março 08, 2012

Cuidando de roseiras e não baobás...

São pétalas de esperança, de um toque adocicado e tato de veludo. São pétalas que nascem com brilho e se vão com a certeza do infinito. São pétalas que começam com esperança, mas escorregam na vida e desenham um fim totalmente credor. São pétalas que precisamos em nossos passos, em nossos dias e em nossos sonhos. De pétala a pétala começa a formar um buquê leve, porém completo e de intensidade úmida. Com suas diferenças, sempre tendo que arrancar daninhas e de destinos confusos com pequenos futuros. Elas têm espinhos que machucam ou fazem sorrir. Espinhos que mostram caminhos ou realidades. São flores de um jardim desconhecido, que vivemos, que pisamos, que choramos e que sentimos. Não gostamos das falsas ervas de baobás, que racham planetas e que desfiguram a nossa mania. Não queremos tudo, mas queremos o que é diferente. Diferente são as flores. São flores abstratas, que se personificam nas mais diferentes formas, com diferentes nomes e diferentes razões. Mas são flores, como a daquele príncipe, que passou por diversos planetas, mas sempre levava nos lábios e coração a flor, que ele deixou para trás e que nunca mais amou...

março 06, 2012

No meu sonho eu te beijava...

No meu sonho eu te beijava. De alegria, com os olhos, com um sorriso tão puro e intenso. No meu sonho eu te beijava. Com a saudade necessária, com a alegria de ter um abraço seu, com a emoção de te ver perto novamente. No meu sonho eu te beijava. Você contava suas alegrias de vida, suas aventuras e suas conclusões. Eu mantinha a alegria de ver novamente você especial, revivendo momentos mágicos e lembrando cada conversa, de cada ponto traçado em uma cidade maravilhosa. No meu sonho eu te beijava. O mundo parou no momento que você chegou ao sonho, as cores mudaram, os sons sumiram e apenas a sua visão importava, nada mais. Todo o resto morto. Não foi preparando o café com seus desejos, não foi acordando com um riso irônico, não foi almoçando com adjetivos extremos. Foi em um lugar qualquer, uma hora qualquer, que eu não lembro, pois nada mais importou porque no meu sonho eu te beijava...

fevereiro 29, 2012

Cadê a certeza que isto aconteceu...

E se tudo isso for uma ilusão? Se nada do que acontece em meus passos for real? Se tudo for parte de um jogo de ilusões e fantasias enfileiradas, prontas para estrearem na novela da minha própria cabeça? Se todos meus casos de amor, de derrota, de solidão, de sonhos e até de doces mensagens deixadas na pele, for um jogo de mente poderoso e que nunca sairá da parte mental? Pois se tudo realmente acontecesse, por que nada me toca e nada aproxima ao ponto cego de um beijo? Por que o hálito fresco não banha meu sono e sempre é algo frio e invisível? Por que as imagens que se formam aos meus olhos são de distância, quando tantas cores perto não possuem vida? Se os sons não existiram e todas as mensagens recebidas não possuem remetentes, qual seriam os resultados dramáticos de me retirar os medicamentos e deixar meus olhos e meu coração se acostumarem com a frieza desta realidade? Qual seria o sabor de entender uma simples respiração e ter que viver com essa vida monocromática? Quando tudo começou e quando tudo terminou? Por que, no doce fim vespertino, uma carta borrou meus passos com a súplica pergunta que abre o texto? Como terminar ou tentar pelo menos achar essa saída, onde tudo agora parece um nevoeiro denso e sem fim?

fevereiro 27, 2012

O segundo mês é o extremo...

Troquei meu estofado cansado de tantas impurezas. Busquei o novo brilho do sol, aquele diferente e desafiador. Com novos ares e até novos amores, eu me troquei e comecei a nova jornada. No início minhas poesias pesaram, a inspiração faltava, pois a angústia e tristezas passadas, ainda tinham suas marcas. As rimas demoravam, critiquei o descuido, malquis amizades, infernizei as prosas que me vinham... Mas encontrei meu recanto. Diferente, com novos traços, mais centrado e mais polido. Consegui desmantelar as minhas antigas construções e me guiar para o novo. As críticas terminam e essas novas águas me trazem o sabor final. Fevereiro sempre foi o meu extremo, sempre foi o pavio mais curto, sempre foi o fechar janelas e desligar a luz. Que o meu março favorito brilhe em meus passos e complete a minha busca, pois não tenho um amor para cuidar, mas um amor para conquistar...

fevereiro 22, 2012

Por que foges então?

Começou uma fuga, com passadas largas e passos suados de incerteza. Era uma fuga, de um ponto qualquer para outro distante, o máximo distante daquele início. Não era bem um início, mas não havia chego ao fim. Não sabia dizer qual era este marco e muito menos as perspectiva de sua necessidade. Era a fuga, com o coração bombeando, a adrenalina produzida e o fôlego testado em quantidade. Era uma fuga, não como nos filmes, mas como na vida real que jogamos para o alto nossas mentiras e derrotas, para tentarmos um novo começo. Esquecemos que os passos são os mesmos, os trapos que nos cobrem são do mesmo tecido e as nossas dúvidas e aprendizados continuam em nosso calcanhar. Era uma fuga, mais uma de tantas outras que ecoaram no passado curto. Era uma fuga acompanhada de promessas fáceis e de fracas oportunidades. A fuga cansa uma hora, mas as meias e toda a vestimenta não são trocadas e tudo volta neste ciclo débil...

fevereiro 13, 2012

Uma correspondência aberta...

Entre trapos e retalhos de uma vida, com fotos e imagens descritas tão limpas que pareciam o início de um outono. Trazia uma saudação simples, mas mesmo nisso, estava carregada ali a emoção certa. Letras trêmulas em certo ponto da caligrafia demonstravam o apelo correto e, ainda mais forte que isso, o tamanho da importância. Em certas passagens aquelas rimas bobas, que servem para diluir a tensão que se formava, traziam um sorriso leve para os olhos que corriam por ali. Era um acervo de momentos, enumerados como tal, totalmente paliativos à realidade. O meio foi carregado e a conclusão levou mais de meia página, com a incerteza necessária, com a alegria de se descobrir refém disso, com a simplicidade tão procurada e um ponto final que parecia desenhado em completa perfeição. No lixo jaz uma carta de amor, um bloco tão pesado do sentimento mais correto existente e lançado à sorte de um destino qualquer. Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender a força de amar, acham que sua bolha é muito perfeita para se gastar com um sentimento tão impossível de entender... A solidão ensina mais do que uma festa repleta de ignorantes que nunca vão saber o verdadeiro sabor do amor.

fevereiro 08, 2012

Coberta de retalhos em fogo vivo...

Passos contados de uma caminhada no sufoco. Tarde branca opaca, com pássaros rabiscados de rosa. Início de estação, curvas acentuadas e sede perpétua. Traços completos de brigadeiro, prazos vencidos de não perecíveis. Estatuetas roubadas do acervo, irritações pelo pó da fábrica que exala o trabalho. Um sono fresco de uma tarde perdida, sonhos pipocando em olhos abertos, angústias leves trazidas pela farra. Pagamentos realizados, telefone que não toca, chamada rejeitada e saldo completo. Tem feira, tem para quem queira, tem a esteira e tem a saladeira. De casos e acaso, tenro amasso, doce enlaço e tudo complicado. A morte pelo candelabro, a silhueta do calcário e a página rasgada de calendário. A verdade que hoje é sexta-feira inacabada e o desfile começa pelo fim e sem hora para acabar...

janeiro 31, 2012

Um trovadorismo clássico…

E a pergunta foi lançada como chama: "E se você vivesse sem o infinito da descrição?". A garganta secou no momento da resposta, as mãos tremeram, os olhos perderam o foco e o chão pareceu sumir perante o horizonte. Se me tirassem o infinito, como eu iria sobreviver? Como eu teria o encontro de imagens que se transformam em linhas, que viram estrofes e depois terminam como rimas ancestrais? Como eu teria o sabor de um beijo, que personifica uma joia, que é lançada pelos mares, que é enterrada como tesouro e só consigo descobri-la através dos meus sonhos? Como eu poderia brincar com palavras, com objetos inanimados, com tintas escuras e borrões claros? Não teria a abstração companheira, não teria a paixão queimando meus sonhos, não teria o platonismo regando este imenso jardim e teria meu quintal desfigurado. Não teria um caminho para seguir, não teria nada... Mas limpei a garganta e respondi: "Seria o poeta do novo, do acaso, do estribo mais chocante e do irreversível caminhar. Cantaria em novos ritmos e faria novos sonetos. Tudo, tudo e tudo pela simplicidade de amar e mover meu corpo, para o desconhecido encontro da morte em vida, do amor no suspiro mais cadente e de ver pulsar um sangue que só é meu pela força absurda de sonhar".

janeiro 28, 2012

Com seus olhos eu jamais mentiria...

E se ela me perguntar não terei como mentir minhas vontades. Não terei como encobrir meus sonhos e meus desejos por ela. Não terei como desconversar quando ela perguntar aos meus olhos se eles enxergam outro futuro sonhado. Como também não vou mentir quando ela perguntar se meus versos não se inspiraram nela, pois todos são sobre seu brilho, seu jeito e minhas lembranças, mas se banham nesta solidão repentina que me fere a cada instante. A mesma solidão que me enclausura, me traz as belezas de rimas e imagens poéticas. A mesma angústia que me acorda pelas madrugadas, é a mesma que acalma meu coração pensando em como seria bom o seu toque e sua presença colada em minha mão. A mesma ponta final que me cala e me lança na mais dolorida escuridão, é a mesma ponta que se transforma em luz e abre todas as portas da minha vida para receber este amor. Talvez um platonismo explicasse tamanho jogo de extremos, mas me cansaria de procurar esta definição em seus livros. Prefiro poetizar para minha amada, ela existindo ou não, a forma tão grandiosa que meu coração proclama esta paixão.

janeiro 24, 2012

O céu é infinito pelo fim...

Pelo fim que você desenha em seu rascunho. É o fim conhecido de uma caminhada que nunca começa. O céu é um infinito com uma equação exata, onde a vida e sua felicidade são constantes conhecidas e com valores dentro de um curto limite. Não existe a fórmula para alongar, não existem caminhos para se pegar. Não existem marcas, melodias conhecidas, significados desconhecidos, brilhos de uma mente fixa ou atalhos pintados de cores complexas. O que lá existe são momentos irreconhecíveis e com complicadas tentativas de descrição. O que existe são sorrisos abafados e boquiabertos corações desvairados de uma tempestade de verão. Existem conchas que contam histórias e que trazem a maré no seu ponto mais alto e refrescante. Existem fragmentos de vida de todas as formas, espalhados e se juntando com suas principais características. Existem os momentos desenhados, ditos perfeitos, que logo desbotam por conta do sol que nunca aparece das montanhas. Existe também, perdido em algum lugar longe de tudo, o eu e você. Aquele objetivo traçado, aquelas promessas rarefeitas e aquela história que eu desenhei um fim e antecipei a ida ao infinito. Ele está lá e um dia talvez eu vá buscar o que sobrou deste capítulo perdido...

janeiro 17, 2012

Um dia eu vi seu aceno em meu caminho...

Eu guio pela estrada de sempre, guio com o vento em diversos estados e com cores de velocidade alternadas. Guio pelo som que me chega, guio pela liberdade mais alta. Guio no ritmo de um solo conhecido, de um conjunto de acordes qualquer e até pelo refrão batido. Guio por não ser guiado, guio para nunca encontrar e até guio para me lembrar. De fases, de praças, de paradas, de reviravoltas, de amores, de cartas, de um beijo adormecido, de um sorriso torto, de um olhar arrependido, de um abraço e de uma risada. Guio para viver e até guio para morrer. Em uma curva de guerra, na ultrapassagem estreita, no acelerar definitivo. Luzes acesas, destino conhecido, novos caminhos, uma missão e um amor que pulsa toda uma inspiração. Foram centenas de vidas guiando para resumir, a pequenas palavras, o desejo que ficou perdido naquele ponto que já nem lembro mais que existiu. Tudo aquilo se perdeu como promessas fracas, beijos secos e enlaces corrompidos nos caminhos que já guiei.

janeiro 13, 2012

De uma reviravolta triste...

Uma brisa amarela me banha como o sol. Os sonhos começam a se dissipar, mas você ainda pertence à minha mente. Te vejo, te sinto, em tudo. Na falta, na distância, no não estar e neste silêncio. Acordo e vejo ao lado sua parte esticada e envelhecida por um tempo distante. Hoje vejo que tudo se foi como um pó delicado. Hoje eu me questiono se alguma vez você esteve aqui por perto ou se foi apenas uma doce ilusão de um perfume tão parecido que se personificou em mim. Hoje eu já me perco nos questionamentos se deveria ter te amado tanto quanto minhas poesias falaram. Hoje eu só queria ter um abraço completo, algo que me fizesse sonhar de olhos abertos e lacrimejar uma vasta dimensão. Hoje eu só queria um aperto de mão para pelo menos lembrar qual seria a cor que ficaria em mim após seu toque. Hoje eu só queria acordar sem o grito costumeiro de todas as manhãs...

janeiro 06, 2012

De tanto lembrar eu quis te esquecer...

Lembrando as estrelas que soletravam seu nome todas as noites que passava admirando este infinito. Lembrando os gostos acres alcoólicos que me guiavam por frases soltas, ritmadas e com rimas tão fáceis que colavam no meu coração. Lembrando toda aquela espera por algo que nunca aconteceu, uma ligação, um beijo roubado, uma dança descompromissada ou um pedido de amor. Lembrando seu brilho encantador, você bela correndo com a brisa perfumada, com a delicadeza certa do momento. Lembrando cada vez que fitei a escuridão, buscando razões, traçando caminhos e planos com tanto sucesso, que viraram fracassos. Lembrando como era fácil descrever, como meus olhos enxergavam a beleza pura de algo que não existiu. Lembrando tanto, cada parte da maneira certa, que passei a acreditar que tudo não existiu e que não passou de um sonho completo, de algo que te tira o fôlego, mas te retiram as memórias. Se eu tivesse um último pedido, este seria para apagar todas as suas lembranças de mim e todas as marcas que você deixou em meus braços estendidos para o canto vazio.

janeiro 04, 2012

Dos doces deixados ao sol...


Deserto seco e repugnante. Cheiros confortáveis buscando um tato diferente em meu coração. Envenenado por horários inversos, que bailam em preces de meia idade, uma marca perdida no salão principal que saiu de cena cedo demais, perdendo o espetáculo como uma fumaça. Uma limpeza em meus pulmões aconteceu no momento que deveria ser certo pela última vez. Um momento de clareza é varrido da minha mente, como uma salva de palmas surdas e as vaias tomam conta de minhas poesias, meus pesadelos se encarregam das minhas muitas últimas chances. Eu tentei te ligar, mas os números voltaram para o pó inicial, sendo sugado pelo aspirador de porcelana que vive pendurado na parede do telefone. Tchau, adeus, até mais e espero nunca mais te ver foram as promessas rabiscadas atrás de uma fotografia sem um rosto desenhado. Esperei que a próxima canção me trouxesse lembranças que nunca aconteceram e me contasse uma história que não fosse documentada. Faça-me girar por planetas buscando apenas a faísca que me transformará em um mendigo de atenção. Vários papéis para um mesmo rosto fazem o cansaço principal esbofetear a sanidade e a televisão está ligada novamente no mesmo canal estático...

dezembro 23, 2011

O meu presente de nascimento...

Foi bom te ver nem que tenha sido por uma foto. Estática, cortada e sem destaque. Foi bom te ver, simplesmente por ter este sabor de nostalgia em um fim de tarde. Foi bom te ver, apenas para te desejar, no meu surdo gritar, tudo de bom. Foi bom te ver, pois se hoje escrevo essas linhas, os meus pequenos e primeiros versos foram apenas para você. De fato, de amor, de cor e salteado, da pureza mais concreta existente, da mais bela e infantil forma de gostar. Foi para você que comecei estas minhas tortas linhas, essa minha busca por algo sem definição, essa minha luta para achar o poema perfeito. Foi bom te ver, para eu relembrar todos os gostos, o suor nas mãos, o portão fechando, o tato adolescente, o coração na boca, o nervosismo e depois a gritaria da alegria. O dia de sol o inverno da espera. Foi bom te ver, mesmo você nunca entendendo, mesmo você nem sabendo... Foi bom te ver, porque no meu silêncio eu te disse: Obrigado!

dezembro 21, 2011

Vão-se as imagens, fica a mensagem...

Carreguei minhas poesias por estradas desertas. O sol escaldava suas explosões em meus olhos, o sol explodia em partículas uma acidez enorme em minha vida. Poetizei como ninguém um enxame qualquer de ruptura carregada. Destilei meus passos, filtre meus átomos. Não me lembro se foi de alucinógenos ou culpa da sede, mas as imagens começaram a dançar em minha frente. Um corpo morto caiu, uma panda dançou em ritmos aleatórios, um pedido de socorro foi ouvido por entre as árvores e delas saíram voadoras criaturas do amor. O ambiente era fantasmagórico, era daqueles indescritíveis e meus lábios escreveram cada detalhe com a rica cor de uma primavera. Algum ponto de clareza deveria existir, mas não foi captado. Eu carreguei as minhas poesias pelas poeiras mais baixas, pelas escapadas mais milenares. A redundância beijou minha nuca e correu em direção ao "Adeus pronto". Ela gritou por entre as pernas, ela girou por entre os corpos e salpicou com seu melhor tempero o meu final. Eu carreguei minhas poesias por este mundo inexistente, carreguei-as para ninguém ouvir e para não clamar que de louco viveu e de estranho morreu...

dezembro 19, 2011

Um fim qualquer de um passo esquecido...


E deixei seus braços de veneno para que meus inimigos enxergassem toda a beleza emanada. Contemplei por anos meus passos frouxos e cansados que seu nome fez. Sem lembranças e sem destino, vivi como se fosse um vento noroeste perdido em um suspiro qualquer. Eu consigo fechar os olhos e viver um sonho. Consigo abri-los no meio da vida e enxergar o seu brilho. Eu consigo enxergar o caminho, mas é tão difícil seguir os passos pelas pedras. Elas passam voando pelos meus dedos e fazem as mudanças que querem nestes passos soltos. Talvez eu precise de uma droga nas veias, uma dose certeira de promessas e falsos moralismos. Beberia de uma fonte infinita um veneno qualquer que me levasse para bem longe. Viveria de extremos apenas para saber como é o tenro sabor de me sentir perdido. De me sentir preso a algo tão impossível e inexistente que me causasse medo. Talvez eu olhe muito profundamente para tentar saber a cor dos meus sentimentos. Destes mesmos sentimentos que ditam uma rotina ordinária. Eles seguem como os voos dourados de uma alcateia que se perde no coletivo. Eles seguem em busca daquele tesouro enterrado, guiando apenas pelo destino de um mapa com um "X" rasurado. Com ou sem melodias, eu me perco nas estrofes apenas para me desesperar por saber que sou completamente apaixonado por tudo o que você criou e me deixou morrer.

dezembro 16, 2011

De um livro e canção saiu meu coração...

Mando essa carta como alento para uma mente viajante. Escrevo para tentar liberar todas as energias de meu corpo, de meu coração que cansa de pulsar para um organismo sem muita emoção. Tento rimas tontas, neologismo básicos, rabiscos modernos e perfeitos significados. Tiro da matéria e tento voar por um espaço curto, pulando de planeta em planeta para ver o que de melhor cada um oferece. Estava esta imagem naquele livro que era para ser infantil, mas se perdeu em referências anuais e foi parar em uma música esquecida, da banda da rua extrovertida. Existem obrigações, existem caminhos e até mesmo as cores de nossas canetas. Tudo isso perde um pouco o rubro quando me lembro de você, de seu toque e do seu jeito tão irônico de me fazer sorrir. Perco o tato, o chão e até mesmo a direção no instante momento que tudo começa a surgir. Juro que as rimas não deveriam existir, pois escrevo em prosa o que o poeta não entendeu. Escrevo em frases curtas e até perdidas, o que o poeta esqueceu. Ele deveria ter te dito tudo isso, em forma de soneto, com grandes intervalos e redondilhas rarefeitas. Ele deveria te fazer perder o ar de tão alto que te levasse e transformar este amor em formas perfeitas. Rimo sem mentir, rimo para te fazer mais próxima de mim. Rimo para tentar resgatar tudo o que se perdeu, quando eu era um poeta para você. Rimo, pois se o poeta não existe mais, eu estou ainda aqui. Tento sem jeito, com pingos de medo, rimar até o que partiu. Mas o mais prazeroso, é que rimo meu nome ao teu, para fazer desta nova página um eterno começo sem fim.

dezembro 12, 2011

Escrito com algo que poderia ser seu…

É a última pétala de um imenso buquê. É a última noção de um complexo caminho. Eu arrumava o jardim sujo de tentativa vã e ela me olhou como se recorresse aos antigos tempos para tentar brotar algo inexplicável. Ela deu a mão por algo que talvez nem soubesse a razão, nem soubesse a procedência e se existiria alguma redenção. Houve um beijo interrompido por outrem. Houve toda aquela descoberta do atrito de corpos e fluídos encharcados de uma saudade e de uma importância divina. Vi deitar contemplando o infinito de amor, mas sabíamos que as pétalas voam e este era o último suspiro que poderia existir. Os momentos devem ser vividos como últimos, os beijos dados devem ser saboreados como únicos e todos os sorrisos soltos, guardado com a urgência necessária. Meu jardim repleto de daninhas arranhadas pede ajuda, pede minha urgência e minha soltura. Ela sabe de tudo, sabe até como me amar, mas todas essas gotas de chuva não me fazem percorrer o estreito necessário para viver completamente essa tentativa. Só me resta sorrir e guardar tudo dela apenas para mim, guardar para quando este silêncio voltar, eu lembre como é doce e perfeito as notas musicais de sua voz na minha vida.

dezembro 02, 2011

Os sons ecoaram difusos no horizonte...

Foram verbos intransitivos, daqueles que planejam a fuga e não se dão por vencido. Foram luzes que escaparam pelo caminho, trilhando novos amores e tenros sonhos recheados. Foram palavras estraçalhadas, sem ação e adjetivadas com o máximo dos pronomes. Foram perfumes soltos de um buquê morto, com um cartão borrado e sem muito amor. As frases foram destruídas pelas orações compostas de angústia e muita vibração. Uma criança com um lápis de cera branco pintou de anis o corrimão do acesso. Pintou a vergonha de gaivota e se esqueceu de voar na imaginação. Foram duras palavras práticas, de início e ditas com razão. Uma previsão de futuro, uma anedota perdida, uma escuridão do amor, um refrão. A criança fechou o livro, fez o vento ventar e a cantiga ninar. Ela escolheu os sujeitos existentes, fez as rimas fantasmagóricas e dedilhou seu banjo cruel... Ela é uma criança apenas, diriam as más línguas, mas uma criança que entendia de redondilhas...