O amor é aquilo que te faz associar uma imagem a um lugar. Um carro a uma pessoa. Uma cor a um cheiro. O amor te faz associar um nome a uma sensação única na vida. O amor é aquilo que faz contar uma história e lacrimejar seus olhos. O amor te faz reviver um capítulo de tanto tempo como se fosse hoje. O amor é aquilo que te faz sonhar de olhos abertos, de peito aberto para o mundo sem se importar. O amor é aquele que te faz uma canção de ninar sem ritmo, mas que encanta apenas por existir. O amor é aquilo que te faz chorar querendo amar. O amor é aquilo que te faz morrer só de pensar que uma vez, você já amou...
novembro 17, 2012
novembro 16, 2012
Eu te esperei voltar...
Eu não queria que você partisse. Fiz sua saída, te expulsei em pedaços, mas eu sempre achei que você voltaria. Que me pegaria de surpresa em um dia qualquer, em uma noite perdida onde lágrimas reacenderiam uma paixão total. Eu não te esperei, mas queria que isso acontecesse. Cada vez que chegava em casa, abria a porta e buscava um perfume diferente da minha rotina. Tentava sentir um aroma antigo, mas conhecido. O seu aroma. Sonhava com as variáveis, com os repentes e até como seria a valsa das minhas mãos de surpresa. Mas você nunca apareceu. Você se foi mesmo, depois de tudo e acabou nunca mais retornando à vizinhança. Não voltou e trouxe novidades por aqui. Você nunca mais veio até aqui... Aqui apenas ficou a vontade de uma surpresa, um possível início que nunca foi e que nunca será. Hoje eu chego em casa e me embriago com essas lembranças e que vão sumindo a cada novo vento. Até um dia serem eternizadas nessas simples linhas que nunca me pediram para divulgar... Um dia eu vou lembrar e rir, mas farei sozinho, pois foi assim que os meus caminhos terminaram.
novembro 11, 2012
Um rascunho um pouco diferente...
Julieta queria um amor para sonhar e começou com um rascunho de poesia. Nela colocou todos os elementos que lhe tiravam a respiração. Um isolamento, uma angústia acentuada, um resumo de guerra, uma história de raças e até um tempero afrodisíaco para ser completa. Desenvolveu a história sem um personagem fixo, pois seu amor deveria ser volátil ao espírito e amar era muito complexo para se figurar apenas a um ser humano. Este foi o problema. Amou demais, colocou diversas vírgulas e afazeres gerais, fantasiou e praticamente ditou impossibilidades para este guardião. Ficou tão complexo que no final não sabia onde encontrar o amor e nem como reconhecê-lo na virada da esquina. Daí desistiu, queimou as folhas com uma eterna tristeza. Fez questão de esquecer a história criada e das suas reviravoltas prediletas. Foi um fracasso no amor e estava contente por isso. Refugiou-se na sua casa e começou a pintar as paredes para passar o tempo. Em uma dessas pinturas, fez uma caricatura sem cor, daquelas que temos os traços tão impessoais quanto um nome poderia dar. Mas ali, naquela simples pintura de traços, apaixonou-se perdidamente. Criou uma roupa, refez o jardim à frente e passava todas as refeições ali. Lia, contava as novidades e via o fim do dia ao lado do seu amor. Ela não esperou para saber como era o resto, atentou-se apenas ao rosto e ao sentir o perfume do pobre viajante cruzar o portão, soube que era o seu Romeu para tomar seu lugar ao lado.
novembro 06, 2012
Começo a ser o que nunca deveria…
Piloto um carro de fuga, um gigante sem salto à distância. Uma estrada sem linhas de limite, um acervo sem as obras completas e ditadas. Percorro um trilho solto, uma alegoria passada e sem vida, uma viga que não sustenta os tremores do vento. Corro com o suor nas palpebras, sufoco em uma subida em disparada. Traço planos de vento, dos sonhos infantis e que o espaço levou com o desenho animado. Revivo momentos que nunca aconteceram, dobro o mesmo convite de algo que nunca existiu e deixo um recado para eu mesmo não retornar. O livro antigo de poesia traz seu nome, traz seu cheiro e nossas aventuras dos finais noturnos. A letra é doída por algo puro, novo e que jurava ser eterno. Só que de eterno apenas foi o inseto que sugou a vida de um canto solitário e foi morrer longe com o significado do todo que sempre me perdi...
outubro 28, 2012
Seria tanta coisa que se perdeu...
As doses confundem a estrada que trilhei. Os olhos possuem a expressão tensa do nervosismo da noite. As estranhas linhas que se formam, chegam a um lugar perturbado demais. Os joelhos torcem por liberdade da razão. Seria amor se tivesse um orvalho virgem. Seria amor se possuísse um enredo qualquer. Seria amor se discutisse as verossimilhanças de um toque com o sol baixo. Seria amor se eu pudesse transformar em soneto livre, se pudesse rimar as pontas soltas dos beijos, se pudesse esticar os minutos juntos e se pudesse trazer de uma volta completa o seu peito aberto. Seria amor se não tivesse tudo tão longe do necessário...
outubro 27, 2012
Tudo foi tão perfeito até…
Era um casamento no outono. Sempre tive a certeza que os melhores casamentos são no outono. A estação do ciclo, da renovação e de todo este entusiasmo do "começar de novo", sem um alarde, sem um pingo de alegria, mas com a energia do novo. Você estava lá e brilhava como uma pérola descoberta, uma infinita tormenta de beleza que fazia meus olhos lacrimejar de alegria, mesmo de preto seu brilho era absoluto. Você veio ao meu encontro, pousou sua mão em meu peito e com poucas palavras me beijou. Tudo era tão perfeito, tudo tão mágico e o mesmo sabor de antes me invadiu completamente. Até a hora da gravata. Você me olhou tão pura e disse: "Por que não veio com a gravata que te dei de presente?". Mais uma vez tudo sonhado e tudo perfeito. Mais uma vez com o gosto certo e quase infinito. Tudo isso não passava de mais um sonho com a realidade da distância e do silêncio me presenteando ao abrir os olhos. Mostrando que o único refúgio era sonhar contigo...
outubro 23, 2012
Pedaços que formam uma melodia...
outubro 20, 2012
Nas curvas eu sabia o que encontrar...
Um brinde ao medo, ao desconforto de te fazer tremer. Um brinde ao caos interno, a rebenta sede de mudanças. Um brinde ao amor não correspondido, as cartas mentalmente assinadas e aos poemas em fotos coloridas. Um brinde aos risos perdidos, aos goles do excesso e as faltas de lembranças que deprimem no instante. Um brinde relembrando os passos não dados, as chances perdidas e ao telefone antigo... Um brinde ao beijo que nunca existiu, o pedido que nunca saiu e ao convite pra felicidade que nunca teve a cor da realidade. Um brinde ao relento salvador, a estrada que nunca parece terminar e ao vento que te faz acordar na morte de mais uma desilusão. Um brinde à vida, pois sem ela a poesia seria feita sem fatos, sem sangue e sem nada palpável. Sem ela as linhas seriam brancas de história e tudo seria vazio, sem sentido, sem o que buscar ou lutar...
outubro 15, 2012
Caindo na linha...
Diga-me o que acontece se te deixar por aqui. Se te deixar no orvalho do sereno, nos ventos matinais das pétalas que brande todo seu amor. Diga-me o porquê de sentir tanto medo, de sentir o frio mesmo no verão e de se achar tão descuidada na multidão. Você poderia escrever sua história, reinventar seus caminhos, reescrever seus antigos contos e sem se preocupar com o ontem de tantos dias... Você poderia correr o quanto quisesse. Poderia gritar das montanhas às planícies do gelo se assim desejasse. Mas, você se calou e baixou a cabeça. Você deixou seus maiores desejos, por erros singulares de uma vida ditada pelas tristezas da sociedade. Você hoje tem o cardápio cheio de opções, mas desconhece todos os gostos que os pratos possuem... Eu não ligo para seus olhos vagos, eu saí por aquela porta e fui ser novamente o poeta que não me deixavam ser...
outubro 04, 2012
Efeitos subversivos em um conhaque velho...
Na certa proporção desenhada existem as parábolas de ensinamentos cordiais. Existem os cumprimentos matutinos que encantam as donzelas do riacho. Há as proporções vermelhas de um extinto feriado celebrado pela dúzia macabra. A informação beira o vislumbre, mas é descascada com desdém pela folha que a guarda. De bom e ruim os ruídos avançam na marcha de protesto por algo fútil e promessas de um amanhã florido. A estrada aparece, mas o hino encanta uma menina que escrevia seu livro. A estrada aparece e convida, mas o efeito vai passando aos poucos e as corem param de dançar. De pílulas até cartelas, de nomes engraçados ao medo extemporâneo, o conhaque convida mais uma rodada e o sorriso no rosto diz muito mais do que as informações da carteira na esquerda...
setembro 26, 2012
Se fosse escolher um número...
Este seria a nossa partemais completa, a soma de tudo e a beleza de ter uma data com significado na nossa vida. Seria a junção do meu, do seu, dos signos e da beleza do mistério da união. Um número apenas que nos simboliza. Um número que constrói e não apenas define. Um número que lembra e desenha e não apenas exemplifica tal coisa. Muitos não possuem tamanho número e outros tentam encontrar essa relação. Mas nós, mesmos antes de um beijo, decidimos nosso número. Mas nós, mesmo com você tão longe e impossível, definimos a nossa eternidade numérica. Se fosse escolher um número, seria 19 e eu sei que você também o escolheria para enfeitar a sua prateleira de vida comigo...
setembro 23, 2012
Te escolhi pela leveza e transparência...
Em meu copo os goles sempre foram construídos de verdade. Sem significados ou apontamentos longínquos. Minhas risadas sempre carregaram a verdade e com a sintonia existente, eu caminhei pelos muros da vida. Se escrevo meus poemas de enigma, saiba que são das dúvidas que pairam em meus sonhos. São das cenas que minha imaginação cria para embalar meu sono, mas me perturbo com a falta de significado durante meus dias. Se a poesia não me responde, como nunca me respondeu, eu pairo em suas cores para alar meus passos e muito mais desta emoção que bebo em meus copos...
setembro 17, 2012
Nunca a convidei para vir deitar comigo...
Oh insônia bendita, tu que trazes junto a ti um copo de desejos e indignações. Tu que contemplas as horas sem descanso, mesmo quando o corpo pede e tu ignoras este que considera relapso. Oh insônia bendita que deixa os sentimentos acessos, a mente confrontando antigas questões e irrisórias responsabilidades por minutos infinitos e doloridos. Oh insônia cruel! Tu que és inimiga dos sonhos e do livre embalo sonífero, tu que inflamas tamanho ódio que fere todo possível relaxamento do mundo. Oh insônia que me embebeda da loucura de ver as horas passando e deixando tudo mais próximo do fim. Insônia, tu nunca foste minha amiga, mas sempre me acompanhas nos momentos que menos preciso de ti...
setembro 14, 2012
Dúvidas de um dia ordinário...
Síndromes atacam os ferozes sentimentos humanos. Cordões tentam guiar almas pelo atlas do mundo. Rabiscos adolescentes transformando-se em verdade logo cedo. Filosofias vendidas por acaso no centro da sociedade. Toques, protocolos e drogas enchendo ingredientes esquecidos pelas sarjetas da avenida. Propagandas paradisíacas sem promessa de realidade. Vida, rotina, falta de inspiração, automático e despertador. Alguns poetizam seus sentimentos por fuga, outros por cansarem do mesmo tom de cinza. Mas fica sempre uma ponta de dúvida, até quando a fantasia pode guiar, sem doenças, a mente de um mundo veloz demais para se olhar para o lado? Até quando dura a redundância em um mundo que as pessoas esqueceram o significado de viver? Até quando isso aqui vai se chamar vida ou algo que valha?
setembro 10, 2012
Ainda não é o fim da certeza...
Talvez eu tenha percorrido as maiores escuridões, tenha fraquejado muitos passos dito certos. Talvez eu tenha recusado os convites de felicidade, de amor e da eternidade. Talvez tenha esquecido um nome aqui, outro ali. Talvez tenha brincado com todos os sentimentos possíveis e, em uma ressaca atônita, todos se foram de mim. Mas agora sei reconhecer a beleza de um céu limpo, sei da importância e não tenho mais medo de retornar aos meus antigos passos. Sei que muitos convites são tolos e desajeitados, merecendo assim o desdém para a passagem e sei dizer que alguns nomes jamais sairão da mente. Sei dizer quem vira poesia e quem nunca vai rimar e que se hoje não tenho com o que brindar, me embebedo da alegria de entender a vida que me pus a dançar...
setembro 03, 2012
Você chegou onde eu queria estar...
Tentei separar minhas sílabas dos caminhos. Tentei esquecer minhas canções vividas. Tentei esquecer como te acordava nas manhãs de nuvens e até como te fazia dormir com vergonha. Eu extrapolei nos meus limites e nos meus bloqueios. Ouvi que já não parecia comigo, mas a verdade é que nunca fui eu. Nunca te expliquei meus medos tortos, meus anseios de verão e nem os meus sonhos distantes. Um deles era você. Um deles era estar onde você está. Mas eu fiquei e segui meus poemas sem fim. Segui para lutar contra esta poesia redundante que bate em razão de nunca acabar. Segui para ter mais do mesmo e não ter um amor completo para escrever, pois disso eu nunca senti o gosto e nem sei como é feito. Você seria meu ponto final, mas eu ainda carrego as vírgulas que preciso terminar...
agosto 24, 2012
É tão difícil que lembra você...
Escrevi três capítulos mentais. Esqueci todos os personagens e foquei apenas em borrar o meu enredo. Distribuí conjunções como verbos e matei a gramática com meu desgosto. Escolhi números para os parágrafos e letras para as páginas. Estava quase ao fim, quando queimei todas essas tentativas, pois me faltava um passeio. Faltava o caminho plantado e as tormentas de minhas escolhas. Lembrei que certa vez sonhei com uma menina e me completei com três capítulos bem apresentados, talvez os mesmos de agora, mas com um cenário diferente. Segui adiante com a folha branca, sem rabiscos ou rascunhos de uma vida. Segui apenas para não lembrar o que já virou história, mas para construir o meu novo lugar comum e dessa vez sem começar com um sonho de "Era uma vez"...
agosto 19, 2012
Uma história esquecida...
Era manhã e os olhos tentaram se acostumar com o ambiente claro e sua brisa de novo dia. A cabeça latejando, dores em pedaços, sabor acre e olho profundo. O corpo correu o ambiente, os olhos enjoaram e a enxurrada de lembranças veio à tona. A história começou com o diploma na parede. Piadas que ele era o personagem principal e as situações que ele viveu de uma maneira diferente. Ela riu, muito. Era um sinal, um presságio que as coisas iam dar certo e que o momento certo estava sendo desenhado. O beijo quente - no corredor escuro do fundo, fez o enjoo passar e um leve sorriso ao meio de uma enxurrada da ressaca foi visto. Ele não sabia o que era o resultado disso tudo, mas se o amor tivesse uma exceção seria aquela de uma ressaca, uma lembrança e uma vontade enorme de fazer a mesma coisa com uns goles a menos para lembrar tudo depois...
agosto 15, 2012
Para transformar em realidade...
Certa vez quis escrever um conto. Daqueles que fosse pensado e atraísse o leitor para seu início e fim. Daqueles que o cenário é explicado e sentido, que você consegue entender a cor vista e o cheiro que preenche o lugar. Eu queria, mas não consegui sair das primeiras palavras. Queria falar dos desejos carnais que enchiam as mentes das personagens. Queria falar até daquele suor em mãos quando os olhos se encontram com a boca cheia do mais puro desejo. Sim, eu queria tudo isso e não passei das primeiras palavras. Talvez por eu não ser um escritor de contos. Talvez por saber que minhas aspirações só fazem sentido no mundo abstrato e de um vocabulário antigo e difícil de ver por aí. Talvez por não entender como me apresentar como um Narrador-Deus. Com toda certeza que olhei as mesmas palavras e vi um conto tão mal escrito na viagem que faço que tomei coragem e este conto vai sair. Mudarei o tema, por já estar perdido, mas um deles vai sair. Daí para aumentar as linhas de textos abstratos, esquecer este tipo de amor que tanto poetizei e começar a colher os frutos da minha realidade suada é um abismo que nem penso em ver o fim. Pode ser um caminho, mas tudo passa por este conto. Este conto cheio de talvez e que eu ainda vou fazer...
agosto 10, 2012
Um pouco de som e trechos...
São os primeiros olhos de um verão que correm por páginas escritas. Se seu canto não é dos mais doces, é porque sua intensidade é maior. Pobre dele que contempla a noite para buscar um brilho especial de poesia misteriosa. Busca tanto que sonha em um sabiá noturno para alegrar seus sonhos. De goles abstratos até proibidos, foi regando seu corpo por doses eternas de um doce e intuitivo álcool. As escamas cederam e uma nova carcaça surgiu para ditar a experiência sentida. Sempre à luz de uma lua buscando aventuras para mudar seu nome, compartilhar seus medos e anseios e dosar melhor sua vida. Dali nasceu para o mundo e morreu o poeta jovem e infantil que foi. Daquele tempo, nem o sorriso admirado ficou de cicatriz...
agosto 06, 2012
Preciso de uma reticência central...
Preciso de um traçado de destino. Um caminho que me siga por um vértice qualquer. Quero seguir um som, descobrir um futuro, sonhar com o passado e cantar a sinfonia inacabada. Preciso de novas falas, de novos trechos e de um roteiro bem desenhado. Preciso de amor, mas não com paixão quente. Preciso de um amor que encontre o significado na terceira página do dicionário. Preciso de luz - do sol e da lua. De verão até o quarto minguante. Preciso da brisa que me refresque e vire as páginas rapidamente. Preciso de um estandarte e de um hino para homenagear. Preciso de tudo isso anotado e carrego na mochila todas essas vontades de me redescobrir. De me inventar a cada novo texto e a cada novo ponto final...
agosto 03, 2012
Me informe o caminho a narrar...
Existem os tipos a serem cumpridos, os que rezam para ser traçados, os que clamam por notoriedade. Existe um laço mal complicado, um emaranhado com caminho definido, um mapa com apenas uma linha reta. O pingo de suor no rosto, o folego que se esqueceu de vir ao encontro, as mãos que não param de tremer - mesmo no quente, pelo puro nervosismo do nunca. Gostaria de narrar como um Deus, sabendo seus inícios e pensamentos. Sabendo de seus passos e desejos. Sabendo como transcrever um sentimento, como compreender a passagem de dedos e a satisfazer as expectativas de um olhar com gosto. Gostaria de colocar juntas as peças que faltam, de saber onde se esconde o ponto secreto e a traçar o caminho que me leve de volta às facilidades que vivi anteriormente...
julho 26, 2012
De uma colheita regada...
Talvez devesse os dados ser melhores, números apenas pares, lançamentos esporádicos e tendas de desejos. Talvez o orvalho fosse refrescante e as letras menos tristes. Minhas poesias pudesse ter um endereço diferente, ser mais clara e completa. Mais alegre e sentimental. Mais pomposa e arranjada. Talvez os caminhos pertencessem aos momentos e estes, sendo épico o suficiente, estivessem escritos nas páginas de um livro admirado e vendido. Sem luxo ou rasgo da sociedade. Talvez tudo fosse diferente, mas um sonho de vida me fez retornar ao lugar e me deu mais tempo para sonhar, planejar e amar o tanto de infinito que eu colhi na última estação...
julho 20, 2012
Um tabuleiro me contou a história...
Casa sim e casa não, os piões ganham vida no jogo de dados e trazem a dinâmica do estágio. Uma câmera marca as opções e registra todos os devaneios que brotam das discussões. Um toque, uma armadilha e uma desilusão. A lista de afazeres, a garganta seca e a falta de uma ligação. A roupa dobrada, o cesto fúnebre e o gosto de um beijo. A propaganda antiga, o livro comprado e a lembrança de um adeus. A vida e os objetos além, se intercalam com os sentimentos na mais perfeita coesão. Pensamos tanto nos nossos materiais, quanto em nossos desejos sentimentais. Queremos a grama verde mais bela, mas não conhecemos tal tom e nos perdemos neste tabuleiro finito, que hora nos manda para lá e hora nos manda para a hipoteca dos esquecidos...
julho 17, 2012
Normalmente você seria minha princesa...
Meu reino não existe, mas é descrito em muitas poesias de livros sortidos. Meu reino não tem cor, mas possui toda uma aquarela infinita de beleza. Meu reino não existe salvação, mas ele está em paz agora, uma paz presa a algo finito e duradouro ao mesmo tempo. Meu reino não é concreto, mas sua abstração traça finos lampejos normais e que fazem do vinho a bebida preferida do verão e passeios com sorvete e beijos no inverno. Meu reino tem algumas maldições e uma delas é não ter a minha princesa para pintar o nome dele na placa mais prazerosa. Um reino sem princesa é como uma rima sem palavras, uma música sem ritmo e uma poesia sem amor. Eu fui poeta por muito tempo e tentei desdenhar desta ausência, mas minhas letras sempre me fizeram voltar ao vazio do meu coração e a sentir a incolor solidão deste lugar que de tão sem vida, parou de pulsar e me retirou todo o verbo amor dos meus lábios...
julho 08, 2012
Como uma confissão solta...
Eu tenho este problema da solidão. Não sei se me completa, se busco rebuscar o impossível ou se até mesmo eu preciso saber que não tem ninguém mais ao meu lado. Eu tenho este problema solitário. Ele não aparece, mas eu sei onde está. Eu o guardo para um momento tranquilo e brindo sempre a ele, mentindo aos olhos felicidade, mas na realidade eu sempre brindo a eternidade da solidão. Eu tenho este problema de forçar a barreira do sozinho, de amargar a estrada vazia e a liberdade de não ter que te ligar, depois da minha embriaguez. Eu talvez tenha cavado longe demais de uma mulher que me complete. Talvez, eu empurrei pelo vale as chances que tem me dado. Talvez, eu contemplei demais todos estes amuletos que me deixaram. De cada parte do mundo, de cada curva ao caminho. Eu não tento fazer um ninho forte, só tento caminhar e tecer a perfeição, mesmo sabendo que ela nunca existiu e nem aparecerá nos meus versos...
junho 27, 2012
Eu parti sem choro de volta...
Ressuscite-me caso seja capaz. Parti despedaçado por estilingues infantis, parti por números desconhecidos e rabiscos de término. Tive promessas assassinadas, naveguei para naufragar e sem retorno possível. Nós todos tentamos, nós todos tivemos os sentimentos por provas carnais e aplausos programados de agradecimento, mas nunca de parabéns. Parti para um acaso desconexo, parti por conta da distorção de ideias... Sem flores ou adereços capazes de tremer paredes brancas, eu parti e agora seu parafuso cego de razão falta para retomar um caminho. Faz tempo que o inverno vive em suas vestimentas e o sol jamais vai te reinar como eu pintei em você. Meu suor, meu desejo e meu beijo, partiram porque sempre fui um ímpar em um brinde vespertino de arrependimento...
junho 24, 2012
Retornando ao primeiro verso...
"Você pode ter ido embora, mas sempre ficará uma lembrança sua comigo e que jamais esquecerei. Podem coisas acontecer, o tempo passar, mas eu jamais desistirei de você... Tudo isso porque eu te amo!" Foi no calor do meu primeiro amor que escrevi essas palavras. Foi com este início que comecei a trilhar um caminho diferente. Foi neste passo que descobri as teorias do platonismo, a prática de um romantismo esquecido e que, mesmo adolescente, foi responsável pelos meus passos até hoje. Ainda guardo sua lembrança de verão, ainda me pego associando as mesmas coisas e não considero que estacionei por ter um punhado único de momentos. Foram poucos, mas foi todo o início. Se não trilhamos mais nada, a culpa é a de um destino divino que me mostrou a loura poesia adolescente para me transformar no devaneio que sou hoje. Não posso falar que te amo, mas te amei com toda a pureza e sinceridade que até hoje me são características. Não posso falar que não desisti de você, pois o tempo tratou de mostrar que era só o aprendizado necessário. Mas posso dizer que nunca te esquecerei, pois seu sorriso e sua beleza única foram os responsáveis pelas primeiras cores do meu mundo e você sabe que sempre te agradeci por isso.
junho 11, 2012
Você disse que não tem medo...
Seus olhos brilham como se fossem um abismo. Seu sorriso preenche o ar que me aquece, que faz transpirar, que me faz viver. Teu jeito, tua simpatia parecem se completar tão perfeitamente aos meus moldes derretidos e gastos com o tempo. Sonho com seu beijo, com sua pureza tão forte e radiante que me leve para outro patamar de desejo, de uma adoração ardente. Gostaria de sentir a suavidade de suas mãos, de seus entornos corados e de um suspiro de sufoco, mas só tenho a sonhar. Só tenho a criar um novo sonho, uma nova estrada e um novo começo... Com novos olhos, sorrisos e um novo você, porque já que não tem nome, te reinvento a cada passo que te busco na perfeição do talvez.
junho 07, 2012
Eu aprendi tudo a você…
Eu aprendi a olhar, a andar e a sonhar. Aprendi a correr, a viver, a crer. Aprendi a sorrir, me divertir e a dormir. Aprendi a amar, aprendi a querer e aprendi a partir. Aprendi a chorar, aprendi a poetizar, aprendi a caminhar. Aprendi a escrever, aprendi a ver e aprendi a sofrer. Aprendi a construir, aprendi a desistir, aprendi a ruir. Todos os verbos que aprendi, todos os caminhos que percorri, todos os momentos que presenciei tiveram você como personagem maior. Não presente, muitas vezes muda e transparente, mas você estava ali como meu objetivo. Meu objetivo sempre foi viver para você, atravessar pontes e obstáculos para saber que não sei de nada e que, se estivesse ao seu lado, começaria a aprender o verdadeiro sentido de tantos verbos na vida. Mas ainda não tenho as rimas necessárias para transformar este dicionário em vida de amor...
junho 05, 2012
Criptografando os destinos...
Os tempos estão mudando, com o sol se escondendo na vergonha, a lua com uma timidez acentuada, os ventos gelados no verão, os pássaros de uma nota só. Uma foto rasgada de escrivaninha, uma benção esquecida, três capítulos de um sonho, oitavas relações perdidas. Seus braços encolhidos, um sorriso perdido para outrem, uma névoa condensada de beijos e o troco da confeitaria. São marcos singulares, são anúncios de desconto, são rebolados estrangeiros e orçamento encolhido. Os tempos mudam, meus olhos se acostumam, minhas poesias fluem, mas cada vez escolho o longe como destino. Cada vez mais escolho a falta de sorrisos, do que um beijo matinal. Cada vez mais escolho o solitário mundo da realidade, para desistir de vez de criar meus sonhos. Cada vez mais eu esqueço tudo que passei, para nunca mais te encontrar...
maio 25, 2012
Você é o fim…
Eu sei o fim de tudo. Sei de todos os meus passos, sei das músicas queimadas e das poesias vivas no lixo. Sei dos seus olhos mortos, seu coração que pulsa da forma cadenciada, quase morta, quase sem brilho. Ponto a ponto com minhas angústias, meus receios sempre conturbados. Vou embora novamente. Vou embora de você, mas te trago rosas de sangue antigo, te trago sonhos que já acordaram, te trago versos que são poeira. Eu tentei te reanimar para parecer como antes, até desenhando um cenário com aquele crepúsculo único. Queria ter o mesmo perfume, mas meus medos não me deixaram. Meus medos fizeram viver a redundância de não ter um rosto frágil. Vidro que quebra em passos soltos, passos esquecidos no pó do tempo. Beijos de forma, beijos sem suor, sem amor e o fim. No fim é sempre o fim. No fim você sempre deseja o fim. No fim você sempre chega ao sempre fim. No fim é apenas o fim...
maio 16, 2012
Eu dançaria como você fez...
Eu te amo mais do que letras podem contar. Eu te amarei até o último suspiro existir neste mundo e em meus sonhos básicos... Eu te amo até acordar de um pesadelo que vivo em um mundo sem existir você. Eu sou aquele que acredita em mudanças drásticas ou puras, de tremas e parques. De mudanças sentidas e doces tatuagens que viram feridas nos bancos traseiros de carros queimados. Eu te amo mesmo se este amor não existir no mundo. Com ou sem uma ajuda de sirene e solas brancas. Estas imagens se juntam em um aglomerado de estrelas, dançam em um céu com vento temporal e tudo parece estar bem, pois no ritmo cantado, elas ainda continuam soletrando seu nome e o quanto eu posso te amar nesta vida. Eu te amo, pois a poesia me deixa e o quanto da poesia ainda não se cansou de dizer que meu amor vai continuar, mesmo que essa cidade se desfaça da desgraça de você nunca ter existido em brilho maior que uma andorinha de inverno...
maio 13, 2012
Isto é só a descrição de um pensamento...
Conjunções berram rimas infinitas. Memorandos importantes furam a fila para a alimentação coletiva. Afazeres amontoados aos baldes em cantos. Escuridão que engole de insetos até vontades. Um cenário com movimento, um brinde cego, um aperto sonoro, uma piscada melada e todos os atores de um circo desfeito cantam sem fim. Pupilos dilatados, riscos incompletos, cardíaco novato e uma porção mágica de neve tropical. Um latido ecoa, um verso escorrega da flâmula, um gole rimando com o infinito e um desenho do amor. Uma foto queimada, lágrimas manchando uma carta, lápis quebrado e uma ponta perdida de uma aflição. Um credo, uma oração de simpatia, uma promessa quebrada e um sonho tão perfeito que foi inacabado. Um beijo perdido em uma noite de chuva rápida, semanas de silêncio sem lembrança alguma e o vazio de agora. Fomos embora e o Adeus não acenou pela janela de vento na estrada conhecida...
maio 04, 2012
De uma ideia vespertina...
Essas mãos tremem porque sabem da verdade, sabem da realidade que você acabou forjando para partir do meu mundo. Doce vidência que já me assoprava no início deste frio particular. Não houve nenhum sussurro desta vez, não houve as páginas que tinha me acostumado. Eu mudei a estrada e esqueci os meus muros, quando resolvi abri-lo eu quis tirar a poeira dos meus sonhos. Reescrevi todos meus futuros desejos com nova personagem. Readaptei tudo isto a uma nova realidade e ritmos novos que entravam da clareza do último ano. Começou e terminou comigo perdido na noite, redesenhando tudo o que me fosse possível e tentando rearranjar as letras antigas. Mas você se foi como os detritos comidos pela terra. Você se foi e eu só posso deixá-la seguir para alguém que se abaixe em seu pé e a faça a rainha de um reino que eu nem imagino...
maio 02, 2012
Pouco a pouco você acaba descobrindo…
Um revés na vida é a sombra de uma realidade correta que foi ignorada. Nada mais é que uma correção de curso. Dolorida, complexa, tensa e mágica. Recheada de utopias e congressos amedrontados. É a luz da lua que te acorda no meio de uma manhã, banhando todas as partes e te fazendo enxergar mais do que um par de lentes consegue convergir. O que é uma derrota quando se quando perdemos um amor, temos seus momentos para eternizar em escritas sentidas? O que é uma perda da vida, se o perfume embala sonhos e folhas de calendário afim? O que pode ser considerado um erro se o amor é algo infinito e renovável, algo que não percebemos e fazemos mal uso de seu nome? São aquelas tantas imperfeições enfileiradas perfeitamente para cumprir o papel de te dar uma vida nova. Um novo suspiro de possibilidades que te farão correr para a próxima página de versos...
abril 24, 2012
Inspiração que não me fez mais voltas...
Perambulo em círculos viciantes nestas estreitas conhecidas. Já estive por aqui, meu perfume é neutro, mas fica aglomerado ao sinal soado. Vivo apenas para lembrar o jeito dela se aproximando, vivo apenas para lembrar o doce lábio mirando nos meus e dos beijos que dissemos ser novos e especiais. Vivo apenas disso, mas não tenho mais a inspiração que antes dirigia minha mente a ferozes lugares. Não tenho a inspiração para transpirar a névoa matinal de outono. Não tenho mais a plenitude de ter uma inspiração que me acordava poetizando, ritmada e completa, palavras e frases soltas que me banharam. Agora vivo na seca de momentos harmônicos, vivo paralisado sem um som e mudo sem um toque em meus braços. Vivo na angústia de você notar, de você entender que nem tudo aqui é um presente, mas que tudo aqui pode virar um futuro, um futuro que faça minha inspiração em você voltar.
abril 18, 2012
Quero pensar cada vez mais em você…
Eu penso em suavizar as nossas extremidades, em tecer um comentário tenro que te faça suspirar com um sorriso matinal. Eu penso em aprender a desenhar sua beleza, com traços incompletos para que possa buscar, cada novo dia, um novo passo para a plenitude. Eu penso em contar a nossa história e recheá-la com as pétalas de capítulos que os anos se puseram a podar. Penso inclusive em te transformar em poesia, aprendendo o ritmo certo de cada olhar, de cada toque e de tentar transcrever o sabor do seu beijo primavera para que rime com todas as palavras que estiverem ali. Eu penso na coragem para eternizar nossa união, penso em fazer sorrir com a chuva de inverno, penso em fazer acalmar o sol escaldante do verão. Eu penso em te amar para sempre e mesmo que o para sempre não exista, te amaria hoje e quando acabasse este hoje, eu continuaria te amando, cada vez diferente, cada vez mais, cada vez mais intenso, até que tudo o que penso fique pequeno demais para a realidade...
abril 16, 2012
Sem uma boa noite você escolheu...
Eu choro porque tentei, eu choro porque eu pintei um caminho pelo menos correto. Eu choro porque eu te entreguei minha vida, em forma romântica, para desfrutar de algo verdadeiro que passou pelos anos de maneira mágica. Eu choro porque sei que você estava com tudo isso no momento que decidiu seguir nas suas escolhas. Você tinha meu coração na mão, você tinha tudo que me importa. Eu fiz meu esforço, sorri com a alegria que me contagiava, esperei pela sua atenção, esperei pelo fato simples de continuar uma história, eu quis conhecer melhor a mulher que estava à frente dos meus olhos. Mas nada adianta, deve ter sido o brilho latente, as mãos que não paravam, a ironia contagiante ou até mesmo era o fato de eu ter algo grandioso demais para o momento... Eu choro porque não deveria ter traçado seu nome em meu concreto.
abril 15, 2012
Sempre fomos de tempos curtos…
Podemos conversar sobre as palavras não ditas pelos olhares. Podemos tecer comentários sobre o sabor de um toque de outono. Podemos orquestrar uma nova maneira de beijar o futuro... Mas eu me perco. Por culpa do sono, por culpa de uma beleza irretocável, por culpa de ter culpa e me culpando pela timidez que me transpira o coração. Poderia ter sido perfeito, mas a perfeição é redesenhada a cada novo segundo, sem que nunca consigamos experimentá-la totalmente. Eu redescobri o caminho, eu brinco com as palavras ordenando as sílabas e todas pertencem ao seu nome e seu perfume. Se não fosse essa razão suprema, seria a redundância de falar que é apenas sobre você. Eu fechei um capítulo entregando suas obras aos ventos da noite. Eu fechei uma espiral que nunca sonhei ter um fim. Sem querer eu conheci uma nova pétala, uma nova explosão e sem querer realmente eu deixei todo o seu brilho me paralisar e me guiar por uma estrada que eu não esperava cruzar novamente...
abril 09, 2012
Do quanto tempo levaria...
Eu queria orquestrar uma fuga. Uma fuga solitária e sem planos. Aquela fuga de episódios infinitos e que fosse alimentado sobre o único propósito do viver. Eu queria não ter volta e cruzar todos os horizontes. Não ser marcado pela falta e sim pela ansiedade de se ver mais um pôr-do-sol contigo. Não foram muitos, mas já são alguns. Uma fuga ou uma jornada em busca de algo completo, se é que o completo existe. Quanto tempo este mundo me sustentaria antes de acabar? Qual seria a sensação de sentir o mar imenso nos invadir? Qual o sabor da pétala que levas na mão e é o teu perfume? Queria fugir para te ter como poesia viva, como um livro, onde o início, enredo e fim seriam apenas você. Com verbos, orações e capítulos recheados de você. Da minha mais perfeita epopeia que de tão longe, só me faz querer sonhar com o perto e o infinito de possibilidades que poderiam se tornar verdade...
março 31, 2012
Águas famosas fecham as cortinas…
Fecham as cortinas de um mês de verão que termina outono. Um mês - que por ser o meu mês, foi sempre símbolo extremo na odisseia da vida. Um mês que me trouxe presentes de passado e de futuro. Março se encerra com uma valsa melancólica e alegre, finita e bem passada. Não consigo ainda enumerar os seus pontos especiais, nem consigo enxergar os tracejados simbólicos. Disto posto, o ano começa com engrenagens novas e mais velhas de idade, com mais pureza e mais perto do fim que ontem. Como sempre. Março se encerra com ecos de felicidades e de marcas vividas. De um beijo lindo até complexos enigmas. Quebro a taça para utilizar uma metáfora perdida, desfaço laços que me prenderam e continuo ao caminho cativante. Com a escuridão ainda, caminho sem saber a direção que tomo, mas certo de que o caminho escolhido será proveitoso. Março se fecha junto ao verão, junto as promessas soltas, junto as madeixas caídas e mais junto de mim do que eu poderia imaginar...
março 26, 2012
Uma carta ao mar do futuro...
Esta carta eu envio para uma data desconhecida. Uma data que os anos pesarão de uma maneira singular e os nossos olhos se encontrem novamente. Não sei dizer a trilha que embalará o dia, não sei dizer se os mesmos acordes serão conhecidos e se todos esses versos, inspirados em músicas, serão lembrados... Eu sei que, daqui a um bom tempo, o seu sorriso vai preencher o ambiente e o seu toque vai me guiar pela escuridão. Sei que daqui a uns bons anos, tudo isso fará sentido. Provavelmente eu dê risada sobre minhas atitudes de hoje, provavelmente lembraremos de um tempo perdido e como tudo fez um sentido infantil em nossa vida. Um dia iremos nos encontrar e se não selar este momento com um beijo, pelo menos um abraço fará sentido. Se não tiver a sua mão próxima da minha, um toque completará sua função. Eu espero que um dia eu consiga não contemplar a noite da mesma maneira de hoje, que possa dormir para sonhar sem medo do platonismo. Eu mando essa carta com a esperança que, em um dia qualquer, eu tenha novamente a mesma sorte de ter você perto de mim...
março 21, 2012
Retornou década virada…
Houve um leve toque, uma olhada despercebida para trás e um sorriso no rosto. O mesmo toque que há anos me fazia tremer voltou diferente. Voltou mostrando uma nova mulher e não aquela menina que me fez perder o rumo pela primeira vez. O sorriso pode ser o mesmo, mas já carregam uma vida atrás dele. Eu desacelerei e não me importei com caminhos longos ou horários. Por um instante o mundo desapareceu frente aos meus olhos e o único ponto de luz era aquela menina-mulher que reapareceu em minhas trilhas. Eu a deixei para reviver memórias. Eu a deixei para tentar raciocinar voltas, versos, sentimentos, noites longas, sonhos diversos e músicas que tentei encaixar em uma possível história, mas que só depois selaram e simbolizam uma volta ao passado. Naquela noite a música foi só uma minúscula vírgula de importância, pois eu tinha em meus braços a primeira pérola da minha vida...
março 19, 2012
Cativas teu tempo e passos...
Em letra borrada as inscrições deixavam claras as propostas. "Seja atento, pois o essencial é invisível aos olhos", com uma letra trêmula, mas que passava a certeza de tanto sofrimento que se transformou em batalhas. Ao lado do papel, foi possível avistar liras e juras com diversos amassados. De alívios pela liberdade e os leves que apenas iriam desfrutar da chance. Mas quem escreveu já havia partido e não tomou nenhum dos caminhos mostrados. Quem escreveu já havia quebrado muitas promessas e abandonado muitas oportunidades. Quem escreveu aquilo já havia entendido o que é essencial e parou de buscar. Quem escreveu aquilo não queria mostrar nenhum caminho aos navegantes, o que ele queria era uma volta atrás, retomar velhos passos, cumprir as velhas promessas e jamais se esquecer do brilho do amor e da leve felicidade... Da coisa mais perfeita de se ter uma rosa para cativar e para morrer.
março 13, 2012
Deixo este capítulo para sempre…
Guardo um capítulo deste livro entediado, recheado de “porém” e “afins”, para a parte que juro relembrar e guardar todos os trechos de promessas, o refrão perdido, a rima pensada, o sonho transcrito, as doses bebidas, as cartilhas de amor, o soneto sem fim, cada primeiro momento, cada promessa quebrada, cada lágrima solta, cada suspiro de fim, cada noite passada, cada dia que chegou cedo, cada gole angustiado e tudo o que seu nome e sua vida desenharam em mim. Este capítulo é para ter um fim rápido e incolor, mas as suas marcas em mim serão eternas...
março 08, 2012
Cuidando de roseiras e não baobás...
São pétalas de esperança, de um toque adocicado e tato de veludo. São pétalas que nascem com brilho e se vão com a certeza do infinito. São pétalas que começam com esperança, mas escorregam na vida e desenham um fim totalmente credor. São pétalas que precisamos em nossos passos, em nossos dias e em nossos sonhos. De pétala a pétala começa a formar um buquê leve, porém completo e de intensidade úmida. Com suas diferenças, sempre tendo que arrancar daninhas e de destinos confusos com pequenos futuros. Elas têm espinhos que machucam ou fazem sorrir. Espinhos que mostram caminhos ou realidades. São flores de um jardim desconhecido, que vivemos, que pisamos, que choramos e que sentimos. Não gostamos das falsas ervas de baobás, que racham planetas e que desfiguram a nossa mania. Não queremos tudo, mas queremos o que é diferente. Diferente são as flores. São flores abstratas, que se personificam nas mais diferentes formas, com diferentes nomes e diferentes razões. Mas são flores, como a daquele príncipe, que passou por diversos planetas, mas sempre levava nos lábios e coração a flor, que ele deixou para trás e que nunca mais amou...
março 06, 2012
No meu sonho eu te beijava...
No meu sonho eu te beijava. De alegria, com os olhos, com um sorriso tão puro e intenso. No meu sonho eu te beijava. Com a saudade necessária, com a alegria de ter um abraço seu, com a emoção de te ver perto novamente. No meu sonho eu te beijava. Você contava suas alegrias de vida, suas aventuras e suas conclusões. Eu mantinha a alegria de ver novamente você especial, revivendo momentos mágicos e lembrando cada conversa, de cada ponto traçado em uma cidade maravilhosa. No meu sonho eu te beijava. O mundo parou no momento que você chegou ao sonho, as cores mudaram, os sons sumiram e apenas a sua visão importava, nada mais. Todo o resto morto. Não foi preparando o café com seus desejos, não foi acordando com um riso irônico, não foi almoçando com adjetivos extremos. Foi em um lugar qualquer, uma hora qualquer, que eu não lembro, pois nada mais importou porque no meu sonho eu te beijava...
fevereiro 29, 2012
Cadê a certeza que isto aconteceu...
E se tudo isso for uma ilusão? Se nada do que acontece em meus passos for real? Se tudo for parte de um jogo de ilusões e fantasias enfileiradas, prontas para estrearem na novela da minha própria cabeça? Se todos meus casos de amor, de derrota, de solidão, de sonhos e até de doces mensagens deixadas na pele, for um jogo de mente poderoso e que nunca sairá da parte mental? Pois se tudo realmente acontecesse, por que nada me toca e nada aproxima ao ponto cego de um beijo? Por que o hálito fresco não banha meu sono e sempre é algo frio e invisível? Por que as imagens que se formam aos meus olhos são de distância, quando tantas cores perto não possuem vida? Se os sons não existiram e todas as mensagens recebidas não possuem remetentes, qual seriam os resultados dramáticos de me retirar os medicamentos e deixar meus olhos e meu coração se acostumarem com a frieza desta realidade? Qual seria o sabor de entender uma simples respiração e ter que viver com essa vida monocromática? Quando tudo começou e quando tudo terminou? Por que, no doce fim vespertino, uma carta borrou meus passos com a súplica pergunta que abre o texto? Como terminar ou tentar pelo menos achar essa saída, onde tudo agora parece um nevoeiro denso e sem fim?
fevereiro 27, 2012
O segundo mês é o extremo...
Troquei meu estofado cansado de tantas impurezas. Busquei o novo brilho do sol, aquele diferente e desafiador. Com novos ares e até novos amores, eu me troquei e comecei a nova jornada. No início minhas poesias pesaram, a inspiração faltava, pois a angústia e tristezas passadas, ainda tinham suas marcas. As rimas demoravam, critiquei o descuido, malquis amizades, infernizei as prosas que me vinham... Mas encontrei meu recanto. Diferente, com novos traços, mais centrado e mais polido. Consegui desmantelar as minhas antigas construções e me guiar para o novo. As críticas terminam e essas novas águas me trazem o sabor final. Fevereiro sempre foi o meu extremo, sempre foi o pavio mais curto, sempre foi o fechar janelas e desligar a luz. Que o meu março favorito brilhe em meus passos e complete a minha busca, pois não tenho um amor para cuidar, mas um amor para conquistar...
fevereiro 22, 2012
Por que foges então?
Começou uma fuga, com passadas largas e passos suados de incerteza. Era uma fuga, de um ponto qualquer para outro distante, o máximo distante daquele início. Não era bem um início, mas não havia chego ao fim. Não sabia dizer qual era este marco e muito menos as perspectiva de sua necessidade. Era a fuga, com o coração bombeando, a adrenalina produzida e o fôlego testado em quantidade. Era uma fuga, não como nos filmes, mas como na vida real que jogamos para o alto nossas mentiras e derrotas, para tentarmos um novo começo. Esquecemos que os passos são os mesmos, os trapos que nos cobrem são do mesmo tecido e as nossas dúvidas e aprendizados continuam em nosso calcanhar. Era uma fuga, mais uma de tantas outras que ecoaram no passado curto. Era uma fuga acompanhada de promessas fáceis e de fracas oportunidades. A fuga cansa uma hora, mas as meias e toda a vestimenta não são trocadas e tudo volta neste ciclo débil...
fevereiro 13, 2012
Uma correspondência aberta...
Entre trapos e retalhos de uma vida, com fotos e imagens descritas tão limpas que pareciam o início de um outono. Trazia uma saudação simples, mas mesmo nisso, estava carregada ali a emoção certa. Letras trêmulas em certo ponto da caligrafia demonstravam o apelo correto e, ainda mais forte que isso, o tamanho da importância. Em certas passagens aquelas rimas bobas, que servem para diluir a tensão que se formava, traziam um sorriso leve para os olhos que corriam por ali. Era um acervo de momentos, enumerados como tal, totalmente paliativos à realidade. O meio foi carregado e a conclusão levou mais de meia página, com a incerteza necessária, com a alegria de se descobrir refém disso, com a simplicidade tão procurada e um ponto final que parecia desenhado em completa perfeição. No lixo jaz uma carta de amor, um bloco tão pesado do sentimento mais correto existente e lançado à sorte de um destino qualquer. Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender a força de amar, acham que sua bolha é muito perfeita para se gastar com um sentimento tão impossível de entender... A solidão ensina mais do que uma festa repleta de ignorantes que nunca vão saber o verdadeiro sabor do amor.
fevereiro 08, 2012
Coberta de retalhos em fogo vivo...
Passos contados de uma caminhada no sufoco. Tarde branca opaca, com pássaros rabiscados de rosa. Início de estação, curvas acentuadas e sede perpétua. Traços completos de brigadeiro, prazos vencidos de não perecíveis. Estatuetas roubadas do acervo, irritações pelo pó da fábrica que exala o trabalho. Um sono fresco de uma tarde perdida, sonhos pipocando em olhos abertos, angústias leves trazidas pela farra. Pagamentos realizados, telefone que não toca, chamada rejeitada e saldo completo. Tem feira, tem para quem queira, tem a esteira e tem a saladeira. De casos e acaso, tenro amasso, doce enlaço e tudo complicado. A morte pelo candelabro, a silhueta do calcário e a página rasgada de calendário. A verdade que hoje é sexta-feira inacabada e o desfile começa pelo fim e sem hora para acabar...
janeiro 31, 2012
Um trovadorismo clássico…
E a pergunta foi lançada como chama: "E se você vivesse sem o infinito da descrição?". A garganta secou no momento da resposta, as mãos tremeram, os olhos perderam o foco e o chão pareceu sumir perante o horizonte. Se me tirassem o infinito, como eu iria sobreviver? Como eu teria o encontro de imagens que se transformam em linhas, que viram estrofes e depois terminam como rimas ancestrais? Como eu teria o sabor de um beijo, que personifica uma joia, que é lançada pelos mares, que é enterrada como tesouro e só consigo descobri-la através dos meus sonhos? Como eu poderia brincar com palavras, com objetos inanimados, com tintas escuras e borrões claros? Não teria a abstração companheira, não teria a paixão queimando meus sonhos, não teria o platonismo regando este imenso jardim e teria meu quintal desfigurado. Não teria um caminho para seguir, não teria nada... Mas limpei a garganta e respondi: "Seria o poeta do novo, do acaso, do estribo mais chocante e do irreversível caminhar. Cantaria em novos ritmos e faria novos sonetos. Tudo, tudo e tudo pela simplicidade de amar e mover meu corpo, para o desconhecido encontro da morte em vida, do amor no suspiro mais cadente e de ver pulsar um sangue que só é meu pela força absurda de sonhar".
janeiro 28, 2012
Com seus olhos eu jamais mentiria...
E se ela me perguntar não terei como mentir minhas vontades. Não terei como encobrir meus sonhos e meus desejos por ela. Não terei como desconversar quando ela perguntar aos meus olhos se eles enxergam outro futuro sonhado. Como também não vou mentir quando ela perguntar se meus versos não se inspiraram nela, pois todos são sobre seu brilho, seu jeito e minhas lembranças, mas se banham nesta solidão repentina que me fere a cada instante. A mesma solidão que me enclausura, me traz as belezas de rimas e imagens poéticas. A mesma angústia que me acorda pelas madrugadas, é a mesma que acalma meu coração pensando em como seria bom o seu toque e sua presença colada em minha mão. A mesma ponta final que me cala e me lança na mais dolorida escuridão, é a mesma ponta que se transforma em luz e abre todas as portas da minha vida para receber este amor. Talvez um platonismo explicasse tamanho jogo de extremos, mas me cansaria de procurar esta definição em seus livros. Prefiro poetizar para minha amada, ela existindo ou não, a forma tão grandiosa que meu coração proclama esta paixão.
janeiro 24, 2012
O céu é infinito pelo fim...
Pelo fim que você desenha em seu rascunho. É o fim conhecido de uma caminhada que nunca começa. O céu é um infinito com uma equação exata, onde a vida e sua felicidade são constantes conhecidas e com valores dentro de um curto limite. Não existe a fórmula para alongar, não existem caminhos para se pegar. Não existem marcas, melodias conhecidas, significados desconhecidos, brilhos de uma mente fixa ou atalhos pintados de cores complexas. O que lá existe são momentos irreconhecíveis e com complicadas tentativas de descrição. O que existe são sorrisos abafados e boquiabertos corações desvairados de uma tempestade de verão. Existem conchas que contam histórias e que trazem a maré no seu ponto mais alto e refrescante. Existem fragmentos de vida de todas as formas, espalhados e se juntando com suas principais características. Existem os momentos desenhados, ditos perfeitos, que logo desbotam por conta do sol que nunca aparece das montanhas. Existe também, perdido em algum lugar longe de tudo, o eu e você. Aquele objetivo traçado, aquelas promessas rarefeitas e aquela história que eu desenhei um fim e antecipei a ida ao infinito. Ele está lá e um dia talvez eu vá buscar o que sobrou deste capítulo perdido...
janeiro 17, 2012
Um dia eu vi seu aceno em meu caminho...
Eu guio pela estrada de sempre, guio com o vento em diversos estados e com cores de velocidade alternadas. Guio pelo som que me chega, guio pela liberdade mais alta. Guio no ritmo de um solo conhecido, de um conjunto de acordes qualquer e até pelo refrão batido. Guio por não ser guiado, guio para nunca encontrar e até guio para me lembrar. De fases, de praças, de paradas, de reviravoltas, de amores, de cartas, de um beijo adormecido, de um sorriso torto, de um olhar arrependido, de um abraço e de uma risada. Guio para viver e até guio para morrer. Em uma curva de guerra, na ultrapassagem estreita, no acelerar definitivo. Luzes acesas, destino conhecido, novos caminhos, uma missão e um amor que pulsa toda uma inspiração. Foram centenas de vidas guiando para resumir, a pequenas palavras, o desejo que ficou perdido naquele ponto que já nem lembro mais que existiu. Tudo aquilo se perdeu como promessas fracas, beijos secos e enlaces corrompidos nos caminhos que já guiei.
janeiro 13, 2012
De uma reviravolta triste...
Uma brisa amarela me banha como o sol. Os sonhos começam a se dissipar, mas você ainda pertence à minha mente. Te vejo, te sinto, em tudo. Na falta, na distância, no não estar e neste silêncio. Acordo e vejo ao lado sua parte esticada e envelhecida por um tempo distante. Hoje vejo que tudo se foi como um pó delicado. Hoje eu me questiono se alguma vez você esteve aqui por perto ou se foi apenas uma doce ilusão de um perfume tão parecido que se personificou em mim. Hoje eu já me perco nos questionamentos se deveria ter te amado tanto quanto minhas poesias falaram. Hoje eu só queria ter um abraço completo, algo que me fizesse sonhar de olhos abertos e lacrimejar uma vasta dimensão. Hoje eu só queria um aperto de mão para pelo menos lembrar qual seria a cor que ficaria em mim após seu toque. Hoje eu só queria acordar sem o grito costumeiro de todas as manhãs...
janeiro 06, 2012
De tanto lembrar eu quis te esquecer...
Lembrando as estrelas que soletravam seu nome todas as noites que passava admirando este infinito. Lembrando os gostos acres alcoólicos que me guiavam por frases soltas, ritmadas e com rimas tão fáceis que colavam no meu coração. Lembrando toda aquela espera por algo que nunca aconteceu, uma ligação, um beijo roubado, uma dança descompromissada ou um pedido de amor. Lembrando seu brilho encantador, você bela correndo com a brisa perfumada, com a delicadeza certa do momento. Lembrando cada vez que fitei a escuridão, buscando razões, traçando caminhos e planos com tanto sucesso, que viraram fracassos. Lembrando como era fácil descrever, como meus olhos enxergavam a beleza pura de algo que não existiu. Lembrando tanto, cada parte da maneira certa, que passei a acreditar que tudo não existiu e que não passou de um sonho completo, de algo que te tira o fôlego, mas te retiram as memórias. Se eu tivesse um último pedido, este seria para apagar todas as suas lembranças de mim e todas as marcas que você deixou em meus braços estendidos para o canto vazio.
janeiro 04, 2012
Dos doces deixados ao sol...
dezembro 23, 2011
O meu presente de nascimento...
Foi bom te ver nem que tenha sido por uma foto. Estática, cortada e sem destaque. Foi bom te ver, simplesmente por ter este sabor de nostalgia em um fim de tarde. Foi bom te ver, apenas para te desejar, no meu surdo gritar, tudo de bom. Foi bom te ver, pois se hoje escrevo essas linhas, os meus pequenos e primeiros versos foram apenas para você. De fato, de amor, de cor e salteado, da pureza mais concreta existente, da mais bela e infantil forma de gostar. Foi para você que comecei estas minhas tortas linhas, essa minha busca por algo sem definição, essa minha luta para achar o poema perfeito. Foi bom te ver, para eu relembrar todos os gostos, o suor nas mãos, o portão fechando, o tato adolescente, o coração na boca, o nervosismo e depois a gritaria da alegria. O dia de sol o inverno da espera. Foi bom te ver, mesmo você nunca entendendo, mesmo você nem sabendo... Foi bom te ver, porque no meu silêncio eu te disse: Obrigado!
dezembro 21, 2011
Vão-se as imagens, fica a mensagem...
Carreguei minhas poesias por estradas desertas. O sol escaldava suas explosões em meus olhos, o sol explodia em partículas uma acidez enorme em minha vida. Poetizei como ninguém um enxame qualquer de ruptura carregada. Destilei meus passos, filtre meus átomos. Não me lembro se foi de alucinógenos ou culpa da sede, mas as imagens começaram a dançar em minha frente. Um corpo morto caiu, uma panda dançou em ritmos aleatórios, um pedido de socorro foi ouvido por entre as árvores e delas saíram voadoras criaturas do amor. O ambiente era fantasmagórico, era daqueles indescritíveis e meus lábios escreveram cada detalhe com a rica cor de uma primavera. Algum ponto de clareza deveria existir, mas não foi captado. Eu carreguei as minhas poesias pelas poeiras mais baixas, pelas escapadas mais milenares. A redundância beijou minha nuca e correu em direção ao "Adeus pronto". Ela gritou por entre as pernas, ela girou por entre os corpos e salpicou com seu melhor tempero o meu final. Eu carreguei minhas poesias por este mundo inexistente, carreguei-as para ninguém ouvir e para não clamar que de louco viveu e de estranho morreu...
dezembro 19, 2011
Um fim qualquer de um passo esquecido...
E deixei seus braços de veneno para que meus inimigos enxergassem toda a beleza emanada. Contemplei por anos meus passos frouxos e cansados que seu nome fez. Sem lembranças e sem destino, vivi como se fosse um vento noroeste perdido em um suspiro qualquer. Eu consigo fechar os olhos e viver um sonho. Consigo abri-los no meio da vida e enxergar o seu brilho. Eu consigo enxergar o caminho, mas é tão difícil seguir os passos pelas pedras. Elas passam voando pelos meus dedos e fazem as mudanças que querem nestes passos soltos. Talvez eu precise de uma droga nas veias, uma dose certeira de promessas e falsos moralismos. Beberia de uma fonte infinita um veneno qualquer que me levasse para bem longe. Viveria de extremos apenas para saber como é o tenro sabor de me sentir perdido. De me sentir preso a algo tão impossível e inexistente que me causasse medo. Talvez eu olhe muito profundamente para tentar saber a cor dos meus sentimentos. Destes mesmos sentimentos que ditam uma rotina ordinária. Eles seguem como os voos dourados de uma alcateia que se perde no coletivo. Eles seguem em busca daquele tesouro enterrado, guiando apenas pelo destino de um mapa com um "X" rasurado. Com ou sem melodias, eu me perco nas estrofes apenas para me desesperar por saber que sou completamente apaixonado por tudo o que você criou e me deixou morrer.
dezembro 16, 2011
De um livro e canção saiu meu coração...
Mando essa carta como alento para uma mente viajante. Escrevo para tentar liberar todas as energias de meu corpo, de meu coração que cansa de pulsar para um organismo sem muita emoção. Tento rimas tontas, neologismo básicos, rabiscos modernos e perfeitos significados. Tiro da matéria e tento voar por um espaço curto, pulando de planeta em planeta para ver o que de melhor cada um oferece. Estava esta imagem naquele livro que era para ser infantil, mas se perdeu em referências anuais e foi parar em uma música esquecida, da banda da rua extrovertida. Existem obrigações, existem caminhos e até mesmo as cores de nossas canetas. Tudo isso perde um pouco o rubro quando me lembro de você, de seu toque e do seu jeito tão irônico de me fazer sorrir. Perco o tato, o chão e até mesmo a direção no instante momento que tudo começa a surgir. Juro que as rimas não deveriam existir, pois escrevo em prosa o que o poeta não entendeu. Escrevo em frases curtas e até perdidas, o que o poeta esqueceu. Ele deveria ter te dito tudo isso, em forma de soneto, com grandes intervalos e redondilhas rarefeitas. Ele deveria te fazer perder o ar de tão alto que te levasse e transformar este amor em formas perfeitas. Rimo sem mentir, rimo para te fazer mais próxima de mim. Rimo para tentar resgatar tudo o que se perdeu, quando eu era um poeta para você. Rimo, pois se o poeta não existe mais, eu estou ainda aqui. Tento sem jeito, com pingos de medo, rimar até o que partiu. Mas o mais prazeroso, é que rimo meu nome ao teu, para fazer desta nova página um eterno começo sem fim.
dezembro 12, 2011
Escrito com algo que poderia ser seu…
É a última pétala de um imenso buquê. É a última noção de um complexo caminho. Eu arrumava o jardim sujo de tentativa vã e ela me olhou como se recorresse aos antigos tempos para tentar brotar algo inexplicável. Ela deu a mão por algo que talvez nem soubesse a razão, nem soubesse a procedência e se existiria alguma redenção. Houve um beijo interrompido por outrem. Houve toda aquela descoberta do atrito de corpos e fluídos encharcados de uma saudade e de uma importância divina. Vi deitar contemplando o infinito de amor, mas sabíamos que as pétalas voam e este era o último suspiro que poderia existir. Os momentos devem ser vividos como últimos, os beijos dados devem ser saboreados como únicos e todos os sorrisos soltos, guardado com a urgência necessária. Meu jardim repleto de daninhas arranhadas pede ajuda, pede minha urgência e minha soltura. Ela sabe de tudo, sabe até como me amar, mas todas essas gotas de chuva não me fazem percorrer o estreito necessário para viver completamente essa tentativa. Só me resta sorrir e guardar tudo dela apenas para mim, guardar para quando este silêncio voltar, eu lembre como é doce e perfeito as notas musicais de sua voz na minha vida.
dezembro 02, 2011
Os sons ecoaram difusos no horizonte...
Foram verbos intransitivos, daqueles que planejam a fuga e não se dão por vencido. Foram luzes que escaparam pelo caminho, trilhando novos amores e tenros sonhos recheados. Foram palavras estraçalhadas, sem ação e adjetivadas com o máximo dos pronomes. Foram perfumes soltos de um buquê morto, com um cartão borrado e sem muito amor. As frases foram destruídas pelas orações compostas de angústia e muita vibração. Uma criança com um lápis de cera branco pintou de anis o corrimão do acesso. Pintou a vergonha de gaivota e se esqueceu de voar na imaginação. Foram duras palavras práticas, de início e ditas com razão. Uma previsão de futuro, uma anedota perdida, uma escuridão do amor, um refrão. A criança fechou o livro, fez o vento ventar e a cantiga ninar. Ela escolheu os sujeitos existentes, fez as rimas fantasmagóricas e dedilhou seu banjo cruel... Ela é uma criança apenas, diriam as más línguas, mas uma criança que entendia de redondilhas...
novembro 28, 2011
O novo e velho livro de lembranças...
Pensou-se no seguinte: “Se foi para voltar, foi para ter novas experiências”. Novos gostos com velhos toques, novo tato com o mesmo rosto. Novo beijo com os antigos lábios. Os anos passaram, mas algo ficou intacto que me fez celebrar cada momento novo. De uma risada até uma novidade antiga esquecida. De números decorados até velhas rotinas que foram relembradas. Ouvir um grito do lado e achar graça pelo simples motivo de existir. Foi algo sem razão aparente, algo sem explicação legal, mas aquilo necessário em uma jornada de tantos anos e de tanta história. As desculpas não caberiam pela ausência de um e outro, os tantos "sinto muito" seriam maçante demais para as pequenas horas. De um coração congelado por todo o vazio que um e outro sentiu na sua jornada, uma pequena luz, com suspiros e sorrisos foi colocada. Talvez um novo capítulo para contar, mas sem enredo pronto não existe razão para concretizar tamanha tarefa. Foi um início com abraço curto e longa presença. Um início sem muito planejamento, mas que guardou o suficiente para o próximo. Sem data, sem esperança, sem motivo ou razão. Só quem passou pela cena pode perceber a vibração das cores desta cena comum. Ela estava de branco da paz e ele tinha a cor desbotada da estrada perdida que levava em seu coração...
novembro 24, 2011
A rainha reapareceu em seu mundo...
Existia antes uma bela inspiração. De olhares, risos, toques perdidos e reais. Nada transcrito, imaginado ou criado por sonhos. A inspiração que brindava o poeta existia e era possível ouvir seus passos e sua voz em corredores próximos. De vida atrás para vida esquecida, ela foi responsável por infinitas redondilhas. Infinitas rimas que, como na vida mundana, nunca se achavam e fechavam os seus poemas. Esta inspiração seguiu o poeta em diversos momentos. Dos mais românticos e apelativos ao abstrato desconhecido, passando por todos os simbolismos e maneirismo existente. Esta inspiração tinha nome e registro, tinha razão e pensamentos, tinha vontades e sentimentos. Mas a vida quis que nenhum desses fosse descoberto, que a chave nunca fosse encontrada e esta busca impossível e derrotada, foi o combustível de cada linha escrita, hora com lágrima, hora com o suor da tentativa, tentando desvendar os enigmas deste tesouro. A inspiração se calou em um momento decidido e pela eternidade fez-se apenas notar através de uma única canção. Uma canção que dizia tão pouco, mas ao mesmo tempo inundava de significados. Cada acorde e cada verso ritmado era suficiente para o poeta refazer todo o mesmo caminho de antes, reviver as mesmas pegadas apagadas, reencontrar a mesma angústia envolvente. Até que um belo dia perdido de um mês qualquer, nem o sol havia aparecido, a campainha tocou e a inspiração veio lhe trazer um novo capítulo, um novo livro e uma nova chance. De olhos ainda apagados de sonhos complicados, o poeta abriu um sorriso e o mesmo coração de antes, cheio de versos, cheio dele mesmo...
novembro 20, 2011
Falsos profetas, falsas promessas…
Eu queimei velhas memórias, velhas palavras e antigas retrospectivas. Queimei fotografias e queimei seu nome cravado em minhas veias. Queimei falsas esperanças, perdidos sorrisos e dizeres medíocres. Queimei seus passos, sua trilha e seu pseudo mundo colado ao meu. Fiz a distribuição certa de sentimentos, colocando prioridades e justiças em tudo. Comecei um novo parágrafo, em uma página limpa e virgem. Tirei os últimos vestígios da sua poeira em minha vida. Aspirei ao fundo do poço e sua umidade banhou esta nova face. Agora vou seguir esta nova jornada e, só para não ser como tantos falsos profetas, te digo obrigado e adeus. Passar bem, pois do doce azul que você viveu, o verde banhou todas as partes...
novembro 17, 2011
Por uma cena, um crime distante...
Por uma tela árida se passam os sonhos de uma época. Tecem sonhos e corridas infantis descompromissadas. Mentiras são encobertas e depois enviadas para o futuro. Fidelidade e gritos de pavor brando são soltos vez aqui ou ali. A paisagem nunca muda, pelo menos aos olhos de um apaixonado. Cada lembrança é uma epopeia, uma cantiga de ninar os dias difíceis e vira tudo um grande conto de um caderno empoeirado. A vida não mostra um enredo, ela monta os capítulos de forma aleatória. Cabe ao olhar sereno, força e coragem para guiar a história. Toda volta trágica tem um sinal de redenção. Toda veia deportada um encanamento viral. Tudo tem o nada que se completa para o diário. O sol, a chuva e as mudanças de temperatura seguem o ritmo misterioso. Um pedido de desculpas é esquecido, um aperto de mão ignorado. Um beijo é silenciado e o pedido de amor zombado. Sim, a vida brinca de entender e os espectadores sonham em descobrir como será a frase final.
novembro 11, 2011
De profecias mundanas perdidas...
Perdem-se momentos profissionais que foram o início de tudo. Perdem-se as brincadeiras de corredor e lembranças esquecidas de uma noite qualquer de estudo. Perdem-se, nas entrelinhas, diversos sonhos e diversas divagações de um futuro tão diferente, quanto estranho. Perdem-se laços antes infinitos, mas que na parte real, foram mais finitos que muitos outros laços finitos. Perdem-se aqueles momentos alegres, de soltura e de graça inteligente. O que resta nesses dias de datas iguais? Poucas coisas, poucos agradecimentos e poucas sinceridades verdadeiras. Apenas se salvam os poucos pontos de clareza da vida, os poucos que ficaram depois da tempestade de inverno. O resto, se é que por um segundo se lembrou, nem tiveram a memória suficiente para lembrar. Todas as outras datas parecem não ter força para serem lembradas. Toda aquela tradição se resumiu a dois pontos que ainda sorriem, nas conversas, nas andanças e nos poderes de tudo. Só restaram dois pontos de toda uma pequena e, talvez, poderosa aquarela. Só restaram dois pontos de uma tradição que começou há oito datas atrás e, se tudo correr bem, termina no próximo ano. Depois, é necessária uma nova tradição, com novos pontos e nenhuma ideia de ser infinita ou ter alguma consciência.
novembro 09, 2011
Inventaram para você, só para você...
São passos que precisam de cálculo, precisam de luz e pedras. São frios, indecisos, cambaleantes, incertos. Quem sabe a direção não ostenta tamanho resfriado. Quem imaginaria a dimensão esqueceu-se de desenhar a porta. Era preciso insistir e construir. Sorrir para esquecer. Beijar e compadecer. Tudo seria explicado em um fim, mas este não foi malhado. Não houve ritmo suficiente, letras se perderam na bacia inicial. Houve uma correria por uma vida desgarrada, sem graça e solta. Houve promoção de abertura de algo falido, sem moeda ou distinção. De longe, se fosse percebido, teria aquela multidão de aplausos, mas no atalho do túnel o som foi abafado. Inventaram a luz para tentar trazer um brilho de olhar esquecido. Inventaram a luz para aquecer os braços já cansados de tamanha obrigação. Inventaram a luz para te trazer de volta, mas o convite ficou preso em uma greve qualquer. Sem a presença principal, o baile foi fechado, a invenção apagada e voltaram as atenções para as novas melodias...
novembro 07, 2011
Lembranças que corrompem o tempo e espaço...
Pegue mais uma e embale seus goles. Caminhe pela noite quente de verão, sempre avistando novas pessoas e possíveis aventuras. Sente em um banco qualquer, fite os sons que embalam as horas, arrisque um gole diferente e solte uma gargalhada. O tempo não importa mais, são os passos que fazem a sua importância. Do que adianta saber as horas, se está parado em um lugar sem significado? Do que importa cronometrar a vida, se não vive e faz sua experimentação? De novas canções até os grandes clássicos, da mistura de vinho e cevada, com uma destilada qualquer. Do caminhar sempre decidido, com possíveis mini torturas. Do verão, sempre em verão. Da alegria, do suor característico, das poucas roupas, da praia, do sol e da lua em um céu nítido. Sim, eles estavam ali e sempre estarão. Sempre irão esperar você reviver seus passos, refazer sua constelação. Eles estarão ali esperando que você entenda e tenha novamente a sua vida de volta.
novembro 04, 2011
Ninguém vai lembrar essa descrição…
É escuro, frio, implacável e solitário. É pequeno, úmido, triste e distinto. É morte, o fim, a prova final e o longo adeus. Um suspiro eterno, lágrimas que duram meses, secam por insistência terrena, não pela vontade de coração. É voltar para terra, ser novamente um pó, em muito tempo, ser um nada. É a certeza no abrir os olhos, é o caminhar sem reconhecer uma luz. É não estender os braços, contemplar aquilo que é novo, mas impossível de descrever. É não conhecer uma alma, um vulto, uma gota. É o nada inicial. É o nada de si. É o novo que já conhecia, é o que todos falavam, mas sem muita certeza. São os primeiros passos de uma escuridão clara. São os primeiros passos para se conhecer um eterno convidativo. São os primeiros passos que melhoram com o tempo, mas ainda assim, são os primeiros passos. São os primeiros passos sem doçura ou convite, sem apego ou liberdade. Com o tempo isso tudo virá. Paz, alegria, sorrisos e luz. Muita luz. Mas os primeiros passos são nublados e tensos. São estranhos e complicados. É o fechar de olhos e abrir para o novo. É o dormir de um lado e acordar em um sem tempo. É o fim para uma pequena parte, mas o início para todas as outras.
outubro 31, 2011
Como sinalizadores caindo do céu...
E ela adormeceu. Agora ela sonha com os brilhos de uma constelação. Ela tem seu brilho forte, depois de carregar em sua bolsa as histórias do seu lugar. Distante. Outro inimigo morto, retirado de seu coração com a força de algo maior. Com um sorriso solto, ela luta agora contra sua própria apatia. Ela sabe que dias ruins chegam com a força de um furacão e duram o momento certo. Ela sabe que não adianta ir contra o vento, é melhor deixar levar. Para longe. Construir um novo começo, com a tinta velha daquela aquarela infantil. Fazer uma canção, que a lembre dos momentos esquecidos de verão frio. Brilhante. Ela sabe que dias ruins são como grandes doces, que adoçam a vida e nos deixam mais leves. Ela sonha com problemas que nunca teve, para que os outros saibam da sua existência. Ela sonha com o amanhã, com aquele amanhã que nunca vem. Ela sonha com um amanhã que a leve para um lugar. Um lugar que ela sonha. Ela sonha agora e não acorda mais... Ela não acorda mais.
outubro 23, 2011
Um outono de estação...
Uma cor cinza decreta o início, o meio e o fim do período. Ventos sem mudanças, frio que nada faz mais, dias que apenas passam e não levam nada do tudo. Horas perdidas em um caminho qualquer, rodadas de bebida que cessam sem sabor, sem sentido, sem nada. É uma estação complexa do não acontecer. Seja do seu lado, seja do outro lado da sua vida, seja em outro mar. A estação pode ser aquela pessoa ao seu lado, pode ser uma oportunidade de vida e podem ser os seus passos. A termologia nada muda e as figuras de linguagem também não. Elas esperam o desfecho do capítulo decisivo, longe do final. Elas aguardam o olhar quente, aquele grito de alegria e também o selo repetido. Se a vida precisa de um primeiro passo, este é o outono paciente. Se o amor precisa do primeiro beijo, é o outono trazendo o verão. Se a saudade bate por essência, é o outono seguindo seu ritmo e virando inverno. Porém o outono precisa existir e você precisa desta trilha, seja ela o que for...
outubro 17, 2011
Ele quer a perfeição, mas ninguém sabe...
Poderia conter ditados populares, uma caixa de bombons de surpresa ou uma rosa com pétalas infinitas. Poderia ser uma brincadeira interminável, um vale de imaginação fértil ou um sonho que se acorda com um gosto inicial. Poderia ser o som de uma voz que conforta, as folhas com significados fáceis ou a impressão correta que faria a vida. Porém a realidade pintou de outras cores a situação. Melhor assim. O fim é um começo irredutível. A lágrima caída floresce o coração de esperança. O silêncio grita as mudanças necessárias. A insônia adormece as dores do corpo. A angústia faz enxergar as novas opções do caminho. Apenas o amor, aquele bendito amor, que sempre é amor. Ele não muda, não quer novos ares ou novas ditas esperanças. O amor quer amor. Ele quer o que todo o resto não busca. Ele quer o que todos os outros temem. Ele quer se perder facilmente, sorrir quando só se tem o branco, gritar quando não se tem uma nota. Ele quer o amor quente, aquele de não se conter. O amor quer o amor puro. O amor é a felicidade plena e eterna. Aquela que nunca acabará e sempre renovará. O pior é que ele está correto. O problema é o que você chama de amor, pois o amor é muito mais complexo do que todas as palavras tentam explicar.
outubro 10, 2011
Dê um tempo em tempos…
Marcas, borrões, extrínseco e escuro. Falsos plantões, venenos de ironia, semblantes alheios e ignorantes lampejos. Arrependimentos, mãos juntas, olhares fundos e doce cinismo. Novos padrões, despedidas, tintas secas e sujeira de rodapé. Lendas, mitologias, sobrenomes e irritantes importâncias. Falta a ação, falta a alegria, falta a pureza e também o respeito. Ninguém mais olha para o lado, ninguém se preocupa com o interior, ninguém vence sozinho e ninguém beija a solidão. De agendas remendadas, compromissos infundados, nenhuma decisão e essenciais esquecidos. Enchi a mochila do mais puro nada, daquele que sempre me faltou no cotidiano. Calcei minhas bolhas inflamadas e fiz seus furos libertadores. Sorri da falsidade alheia, não me importei com chulas obrigatoriedades e saí para poetizar. Nunca ganhei nada até aqui, mas estou dando meu passo para o mundo que vislumbro melhor. Se errar, entenda, pode parecer muito estranho, mas meu destino é o pó inicial, exatamente igual.
outubro 06, 2011
Um nome solto para alguém presente...
Em uma rua pálida, uma senhora fez gesto de bengala para os céus e suplicou. Suas palavras caíram na terra marginal, ecoando por entre folhas e limbo uma doce esfera de dúvida e angústia latente. Seus olhos marejavam um tom púrpuro que nunca encontrei na aquarela do artista. Códigos e folhas brecaram suas marchas e seus significados, contemplando o tamanho do desenrolar desenfreado. A senhora olhava fixa para um ponto esquecido, buscava com mãos trêmulas seu eterno sono. A senhora tentava ensaiar passos, mas só conseguia encontrar o gesso da vida. A senhora queria arriar e arrear sua modesta túnica, queria dedilhar pelo infinito as rimas que nunca haviam sido tentadas. Ela berrou pela última vez e sem resposta, voltou-se para seu andar da vida, seu ritmo cadente e certo. Não lamentou, nem demonstrou tristeza. Não suspirou e muito menos emanou um desapontamento. Essa senhora nunca me pareceu ter um nome, mas por nunca ouvi-la e sempre senti-la próxima, decidi chamá-la de coração.
outubro 03, 2011
A tradução instável...
Não seria capaz de admitir se visse em outras páginas. Não conseguiria entender tamanha cor, se fosse de outra aquarela de vidro. Aconteceu em meus olhos, em meus braços e, por conta do meu sorriso, perpetuou-se nos segundos terminados. O cenário tampouco importa. Uma esquina com árvore antiga, um pássaro noturno cantando ofegante, uma ponte ao rio devastado de peixes, um soneto no meio de um canto medieval. Talvez existisse uma ópera regida por ela. Nervosa, aflita e com uns braços enrijecidos pela multidão. Talvez existisse um bloco de anotações raivosas. Talvez existisse, em meu coração e no seu pulso, uma leve saudade de vozes infantis. Em uma dessas curvas de sons, os momentos foram subsidiados de forma cadenciada. Um violão machucado encostado, um desenho não terminado, uma saia esquecida, um bracelete sem cor. De certa maneira eles acordaram juntos e fez daquilo uma introdução. Fizeram a beleza de um acordar solene, com os olhos cerrados mais lindos que meu coração já compôs.
setembro 23, 2011
Eu finalmente encontrei...
Descobri a felicidade que havia lido em contos. Entendi quando falavam do som sempre limpo. Embriaguei-me por um sorriso doce e solto, de uma manhã ensolarada e quente, depois de uma noite completa. Encontrei o par de mãos para guiar o caminho, a voz para acordar do desespero e o olhar para clarear a escura solidão. Transcrevi como se tivesse na adolescência, mas os batimentos em meu pulso eram reais. Cantei um pouco de algo desconhecido, mas que seu ritmo preencheu meu espaço. Encontrei a razão de ter andado todos os anos pelo mesmo vale. Encontrei o par, encontrei a cor, encontrei a temperatura da brisa ideal. Encontrei a razão para sair das linhas, dos versos abstratos e redondilhas redundantes para começar a preencher o vazio das minhas páginas em branco. Para preencher o que todos chamam de vida. Abri os olhos e tive o melhor dos sonhos...
setembro 21, 2011
Já estive além voltando…
Culpo-me por não guardar um perfume. Busco ao redor meteórico uma razão. Solto ironias para aliviar uma possível tormenta sentimental. Se você pudesse ver o grito interno que canta seu nome, talvez entendesse minhas mãos tremulas quando te abracei. Tenho placas e fotos de onde passei. Tenho imagens e cores vistas em lugares únicos. Faço uma alternativa disso e tento achar uma receita para a beleza de seu sorriso, de seu olhar e de sua forma de traduzir inspiração. Tento encontrar a maciez de pele, o leve toque e o caminhar decidido. Com os braços sonhando por você, caminho por vielas e trilhas. Apago caminhos anteriores, cruzo opções internas. Entendo que por amar o impossível, colhi o fruto maduro enquanto todos ainda buscam as sementes. Por idealizar a sombra em um mundo diferente, fui além da filosofia existente e me criei sozinho, buscando sempre algo que já me foi completo e hoje continuam insistindo que nunca existiu.
setembro 11, 2011
Qualquer um pode escrever um conto...
Mas nem todos poderiam transcrever uma história repentina. Nem todo mundo enxergaria a tensão de músculos, em um beijo descompromissado de pescoço. Poucos poetizariam um olhar para as mãos suadas e um sorriso amarelo de desejo. Quase ninguém conseguiria achar poético o cantar de pássaros madruga adentro, nas últimas horas de escuridão e carregadas de fluídos. Eu sou um desses poucos e cada imagem transcrita acima leva um sorriso, parte irônico, parte alegre, parte desacreditado de tamanha beleza. As músicas sofreram traduções cheias de novos vocabulários e eu segui enfileirando possibilidades, dando goles abstratos em cervejas do velho mundo e te levando comigo. Em sonhos, em banquetes, em desejos e em risadas e beijos pelos dias...
setembro 01, 2011
Descobri a razão de sempre repetir…
Como te escrever um texto, sem ser repetitivo? Como escrever sobre você, sem usar as mesmas conotações anteriores? Como simbolizar este nosso laço, sem as mesmas imagens utilizadas? Como transcrever um sentimento, sem usar a eterna redundância de palavras? Eu repito, tentando fazer novidade. Eu mesclo situações, tentando fazer um filme inédito. Eu penso em idiomas distintos, para tentar criar novas imagens... Mas termino sempre no mesmo lugar. Talvez por você não estar aqui, talvez por você aparecer em um sonho distante ou talvez por você nem existir. O amor é a mistura perfeita do que existe e do que parece existir. O amor é querer fazer uma conta dar outro resultado. O amor é algo que não cabe em palavras aglomeradas. O amor é aquele suspiro que treinamos tanto para na hora esquecer e de tanto treinar acabei esquecendo como é te amar...
agosto 28, 2011
O mundo na frente pode não existir...
Iniciou com um brilho de intensidade distinta. Terminou com o silêncio impossível. Tiveram toques e sorrisos leves, tudo isso preso em uma masmorra de necessidade. Terminou com o silêncio ignorado. Houve sinais de adoração, leves suspiros no rosto e tensa agarração. Terminou com o silêncio incompreendido. Poderia enumerar e descrever inúmeras imagens destas paisagens que ocorreram, poderia adjetivar o mesmo final de diferentes maneiras. Poderia honrar com meu compromisso poético e fazer de tudo isso uma reticência e um pedido de amor, mas falho no simples tato de tentar algo diferente. Falho no simples pensar que aconteceu algo, além de um sonho de cama quente. Com tantas falhas, impossibilidades e sorrisos imaginados, que não consigo compor um retrato, fico a desdenhar da sorte, do momento e da vitória vespertina. Um grito qualquer, tem todo um eco por detrás que muitos não conseguem entender. Meu olhar é um pouco perdido, nos passos feitos na avenida de algodão, porém com palavras me faço querer perdido, para tentar encontrar um sentido. Eu não sei o que aconteceu, mas um gosto indescritível me acordou hoje, me lembrando de algo que nunca existiu.
agosto 25, 2011
Por isso que é puro…
Engana-se quem pensa que tudo se resolveu no estandarte. Faltaram alguns detalhes principais, algumas velas acesas e um pouco daquele tempero universal. Mas da falta, fez-se uma gigante arbitrariedade. Dos tropeços seguidos, uma paixão ardente. Do silêncio, do não querer saber, do pouco se importar, surgiu aquela melhor companhia. O mundo não é sempre dos melhores, é preciso olhar a curva mal feita para entender algumas razões fugitivas. Se pintei de céu o seu futuro, também bronzeei de infinito o meu caminho. Com os gritos presos na garganta, batidas no peito de coragem e um leve suspiro de infelicidade, eu fiz minha vida valer a pena. Eu criei o amor impossível, pelo refrão que sempre foi ignorado.
agosto 22, 2011
Eu sempre soube que era você…
É uma paixão, é uma tormenta, é um furacão e é da crueldade. São olhos que brilham. Olhos que sorriem. Olhos que marcam passos e paralisam uma história. É o convite da nobreza, um abraço de malvado, a carta mal encaminhada e o alarme que canta uma canção. Eu sei como fazer as mãos me encontrarem. Sei como fazer o ar faltar na hora certa. Sei até como te dizer as palavras, que rimam e lacrimejam os olhos. Sei de tudo, pois aprendi na surdina do sofrimento. Aprendi ao ler a história naquela ruela. Na que pisei no vinho derramado, que ouvi os lentos lamentos e indecifráveis desenhos na laje batida. Eu sei porque olhei para os meus lados e soube a hora certa de fazer a redondilha. Tudo tem um preço, alguns levaram a mais, outros pagaram de menos. No fundo, todos saíram no prejuízo, pois perambulam perdidos com pessoas ao lado, na falsa e ingrata ilustração de felicidade... Eles não sabem, eu sim.
agosto 18, 2011
Dona da minha alma…
Um risco inocente com os primeiros raios do dia. Uma flor quebrada pela ação da vida. Um moinho parado, um motor de arranque sem força. São mais do que simples imagens que brotam em meu rápido caminhar. São mais do que aquelas próximas laçadas de mão. É muito mais do que eu posso escrever sem lira ou vontade. Confuso nesta névoa me englobo, solitário e doente, em um plástico incolor e sem vida. Exatamente para me sufocar e achar significados em palavras antigas. Em achar beleza nas mãos que nunca vieram a mim. Em achar, nas tenras linhas de saber, o meu caminho perdido. Eu me sufoco para achar você, dona do sempre. Do meu e do seu sempre. Sem nome, sem passagem e sem cicatriz. Sem traços ou relva, sem brilho ou casaco, sem perfume ou penteado. Eu caminho procurando algo que talvez tenha ficado naquela distante esquina... Talvez eu saiba como fazer... Talvez minha poesia saiba...
agosto 11, 2011
A lista continua crescendo...
Falta um sorriso, um sorriso simples. Daqueles bem simples mesmo. Livres e soltos, que bordam nosso rosto em tenra perfeição. Sim, falta um sorriso. Falta um abraço descompromissado no início da tarde. Falta aquele alívio, tonto, no final de um problema. Faltam coisas que eu também não sei mais. Falta o desconhecido e o sonho que não se realiza. Falta um braço estendido, um beijo roubado, um resto de risada e até mesmo uma piada conhecida. Sinto tanta falta que não posso mais dizer que é da solidão, pois ela se foi. Falta um motivo, uma razão e até mesmo um tufão de verão. Faltam rimas melhores, versos menores e a poesia gritar no vácuo de um desejo interrompido. Falta tudo isso, mas não falta nada. É só pegar o envelope, abrir e contemplar todo um oceano revolto perdido de fotos passadas. Ali está e aqui falta. Ali tem e aqui falta. Ali vida e aqui falta. Não deveria estar lá, nem em um minuto. É para eu estar aqui, vivendo tudo ali e com a certeza do final do inverno quente...
agosto 04, 2011
O outono na crescente do lado inverso...
É uma linha a seguir, um trajeto rarefeito. Esquecido de passado, recheado de incertezas seladas de um futuro. Antes onde havia apertos de mão e abraços laçados pela falsidade, hoje é a realidade do frio, do escuro e da certeza da mudança correta. Os nomes se vão, outros deixam de existir, alguns ecoam em conversas de rádio, mas não trazem mais sentidos. Havia alguma coisa ali e aqui, cá e detrás, ajeitada e finita. Existia, mas se foi. Tento esquecer o amanhã e vejo doces risadas brotarem por aqui. Sim, talvez o outono tenha deixado marcas longas em mim. Mas foi em outro continente que mudei. Foi em outra estrofe perdida e sim, foi com outro sal. Hoje esqueci as antigas coleções de momentos, as fotos não brilham como deveriam e os goles são de gostos diferenciados. Hoje está frio, mas ainda estou quente da mudança. Se você se foi, a pena é só sua... Eu continuo e continuo para sempre.
agosto 01, 2011
É a força de um vento…
É o vício que dita seus passos, neste corredor de oportunidades onde não existe vencedor, apenas habitantes de dialetos. É uma jornada sem cor, mas distraída. É um jargão utilizado sempre esquecido. É a figura quase magistral de um buquê aberto com flores de vidro. Perdeu-se a inocência de finais perfeitos. Ficou um mundo enjoado de perfeição e felicidade. Mancharam a revolta, calaram o sinalizador e fez marchar toda uma tormenta homérica. Sim, sem vencedores o mundo se pôs a andar solene. Os lugares mais baixos eram cobiçados, as fileiras aumentavam e os buracos ficando cada vez maiores, ficando cada vez mais profundos e sem sonoridade alguma. As imagens se perderam e as linhas foram se acabando desta nova futilidade poética. Como um passe de mágica infantil, eu transformei em mundo, de revolução e nova cultura, um coração despedaçado e cansado de amores fáceis de esquecer, de promessas de vento e falsas entrelaçadas de paixão.
julho 26, 2011
Sentindo saudades de algo que não dá para explicar...
Em meus braços rouxinol com melodia de fim de tarde. Longe um silêncio canalizado de passos apressados. Em meus olhos um menear de cabeça afirmando o propósito. No horizonte a incerteza pintada com nuvens e crepúsculos de outono. Perto a certeza de algo indescritível, mas forte. Para lá a comunicação de teclas que, de pouca intensidade, endurecem pela falta. Um jogo de opostos com ingredientes conhecidos. Parece aquela música que fala do verão perfeito. Parece aquela risada de início. Até mesmo aquele ritmo que mistura todas as influências, sobre uma letra que nunca se repete. Você é uma aquarela de experimentação, uma cruz e uma espada, um sacolejo que endireita, uma pétala apenas de espinhos. Você me conhece pelo olhar. Em uma olhada, disfarça meus sentimentos e me faz crer que tudo é possível. Teu ar me falta em combustão espontânea e nada disso fica viável. Você fala que pensa em mim e meu mundo desmorona por completo. É complexo, mas é simples assim...
julho 17, 2011
Poderia ser algo agressivo…
Cores distintas de um painel mutante. Passos rolante de um dia nublado. Acordes frouxos, vozes redondas como rodas emperradas. Tento dormir, mas o tudo provoca pensamentos que não deveriam importar. E todas as distâncias de fusos sonhados me deixam largado sem me ensinar a fazer. Poderia ser o feno enrolado, os moinhos de história, o papel de bala arremessado ou o xadrez que faz olhar. O caixão passa por mim, proclamando que é um mundo infinito. O idioma odiado pode falar algo que ignoro, mas é importante pela ignorância. Todo mundo passa me oferecendo uma esmola, mas ainda procuro um sapato que possa me descrever e sonhos que possam realizar minhas imagens... Eu ainda busco aquele sorriso que não existiu de alguém que já não lembro o nome.
julho 05, 2011
Carregando baterias, revivendo memórias...
É difícil achar metáforas. Elas esgotam facilmente e as que sobram não são suficientes para descrever tudo o que acontece. Ah se eu pudesse te levar até onde meus olhos enxergam. Se eu pudesse te acompanhar em um ritmo que você desconhece. Talvez, se conseguisse, por uma questão de minuto, te explicar sobre todos os gostos que nos permitem. As horas correm, mas ainda sinto-me naquela dependência absurda de contá-las de forma decrescente. Uma vida em branco e preto me ajudaria a entender seu sorriso. O improvável já aconteceu, o rotineiro ficou para depois e as três cores já pintaram o oceano... Os óculos deixados de lado, a laranja que pinta o presente é leve, roupas jogadas ao além de um finito... Posso me desacreditar, mas você estará aqui, estará aqui sempre. E para todo o sempre possível, estará sorrindo e se fazendo tão perfeita, como uma obra de arte. Sem ano, sem data, você é e simples. Me deixou um chocolate e eu viciei em seus beijos... "Como fazer?" é o que me mantém acordado.
julho 04, 2011
Confusões e desencontros extremos...
É outro idioma, uma nova regra com um sotaque confundível. É a necessidade bebendo da sua melhor fonte. É um riso solto por um brilho de palco. Podiam ser coleções inteiras, refrões assediados dos anos futuros e aquela pétala de orvalho veterano. Poderia ser um simples pedido de fechar os olhos. Sem surpresas, sem partidas e atrasos. Um trato para alguém sem comunicação. A vida segue, esperando o anuncio do televisor, que muda e muda, mas sem alterar os valores. Os barulhos iguais de diferentes lugares. A surpresa do beijo, a fala carregada, a vida como um rock nunca feito. Sim, são imagens, estrofes, acordes, traduções livres e versos destilados por um grande saguão. Tudo me lembra você. Do sotaque, ao refrão. Do cheiro da alegria, ao barulho da corrida. De usar bermuda no frio, ao humor de acidez chata. Sempre desejei enxergar as cores e agora já sei como me mover para fora desta confusão. Sim, eu já sei e agora só falta você.
junho 25, 2011
S.A.R. – Cap. 3 – Eu continuei sonhando…
Ainda sem saber se foi sonho...
Sofás separados, distantes por aquele espaço impossível de toque. Com ela, sempre risadas abafadas de desejo. Uma tentativa de toque, um perfume solto no ar. Brincadeiras dobradiças, leves toques inoportunos. Silêncio e mãos entrelaçadas. Se fosse narrar esta cena, alguma hora ouviria o roçar de pés, a respiração da tentativa, o molhar de lábios. Saio de cena e vejo o tudo. São piadas refeitas, doces indiretas, olhares ao monte. Eternos. Brilhantes. As mãos se unem, vencendo uma distância necessária. Tudo ou nada. Ele ri, ela também. Talvez foquem em diferentes anedotas comparativas. O que importa no fim? A saída tímida, o beijo enfim, o aperto dos corpos, os abraços além e até mesmo uma carta endereçada. Poderia ser uma história adolescente, um sonho desconexo, uma vontade escondida. Mas, acabou com ele sorrindo, ela indo e ele batucando uma canção de longe, enquanto ela decidia seu destino. Houve certo arrependimento dos dois, encontros desencontrados e toda aquela história que cansamos de ver em sinopses conhecidas. De apelidos parecidos e amigos falando das igualdades. O que contei agora parece um sonho realizado, após ver a vida repleta de intransitivos frios. Ela não me acordou, mas eu a deixei ir...
junho 21, 2011
S.A.R. – Cap. 2 – O devia mais complexo…
Verbos em vida, verbos intransitivos...
Poderia ter sido diferente. Sim, deveria entender o olhar, ouvir os passos e a risada abafada. Deveria ter sentido o perfume, por mais tempo, para me embalar e embriagar nesta tortura sem fim... Deveria ter seguido uma risada e aquela ironia solta. Deveria ter feito sorrir, a pessoa com quem sonhei há tantos meses atrás. No sonho contado, ela me chamava para ouvir seu coração. Na realidade, ela estava ao meu alcance e tão distante de sons que fiquei sozinho novamente. No sonho ela me acordou com seu brilho no olhar. Na realidade, me perdi com seu sorriso e fiquei perdido em descrições além. Teve mensagens, teve revelações e até confissões complexas. O que faltou, foi o que eu e ela queríamos. Faltou aquele laço final, uma última ironia, uma piada ácida solta na noite, uma pétala presa, uma virada de olhar, um aperto estranho e aquele olhar para baixo que vi na terra cinza... As cores mudaram, mas você continua completa. A temperatura era próxima, mas consegui enxergar um verão. Você não respondeu, mas eu deveria ter entendido seu lábio e seu sorriso solene. Eu devia e não consegui... O que adianta escrever linhas misteriosas, se só você conseguiu desvendar tudo isto de uma maneira tão calma e fácil? Sem tanto tempo, sem juras incompletas. Eu quero, você quer e nós queremos. Verbos que em vida, tornam-se intransitivos e imperfeitos. Bloqueando todas as nossas possibilidades...
junho 20, 2011
S.A.R. – Cap. 1 – Como foi a primeira vez…
Alguns pontos não precisam ir além...
Ela veio me acordar no meio da madrugada com um sussurro nos ouvidos. "Acorda e vem cá!" dizia em som baixo que custei a entender. Seu sorriso estava postado em seu rosto. Seu sorriso era tão leve, tão limpo e tão lindo... Ele foi responsável algumas vezes em meus sonhos, me levando a lugares únicos somente pela sua beleza... "Vem poxa... Dorminhoco!" brincou ela brava em certo momento... Acordei e a segui pelo corredor, tentando acompanhar seus passos quase surdos, sem barulho, como toda suavidade possível. Ela me levou até a varanda, com a noite fria e o vento forte. Ela parecia não se importar com a temperatura e me chamou para o seu lado na cadeira que sobrava... Obedeci conforme ia acordando e a tontura do sono dissipava-se, graças ao vento forte de fora... Perguntei o que tinha acontecido e o que ela queria me mostrar afinal. Seu sorriso sumiu durante um curto espaço de tempo, porém voltou com grande intensidade... Ela levou seu peito em meus ouvidos e falou "Escute este som, é o som do meu amor pulsando no meu peito, por você..."
junho 12, 2011
Algumas letras juntas, ignoram razões...
Está escondido na magia de correr, de mãos dadas, para não perder a partida atrasada. Está no esconderijo imperfeito nunca descoberto. Está nas palavras que não foram possíveis compreender da música. Está em outro idioma inexistente dos dicionários próximos. Talvez seja uma chuva de mudanças, talvez seja o aprendizado de um novo caminho, talvez seja tudo aquilo que você deseja, talvez seja tudo o que te enoja só de perceber. Enxergar as figuras presente nas letras, que guiam seu tortuoso deleite. Imaginar que elas sejam permanentes dessas letras. Sonhar com o dia que as figuras serão colocadas em suas próprias letras... Tão perfeitas como as de hoje. Outrora anjo ou demônio, de céu e inferno, do claro e trevas... Na absoluta escuridão, convivem os seres daqui e dali. Quer a idolatria ignorada, o frenesi de um aspecto qualquer. Uma peripécia malvada de inocência lavada. Sim, queria sorrir pelo simples fato da brisa. Queria sorrir pela tela desligada. Pelo mosaico romano. Pela trupe escandinava. Queria conhecer tudo, poetizar concretamente e cantar, livre e sem culpa, suas imagens mentais presas em rimas. Ouvia os sons ainda ecoando sem fim de passarela. Ouvia e queria aprender...
junho 04, 2011
Mais um ciclo fechado que começou...
São frases distintas perambulantes. São retratos de um passado presente. São marcas deixadas pelas curvas do rio. São traduções espontâneas, que remetem a pura realidade. São partes de mim. Olho para a obra fixa e enxergo a passagem de anos, as dificuldades encontradas, os gritos de silêncio, a abstração dos possíveis arranjos, a forma que isso tudo levou, os giros que apareceram na vida, os diversos caminhos, as eternas caminhadas. Cada pedaço de papel traz uma imagem. Muitas delas carregadas de uma emoção ímpar, mas que são necessárias. Muitas foram compartilhadas, muitas foram homenageadas e elogiadas. Sim, eu já andei do céu ao inferno por conta disso. Escrever não é a mais grata das tarefas. Poetizar um momento, com o peso emocional, sempre foi complicado. Eu ganhei algumas coisas, perdi outras... Mas me mantive seguidor e, desta jornada sem fim, colo mais um papel para fechar, pelo menos por agora, esta volta parada. Será assim, até a próxima data... Sempre poeta, sempre apaixonado por você, sempre com um olhar diferente, a mesma lamentação. Sempre, você...