Existem os tipos a serem cumpridos, os que rezam para ser traçados, os que clamam por notoriedade. Existe um laço mal complicado, um emaranhado com caminho definido, um mapa com apenas uma linha reta. O pingo de suor no rosto, o folego que se esqueceu de vir ao encontro, as mãos que não param de tremer - mesmo no quente, pelo puro nervosismo do nunca. Gostaria de narrar como um Deus, sabendo seus inícios e pensamentos. Sabendo de seus passos e desejos. Sabendo como transcrever um sentimento, como compreender a passagem de dedos e a satisfazer as expectativas de um olhar com gosto. Gostaria de colocar juntas as peças que faltam, de saber onde se esconde o ponto secreto e a traçar o caminho que me leve de volta às facilidades que vivi anteriormente...
agosto 03, 2012
julho 26, 2012
De uma colheita regada...
Talvez devesse os dados ser melhores, números apenas pares, lançamentos esporádicos e tendas de desejos. Talvez o orvalho fosse refrescante e as letras menos tristes. Minhas poesias pudesse ter um endereço diferente, ser mais clara e completa. Mais alegre e sentimental. Mais pomposa e arranjada. Talvez os caminhos pertencessem aos momentos e estes, sendo épico o suficiente, estivessem escritos nas páginas de um livro admirado e vendido. Sem luxo ou rasgo da sociedade. Talvez tudo fosse diferente, mas um sonho de vida me fez retornar ao lugar e me deu mais tempo para sonhar, planejar e amar o tanto de infinito que eu colhi na última estação...
julho 20, 2012
Um tabuleiro me contou a história...
Casa sim e casa não, os piões ganham vida no jogo de dados e trazem a dinâmica do estágio. Uma câmera marca as opções e registra todos os devaneios que brotam das discussões. Um toque, uma armadilha e uma desilusão. A lista de afazeres, a garganta seca e a falta de uma ligação. A roupa dobrada, o cesto fúnebre e o gosto de um beijo. A propaganda antiga, o livro comprado e a lembrança de um adeus. A vida e os objetos além, se intercalam com os sentimentos na mais perfeita coesão. Pensamos tanto nos nossos materiais, quanto em nossos desejos sentimentais. Queremos a grama verde mais bela, mas não conhecemos tal tom e nos perdemos neste tabuleiro finito, que hora nos manda para lá e hora nos manda para a hipoteca dos esquecidos...
julho 17, 2012
Normalmente você seria minha princesa...
Meu reino não existe, mas é descrito em muitas poesias de livros sortidos. Meu reino não tem cor, mas possui toda uma aquarela infinita de beleza. Meu reino não existe salvação, mas ele está em paz agora, uma paz presa a algo finito e duradouro ao mesmo tempo. Meu reino não é concreto, mas sua abstração traça finos lampejos normais e que fazem do vinho a bebida preferida do verão e passeios com sorvete e beijos no inverno. Meu reino tem algumas maldições e uma delas é não ter a minha princesa para pintar o nome dele na placa mais prazerosa. Um reino sem princesa é como uma rima sem palavras, uma música sem ritmo e uma poesia sem amor. Eu fui poeta por muito tempo e tentei desdenhar desta ausência, mas minhas letras sempre me fizeram voltar ao vazio do meu coração e a sentir a incolor solidão deste lugar que de tão sem vida, parou de pulsar e me retirou todo o verbo amor dos meus lábios...
julho 08, 2012
Como uma confissão solta...
Eu tenho este problema da solidão. Não sei se me completa, se busco rebuscar o impossível ou se até mesmo eu preciso saber que não tem ninguém mais ao meu lado. Eu tenho este problema solitário. Ele não aparece, mas eu sei onde está. Eu o guardo para um momento tranquilo e brindo sempre a ele, mentindo aos olhos felicidade, mas na realidade eu sempre brindo a eternidade da solidão. Eu tenho este problema de forçar a barreira do sozinho, de amargar a estrada vazia e a liberdade de não ter que te ligar, depois da minha embriaguez. Eu talvez tenha cavado longe demais de uma mulher que me complete. Talvez, eu empurrei pelo vale as chances que tem me dado. Talvez, eu contemplei demais todos estes amuletos que me deixaram. De cada parte do mundo, de cada curva ao caminho. Eu não tento fazer um ninho forte, só tento caminhar e tecer a perfeição, mesmo sabendo que ela nunca existiu e nem aparecerá nos meus versos...
junho 27, 2012
Eu parti sem choro de volta...
Ressuscite-me caso seja capaz. Parti despedaçado por estilingues infantis, parti por números desconhecidos e rabiscos de término. Tive promessas assassinadas, naveguei para naufragar e sem retorno possível. Nós todos tentamos, nós todos tivemos os sentimentos por provas carnais e aplausos programados de agradecimento, mas nunca de parabéns. Parti para um acaso desconexo, parti por conta da distorção de ideias... Sem flores ou adereços capazes de tremer paredes brancas, eu parti e agora seu parafuso cego de razão falta para retomar um caminho. Faz tempo que o inverno vive em suas vestimentas e o sol jamais vai te reinar como eu pintei em você. Meu suor, meu desejo e meu beijo, partiram porque sempre fui um ímpar em um brinde vespertino de arrependimento...
junho 24, 2012
Retornando ao primeiro verso...
"Você pode ter ido embora, mas sempre ficará uma lembrança sua comigo e que jamais esquecerei. Podem coisas acontecer, o tempo passar, mas eu jamais desistirei de você... Tudo isso porque eu te amo!" Foi no calor do meu primeiro amor que escrevi essas palavras. Foi com este início que comecei a trilhar um caminho diferente. Foi neste passo que descobri as teorias do platonismo, a prática de um romantismo esquecido e que, mesmo adolescente, foi responsável pelos meus passos até hoje. Ainda guardo sua lembrança de verão, ainda me pego associando as mesmas coisas e não considero que estacionei por ter um punhado único de momentos. Foram poucos, mas foi todo o início. Se não trilhamos mais nada, a culpa é a de um destino divino que me mostrou a loura poesia adolescente para me transformar no devaneio que sou hoje. Não posso falar que te amo, mas te amei com toda a pureza e sinceridade que até hoje me são características. Não posso falar que não desisti de você, pois o tempo tratou de mostrar que era só o aprendizado necessário. Mas posso dizer que nunca te esquecerei, pois seu sorriso e sua beleza única foram os responsáveis pelas primeiras cores do meu mundo e você sabe que sempre te agradeci por isso.
junho 11, 2012
Você disse que não tem medo...
Seus olhos brilham como se fossem um abismo. Seu sorriso preenche o ar que me aquece, que faz transpirar, que me faz viver. Teu jeito, tua simpatia parecem se completar tão perfeitamente aos meus moldes derretidos e gastos com o tempo. Sonho com seu beijo, com sua pureza tão forte e radiante que me leve para outro patamar de desejo, de uma adoração ardente. Gostaria de sentir a suavidade de suas mãos, de seus entornos corados e de um suspiro de sufoco, mas só tenho a sonhar. Só tenho a criar um novo sonho, uma nova estrada e um novo começo... Com novos olhos, sorrisos e um novo você, porque já que não tem nome, te reinvento a cada passo que te busco na perfeição do talvez.
junho 07, 2012
Eu aprendi tudo a você…
Eu aprendi a olhar, a andar e a sonhar. Aprendi a correr, a viver, a crer. Aprendi a sorrir, me divertir e a dormir. Aprendi a amar, aprendi a querer e aprendi a partir. Aprendi a chorar, aprendi a poetizar, aprendi a caminhar. Aprendi a escrever, aprendi a ver e aprendi a sofrer. Aprendi a construir, aprendi a desistir, aprendi a ruir. Todos os verbos que aprendi, todos os caminhos que percorri, todos os momentos que presenciei tiveram você como personagem maior. Não presente, muitas vezes muda e transparente, mas você estava ali como meu objetivo. Meu objetivo sempre foi viver para você, atravessar pontes e obstáculos para saber que não sei de nada e que, se estivesse ao seu lado, começaria a aprender o verdadeiro sentido de tantos verbos na vida. Mas ainda não tenho as rimas necessárias para transformar este dicionário em vida de amor...
junho 05, 2012
Criptografando os destinos...
Os tempos estão mudando, com o sol se escondendo na vergonha, a lua com uma timidez acentuada, os ventos gelados no verão, os pássaros de uma nota só. Uma foto rasgada de escrivaninha, uma benção esquecida, três capítulos de um sonho, oitavas relações perdidas. Seus braços encolhidos, um sorriso perdido para outrem, uma névoa condensada de beijos e o troco da confeitaria. São marcos singulares, são anúncios de desconto, são rebolados estrangeiros e orçamento encolhido. Os tempos mudam, meus olhos se acostumam, minhas poesias fluem, mas cada vez escolho o longe como destino. Cada vez mais escolho a falta de sorrisos, do que um beijo matinal. Cada vez mais escolho o solitário mundo da realidade, para desistir de vez de criar meus sonhos. Cada vez mais eu esqueço tudo que passei, para nunca mais te encontrar...
maio 25, 2012
Você é o fim…
Eu sei o fim de tudo. Sei de todos os meus passos, sei das músicas queimadas e das poesias vivas no lixo. Sei dos seus olhos mortos, seu coração que pulsa da forma cadenciada, quase morta, quase sem brilho. Ponto a ponto com minhas angústias, meus receios sempre conturbados. Vou embora novamente. Vou embora de você, mas te trago rosas de sangue antigo, te trago sonhos que já acordaram, te trago versos que são poeira. Eu tentei te reanimar para parecer como antes, até desenhando um cenário com aquele crepúsculo único. Queria ter o mesmo perfume, mas meus medos não me deixaram. Meus medos fizeram viver a redundância de não ter um rosto frágil. Vidro que quebra em passos soltos, passos esquecidos no pó do tempo. Beijos de forma, beijos sem suor, sem amor e o fim. No fim é sempre o fim. No fim você sempre deseja o fim. No fim você sempre chega ao sempre fim. No fim é apenas o fim...
maio 16, 2012
Eu dançaria como você fez...
Eu te amo mais do que letras podem contar. Eu te amarei até o último suspiro existir neste mundo e em meus sonhos básicos... Eu te amo até acordar de um pesadelo que vivo em um mundo sem existir você. Eu sou aquele que acredita em mudanças drásticas ou puras, de tremas e parques. De mudanças sentidas e doces tatuagens que viram feridas nos bancos traseiros de carros queimados. Eu te amo mesmo se este amor não existir no mundo. Com ou sem uma ajuda de sirene e solas brancas. Estas imagens se juntam em um aglomerado de estrelas, dançam em um céu com vento temporal e tudo parece estar bem, pois no ritmo cantado, elas ainda continuam soletrando seu nome e o quanto eu posso te amar nesta vida. Eu te amo, pois a poesia me deixa e o quanto da poesia ainda não se cansou de dizer que meu amor vai continuar, mesmo que essa cidade se desfaça da desgraça de você nunca ter existido em brilho maior que uma andorinha de inverno...
maio 13, 2012
Isto é só a descrição de um pensamento...
Conjunções berram rimas infinitas. Memorandos importantes furam a fila para a alimentação coletiva. Afazeres amontoados aos baldes em cantos. Escuridão que engole de insetos até vontades. Um cenário com movimento, um brinde cego, um aperto sonoro, uma piscada melada e todos os atores de um circo desfeito cantam sem fim. Pupilos dilatados, riscos incompletos, cardíaco novato e uma porção mágica de neve tropical. Um latido ecoa, um verso escorrega da flâmula, um gole rimando com o infinito e um desenho do amor. Uma foto queimada, lágrimas manchando uma carta, lápis quebrado e uma ponta perdida de uma aflição. Um credo, uma oração de simpatia, uma promessa quebrada e um sonho tão perfeito que foi inacabado. Um beijo perdido em uma noite de chuva rápida, semanas de silêncio sem lembrança alguma e o vazio de agora. Fomos embora e o Adeus não acenou pela janela de vento na estrada conhecida...
maio 04, 2012
De uma ideia vespertina...
Essas mãos tremem porque sabem da verdade, sabem da realidade que você acabou forjando para partir do meu mundo. Doce vidência que já me assoprava no início deste frio particular. Não houve nenhum sussurro desta vez, não houve as páginas que tinha me acostumado. Eu mudei a estrada e esqueci os meus muros, quando resolvi abri-lo eu quis tirar a poeira dos meus sonhos. Reescrevi todos meus futuros desejos com nova personagem. Readaptei tudo isto a uma nova realidade e ritmos novos que entravam da clareza do último ano. Começou e terminou comigo perdido na noite, redesenhando tudo o que me fosse possível e tentando rearranjar as letras antigas. Mas você se foi como os detritos comidos pela terra. Você se foi e eu só posso deixá-la seguir para alguém que se abaixe em seu pé e a faça a rainha de um reino que eu nem imagino...
maio 02, 2012
Pouco a pouco você acaba descobrindo…
Um revés na vida é a sombra de uma realidade correta que foi ignorada. Nada mais é que uma correção de curso. Dolorida, complexa, tensa e mágica. Recheada de utopias e congressos amedrontados. É a luz da lua que te acorda no meio de uma manhã, banhando todas as partes e te fazendo enxergar mais do que um par de lentes consegue convergir. O que é uma derrota quando se quando perdemos um amor, temos seus momentos para eternizar em escritas sentidas? O que é uma perda da vida, se o perfume embala sonhos e folhas de calendário afim? O que pode ser considerado um erro se o amor é algo infinito e renovável, algo que não percebemos e fazemos mal uso de seu nome? São aquelas tantas imperfeições enfileiradas perfeitamente para cumprir o papel de te dar uma vida nova. Um novo suspiro de possibilidades que te farão correr para a próxima página de versos...
abril 24, 2012
Inspiração que não me fez mais voltas...
Perambulo em círculos viciantes nestas estreitas conhecidas. Já estive por aqui, meu perfume é neutro, mas fica aglomerado ao sinal soado. Vivo apenas para lembrar o jeito dela se aproximando, vivo apenas para lembrar o doce lábio mirando nos meus e dos beijos que dissemos ser novos e especiais. Vivo apenas disso, mas não tenho mais a inspiração que antes dirigia minha mente a ferozes lugares. Não tenho a inspiração para transpirar a névoa matinal de outono. Não tenho mais a plenitude de ter uma inspiração que me acordava poetizando, ritmada e completa, palavras e frases soltas que me banharam. Agora vivo na seca de momentos harmônicos, vivo paralisado sem um som e mudo sem um toque em meus braços. Vivo na angústia de você notar, de você entender que nem tudo aqui é um presente, mas que tudo aqui pode virar um futuro, um futuro que faça minha inspiração em você voltar.
abril 18, 2012
Quero pensar cada vez mais em você…
Eu penso em suavizar as nossas extremidades, em tecer um comentário tenro que te faça suspirar com um sorriso matinal. Eu penso em aprender a desenhar sua beleza, com traços incompletos para que possa buscar, cada novo dia, um novo passo para a plenitude. Eu penso em contar a nossa história e recheá-la com as pétalas de capítulos que os anos se puseram a podar. Penso inclusive em te transformar em poesia, aprendendo o ritmo certo de cada olhar, de cada toque e de tentar transcrever o sabor do seu beijo primavera para que rime com todas as palavras que estiverem ali. Eu penso na coragem para eternizar nossa união, penso em fazer sorrir com a chuva de inverno, penso em fazer acalmar o sol escaldante do verão. Eu penso em te amar para sempre e mesmo que o para sempre não exista, te amaria hoje e quando acabasse este hoje, eu continuaria te amando, cada vez diferente, cada vez mais, cada vez mais intenso, até que tudo o que penso fique pequeno demais para a realidade...
abril 16, 2012
Sem uma boa noite você escolheu...
Eu choro porque tentei, eu choro porque eu pintei um caminho pelo menos correto. Eu choro porque eu te entreguei minha vida, em forma romântica, para desfrutar de algo verdadeiro que passou pelos anos de maneira mágica. Eu choro porque sei que você estava com tudo isso no momento que decidiu seguir nas suas escolhas. Você tinha meu coração na mão, você tinha tudo que me importa. Eu fiz meu esforço, sorri com a alegria que me contagiava, esperei pela sua atenção, esperei pelo fato simples de continuar uma história, eu quis conhecer melhor a mulher que estava à frente dos meus olhos. Mas nada adianta, deve ter sido o brilho latente, as mãos que não paravam, a ironia contagiante ou até mesmo era o fato de eu ter algo grandioso demais para o momento... Eu choro porque não deveria ter traçado seu nome em meu concreto.
abril 15, 2012
Sempre fomos de tempos curtos…
Podemos conversar sobre as palavras não ditas pelos olhares. Podemos tecer comentários sobre o sabor de um toque de outono. Podemos orquestrar uma nova maneira de beijar o futuro... Mas eu me perco. Por culpa do sono, por culpa de uma beleza irretocável, por culpa de ter culpa e me culpando pela timidez que me transpira o coração. Poderia ter sido perfeito, mas a perfeição é redesenhada a cada novo segundo, sem que nunca consigamos experimentá-la totalmente. Eu redescobri o caminho, eu brinco com as palavras ordenando as sílabas e todas pertencem ao seu nome e seu perfume. Se não fosse essa razão suprema, seria a redundância de falar que é apenas sobre você. Eu fechei um capítulo entregando suas obras aos ventos da noite. Eu fechei uma espiral que nunca sonhei ter um fim. Sem querer eu conheci uma nova pétala, uma nova explosão e sem querer realmente eu deixei todo o seu brilho me paralisar e me guiar por uma estrada que eu não esperava cruzar novamente...
abril 09, 2012
Do quanto tempo levaria...
Eu queria orquestrar uma fuga. Uma fuga solitária e sem planos. Aquela fuga de episódios infinitos e que fosse alimentado sobre o único propósito do viver. Eu queria não ter volta e cruzar todos os horizontes. Não ser marcado pela falta e sim pela ansiedade de se ver mais um pôr-do-sol contigo. Não foram muitos, mas já são alguns. Uma fuga ou uma jornada em busca de algo completo, se é que o completo existe. Quanto tempo este mundo me sustentaria antes de acabar? Qual seria a sensação de sentir o mar imenso nos invadir? Qual o sabor da pétala que levas na mão e é o teu perfume? Queria fugir para te ter como poesia viva, como um livro, onde o início, enredo e fim seriam apenas você. Com verbos, orações e capítulos recheados de você. Da minha mais perfeita epopeia que de tão longe, só me faz querer sonhar com o perto e o infinito de possibilidades que poderiam se tornar verdade...