fevereiro 21, 2013

Dos tempos que selos eram presentes...

Houve um tempo em que mandar uma carta trazia alegria. Passei correndo várias vezes pelas linhas, contando fatos, descrevendo outros, criando fantasias grandiosas e tentando imaginar como isso refletia na outra pessoa. Era um exercício complexo, pois além da letra ser interessante, a dinâmica da carta era importante. A escolha certa de cenários, de assuntos, da dose de tristeza com a euforia bem controlada. O problema é que o tempo passou. As letras agora são iguais, escritas por todas as pessoas que conseguem conectá-las e criar um sentido inviável entre elas. Tudo parece mais do mesmo, parece que já foi dito antes e os filmes se repetem. As pessoas se esqueceram de dosar e apenas se preocupam em contar seus feitos, inchando a paciência alheia e temporal do leitor. Talvez eu também cometa do mesmo erro. Talvez minha redundância poética me faça sempre andar em círculos viciosos, com os mesmos cenários e sinônimos de romantismos que pulam de texto para texto. Talvez eu sempre me perca na maneira de terminar, de parar por um instante deste sentimento e guarde um pouco para o próximo fim... E fique sempre nessa angústia de nunca saber, de nunca entender e de nunca terminar. Por isso minhas reticências são maiores do que meus pontos de fim. Mas é que depois delas, sempre vem mais uma história, mais um enredo montado e mais uma novidade, que nunca me cansa, mas já cansou tantas vezes...

fevereiro 14, 2013

Os detalhes trazem histórias...

Cachoeiras erguidas pelos montes de feno, sol escaldante no pós-feriado que deixou alguns para trás. A sede amiga que encontra em uma fonte seca o paraíso eterno. As badaladas de um sino que se perdeu na mudança climática. Borrões que criam momentos eternizados por suas molduras orientais. Um passado impossível de se escrever que retoma como o enfeite do andar de baixo. A mobília que contém as características tão familiares que os sorrisos de agradecimento não conseguem conter. Do copo ao acorde menor. Do ritmo ao toque final. Do verão ao paletó da véspera. Da vida falsa que se imaginou ser boa, até o voo da felicidade que jamais alcançou a altura desejada...

fevereiro 08, 2013

Entendendo a busca de significados...

Um capítulo é construído com base em seus passos e respiração. A história se desenrola por comodismo de uma cena comum e preguiçosa. O cenário é construído com pequenos detalhes e grande capacidade de se mudar tudo. Do início ao fim, de um despertar até uma partida qualquer, de uma folha solta do caderno até as despesas de uma vida. Um mundo é feito de pequenos pontos escuros que se transformam em lápides planas e de identidade escolhida. De deserto quente até um encoberto litoral manso, de guerras pesadas até beijos escolhidos de uma tarde. De gritos guardados por temperos até fotos escondidas na carteira mais próxima. Se isto tudo é um mundo, então deve ser explorado continuamente, pois é no seu infinito que a fonte disso tudo está. No seu infinito é que todos os propósitos se juntam e as perguntas não possuem mais sentidos. É lá que todos os nomes, capítulos, caminhos e desilusões vividas são explicados... Mas o caminho é longo e camuflado de ideias, mas a natureza do dia nos leva a buscar cada vez mais...

fevereiro 03, 2013

A certeza da vida é o Adeus...

Não temos ideia do último adeus. Do seu início, do seu meio e muito menos se fizemos do jeito certo. O orvalho não é diferente, o vento não traz nada além de seu uivo. Os pedaços não se unem, continuam como cacos iguais aos de sempre... Mas o Adeus existe. Quando existe, faz de sua existência a certeza para alguns e sua inercia para tantos outros. Não se mede, não se sente e não se prevê... Mas a certeza que ele sempre existirá. Sempre vai ficar uma ponta solta, um nó frouxo, uma imagem comum, uma briga sem fim, um beijo simples, um calor morno... Sempre vai ficar faltando um sabor a mais, um agradecimento aqui e outro ali. Mas, a certeza da vida é o Adeus e dele sempre podemos esperar uma das maiores surpresas, pois ele tira na sua hora. Tira o que já passou do tempo dele, nunca do nosso...

janeiro 24, 2013

E a teia tecida de um varal perdido...

Ficaram tão bonitas as cores do laço. O presente do inquérito, a saudade do suspiro e o tão doce que melou os dedos de outrora. Guiou-te por um corrimão de luz do dia, um passatempo de sabor inteiro e até o comercial mais populoso ganhou a notoriedade da sua lira. O tempo pareceu não passar, os grilos se aquietaram na balança do problema, fez-se aquela leitura labial longa, de um monólogo que muda a vida. Que traz um convite de malícia, um sorriso de canto, um piscar diferente... Não é amor, muito pouco paixão ardente. É vontade que termina, que acaba na próxima página, mas que deixa o suor marcado no colchão dela. É apalpado para uma destruição, sem nomes ou rasgos desnecessários. De um volume acentuado, aos bombons jogados, da roupa medida e o calendário rasgo na sexta-feira. É tudo isso que vale, pois você precisa, precisa antes do sol vingativo. Antes do medo. Antes de tudo o que te levar para fora do samba. Para fora da rima e para fora da sina de fechar os olhos e dormir sem uma nova aventura, que te traga medo e os melhores sonhos criados...

janeiro 20, 2013

De teias e tesouros criados...

No decorrer do dia eu descobri o que deveria fazer há tempos. Descobri que não se vive de amor ou de paixões determinadas. Descobri que o bom é queimar as promessas em cacos de plásticos que queimem no asfalto. Espalhar o sal que alimentava minha sede e buscar outros destinos, outros horizontes de cores diversas que nem entendo a existência. Primeiro caem os corpos, depois descobrimos as redes que nos prendem em filos distintos, em labirintos borrados por paredes de sangue. Nada se sustenta com ensinamentos vazios, com ditados nada inteligentes ou de verão. As estradas existem, crescem e apenas simbolizam um dos caminhos a seguir e se você tem uma ilha desconhecida nos seus sonhos, você vai descobrir como desenhar este mapa para enterrar, como nos quadrinhos antigos, o X do tesouro mais valioso desses mares daqui...

janeiro 13, 2013

Eu continuo acreditando e caminhando…

Você me faz viver uma ameaça, uma tragédia anunciada que mesmo sem roteiro eu continuo vivendo. Por você. Você me faz acelerar nas entrelinhas, passar os mastros da sanidade e escalar os mais perigosos oásis de sentimento. Você. Você me reduz o ar que sustento, me tira o brilho das forças físicas e me deixa apenas o suspiro necessário para continuar a marcha. Com você. Apesar de saber o final, a eterna solidão e o sabor indiscutível da derrota, eu continuo vivendo estes simples segundos de euforia. Continuo por ser um otimista do passado, daqueles que acredita sempre nas mudanças dos mares e dos ventos. Acredita ainda, que o sorriso solto de uma tarde de sol possa continuar nos dias de chuva e que o beijo não termine, apenas seja suspendido por curtos momentos, para dar a saudade necessária e seu sabor acentuar e ser perpétuo, como eu imagino o Eu e Você.

janeiro 07, 2013

Meu tempo no mundo passou…

Sou de outros tempos e perdi o embalo dos mesmos de antes. Perdi a noção dos limites que antes eram verdadeiros, perdi o conceito de solidez para realização de sonhos, perdi os significados de fidelidade e companheirismo, que antes todos desenhavam como importante no relacionamento. Perdi o tato para dançar na valsa da vida, naquela tensão de conquista, na pretensão de ser interessante e ser desejado. Perdi. Não porque acho que vivo diferente, pois caminho próximo dos mesmos interesses e desejos, mas caminho quase sozinho. Os de antes, vejo relances por figuras espalhadas e parecem ter esquecido todas aquelas barreiras criadas. Trilham no presente coisas estranhamente felizes e normais, mas sem fundamentos e com uma velocidade de acontecimento muito maior. Antes tivessem quebrando paradigmas e fazendo algo novo, mas cometem erros que criticaram anos antes... Mas eu que perdi. Pois não sou mais gente de gente. Gente que se perde, gente que fica mais simples e talvez, no futuro, gente que fica mais triste...

janeiro 01, 2013

Da nova passagem – Visão 1

Talvez o fim do começo esteja iniciando neste estágio de uma viagem de férias com toques nostálgicos e frases soltas, que transformam o teu sentimento em algo tão perecível quanto um alimento estragado. Talvez o mundo esteja começando o processo de mudança de primeiro dia, daquela energia que a ressaca resolveu instruir e elevar até um patamar novo e completamente perfeito. Talvez as horas passem e o álcool resolva assumir o cansaço como alvo de críticas amenas. Que te traga um beijo de lábio rachado como uma recompensa crua. Talvez o mundo esteja iniciando naquele novo sorriso, de início de noite, de uma pessoa que te viu duas vezes e jamais sentiu seu cheiro. Talvez o mundo resista ao consumismo de substâncias além e apenas te traga o sol, o mar e o vento refrescante para jamais te deixar livre e tranquilo. Mas ainda acredito que toda essa beleza e este brilho se dissolvam nas margens da semana que se fecha e toda a rotina, as mesmas faces e mesmos tons voltem novamente. Infelizmente este ciclo é tão volátil que termina nas primeiras doses de mesmice...

dezembro 24, 2012

Meu ato final…

Esqueça o tempo que vem. Esqueça as propagandas de paz e de harmonia. Esqueça a falsidade que te abraça e te festeja como se fosse o maior de todos os seres humanos. Esqueça a época de amor e carinho, pois ela é finita. Transforme tudo isso como cotidiano. Transforme suas ações de época, em necessidades para o restante do ano. Se esqueça de focar suas energias no verão e guarde o teu sorriso para consolar no inverno. Entenda que presentes não são necessários, mas ações são primordiais. Entenda que muitas vezes o dinheiro ajuda, mas um sorriso e um ouvido para escutar - verdadeiramente - os problemas alheios vai ser mais confortante. Tente tratar todos - sem exceção - como você os trata no fim do calendário. Tenha o respeito e o carinho como principal vestimenta e não esqueça a sinceridade dos atos. Esta é a primordial. Esqueça o significado de natal, faça-o seguir todos os trezentos e tantos dias... Nunca se limite às festas, deixe-as seguirem contigo do lado do seu documento...

dezembro 23, 2012

Meu quarto ato…

Quando batem as datas finais de festas e comemorações bonitas, o mundo se transforma em um lugar bom. Abraços são dados, votos são prometidos, energias são oferecidas, sorrisos emplacados e verdadeiros são vistos em todos os cantos. Doações são feitas, presentes são dados e tudo, tudo, de melhor é desejado e feito. Isto em 10 dias... Nos outros tratam o além como ninguém, o inferior como estranho. O carente de sorrisos com caras fechadas e amarradas. O doente como morto e até a criança do vizinho como peste interplanetária. Do que adianta 10 dias de perfeição se os outros mais de 300 são de incredulidade e sombras? Do que adianta a cesta dada com falsidade, se o alimento trará doença e tristeza para o semelhante? Do que adianta o abraço hoje se amanhã, quando se realmente precisa, os braços estão cruzados e distante de quem precisa?

dezembro 19, 2012

Meu terceiro ato…

Por qual razão prometem novos caminhos e novos horizontes se não sabem como construir uma base para seus passos? Sem base real de entrar na guerra, por onde vão iniciar seus primeiros tijolos? De cartões até apertos rápidos nas mãos, as promessas e juras de papel são idolatradas. Reencontros, novas amizades, um petisco a mais, quilos a menos, vidas melhores e novos amores. Tudo tão infinito como o próprio segundo, que se acaba no piscar dos olhos. Edificações sem fundamentos, paredes sem vigas necessárias, solos sem pilastras de referência. Na primeira chuva do novo calendário, as mais fortes são apagadas e levadas pela maré. A mesma que está suja e triste com tantas flores destinadas para alguém que a grande maioria jamais vai compreender...

dezembro 10, 2012

Meu segundo ato…

Os presentes seriam para um simbolismo de alegria, sentido e sentimento. Seriam para mostrar, em tantas outras coisas, a importância na vida deste alguém. Seriam para falar, sem palavras ou ruídos, o grau de carinho existente neste círculo. Só que em algum momento do percurso de chegada, o sentido se perdeu. Fez uma curva solitária, derrapou nos propósitos e começou a traçar um novo circuito tão desconhecido quanto sem razão. São carregados e entregues por obrigação. Por um simbolismo sem sentido e vago. Apenas existem pensando no retorno que receberá. Em meses não se lembra do que ganhou de volta, tamanho vazio existente nisso. A dança pede isso, um discurso rápido sobre uma pessoa que não possui um sentimento, uma adivinhação barata sobre nada. Daí a música termina sem uma letra bonita e marcante. Apenas com um embrulho jogado no lixo sem cultura da vida...

dezembro 08, 2012

Meu primeiro ato...

Os enfeites povoam a árvore da sala, a luz que se projeta ganha entornos conhecidos. O clima esquenta lá fora, mesmo a simbologia nos levando para algo mais frio. Como antônimos seguimos essa idolatria cultivada por desconhecidos. Refazemos planos, aumentamos nosso preço, baixamos guarda e começamos a lista enorme de promessas vagas. Os votos se amontoam, presentes são carregados nas mãos, falsas celebrações de mais um ano que se acaba - que mais um ano tece o fim. Sim, às vezes a mágica está em apenas aceitar essas bajulações e dançar conforme a música. Mas meus olhos não se acostumam e se cansam de ver tamanhas diferenças no comportamento. Como nas vitrines, apenas a imagem reluzida. Como na vitrine, a mentira dos valores e daquilo que queremos vender, mas que não conseguimos montar o preço. Como na vitrine, continuamos na dança das mentiras e da vida um tanto quanto longe do ideal...

dezembro 05, 2012

Aconteceu em uma noite de calor...

Ao cruzar com seus olhos, minhas palavras saíram na velocidade da sinceridade: "Meu erro foi ter te prometido o luar de um ano. O erro de dormir ao relento das estrelas e formar poesias com seus brilhos de morte, pois do seu pilar nada se sustentaria. Meu erro foi ter enlaçado em nossos dedos uma força tão clara e branda que acalmou ao mesmo tempo em que enfeitiçou. Meu erro foi cometido anos antes de te conhecer e sofrer por um amor tão malfeito que me prendeu no calabouço do infinito. Meu erro foi ter proclamado alegrias e sorrisos fáceis. Meu erro foi ter deixado minhas desculpas para agora, que minha mala está pronta e a estrada chegou ao fim." Com tempo de lágrimas as minhas costas conseguiram ouvir um "Eu nem te reconheço mais..." - E era apenas mais uma das verdades que me seguiam...

novembro 26, 2012

Carta aberta para ninguém especial…

Eu penso em você, mais do que devia ou que faço me importar. Penso em inúmeras alternativas, em inúmeras razões de ter você assim - dessa maneira tão única que me remete à tristeza. Eu penso em você, escuto sua voz, tateio o telefone em busca da mensagem perfeita e sem nenhum exagero. Eu tateio tanto que não mando. Tudo pode ser visualizado como um exagero simples quando tenho seu nome em mãos. Mas eu queria te mandar, tanta coisa que você nem imagina. De um simples sorriso a um colar de pérolas verdadeiras. De um sonho transcrito a uma fuga apenas nossa desse mundo. Eu penso em você mais do que em mim, sem exagero, mesmo sabendo que o que sinto por você e construí neste patamar, é o maior exagero que eu me permiti viver e idolatrar...

novembro 17, 2012

E você sabe o que é o amor?

O amor é aquilo que te faz associar uma imagem a um lugar. Um carro a uma pessoa. Uma cor a um cheiro. O amor te faz associar um nome a uma sensação única na vida. O amor é aquilo que faz contar uma história e lacrimejar seus olhos. O amor te faz reviver um capítulo de tanto tempo como se fosse hoje. O amor é aquilo que te faz sonhar de olhos abertos, de peito aberto para o mundo sem se importar. O amor é aquele que te faz uma canção de ninar sem ritmo, mas que encanta apenas por existir. O amor é aquilo que te faz chorar querendo amar. O amor é aquilo que te faz morrer só de pensar que uma vez, você já amou...

novembro 16, 2012

Eu te esperei voltar...

Eu não queria que você partisse. Fiz sua saída, te expulsei em pedaços, mas eu sempre achei que você voltaria. Que me pegaria de surpresa em um dia qualquer, em uma noite perdida onde lágrimas reacenderiam uma paixão total. Eu não te esperei, mas queria que isso acontecesse. Cada vez que chegava em casa, abria a porta e buscava um perfume diferente da minha rotina. Tentava sentir um aroma antigo, mas conhecido. O seu aroma. Sonhava com as variáveis, com os repentes e até como seria a valsa das minhas mãos de surpresa. Mas você nunca apareceu. Você se foi mesmo, depois de tudo e acabou nunca mais retornando à vizinhança. Não voltou e trouxe novidades por aqui. Você nunca mais veio até aqui... Aqui apenas ficou a vontade de uma surpresa, um possível início que nunca foi e que nunca será. Hoje eu chego em casa e me embriago com essas lembranças e que vão sumindo a cada novo vento. Até um dia serem eternizadas nessas simples linhas que nunca me pediram para divulgar... Um dia eu vou lembrar e rir, mas farei sozinho, pois foi assim que os meus caminhos terminaram.

novembro 11, 2012

Um rascunho um pouco diferente...

Julieta queria um amor para sonhar e começou com um rascunho de poesia. Nela colocou todos os elementos que lhe tiravam a respiração. Um isolamento, uma angústia acentuada, um resumo de guerra, uma história de raças e até um tempero afrodisíaco para ser completa. Desenvolveu a história sem um personagem fixo, pois seu amor deveria ser volátil ao espírito e amar era muito complexo para se figurar apenas a um ser humano. Este foi o problema. Amou demais, colocou diversas vírgulas e afazeres gerais, fantasiou e praticamente ditou impossibilidades para este guardião. Ficou tão complexo que no final não sabia onde encontrar o amor e nem como reconhecê-lo na virada da esquina. Daí desistiu, queimou as folhas com uma eterna tristeza. Fez questão de esquecer a história criada e das suas reviravoltas prediletas. Foi um fracasso no amor e estava contente por isso. Refugiou-se na sua casa e começou a pintar as paredes para passar o tempo. Em uma dessas pinturas, fez uma caricatura sem cor, daquelas que temos os traços tão impessoais quanto um nome poderia dar. Mas ali, naquela simples pintura de traços, apaixonou-se perdidamente. Criou uma roupa, refez o jardim à frente e passava todas as refeições ali. Lia, contava as novidades e via o fim do dia ao lado do seu amor. Ela não esperou para saber como era o resto, atentou-se apenas ao rosto e ao sentir o perfume do pobre viajante cruzar o portão, soube que era o seu Romeu para tomar seu lugar ao lado.

novembro 06, 2012

Começo a ser o que nunca deveria…

Piloto um carro de fuga, um gigante sem salto à distância. Uma estrada sem linhas de limite, um acervo sem as obras completas e ditadas. Percorro um trilho solto, uma alegoria passada e sem vida, uma viga que não sustenta os tremores do vento. Corro com o suor nas palpebras, sufoco em uma subida em disparada. Traço planos de vento, dos sonhos infantis e que o espaço levou com o desenho animado. Revivo momentos que nunca aconteceram, dobro o mesmo convite de algo que nunca existiu e deixo um recado para eu mesmo não retornar. O livro antigo de poesia traz seu nome, traz seu cheiro e nossas aventuras dos finais noturnos. A letra é doída por algo puro, novo e que jurava ser eterno. Só que de eterno apenas foi o inseto que sugou a vida de um canto solitário e foi morrer longe com o significado do todo  que sempre me perdi...