Perambulo em círculos viciantes nestas estreitas conhecidas. Já estive por aqui, meu perfume é neutro, mas fica aglomerado ao sinal soado. Vivo apenas para lembrar o jeito dela se aproximando, vivo apenas para lembrar o doce lábio mirando nos meus e dos beijos que dissemos ser novos e especiais. Vivo apenas disso, mas não tenho mais a inspiração que antes dirigia minha mente a ferozes lugares. Não tenho a inspiração para transpirar a névoa matinal de outono. Não tenho mais a plenitude de ter uma inspiração que me acordava poetizando, ritmada e completa, palavras e frases soltas que me banharam. Agora vivo na seca de momentos harmônicos, vivo paralisado sem um som e mudo sem um toque em meus braços. Vivo na angústia de você notar, de você entender que nem tudo aqui é um presente, mas que tudo aqui pode virar um futuro, um futuro que faça minha inspiração em você voltar.
abril 24, 2012
abril 18, 2012
Quero pensar cada vez mais em você…
Eu penso em suavizar as nossas extremidades, em tecer um comentário tenro que te faça suspirar com um sorriso matinal. Eu penso em aprender a desenhar sua beleza, com traços incompletos para que possa buscar, cada novo dia, um novo passo para a plenitude. Eu penso em contar a nossa história e recheá-la com as pétalas de capítulos que os anos se puseram a podar. Penso inclusive em te transformar em poesia, aprendendo o ritmo certo de cada olhar, de cada toque e de tentar transcrever o sabor do seu beijo primavera para que rime com todas as palavras que estiverem ali. Eu penso na coragem para eternizar nossa união, penso em fazer sorrir com a chuva de inverno, penso em fazer acalmar o sol escaldante do verão. Eu penso em te amar para sempre e mesmo que o para sempre não exista, te amaria hoje e quando acabasse este hoje, eu continuaria te amando, cada vez diferente, cada vez mais, cada vez mais intenso, até que tudo o que penso fique pequeno demais para a realidade...
abril 16, 2012
Sem uma boa noite você escolheu...
Eu choro porque tentei, eu choro porque eu pintei um caminho pelo menos correto. Eu choro porque eu te entreguei minha vida, em forma romântica, para desfrutar de algo verdadeiro que passou pelos anos de maneira mágica. Eu choro porque sei que você estava com tudo isso no momento que decidiu seguir nas suas escolhas. Você tinha meu coração na mão, você tinha tudo que me importa. Eu fiz meu esforço, sorri com a alegria que me contagiava, esperei pela sua atenção, esperei pelo fato simples de continuar uma história, eu quis conhecer melhor a mulher que estava à frente dos meus olhos. Mas nada adianta, deve ter sido o brilho latente, as mãos que não paravam, a ironia contagiante ou até mesmo era o fato de eu ter algo grandioso demais para o momento... Eu choro porque não deveria ter traçado seu nome em meu concreto.
abril 15, 2012
Sempre fomos de tempos curtos…
Podemos conversar sobre as palavras não ditas pelos olhares. Podemos tecer comentários sobre o sabor de um toque de outono. Podemos orquestrar uma nova maneira de beijar o futuro... Mas eu me perco. Por culpa do sono, por culpa de uma beleza irretocável, por culpa de ter culpa e me culpando pela timidez que me transpira o coração. Poderia ter sido perfeito, mas a perfeição é redesenhada a cada novo segundo, sem que nunca consigamos experimentá-la totalmente. Eu redescobri o caminho, eu brinco com as palavras ordenando as sílabas e todas pertencem ao seu nome e seu perfume. Se não fosse essa razão suprema, seria a redundância de falar que é apenas sobre você. Eu fechei um capítulo entregando suas obras aos ventos da noite. Eu fechei uma espiral que nunca sonhei ter um fim. Sem querer eu conheci uma nova pétala, uma nova explosão e sem querer realmente eu deixei todo o seu brilho me paralisar e me guiar por uma estrada que eu não esperava cruzar novamente...
abril 09, 2012
Do quanto tempo levaria...
Eu queria orquestrar uma fuga. Uma fuga solitária e sem planos. Aquela fuga de episódios infinitos e que fosse alimentado sobre o único propósito do viver. Eu queria não ter volta e cruzar todos os horizontes. Não ser marcado pela falta e sim pela ansiedade de se ver mais um pôr-do-sol contigo. Não foram muitos, mas já são alguns. Uma fuga ou uma jornada em busca de algo completo, se é que o completo existe. Quanto tempo este mundo me sustentaria antes de acabar? Qual seria a sensação de sentir o mar imenso nos invadir? Qual o sabor da pétala que levas na mão e é o teu perfume? Queria fugir para te ter como poesia viva, como um livro, onde o início, enredo e fim seriam apenas você. Com verbos, orações e capítulos recheados de você. Da minha mais perfeita epopeia que de tão longe, só me faz querer sonhar com o perto e o infinito de possibilidades que poderiam se tornar verdade...
março 31, 2012
Águas famosas fecham as cortinas…
Fecham as cortinas de um mês de verão que termina outono. Um mês - que por ser o meu mês, foi sempre símbolo extremo na odisseia da vida. Um mês que me trouxe presentes de passado e de futuro. Março se encerra com uma valsa melancólica e alegre, finita e bem passada. Não consigo ainda enumerar os seus pontos especiais, nem consigo enxergar os tracejados simbólicos. Disto posto, o ano começa com engrenagens novas e mais velhas de idade, com mais pureza e mais perto do fim que ontem. Como sempre. Março se encerra com ecos de felicidades e de marcas vividas. De um beijo lindo até complexos enigmas. Quebro a taça para utilizar uma metáfora perdida, desfaço laços que me prenderam e continuo ao caminho cativante. Com a escuridão ainda, caminho sem saber a direção que tomo, mas certo de que o caminho escolhido será proveitoso. Março se fecha junto ao verão, junto as promessas soltas, junto as madeixas caídas e mais junto de mim do que eu poderia imaginar...
março 26, 2012
Uma carta ao mar do futuro...
Esta carta eu envio para uma data desconhecida. Uma data que os anos pesarão de uma maneira singular e os nossos olhos se encontrem novamente. Não sei dizer a trilha que embalará o dia, não sei dizer se os mesmos acordes serão conhecidos e se todos esses versos, inspirados em músicas, serão lembrados... Eu sei que, daqui a um bom tempo, o seu sorriso vai preencher o ambiente e o seu toque vai me guiar pela escuridão. Sei que daqui a uns bons anos, tudo isso fará sentido. Provavelmente eu dê risada sobre minhas atitudes de hoje, provavelmente lembraremos de um tempo perdido e como tudo fez um sentido infantil em nossa vida. Um dia iremos nos encontrar e se não selar este momento com um beijo, pelo menos um abraço fará sentido. Se não tiver a sua mão próxima da minha, um toque completará sua função. Eu espero que um dia eu consiga não contemplar a noite da mesma maneira de hoje, que possa dormir para sonhar sem medo do platonismo. Eu mando essa carta com a esperança que, em um dia qualquer, eu tenha novamente a mesma sorte de ter você perto de mim...
março 21, 2012
Retornou década virada…
Houve um leve toque, uma olhada despercebida para trás e um sorriso no rosto. O mesmo toque que há anos me fazia tremer voltou diferente. Voltou mostrando uma nova mulher e não aquela menina que me fez perder o rumo pela primeira vez. O sorriso pode ser o mesmo, mas já carregam uma vida atrás dele. Eu desacelerei e não me importei com caminhos longos ou horários. Por um instante o mundo desapareceu frente aos meus olhos e o único ponto de luz era aquela menina-mulher que reapareceu em minhas trilhas. Eu a deixei para reviver memórias. Eu a deixei para tentar raciocinar voltas, versos, sentimentos, noites longas, sonhos diversos e músicas que tentei encaixar em uma possível história, mas que só depois selaram e simbolizam uma volta ao passado. Naquela noite a música foi só uma minúscula vírgula de importância, pois eu tinha em meus braços a primeira pérola da minha vida...
março 19, 2012
Cativas teu tempo e passos...
Em letra borrada as inscrições deixavam claras as propostas. "Seja atento, pois o essencial é invisível aos olhos", com uma letra trêmula, mas que passava a certeza de tanto sofrimento que se transformou em batalhas. Ao lado do papel, foi possível avistar liras e juras com diversos amassados. De alívios pela liberdade e os leves que apenas iriam desfrutar da chance. Mas quem escreveu já havia partido e não tomou nenhum dos caminhos mostrados. Quem escreveu já havia quebrado muitas promessas e abandonado muitas oportunidades. Quem escreveu aquilo já havia entendido o que é essencial e parou de buscar. Quem escreveu aquilo não queria mostrar nenhum caminho aos navegantes, o que ele queria era uma volta atrás, retomar velhos passos, cumprir as velhas promessas e jamais se esquecer do brilho do amor e da leve felicidade... Da coisa mais perfeita de se ter uma rosa para cativar e para morrer.
março 13, 2012
Deixo este capítulo para sempre…
Guardo um capítulo deste livro entediado, recheado de “porém” e “afins”, para a parte que juro relembrar e guardar todos os trechos de promessas, o refrão perdido, a rima pensada, o sonho transcrito, as doses bebidas, as cartilhas de amor, o soneto sem fim, cada primeiro momento, cada promessa quebrada, cada lágrima solta, cada suspiro de fim, cada noite passada, cada dia que chegou cedo, cada gole angustiado e tudo o que seu nome e sua vida desenharam em mim. Este capítulo é para ter um fim rápido e incolor, mas as suas marcas em mim serão eternas...
março 08, 2012
Cuidando de roseiras e não baobás...
São pétalas de esperança, de um toque adocicado e tato de veludo. São pétalas que nascem com brilho e se vão com a certeza do infinito. São pétalas que começam com esperança, mas escorregam na vida e desenham um fim totalmente credor. São pétalas que precisamos em nossos passos, em nossos dias e em nossos sonhos. De pétala a pétala começa a formar um buquê leve, porém completo e de intensidade úmida. Com suas diferenças, sempre tendo que arrancar daninhas e de destinos confusos com pequenos futuros. Elas têm espinhos que machucam ou fazem sorrir. Espinhos que mostram caminhos ou realidades. São flores de um jardim desconhecido, que vivemos, que pisamos, que choramos e que sentimos. Não gostamos das falsas ervas de baobás, que racham planetas e que desfiguram a nossa mania. Não queremos tudo, mas queremos o que é diferente. Diferente são as flores. São flores abstratas, que se personificam nas mais diferentes formas, com diferentes nomes e diferentes razões. Mas são flores, como a daquele príncipe, que passou por diversos planetas, mas sempre levava nos lábios e coração a flor, que ele deixou para trás e que nunca mais amou...
março 06, 2012
No meu sonho eu te beijava...
No meu sonho eu te beijava. De alegria, com os olhos, com um sorriso tão puro e intenso. No meu sonho eu te beijava. Com a saudade necessária, com a alegria de ter um abraço seu, com a emoção de te ver perto novamente. No meu sonho eu te beijava. Você contava suas alegrias de vida, suas aventuras e suas conclusões. Eu mantinha a alegria de ver novamente você especial, revivendo momentos mágicos e lembrando cada conversa, de cada ponto traçado em uma cidade maravilhosa. No meu sonho eu te beijava. O mundo parou no momento que você chegou ao sonho, as cores mudaram, os sons sumiram e apenas a sua visão importava, nada mais. Todo o resto morto. Não foi preparando o café com seus desejos, não foi acordando com um riso irônico, não foi almoçando com adjetivos extremos. Foi em um lugar qualquer, uma hora qualquer, que eu não lembro, pois nada mais importou porque no meu sonho eu te beijava...
fevereiro 29, 2012
Cadê a certeza que isto aconteceu...
E se tudo isso for uma ilusão? Se nada do que acontece em meus passos for real? Se tudo for parte de um jogo de ilusões e fantasias enfileiradas, prontas para estrearem na novela da minha própria cabeça? Se todos meus casos de amor, de derrota, de solidão, de sonhos e até de doces mensagens deixadas na pele, for um jogo de mente poderoso e que nunca sairá da parte mental? Pois se tudo realmente acontecesse, por que nada me toca e nada aproxima ao ponto cego de um beijo? Por que o hálito fresco não banha meu sono e sempre é algo frio e invisível? Por que as imagens que se formam aos meus olhos são de distância, quando tantas cores perto não possuem vida? Se os sons não existiram e todas as mensagens recebidas não possuem remetentes, qual seriam os resultados dramáticos de me retirar os medicamentos e deixar meus olhos e meu coração se acostumarem com a frieza desta realidade? Qual seria o sabor de entender uma simples respiração e ter que viver com essa vida monocromática? Quando tudo começou e quando tudo terminou? Por que, no doce fim vespertino, uma carta borrou meus passos com a súplica pergunta que abre o texto? Como terminar ou tentar pelo menos achar essa saída, onde tudo agora parece um nevoeiro denso e sem fim?
fevereiro 27, 2012
O segundo mês é o extremo...
Troquei meu estofado cansado de tantas impurezas. Busquei o novo brilho do sol, aquele diferente e desafiador. Com novos ares e até novos amores, eu me troquei e comecei a nova jornada. No início minhas poesias pesaram, a inspiração faltava, pois a angústia e tristezas passadas, ainda tinham suas marcas. As rimas demoravam, critiquei o descuido, malquis amizades, infernizei as prosas que me vinham... Mas encontrei meu recanto. Diferente, com novos traços, mais centrado e mais polido. Consegui desmantelar as minhas antigas construções e me guiar para o novo. As críticas terminam e essas novas águas me trazem o sabor final. Fevereiro sempre foi o meu extremo, sempre foi o pavio mais curto, sempre foi o fechar janelas e desligar a luz. Que o meu março favorito brilhe em meus passos e complete a minha busca, pois não tenho um amor para cuidar, mas um amor para conquistar...
fevereiro 22, 2012
Por que foges então?
Começou uma fuga, com passadas largas e passos suados de incerteza. Era uma fuga, de um ponto qualquer para outro distante, o máximo distante daquele início. Não era bem um início, mas não havia chego ao fim. Não sabia dizer qual era este marco e muito menos as perspectiva de sua necessidade. Era a fuga, com o coração bombeando, a adrenalina produzida e o fôlego testado em quantidade. Era uma fuga, não como nos filmes, mas como na vida real que jogamos para o alto nossas mentiras e derrotas, para tentarmos um novo começo. Esquecemos que os passos são os mesmos, os trapos que nos cobrem são do mesmo tecido e as nossas dúvidas e aprendizados continuam em nosso calcanhar. Era uma fuga, mais uma de tantas outras que ecoaram no passado curto. Era uma fuga acompanhada de promessas fáceis e de fracas oportunidades. A fuga cansa uma hora, mas as meias e toda a vestimenta não são trocadas e tudo volta neste ciclo débil...
fevereiro 13, 2012
Uma correspondência aberta...
Entre trapos e retalhos de uma vida, com fotos e imagens descritas tão limpas que pareciam o início de um outono. Trazia uma saudação simples, mas mesmo nisso, estava carregada ali a emoção certa. Letras trêmulas em certo ponto da caligrafia demonstravam o apelo correto e, ainda mais forte que isso, o tamanho da importância. Em certas passagens aquelas rimas bobas, que servem para diluir a tensão que se formava, traziam um sorriso leve para os olhos que corriam por ali. Era um acervo de momentos, enumerados como tal, totalmente paliativos à realidade. O meio foi carregado e a conclusão levou mais de meia página, com a incerteza necessária, com a alegria de se descobrir refém disso, com a simplicidade tão procurada e um ponto final que parecia desenhado em completa perfeição. No lixo jaz uma carta de amor, um bloco tão pesado do sentimento mais correto existente e lançado à sorte de um destino qualquer. Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender a força de amar, acham que sua bolha é muito perfeita para se gastar com um sentimento tão impossível de entender... A solidão ensina mais do que uma festa repleta de ignorantes que nunca vão saber o verdadeiro sabor do amor.
fevereiro 08, 2012
Coberta de retalhos em fogo vivo...
Passos contados de uma caminhada no sufoco. Tarde branca opaca, com pássaros rabiscados de rosa. Início de estação, curvas acentuadas e sede perpétua. Traços completos de brigadeiro, prazos vencidos de não perecíveis. Estatuetas roubadas do acervo, irritações pelo pó da fábrica que exala o trabalho. Um sono fresco de uma tarde perdida, sonhos pipocando em olhos abertos, angústias leves trazidas pela farra. Pagamentos realizados, telefone que não toca, chamada rejeitada e saldo completo. Tem feira, tem para quem queira, tem a esteira e tem a saladeira. De casos e acaso, tenro amasso, doce enlaço e tudo complicado. A morte pelo candelabro, a silhueta do calcário e a página rasgada de calendário. A verdade que hoje é sexta-feira inacabada e o desfile começa pelo fim e sem hora para acabar...
janeiro 31, 2012
Um trovadorismo clássico…
E a pergunta foi lançada como chama: "E se você vivesse sem o infinito da descrição?". A garganta secou no momento da resposta, as mãos tremeram, os olhos perderam o foco e o chão pareceu sumir perante o horizonte. Se me tirassem o infinito, como eu iria sobreviver? Como eu teria o encontro de imagens que se transformam em linhas, que viram estrofes e depois terminam como rimas ancestrais? Como eu teria o sabor de um beijo, que personifica uma joia, que é lançada pelos mares, que é enterrada como tesouro e só consigo descobri-la através dos meus sonhos? Como eu poderia brincar com palavras, com objetos inanimados, com tintas escuras e borrões claros? Não teria a abstração companheira, não teria a paixão queimando meus sonhos, não teria o platonismo regando este imenso jardim e teria meu quintal desfigurado. Não teria um caminho para seguir, não teria nada... Mas limpei a garganta e respondi: "Seria o poeta do novo, do acaso, do estribo mais chocante e do irreversível caminhar. Cantaria em novos ritmos e faria novos sonetos. Tudo, tudo e tudo pela simplicidade de amar e mover meu corpo, para o desconhecido encontro da morte em vida, do amor no suspiro mais cadente e de ver pulsar um sangue que só é meu pela força absurda de sonhar".
janeiro 28, 2012
Com seus olhos eu jamais mentiria...
E se ela me perguntar não terei como mentir minhas vontades. Não terei como encobrir meus sonhos e meus desejos por ela. Não terei como desconversar quando ela perguntar aos meus olhos se eles enxergam outro futuro sonhado. Como também não vou mentir quando ela perguntar se meus versos não se inspiraram nela, pois todos são sobre seu brilho, seu jeito e minhas lembranças, mas se banham nesta solidão repentina que me fere a cada instante. A mesma solidão que me enclausura, me traz as belezas de rimas e imagens poéticas. A mesma angústia que me acorda pelas madrugadas, é a mesma que acalma meu coração pensando em como seria bom o seu toque e sua presença colada em minha mão. A mesma ponta final que me cala e me lança na mais dolorida escuridão, é a mesma ponta que se transforma em luz e abre todas as portas da minha vida para receber este amor. Talvez um platonismo explicasse tamanho jogo de extremos, mas me cansaria de procurar esta definição em seus livros. Prefiro poetizar para minha amada, ela existindo ou não, a forma tão grandiosa que meu coração proclama esta paixão.
janeiro 24, 2012
O céu é infinito pelo fim...
Pelo fim que você desenha em seu rascunho. É o fim conhecido de uma caminhada que nunca começa. O céu é um infinito com uma equação exata, onde a vida e sua felicidade são constantes conhecidas e com valores dentro de um curto limite. Não existe a fórmula para alongar, não existem caminhos para se pegar. Não existem marcas, melodias conhecidas, significados desconhecidos, brilhos de uma mente fixa ou atalhos pintados de cores complexas. O que lá existe são momentos irreconhecíveis e com complicadas tentativas de descrição. O que existe são sorrisos abafados e boquiabertos corações desvairados de uma tempestade de verão. Existem conchas que contam histórias e que trazem a maré no seu ponto mais alto e refrescante. Existem fragmentos de vida de todas as formas, espalhados e se juntando com suas principais características. Existem os momentos desenhados, ditos perfeitos, que logo desbotam por conta do sol que nunca aparece das montanhas. Existe também, perdido em algum lugar longe de tudo, o eu e você. Aquele objetivo traçado, aquelas promessas rarefeitas e aquela história que eu desenhei um fim e antecipei a ida ao infinito. Ele está lá e um dia talvez eu vá buscar o que sobrou deste capítulo perdido...