui acordar, fui descobrir que eu era mais um na multidão de perdidos deste cenário... Mas poetizei como poucos conseguiram todos estes poderes revelados e por esses notórios arranjos, me chamaram de amigo.

julho 14, 2010

Sobre o domínio dos lírios...

É da razão da chuva que se transforma o sabor do orvalho... Das pequenas pétalas que pintamos os melhores cartões postais... Das inúmeras feridas que se cria um coração. Ao caminhar por entre os caminhos da comparação e transformação, descobri meu significado criativo, meu motivo e minha busca. Dos meus olhos não acostumados, consegui enxergar uma pureza abstrata e nela consegui introduzir a paixão desvairada. Com palavras soltas, criei as poesias que me definem e me explicam... De campos abertos, encontrei um lugar pequeno para meus sentimentos maiores e, sem clausura, consegui ditá-los para o infinito silêncio. Se hoje carrego certa experiência, minha bagagem era leve no começo e pude coletar o volume máximo de imagens e de situações... E disto todo, olho para um horizonte bilateral e enxergo um oceano inteiro de inspiração para a vida... Deixando estas frases, soltas pelo caminho daquele que ainda procura respostas...

julho 06, 2010

Desta carregada razão...

De uma janela violeta foi ditado o cântico do amor platônico... De uma cela solitária no deserto foram escritas as redondilhas românticas... De uma taberna carregada saíram bibliotecas inteiras do amor idealizado... Das lágrimas angustiantes saíram as canções dos trovadores... Do fundo de uma garrafa de vinho tentou-se encontrar a definição de paixão... Das páginas despedaçadas foram escritas suposições do amor... E daquele papel amassado, no bolso moribundo, foi que foram escritas todas as poesias que minha lira te prometeu, sem nenhuma definição aparente, sem nenhuma resposta em vão...

junho 24, 2010

E o sentimento bate forte carente de aflito...

A insônia e a angústia por respostas sempre me fizeram refém do álcool. Único companheiro ouvinte de lamentações e consciente das dores dos que apelam para seu poder. Todos aqueles pobres e loucos que não conseguem te compreender, todos aqueles que não sabem nem falar e muito menos te ouvir. Sua voz que saboreia nossos ouvidos com consciência e sabedoria. Seu doce sabor que fazem os olhos brilhar... Seu poder! Quantas vezes me ditou linhas e linhas de uma lira interna que só você consegue ouvir? Essa maldita lira que só você consegue despertar! Você compreende o amor, os sonhos e as desilusões dos teus seguidores... Como escreveria, nas linhas do eterno, nosso mestre "Conhaque! Não te ama quem não te entende!" e eu cansei do tolo sabor enojado de mel da vida que tinha acostumado...

junho 20, 2010

Entre trovadores e contemporâneos…

De uma noite regada ao álcool surgiu a idéia perfeita de poesia. Recitar antigas líricas, corrigir sonetos inacabados, fazer girar as redondilhas menores e rimas desfeitas pelo vento... Foi essa a idéia, contar o amor pela visão noturna perdida, pela visão do caótico e do inesperado. Uma poesia que flui ao fazer as práticas diárias, uma lira que canta inteira nos raios do mesmo... Esta é a poesia! Uma poesia que não é capaz de ser escrita, de ser descrita ou de ser manuseada... Nunca foi! Trovadores tentaram, ao sabor do desconhecido, recitar versos escolhidos para uma amada que nunca existiu, se quer resistiu ao olhar... Românticos desvairados eternizaram figuras que só apareceram em seus sonhos... Os modernos jogaram em algum lugar-comum para dar vida aos personagens que não damos atenção... Os contemporâneos estão perdidos entre o folclórico e o imaginário da magia... Todos tentaram descrever o sentimento mais puro e simples. O sentimento que pode ser capaz de mover obstáculos só pela sua existência. O sentimento simples que me faz guiar em perigo pelas estradas sem-fim... A resposta é a lírica do vento, a perfeição do silencio obscuro, a falta de imagem em uma cena vazia, a presença secreta que jamais é anunciada... Eles tentaram descrever o impossível, porque, em suas vidas, era impossível amar.

junho 19, 2010

Da poesia escachada na porta...

O horizonte pinta de aquarela um novo dia, os pássaros anunciam este nascimento com seu canto encorajador. No cômodo perdido o dia anterior ainda não terminou e não é possível contar quantos dias estão perdidos. As melodias, que já foram doces um dia, ecoam pelo lugar, mas sua melancolia difere bem de quando foi composta, pelos primeiros raios de sol de um dia qualquer. É impossível entender a razão desta inércia e é mais complicado definir todo este cenário. O chão espalha restos de uma vida, de sonhos quebrados, de testemunhas felizes e de promessas registradas... As paredes carregam apenas marcas do que antes era um mural da perfeição. As chaves estão jogadas em um canto indefinido e perdidas. Existem rabiscos complicados em cada passo dado em direção a porta. Esta, aberta e batida, indo e vindo pelo sabor e rumo do vento. A complexidade desta esfera é entendida pela poesia cravada na porta, com a melhor letra arranjada, que diz em poucos versos:
"Cansei de esperar neste túmulo,
Nesta esfera parada e nula
E mirei o fim deste túnel.
Deixo as chaves do meu coração,
Para que não consiga mais ser enganado,
Para que jamais possa sentir o sofrimento
Esta eterna guerra entra razão e paixão.
E eu que relutava ao ver tudo acabado
Restou-me só poetizar o fim deste sentimento."

maio 30, 2010

O sereno da manhã quente...

Deste rabisco sem início surge uma nova epopéia. Das letras tensas e tremidas é composta uma nova canção. Das lembranças e dos abraços em ruas perdidas aparecem os personagens conhecidos... E a poesia é cantarolada no silêncio de um coração observador. Julgamentos, felicidade, promessas e discussões. Olhares, beijos, gritos e angustiantes lágrimas. Brincadeiras, vergonha, sorrisos e separação. A espera, a chegada, o Oi e o Adeus... Em grupos que se equivalem tecem, juntos e separados, a teia de mistério e significados que estaria por vir. A teia que poderia conter as suas características únicas naquele bando de desconhecido. Se fossem todos bons, seria o fim melancólico. Se fossem ruins, seria o fim alegre. Mas estão balanceados e tentam, frase após frase, cantar a música infinita de um amor desconhecido. Tentam depois de linhas escritas e completamente perdidas nas estrofes, significar o que o dicionário amigo definiu como amor.

maio 18, 2010

Começou com a chuva que esfriou...

As alças não se estendem mais como deveriam. Com um véu seco, impermeável que dança ao vento noturno. Noturnos bailam em um redemoinho de cantorias leves e complexas... Poderia criar imagens de encontros ditados, mas o Previsível nunca repete seus atos. Traz consigo a brandura do antes, as alegorias do nunca e a resposta do sempre... Cria um caminho desenhando outro, conta finais de histórias que não foram escritas, proclama números que são incontáveis... Sim! Ele transforma um verde na pose infantil da fotografia, no lugar que se perde nas lembranças vividas. Peca o espírito, chora a tríade importante, testa seus órgãos em um contato completamente compreensível... Pede a uma criança que o descreva, pois quer saber como se pinta para o mundo. Na inocência do amanhã, a criança dobra o papel e berra saltitante e incrédula 'A folha em branco é muito para sua poesia!'

abril 28, 2010

Meus desejos de ser...

Sonhei certa vez em ser um daqueles poetas que não passam despercebidos, que todos olham e admiram a obra. Que todos admirem, mas sem sucesso ou brilho. Seguiria a vida cantando uma prosa indecifrável, mas que marcasse os passos dados em uma névoa vital... Sonhei tanto que me perdi dos endereços do meu plano inicial. Continuei sem denotação, sem prosa e sem lírio... Continuei como uma vírgula colocada em um lugar errado que ninguém percebe e continua... Continua este ditado mal falado de palavras soltas ao vento, sem significados e sem distinção. Continuo tendo o abstrato como acolhedor da falta de sintonia entre eu e minha fraca tendência... E sonhei certa vez que gostaria de ter uma escrivaninha e um caderno limpo para escrever meus contos de amor... Sonhei tanto que hoje escrevo as lamentações, dia após dia, em retalhos de um coração que já se cansou de alimentar essa ilusão...

abril 20, 2010

As mãos entrelaçadas em um ponto além...

O perfume percorre o ambiente, impregna as mãos e guias meus sonhos. Seu olhar me conforta em pensamento, me acalma em meu deleite e aprofunda quando está perto. Tuas mãos trazem a tortura do aumento cardíaco, porém, sua leveza faz do inferno um imenso mar calmo. Tento colecionar os momentos rápidos e o sorriso sereno para poder completar o meu sono no recanto do amor... Falho nas inúmeras tentativas, afobo nas chances, anseio o som da vitória em seus lábios. Mas nada me traz de volta, nada me deixa retornar e conquistar. Você caminhava por entre o desconhecido e hipnotizado tentei seguir-te nesta névoa intolerável e daninha para meu sentimento... Ao acordar do transe, um sorriso nos lábios pelo sonho bom e a angústia funda no olhar por ver que tudo não foi real e como resultado minha vida no clichê infame do: Me perdi tentando te encontrar...