novembro 07, 2011

Lembranças que corrompem o tempo e espaço...

Pegue mais uma e embale seus goles. Caminhe pela noite quente de verão, sempre avistando novas pessoas e possíveis aventuras. Sente em um banco qualquer, fite os sons que embalam as horas, arrisque um gole diferente e solte uma gargalhada. O tempo não importa mais, são os passos que fazem a sua importância. Do que adianta saber as horas, se está parado em um lugar sem significado? Do que importa cronometrar a vida, se não vive e faz sua experimentação? De novas canções até os grandes clássicos, da mistura de vinho e cevada, com uma destilada qualquer. Do caminhar sempre decidido, com possíveis mini torturas. Do verão, sempre em verão. Da alegria, do suor característico, das poucas roupas, da praia, do sol e da lua em um céu nítido. Sim, eles estavam ali e sempre estarão. Sempre irão esperar você reviver seus passos, refazer sua constelação. Eles estarão ali esperando que você entenda e tenha novamente a sua vida de volta.

novembro 04, 2011

Ninguém vai lembrar essa descrição…

É escuro, frio, implacável e solitário. É pequeno, úmido, triste e distinto. É morte, o fim, a prova final e o longo adeus. Um suspiro eterno, lágrimas que duram meses, secam por insistência terrena, não pela vontade de coração. É voltar para terra, ser novamente um pó, em muito tempo, ser um nada. É a certeza no abrir os olhos, é o caminhar sem reconhecer uma luz. É não estender os braços, contemplar aquilo que é novo, mas impossível de descrever. É não conhecer uma alma, um vulto, uma gota. É o nada inicial. É o nada de si. É o novo que já conhecia, é o que todos falavam, mas sem muita certeza. São os primeiros passos de uma escuridão clara. São os primeiros passos para se conhecer um eterno convidativo. São os primeiros passos que melhoram com o tempo, mas ainda assim, são os primeiros passos. São os primeiros passos sem doçura ou convite, sem apego ou liberdade. Com o tempo isso tudo virá. Paz, alegria, sorrisos e luz. Muita luz. Mas os primeiros passos são nublados e tensos. São estranhos e complicados. É o fechar de olhos e abrir para o novo. É o dormir de um lado e acordar em um sem tempo. É o fim para uma pequena parte, mas o início para todas as outras.

outubro 31, 2011

Como sinalizadores caindo do céu...

E ela adormeceu. Agora ela sonha com os brilhos de uma constelação. Ela tem seu brilho forte, depois de carregar em sua bolsa as histórias do seu lugar. Distante. Outro inimigo morto, retirado de seu coração com a força de algo maior. Com um sorriso solto, ela luta agora contra sua própria apatia. Ela sabe que dias ruins chegam com a força de um furacão e duram o momento certo. Ela sabe que não adianta ir contra o vento, é melhor deixar levar. Para longe. Construir um novo começo, com a tinta velha daquela aquarela infantil. Fazer uma canção, que a lembre dos momentos esquecidos de verão frio. Brilhante. Ela sabe que dias ruins são como grandes doces, que adoçam a vida e nos deixam mais leves. Ela sonha com problemas que nunca teve, para que os outros saibam da sua existência. Ela sonha com o amanhã, com aquele amanhã que nunca vem. Ela sonha com um amanhã que a leve para um lugar. Um lugar que ela sonha. Ela sonha agora e não acorda mais... Ela não acorda mais.

outubro 23, 2011

Um outono de estação...

Uma cor cinza decreta o início, o meio e o fim do período. Ventos sem mudanças, frio que nada faz mais, dias que apenas passam e não levam nada do tudo. Horas perdidas em um caminho qualquer, rodadas de bebida que cessam sem sabor, sem sentido, sem nada. É uma estação complexa do não acontecer. Seja do seu lado, seja do outro lado da sua vida, seja em outro mar. A estação pode ser aquela pessoa ao seu lado, pode ser uma oportunidade de vida e podem ser os seus passos. A termologia nada muda e as figuras de linguagem também não. Elas esperam o desfecho do capítulo decisivo, longe do final. Elas aguardam o olhar quente, aquele grito de alegria e também o selo repetido. Se a vida precisa de um primeiro passo, este é o outono paciente. Se o amor precisa do primeiro beijo, é o outono trazendo o verão. Se a saudade bate por essência, é o outono seguindo seu ritmo e virando inverno. Porém o outono precisa existir e você precisa desta trilha, seja ela o que for...

outubro 17, 2011

Ele quer a perfeição, mas ninguém sabe...

Poderia conter ditados populares, uma caixa de bombons de surpresa ou uma rosa com pétalas infinitas. Poderia ser uma brincadeira interminável, um vale de imaginação fértil ou um sonho que se acorda com um gosto inicial. Poderia ser o som de uma voz que conforta, as folhas com significados fáceis ou a impressão correta que faria a vida. Porém a realidade pintou de outras cores a situação. Melhor assim. O fim é um começo irredutível. A lágrima caída floresce o coração de esperança. O silêncio grita as mudanças necessárias. A insônia adormece as dores do corpo. A angústia faz enxergar as novas opções do caminho. Apenas o amor, aquele bendito amor, que sempre é amor. Ele não muda, não quer novos ares ou novas ditas esperanças. O amor quer amor. Ele quer o que todo o resto não busca. Ele quer o que todos os outros temem. Ele quer se perder facilmente, sorrir quando só se tem o branco, gritar quando não se tem uma nota. Ele quer o amor quente, aquele de não se conter. O amor quer o amor puro. O amor é a felicidade plena e eterna. Aquela que nunca acabará e sempre renovará. O pior é que ele está correto. O problema é o que você chama de amor, pois o amor é muito mais complexo do que todas as palavras tentam explicar.

outubro 10, 2011

Dê um tempo em tempos…

Marcas, borrões, extrínseco e escuro. Falsos plantões, venenos de ironia, semblantes alheios e ignorantes lampejos. Arrependimentos, mãos juntas, olhares fundos e doce cinismo. Novos padrões, despedidas, tintas secas e sujeira de rodapé. Lendas, mitologias, sobrenomes e irritantes importâncias. Falta a ação, falta a alegria, falta a pureza e também o respeito. Ninguém mais olha para o lado, ninguém se preocupa com o interior, ninguém vence sozinho e ninguém beija a solidão. De agendas remendadas, compromissos infundados, nenhuma decisão e essenciais esquecidos. Enchi a mochila do mais puro nada, daquele que sempre me faltou no cotidiano. Calcei minhas bolhas inflamadas e fiz seus furos libertadores. Sorri da falsidade alheia, não me importei com chulas obrigatoriedades e saí para poetizar. Nunca ganhei nada até aqui, mas estou dando meu passo para o mundo que vislumbro melhor. Se errar, entenda, pode parecer muito estranho, mas meu destino é o pó inicial, exatamente igual.

outubro 06, 2011

Um nome solto para alguém presente...

Em uma rua pálida, uma senhora fez gesto de bengala para os céus e suplicou. Suas palavras caíram na terra marginal, ecoando por entre folhas e limbo uma doce esfera de dúvida e angústia latente. Seus olhos marejavam um tom púrpuro que nunca encontrei na aquarela do artista. Códigos e folhas brecaram suas marchas e seus significados, contemplando o tamanho do desenrolar desenfreado. A senhora olhava fixa para um ponto esquecido, buscava com mãos trêmulas seu eterno sono. A senhora tentava ensaiar passos, mas só conseguia encontrar o gesso da vida. A senhora queria arriar e arrear sua modesta túnica, queria dedilhar pelo infinito as rimas que nunca haviam sido tentadas. Ela berrou pela última vez e sem resposta, voltou-se para seu andar da vida, seu ritmo cadente e certo. Não lamentou, nem demonstrou tristeza. Não suspirou e muito menos emanou um desapontamento. Essa senhora nunca me pareceu ter um nome, mas por nunca ouvi-la e sempre senti-la próxima, decidi chamá-la de coração.

outubro 03, 2011

A tradução instável...

Não seria capaz de admitir se visse em outras páginas. Não conseguiria entender tamanha cor, se fosse de outra aquarela de vidro. Aconteceu em meus olhos, em meus braços e, por conta do meu sorriso, perpetuou-se nos segundos terminados. O cenário tampouco importa. Uma esquina com árvore antiga, um pássaro noturno cantando ofegante, uma ponte ao rio devastado de peixes, um soneto no meio de um canto medieval. Talvez existisse uma ópera regida por ela. Nervosa, aflita e com uns braços enrijecidos pela multidão. Talvez existisse um bloco de anotações raivosas. Talvez existisse, em meu coração e no seu pulso, uma leve saudade de vozes infantis. Em uma dessas curvas de sons, os momentos foram subsidiados de forma cadenciada. Um violão machucado encostado, um desenho não terminado, uma saia esquecida, um bracelete sem cor. De certa maneira eles acordaram juntos e fez daquilo uma introdução. Fizeram a beleza de um acordar solene, com os olhos cerrados mais lindos que meu coração já compôs.

setembro 23, 2011

Eu finalmente encontrei...

Descobri a felicidade que havia lido em contos. Entendi quando falavam do som sempre limpo. Embriaguei-me por um sorriso doce e solto, de uma manhã ensolarada e quente, depois de uma noite completa. Encontrei o par de mãos para guiar o caminho, a voz para acordar do desespero e o olhar para clarear a escura solidão. Transcrevi como se tivesse na adolescência, mas os batimentos em meu pulso eram reais. Cantei um pouco de algo desconhecido, mas que seu ritmo preencheu meu espaço. Encontrei a razão de ter andado todos os anos pelo mesmo vale. Encontrei o par, encontrei a cor, encontrei a temperatura da brisa ideal. Encontrei a razão para sair das linhas, dos versos abstratos e redondilhas redundantes para começar a preencher o vazio das minhas páginas em branco. Para preencher o que todos chamam de vida. Abri os olhos e tive o melhor dos sonhos...

setembro 21, 2011

Já estive além voltando…

Culpo-me por não guardar um perfume. Busco ao redor meteórico uma razão. Solto ironias para aliviar uma possível tormenta sentimental. Se você pudesse ver o grito interno que canta seu nome, talvez entendesse minhas mãos tremulas quando te abracei. Tenho placas e fotos de onde passei. Tenho imagens e cores vistas em lugares únicos. Faço uma alternativa disso e tento achar uma receita para a beleza de seu sorriso, de seu olhar e de sua forma de traduzir inspiração. Tento encontrar a maciez de pele, o leve toque e o caminhar decidido. Com os braços sonhando por você, caminho por vielas e trilhas. Apago caminhos anteriores, cruzo opções internas. Entendo que por amar o impossível, colhi o fruto maduro enquanto todos ainda buscam as sementes. Por idealizar a sombra em um mundo diferente, fui além da filosofia existente e me criei sozinho, buscando sempre algo que já me foi completo e hoje continuam insistindo que nunca existiu.

setembro 11, 2011

Qualquer um pode escrever um conto...

Mas nem todos poderiam transcrever uma história repentina. Nem todo mundo enxergaria a tensão de músculos, em um beijo descompromissado de pescoço. Poucos poetizariam um olhar para as mãos suadas e um sorriso amarelo de desejo. Quase ninguém conseguiria achar poético o cantar de pássaros madruga adentro, nas últimas horas de escuridão e carregadas de fluídos. Eu sou um desses poucos e cada imagem transcrita acima leva um sorriso, parte irônico, parte alegre, parte desacreditado de tamanha beleza. As músicas sofreram traduções cheias de novos vocabulários e eu segui enfileirando possibilidades, dando goles abstratos em cervejas do velho mundo e te levando comigo. Em sonhos, em banquetes, em desejos e em risadas e beijos pelos dias...

setembro 01, 2011

Descobri a razão de sempre repetir…

Como te escrever um texto, sem ser repetitivo? Como escrever sobre você, sem usar as mesmas conotações anteriores? Como simbolizar este nosso laço, sem as mesmas imagens utilizadas? Como transcrever um sentimento, sem usar a eterna redundância de palavras? Eu repito, tentando fazer novidade. Eu mesclo situações, tentando fazer um filme inédito. Eu penso em idiomas distintos, para tentar criar novas imagens... Mas termino sempre no mesmo lugar. Talvez por você não estar aqui, talvez por você aparecer em um sonho distante ou talvez por você nem existir. O amor é a mistura perfeita do que existe e do que parece existir. O amor é querer fazer uma conta dar outro resultado. O amor é algo que não cabe em palavras aglomeradas. O amor é aquele suspiro que treinamos tanto para na hora esquecer e de tanto treinar acabei esquecendo como é te amar...

agosto 28, 2011

O mundo na frente pode não existir...

Iniciou com um brilho de intensidade distinta. Terminou com o silêncio impossível. Tiveram toques e sorrisos leves, tudo isso preso em uma masmorra de necessidade. Terminou com o silêncio ignorado. Houve sinais de adoração, leves suspiros no rosto e tensa agarração. Terminou com o silêncio incompreendido. Poderia enumerar e descrever inúmeras imagens destas paisagens que ocorreram, poderia adjetivar o mesmo final de diferentes maneiras. Poderia honrar com meu compromisso poético e fazer de tudo isso uma reticência e um pedido de amor, mas falho no simples tato de tentar algo diferente. Falho no simples pensar que aconteceu algo, além de um sonho de cama quente. Com tantas falhas, impossibilidades e sorrisos imaginados, que não consigo compor um retrato, fico a desdenhar da sorte, do momento e da vitória vespertina. Um grito qualquer, tem todo um eco por detrás que muitos não conseguem entender. Meu olhar é um pouco perdido, nos passos feitos na avenida de algodão, porém com palavras me faço querer perdido, para tentar encontrar um sentido. Eu não sei o que aconteceu, mas um gosto indescritível me acordou hoje, me lembrando de algo que nunca existiu.

agosto 25, 2011

Por isso que é puro…

Engana-se quem pensa que tudo se resolveu no estandarte. Faltaram alguns detalhes principais, algumas velas acesas e um pouco daquele tempero universal. Mas da falta, fez-se uma gigante arbitrariedade. Dos tropeços seguidos, uma paixão ardente. Do silêncio, do não querer saber, do pouco se importar, surgiu aquela melhor companhia. O mundo não é sempre dos melhores, é preciso olhar a curva mal feita para entender algumas razões fugitivas. Se pintei de céu o seu futuro, também bronzeei de infinito o meu caminho. Com os gritos presos na garganta, batidas no peito de coragem e um leve suspiro de infelicidade, eu fiz minha vida valer a pena. Eu criei o amor impossível, pelo refrão que sempre foi ignorado.

agosto 22, 2011

Eu sempre soube que era você…

É uma paixão, é uma tormenta, é um furacão e é da crueldade. São olhos que brilham. Olhos que sorriem. Olhos que marcam passos e paralisam uma história. É o convite da nobreza, um abraço de malvado, a carta mal encaminhada e o alarme que canta uma canção. Eu sei como fazer as mãos me encontrarem. Sei como fazer o ar faltar na hora certa. Sei até como te dizer as palavras, que rimam e lacrimejam os olhos. Sei de tudo, pois aprendi na surdina do sofrimento. Aprendi ao ler a história naquela ruela. Na que pisei no vinho derramado, que ouvi os lentos lamentos e indecifráveis desenhos na laje batida. Eu sei porque olhei para os meus lados e soube a hora certa de fazer a redondilha. Tudo tem um preço, alguns levaram a mais, outros pagaram de menos. No fundo, todos saíram no prejuízo, pois perambulam perdidos com pessoas ao lado, na falsa e ingrata ilustração de felicidade... Eles não sabem, eu sim.

agosto 18, 2011

Dona da minha alma…

Um risco inocente com os primeiros raios do dia. Uma flor quebrada pela ação da vida. Um moinho parado, um motor de arranque sem força. São mais do que simples imagens que brotam em meu rápido caminhar. São mais do que aquelas próximas laçadas de mão. É muito mais do que eu posso escrever sem lira ou vontade. Confuso nesta névoa me englobo, solitário e doente, em um plástico incolor e sem vida. Exatamente para me sufocar e achar significados em palavras antigas. Em achar beleza nas mãos que nunca vieram a mim. Em achar, nas tenras linhas de saber, o meu caminho perdido. Eu me sufoco para achar você, dona do sempre. Do meu e do seu sempre. Sem nome, sem passagem e sem cicatriz. Sem traços ou relva, sem brilho ou casaco, sem perfume ou penteado. Eu caminho procurando algo que talvez tenha ficado naquela distante esquina... Talvez eu saiba como fazer... Talvez minha poesia saiba...

agosto 11, 2011

A lista continua crescendo...

Falta um sorriso, um sorriso simples. Daqueles bem simples mesmo. Livres e soltos, que bordam nosso rosto em tenra perfeição. Sim, falta um sorriso. Falta um abraço descompromissado no início da tarde. Falta aquele alívio, tonto, no final de um problema. Faltam coisas que eu também não sei mais. Falta o desconhecido e o sonho que não se realiza. Falta um braço estendido, um beijo roubado, um resto de risada e até mesmo uma piada conhecida. Sinto tanta falta que não posso mais dizer que é da solidão, pois ela se foi. Falta um motivo, uma razão e até mesmo um tufão de verão. Faltam rimas melhores, versos menores e a poesia gritar no vácuo de um desejo interrompido. Falta tudo isso, mas não falta nada. É só pegar o envelope, abrir e contemplar todo um oceano revolto perdido de fotos passadas. Ali está e aqui falta. Ali tem e aqui falta. Ali vida e aqui falta. Não deveria estar lá, nem em um minuto. É para eu estar aqui, vivendo tudo ali e com a certeza do final do inverno quente...

agosto 04, 2011

O outono na crescente do lado inverso...

É uma linha a seguir, um trajeto rarefeito. Esquecido de passado, recheado de incertezas seladas de um futuro. Antes onde havia apertos de mão e abraços laçados pela falsidade, hoje é a realidade do frio, do escuro e da certeza da mudança correta. Os nomes se vão, outros deixam de existir, alguns ecoam em conversas de rádio, mas não trazem mais sentidos. Havia alguma coisa ali e aqui, cá e detrás, ajeitada e finita. Existia, mas se foi. Tento esquecer o amanhã e vejo doces risadas brotarem por aqui. Sim, talvez o outono tenha deixado marcas longas em mim. Mas foi em outro continente que mudei. Foi em outra estrofe perdida e sim, foi com outro sal. Hoje esqueci as antigas coleções de momentos, as fotos não brilham como deveriam e os goles são de gostos diferenciados. Hoje está frio, mas ainda estou quente da mudança. Se você se foi, a pena é só sua... Eu continuo e continuo para sempre.

agosto 01, 2011

É a força de um vento…

É o vício que dita seus passos, neste corredor de oportunidades onde não existe vencedor, apenas habitantes de dialetos. É uma jornada sem cor, mas distraída. É um jargão utilizado sempre esquecido. É a figura quase magistral de um buquê aberto com flores de vidro. Perdeu-se a inocência de finais perfeitos. Ficou um mundo enjoado de perfeição e felicidade. Mancharam a revolta, calaram o sinalizador e fez marchar toda uma tormenta homérica. Sim, sem vencedores o mundo se pôs a andar solene. Os lugares mais baixos eram cobiçados, as fileiras aumentavam e os buracos ficando cada vez maiores, ficando cada vez mais profundos e sem sonoridade alguma. As imagens se perderam e as linhas foram se acabando desta nova futilidade poética. Como um passe de mágica infantil, eu transformei em mundo, de revolução e nova cultura, um coração despedaçado e cansado de amores fáceis de esquecer, de promessas de vento e falsas entrelaçadas de paixão.

julho 26, 2011

Sentindo saudades de algo que não dá para explicar...

Em meus braços rouxinol com melodia de fim de tarde. Longe um silêncio canalizado de passos apressados. Em meus olhos um menear de cabeça afirmando o propósito. No horizonte a incerteza pintada com nuvens e crepúsculos de outono. Perto a certeza de algo indescritível, mas forte. Para lá a comunicação de teclas que, de pouca intensidade, endurecem pela falta. Um jogo de opostos com ingredientes conhecidos. Parece aquela música que fala do verão perfeito. Parece aquela risada de início. Até mesmo aquele ritmo que mistura todas as influências, sobre uma letra que nunca se repete. Você é uma aquarela de experimentação, uma cruz e uma espada, um sacolejo que endireita, uma pétala apenas de espinhos. Você me conhece pelo olhar. Em uma olhada, disfarça meus sentimentos e me faz crer que tudo é possível. Teu ar me falta em combustão espontânea e nada disso fica viável. Você fala que pensa em mim e meu mundo desmorona por completo. É complexo, mas é simples assim...

julho 17, 2011

Poderia ser algo agressivo…

Cores distintas de um painel mutante. Passos rolante de um dia nublado. Acordes frouxos, vozes redondas como rodas emperradas. Tento dormir, mas o tudo provoca pensamentos que não deveriam importar. E todas as distâncias de fusos sonhados me deixam largado sem me ensinar a fazer. Poderia ser o feno enrolado, os moinhos de história, o papel de bala arremessado ou o xadrez que faz olhar. O caixão passa por mim, proclamando que é um mundo infinito. O idioma odiado pode falar algo que ignoro, mas é importante pela ignorância. Todo mundo passa me oferecendo uma esmola, mas ainda procuro um sapato que possa me descrever e sonhos que possam realizar minhas imagens... Eu ainda busco aquele sorriso que não existiu de alguém que já não lembro o nome.

julho 05, 2011

Carregando baterias, revivendo memórias...

É difícil achar metáforas. Elas esgotam facilmente e as que sobram não são suficientes para descrever tudo o que acontece. Ah se eu pudesse te levar até onde meus olhos enxergam. Se eu pudesse te acompanhar em um ritmo que você desconhece. Talvez, se conseguisse, por uma questão de minuto, te explicar sobre todos os gostos que nos permitem. As horas correm, mas ainda sinto-me naquela dependência absurda de contá-las de forma decrescente. Uma vida em branco e preto me ajudaria a entender seu sorriso. O improvável já aconteceu, o rotineiro ficou para depois e as três cores já pintaram o oceano... Os óculos deixados de lado, a laranja que pinta o presente é leve, roupas jogadas ao além de um finito... Posso me desacreditar, mas você estará aqui, estará aqui sempre. E para todo o sempre possível, estará sorrindo e se fazendo tão perfeita, como uma obra de arte. Sem ano, sem data, você é e simples. Me deixou um chocolate e eu viciei em seus beijos... "Como fazer?" é o que me mantém acordado.

julho 04, 2011

Confusões e desencontros extremos...

É outro idioma, uma nova regra com um sotaque confundível. É a necessidade bebendo da sua melhor fonte. É um riso solto por um brilho de palco. Podiam ser coleções inteiras, refrões assediados dos anos futuros e aquela pétala de orvalho veterano. Poderia ser um simples pedido de fechar os olhos. Sem surpresas, sem partidas e atrasos. Um trato para alguém sem comunicação. A vida segue, esperando o anuncio do televisor, que muda e muda, mas sem alterar os valores. Os barulhos iguais de diferentes lugares. A surpresa do beijo, a fala carregada, a vida como um rock nunca feito. Sim, são imagens, estrofes, acordes, traduções livres e versos destilados por um grande saguão. Tudo me lembra você. Do sotaque, ao refrão. Do cheiro da alegria, ao barulho da corrida. De usar bermuda no frio, ao humor de acidez chata. Sempre desejei enxergar as cores e agora já sei como me mover para fora desta confusão. Sim, eu já sei e agora só falta você.

junho 25, 2011

S.A.R. – Cap. 3 – Eu continuei sonhando…

Ainda sem saber se foi sonho...

Sofás separados, distantes por aquele espaço impossível de toque. Com ela, sempre risadas abafadas de desejo. Uma tentativa de toque, um perfume solto no ar. Brincadeiras dobradiças, leves toques inoportunos. Silêncio e mãos entrelaçadas. Se fosse narrar esta cena, alguma hora ouviria o roçar de pés, a respiração da tentativa, o molhar de lábios. Saio de cena e vejo o tudo. São piadas refeitas, doces indiretas, olhares ao monte. Eternos. Brilhantes. As mãos se unem, vencendo uma distância necessária. Tudo ou nada. Ele ri, ela também. Talvez foquem em diferentes anedotas comparativas. O que importa no fim? A saída tímida, o beijo enfim, o aperto dos corpos, os abraços além e até mesmo uma carta endereçada. Poderia ser uma história adolescente, um sonho desconexo, uma vontade escondida. Mas, acabou com ele sorrindo, ela indo e ele batucando uma canção de longe, enquanto ela decidia seu destino. Houve certo arrependimento dos dois, encontros desencontrados e toda aquela história que cansamos de ver em sinopses conhecidas. De apelidos parecidos e amigos falando das igualdades. O que contei agora parece um sonho realizado, após ver a vida repleta de intransitivos frios. Ela não me acordou, mas eu a deixei ir...

junho 21, 2011

S.A.R. – Cap. 2 – O devia mais complexo…

Verbos em vida, verbos intransitivos...

Poderia ter sido diferente. Sim, deveria entender o olhar, ouvir os passos e a risada abafada. Deveria ter sentido o perfume, por mais tempo, para me embalar e embriagar nesta tortura sem fim... Deveria ter seguido uma risada e aquela ironia solta. Deveria ter feito sorrir, a pessoa com quem sonhei há tantos meses atrás. No sonho contado, ela me chamava para ouvir seu coração. Na realidade, ela estava ao meu alcance e tão distante de sons que fiquei sozinho novamente. No sonho ela me acordou com seu brilho no olhar. Na realidade, me perdi com seu sorriso e fiquei perdido em descrições além. Teve mensagens, teve revelações e até confissões complexas. O que faltou, foi o que eu e ela queríamos. Faltou aquele laço final, uma última ironia, uma piada ácida solta na noite, uma pétala presa, uma virada de olhar, um aperto estranho e aquele olhar para baixo que vi na terra cinza... As cores mudaram, mas você continua completa. A temperatura era próxima, mas consegui enxergar um verão. Você não respondeu, mas eu deveria ter entendido seu lábio e seu sorriso solene. Eu devia e não consegui... O que adianta escrever linhas misteriosas, se só você conseguiu desvendar tudo isto de uma maneira tão calma e fácil? Sem tanto tempo, sem juras incompletas. Eu quero, você quer e nós queremos. Verbos que em vida, tornam-se intransitivos e imperfeitos. Bloqueando todas as nossas possibilidades...

junho 20, 2011

S.A.R. – Cap. 1 – Como foi a primeira vez…

Alguns pontos não precisam ir além...

Ela veio me acordar no meio da madrugada com um sussurro nos ouvidos. "Acorda e vem cá!" dizia em som baixo que custei a entender. Seu sorriso estava postado em seu rosto. Seu sorriso era tão leve, tão limpo e tão lindo... Ele foi responsável algumas vezes em meus sonhos, me levando a lugares únicos somente pela sua beleza... "Vem poxa... Dorminhoco!" brincou ela brava em certo momento... Acordei e a segui pelo corredor, tentando acompanhar seus passos quase surdos, sem barulho, como toda suavidade possível. Ela me levou até a varanda, com a noite fria e o vento forte. Ela parecia não se importar com a temperatura e me chamou para o seu lado na cadeira que sobrava... Obedeci conforme ia acordando e a tontura do sono dissipava-se, graças ao vento forte de fora... Perguntei o que tinha acontecido e o que ela queria me mostrar afinal. Seu sorriso sumiu durante um curto espaço de tempo, porém voltou com grande intensidade... Ela levou seu peito em meus ouvidos e falou "Escute este som, é o som do meu amor pulsando no meu peito, por você..."

junho 12, 2011

Algumas letras juntas, ignoram razões...

Está escondido na magia de correr, de mãos dadas, para não perder a partida atrasada. Está no esconderijo imperfeito nunca descoberto. Está nas palavras que não foram possíveis compreender da música. Está em outro idioma inexistente dos dicionários próximos. Talvez seja uma chuva de mudanças, talvez seja o aprendizado de um novo caminho, talvez seja tudo aquilo que você deseja, talvez seja tudo o que te enoja só de perceber. Enxergar as figuras presente nas letras, que guiam seu tortuoso deleite. Imaginar que elas sejam permanentes dessas letras. Sonhar com o dia que as figuras serão colocadas em suas próprias letras... Tão perfeitas como as de hoje. Outrora anjo ou demônio, de céu e inferno, do claro e trevas... Na absoluta escuridão, convivem os seres daqui e dali. Quer a idolatria ignorada, o frenesi de um aspecto qualquer. Uma peripécia malvada de inocência lavada. Sim, queria sorrir pelo simples fato da brisa. Queria sorrir pela tela desligada. Pelo mosaico romano. Pela trupe escandinava. Queria conhecer tudo, poetizar concretamente e cantar, livre e sem culpa, suas imagens mentais presas em rimas. Ouvia os sons ainda ecoando sem fim de passarela. Ouvia e queria aprender...

junho 04, 2011

Mais um ciclo fechado que começou...

São frases distintas perambulantes. São retratos de um passado presente. São marcas deixadas pelas curvas do rio. São traduções espontâneas, que remetem a pura realidade. São partes de mim. Olho para a obra fixa e enxergo a passagem de anos, as dificuldades encontradas, os gritos de silêncio, a abstração dos possíveis arranjos, a forma que isso tudo levou, os giros que apareceram na vida, os diversos caminhos, as eternas caminhadas. Cada pedaço de papel traz uma imagem. Muitas delas carregadas de uma emoção ímpar, mas que são necessárias. Muitas foram compartilhadas, muitas foram homenageadas e elogiadas. Sim, eu já andei do céu ao inferno por conta disso. Escrever não é a mais grata das tarefas. Poetizar um momento, com o peso emocional, sempre foi complicado. Eu ganhei algumas coisas, perdi outras... Mas me mantive seguidor e, desta jornada sem fim, colo mais um papel para fechar, pelo menos por agora, esta volta parada. Será assim, até a próxima data... Sempre poeta, sempre apaixonado por você, sempre com um olhar diferente, a mesma lamentação. Sempre, você...

maio 19, 2011

Começa e termina com um risco de atividade...


Tinha um envelope na mão, cheio de ilusões e postado com um destino improvável. Improvável de vestimentas, de cheiros, de lugares ou de reviravoltas. Sim, ele estava tentando seguir para o próximo ponto. Queria ter as palavras certas, certeiras e certeza para completar a carta. O balanço, o barulho e toda a impessoalidade, reinavam na sua viagem. Pessoas infinitas puxavam a cordinha e paravam para descer e curtir aquele ponto escolhido, por obrigação ou puro ato ilícito. Tem algo mais impessoal que este trajeto? Algo mais surreal que não ter um remetente para enviar uma carta não escrita? Alguma música que não lembre a subida de escadas, que a avistou de toalha na mão com um sorriso perfeito? Alguma época sem enfermidades que sentisse o cheiro de chuva sem culpa? Sim... Ele estava em um trajeto desconhecido e não temia por isso. Ele esperava. Ele queria. Ele sabia da hora e que tinha chegado. Ele não buscava nada, queria apenas piscar de olhos diferentes, diferentes lugares, lugares ásperos. Ele sonhava, mas não dormia. E de final, ele pode ser eu, pode ser você, pode ser o que virou a esquina com a carteira nova e até mesmo ele não existe, mas vive em suas veias... Sim, você já desceu no meio do trajeto e foi vivenciar os extremos. Não?

maio 17, 2011

Uma estrada biográfica...

Guiando pela noite, batidas desconexas de algo não muito fechado. O som, que é sempre aleatório, brinca com suas lembranças novas. Cada música acertada é um suspiro onde invadem inúmeras imagens. Ele guarda todas, talvez seu problema. Cada palavra da melodia é associada a um momento, uma vida passada, uma promessa quebrada, um algo que não ocorreu. Ele cria histórias, mas não as escreve por vergonha. Sua mente é desconexa da realidade, seu maior turbilhão, seu maior desafio. Guia pelos caminhos conhecidos, interpreta os desconhecidos e logo tem a sua direção retomada. Queria se perder para se encontrar, como diria uma das frases. Queria conversar sobre a vida que não tem. Queria, mesmo que por um leve segundo, saber o que escrever e saber como não sonhar mais com olhos claros. Queria muitas coisas e o retorno é tão longe que desistiu e fixou, na embreagem e no volante, guiar a vida sem voltas. Deste retorno perdido, novas lembranças, novas imagens e novos amores... A rotina, pintada de infinito, surgiu novamente pedindo passagem...

maio 11, 2011

Uma junção de desconexos

Devemos partir, devemos viver. Esperei por tempo demais. Dê-me um ritmo simples. Eu só preciso de uma música para cantar. Eu busco a perfeição, por muito tempo. Eu não vou te deixar. Levarei minha bandeira de independência. Sobrevivemos de todas essas coisas. Isso irá nos matar em pouco tempo. No tempo certo o brilho irá mudar tudo. Isso é tudo por você. Somos números opostos. Somos vilões de mentirinha. Sentimentos enrustidos, cantando canções sobre um futuro que nunca nos pertencerá. Irei beber as alternativas vãs. Eu sou neurótico até o osso. Um caso perdido, um caso total. Dirigindo por milhas para você. É triste quando suas escolhas estão perdidas. Você se sente morto, mas está vivo. E isso tudo foi um sonho...

maio 07, 2011

Eu precisaria te encontrar...

Eu te busco em brilhos sem lembranças. Te busco em deixas sem prazer. Te busco em ruas cheias. Te busco naquela hora que suspiro. Te busco em nomes diferentes. Tento, traço e acabo contemplando um outro mundo de possibilidades. Nunca paro, até os raios mandarem... Coloco sempre a camisa que me lembra do primeiro telefonema. Aquele doce talvez... Aquele sorriso que não pude ver e acho que existiu. Eu tenho quase certeza que existiu... Mesmo sem ninguém ver, sem ninguém acreditar. Eu sonho que existiu e nunca lembro de ter sonhado. É uma avalanche que sempre me faz paralisar e acompanhar seu ritmo. É uma ferida sem rasgo aberto, mas que dedilha para o fim... A hora chegou e como eu nunca te encontro, volto a poetizar sabendo que isso tudo é feito para ninguém, além de papel e rouquidão.

maio 03, 2011

Dando goles abstratos…

Alvos prediletos. Rabiscos ilegíveis. Tela negra de solidão. Tear emaranhado. Pesadelo frio. Copo médio. Líquido incolor. Cheiros... Convites... Olhares... Como resistir a algo que foi intenso no seu interior? Como escapar de um som que você nunca pensou que te contagiasse? Como ignorar o maldito brilho que cismou em brilhar quando se carregava alguma coisa perdida, para um vale obscuro e totalmente sem opção? Sim, eu me perdi. Muito. Talvez o mais do que pudesse descrever. Eu não esperava, eu não esperava... Talvez um erro ou talvez um acerto. Os acordes foram certos, a poesia rimou no esperado, o desfecho de um livro começou a encaminhar no meu gatilho pessoal. Tudo deu certo. Tudo. Menos você. Menos a nossa epopéia... Só sobraram palavras débeis, de um único enredo solitário... Sobraram os sonhos e lutas de uma única mão que, de tola e alegre cismou em construir... Sobrou tudo e sobrou nada. Personagem final.

abril 30, 2011

Sem explicação de tanto calado...

Com ela não consigo ser, por mais presente ou simples que seja. Com ela me falta o ar. Com ela me sobre o perfume das pétalas que, de tão belas, ocultam meus suspiros. Com ela paraliso no instante, no tocar de dedos, no emaranhado do cabelo e na situação inversa. Com ela volto a ser criança e espero o lírio doce de uma dança perdida. Com ela descubro o verde e brilho da esmeralda dos sonhos. Com ela sou tudo, mas como me falta o tato de continuar, me calo no momento aberto. Silencio após o melhor dos beijos, ocultando as adversidades extremas da conspiração. Com ela sou tímido... E como ela disse tamanha frase, acabo paralisado neste momento complexo. E deste triste fim não escrito, balbucio minhas vontades. Calado, saboreio a derrota consumada e previsível. De tanto pensar com ela, acabei sozinho, tentando encontrar respostas em palavras alcoolizadas de pré-sono. Acabo com dúvidas e simples "porquês" na cabeça. E termino...

abril 23, 2011

O que há de errado com o tudo bem?

Doce melodia tão difícil de cantar. Flashes de memória que transcrevem os momentos que o rádio cantou, em uníssono, o orvalho do anoitecer. Um leve apanhado de luzes, daquelas que brilham em um escuro promissor. 'Vamos e vamos, pois temos tempo do mundo perdido!', estava escrito em uma lápide que passou algum tempo em desventuras. Silêncio forte e construído, históricas correções daqueles erros bobos que cometemos, por não perceber que não existe melodia nesta vida em que tentamos refrescar com o picolé vespertino. Palavras que não possui entendimento, palavras essas de um resgate lento. Simpatias, broches e pitacos. Recheios, rimas e sorrisos odiados. Nunca tive tanta dúvida em mente e assim, com este completo pesadelo, intitulo o pergaminho borrado como se fosse uma chave de ouro. Uma chave de ouro repleta de inspiração daquele lugar tão distante, tão distante e distante daqui...

abril 21, 2011

Pitadas racionais que não se interligam...

Eu não sirvo para as jurinhas de amor que beiram a novela famosa. Eu não sirvo para acariciar um sorriso postado que beira a falsidade. Eu não sirvo para retribuir um amor que beira o inaudível. Eu não sirvo para entrelaçar dedos que não descruzam braços. Eu não sirvo para ser apenas mais um em meio a tantos. Eu não sirvo para ouvir comparações de astros que não brilham mais. Eu não sirvo para entender razões que se perdem como pó. Eu não sirvo para aquelas tontas comparações vazias em bordões baratos. Eu não sirvo para calar-me neste pretérito, que de tão imperfeito não conjugou. Eu não sirvo para ser temporário e, pensando por outros métodos, foi só o que você conquistou. Eu sirvo quando for para amassar e lançar no abismo infinito todas essas especulações baratas. Sirvo para apagar e reescrever novos passos. Sirvo para sorrir na chuva da desgraça e chorar na queda de alegria. Sirvo para poetizar uma nuvem, um silvestre ou a pétala de vento. Sirvo para a eternidade e sinceridade, pois elas são escassas e o mundo ainda não as conhece. Simples assim...

abril 16, 2011

Fáceis paisagens cotidianas...

Se soubesse que seria a última noite de estrelas, teria colorido o céu com o infinito décimo. Se soubesse que faria a última curva, brecaria na encruzilhada de emoções. Se soubesse que a certeza falharia, teria feito meu pedido com a sinceridade que nunca me foi refém. Se soubesse que o mar mudaria, enxugaria as lágrimas que acumulavam e daria um novo laço de surpresa naquela simples prenda. De presente ao passado, um futuro de pretérito. De sempre ao nunca mais, um convite vencido. A vida desenha curtas passagens com largos corredores. A vida bifurca horizontes e emaranha fatoriais possibilidades. A vida brinca com suas páginas, como aquela criança com olhos de aprendizado. Carrega para um lado como peões próprios e deixa ao pó as peças necessárias do quebra-cabeça, que tentamos como inúteis chamarmos de vivência. Traça quadrinhos de gibi inocentes e pitorescos e depois traz os ventos de mudança para o ambiente épico e trágico. A vida fez tudo isso e se eu soubesse seu enredo completo, teria desenhado a incerteza como resposta final e pintaria todas essas dúvidas em meu leito de eternidade.

abril 10, 2011

Como se fosse uma música...

O rádio canta aquela canção triste e eu penso nas melodias perdidas que me fizeram chegar aqui. Todos partiram, todos me deixaram com rasgos imortais, letras isoladas e harmonias repetidas. Tentando andar e visualizar através de borrões premeditados. Tentando ser verdadeiro, não sendo coeso. Vivo em um limite imposto por tragédias coloridas. Caminho por momentos abafados e de risos rarefeitos. Questionamentos marcados em papel inexistente ganham a vida neste cenário que não consigo descrever. Enquanto desengato para viver a emoção da descida, seu espírito proclamava os últimos suspiros e o Adeus era concreto. Pobre garota que se perdeu entre planetas. Pobre garota que acreditava que nuvens eram algodões modelados. Pobre garota que se perdeu em uma falsa promessa, de uma quinta-feira nublada. Os versos escritos e cifrados voaram em algum momento e eu não pude buscar. Não pude trair meu instinto de poeta. Deixei-os voar livres e sem anseio. Deixe-os se perderem... E com eles, tudo acabou de uma maneira melancólica. Todo um possível trabalho único. Toda possível música especial. A canção se perdeu, mas você ainda canta as mesmas coisas... Você ainda canta em alguma varanda pintada de anis.

abril 08, 2011

Do estranho aritmético…

Busquei respostas, procurei a luz e tentei alcançar o fim esperado. Viajei por redondilhas que me puseram um glamour exagerado, pulei por sonetos que, de épicos, me carregaram de bravura, mas nada findou em cores que pudesse transcrever. Andei por corredores infinitos onde jazia uma esperança descolorida pelo tempo. Reacendi castiçais puídos por rigorosas estações. Tentei tomar controle de emoções diversas, que se espalhavam como grão perdidos da colheita. Redigitei os números aleatórios que sempre encerravam com a doce e risonha voz. Redescobri estrofes que se espelhavam nas doces epopéias manuscritas. E fiz tudo isso, pura e simplesmente, por conta de uma noite perambulada. Uma noite sem sonhos e sem olhos cintilantes. Uma noite clara que devastou toda e qualquer razão da emoção. Fiz tudo isso para abstrair minha vida do resultado. Retirar o mundo do zero das aplicações. E consegui...

abril 02, 2011

É a vida e a morte...

Tenho essas anotações parciais de anos passados. Fragmentos de uma vida, de visões e de decisões feitas que desencadearam novos caminhos. Anos passaram e estou aqui colhendo esses turbilhões. A vida passa rápido, a vida passa lenta. Rápida para os dias claros de alegria, lenta para os nublados de dúvidas. Gritos de liberdade! Frases inacabadas, rabiscos, como solos soltos em uma melodia inacabada. Algumas partes do famoso "preto no branco", com as certezas e vitórias erguidas em poesia estranha. Batidas fora de ritmo que soaram por algum momento na curva de destino. Singularidades de um anseio sóbrio que, perambulando nas madrugadas não encontrou seu lugar. Tudo muito alterado, possuído e estridente. Sim, as equações não bateram, os amassos só fizeram o fervor durante os primeiros segundos e eu mudei antes que pudesse pedir uma nova porção. De assíduo, virei às vezes e depois passei para algum. Como um pergaminho em outra língua, pude ser pouco entendido. Alguns me admiraram e parabenizaram pelo empenho. Eu nunca ouvi e hoje, anos depois, mesmo sabendo que pude melhorar nesta jornada, ainda me vejo o mesmo não-sentido. O mesmo não-lugar que vasculha entre verbos e substantivos, que abstraí o seu mundo para tentar concretizar a sua missão aqui. Eu mudei, não para te encontrar ou achar um sentido para tudo. Eu mudei para te esquecer, porém mudei tanto que me esqueci desta missão e ainda poetizo sem fim, durante todas as noites, em diferentes palavras, mas para apenas uma relva. A sua e somente sua.

março 31, 2011

De um sonho requintado…

Deste que teve todos os ingredientes possíveis, não teve realidade. Mas se é sonho, tem que ter a fantasia. Aquela fantasia simples e direta, que faça você se perder, que faça você enxergar as cores de uma fina camada de luz, que faça você balbuciar sonolências e pedregulhos de um destino incolor. Teve aquele toque, aquele leve passar de mãos na pele tão complexa. Não teve conexão com os trilhos condutores, não teve aquela mentalidade que podemos chamar de furada. Teve um labirinto claro, teve uma traição e teve uma tristeza de apertar o peito. Tiveram cenas de choro e lágrimas que não escorreram, mas que não eram falsas. Teve uma angústia dolorida e aquelas promessas de seguir a vida, que fizemos milhões de vezes. Quando chegou nesta parte, me toquei que era um sonho e, mesmo após anos sem te ver, eu sonhei contigo e te vi indo embora cada vez mais distante, cantando mais uma vez a canção de outro, mas que sempre fez lembrar você: "Não posso ver você assim, sem direção, querendo ser outro alguém. Girando entre os planetas em órbitas extremas". Sem mais, acordei e teu perfume me fez sorrir de leve nesta nova epopéia da solidão.

março 28, 2011

De um lugar que nunca para...

O sorriso sincero contagia um substantivo fazendo-o verbo. De ação ou emoção, um verbo transcrito. Se das gotas de vento equaliza um momento, de barulhos sonoramente engraçados são desenhados motivos. Do eterno balanço que proíbe o passeio, poetizam estrofes sem rimas de uma curta e provável biografia. Do solitário monumento preso em liberdade, acordam aqueles tantos da ressaca do exagero. Crianças são reis e rainhas, pois suas risadas abafam sua curiosidade branca demais para um mundo obscuro. E tento, com certa impossibilidade, encaixar um riso lento no momento que desabrocharam pétalas vermelhas. Da cor do pecado ou de simples carência, foi nítida a admiração daqueles passos embriagados rumo ao desconhecido e o cheiro convidativo parece que descarta as opções antes disposta à mesa. Tocam os instrumentos com a melodia lenta e conhecida, os estranhos cantam o refrão enigmático, tentando encaixar-se na história descrita por outrem, mas sabem, mesmo sendo tolos inocentes, que jamais serão as personagens desta dança. Desta doce confusão de cheiros, esbarrões e olhares tímidos, poetizo sem fim na varanda regida pela imensidão azul convidativa.

março 13, 2011

Você desenhou demais o que não precisava...

E não temos uma foto para recordar momentos. Não passamos de nomes em uma lista qualquer que, de tão temporária e impessoal, queimou com os primeiros raios da manhã. Tentei traduzir em pétalas e rimas, conquistar alguma razão e até um pouco de texto marcado. Não consegui. Simples. Se fosse brilhante, viraria a estrela morta do céu. Se fosse especial, levaria aquela coroação mágica e que não faz barulho. Mas o que sobraram foram os sorrisos vagos, a proibição latente do limite imposto e a certeza que podia ter sido, pelo menos, algo a mais. Desisti pelas negações, desisti pela vida desenhada demais. Desisti por você e nem sei porque gasto meus dedos sobre o papel. Talvez por me policiar demais, talvez porque precisava desta fuga racional. É isso, foi por isso...

fevereiro 28, 2011

Sempre a noite. Como filhos de uma escuridão, pensamos conosco nas noites que nos banham com seu infinito. Dirijo por vielas infinitas e mal acabadas. Sigo retângulos irregulares que talvez me mostre algo para admirar. Porém é nas noites que você manda em pensamentos... Melodias são associadas e busco a rima que faltava para tudo isso ser revivido. Olho pelos diferentes quilômetros que chegamos ao máximo da notoriedade. Nos pontos de fantasias únicas e o sorriso que banha meu rosto é para contemplar uma doce lembrança antiga. Continuo guiando meu corpo e mente em busca de novos horizontes, mas carrego comigo, sempre comigo, a surpresa da primeira vez. A inocência do início e o seu nome transcrito, nas inúmeras testemunhas estelares, neste firmamento dinâmico. A noite sempre carregará você comigo, onde ela estiver me guiando...

fevereiro 23, 2011

Por algumas folhas de calendário antigo...

A falta de contato brada a falha de constância. Questionamentos são feitos como pão de picadeiro. Antes um mar revolto das vontades e desejos latentes, porém agora apenas um silêncio que de tão solitário, declina os membros ao chão. Se de carnal passou à lembrança, esta de inexistente cientificamente, tratou de dar cores ao passado. Torceria por viver com os gostos de outrora, regar os momentos com úmidas risadas e pesado comportamento... Torceria! As letras transformadas são outras. São pequenas e unicolores, sem som ou sal, como se não tivessem vida. Os números brincaram neste calendário, pois completaríamos mais uma jornada. Completaríamos no bar, o aparecimento de novos contatos. Neste mesmo calendário, o sentimento único que fui arremessado da carona, que pegue para me ajudar a pintar novamente um pedaço de enredo contigo.

fevereiro 15, 2011

E não existe o Era Uma Vez...

Se fosse escrever como se apaixonar, começaria errado. Se fosse falar sobre como terminou, terminaria errado. Não consigo descrever como ela enxergou as cores ou até como encontrei significados perdido no além do firmamento. Existiu um momento e só isso é real. Existiram aquelas estranhas graças, estranhos gestos, perdidas emoções e infinitas tentativas de esquecer. Enumero canções que foram pano de fundo. Enumero gírias que ganharam singelas gargalhadas, porém cubro tudo para perder a conservação. Talvez tenha enjoado desta poesia abstrata, que tentou definir o amor. Sei que ele se foi como chegou. Perdido em uma conversa, fantasiado de amizade ou em forma inesperada com um choque corporal. Ele se foi e tudo o que ele deixou foi a certeza de como ele não é. A certeza que é preciso muito mais que uma embriaguez sentimental ou um sorriso puro ao despertar. Ele é mais do que tudo isso e, quando ele chegar, fico com a certeza de três simplicidades. Primeira, ele não aparece inusitado ou camuflado demais, ele simplesmente É. Segunda, ele ficará o tempo necessário do pulso, indo embora quando este parar. E terceira, ganharei aplausos desta platéia silenciosa, que cisma em chamar de louco e perdido, este simples escritor que ainda tenta achar o seu lugar.

fevereiro 06, 2011

Eu estou aqui para dançar…

Se te falasse depois de anos que tudo foi a fantasia postada? Se te contasse que fiz este jeito depravado para te arrancar suspiros e risadas? Se desvendasse que as paranóias foram criadas pensando no resultado final e não no amor? Se te falasse, com todas as letras possíveis, que brinquei de platônico, pois nada melhor tinha para fazer? E se te contasse que escrevi todos aqueles textos para te impressionar? Para te fazer a imagem de romântico louco e completamente dependente de teu mundo. Se te contasse que todas as madrugadas em claro, olhando céus diversos, foram por diversão e não por insônia maléfica de amor não correspondido? Se te falasse que comecei a reler tudo que foi de outrem, colocando as pitadas certas para que se fizesse a sua cara? Se te contasse que, todas aquelas vezes que passei em frente a casa branca e olhei para o lado, foi só para ver se você já tinha sumido do mundo? Se contasse que olhava pelo endereço mágico, esperando o número ímpar aparecer e ver um sorriso que sempre me paralisou? Sim. Tudo era verdade e nada disso era para ter ocorrido. Sim. Tudo aconteceu por sua causa, mas não te culpo. Sim, querida... Eu vim aqui para dançar a perdição da vida, para te escrever linhas doloridas, para sonhar coisas que jamais serão realizadas. Sim, eu estou aqui para não receber uma ligação de retorno ou uma pétala de atenção. Sim, eu estou aqui para dançar e dançar como se não houvesse amanhã, esta ciranda retardada que me carrega por cacos e vidros espalhados. Que me carrega por vielas de censura e amores perdidos. Que frita meu coração ao ouvir seu nome e sangrar de tanto dançar esta coreografia. E dançarei até sangrar o fim...

fevereiro 01, 2011

Pedregulhos de ressalvas importantes...

Nos hemisférios clamam as patadas da voz. Fico fora de contexto, pois a realidade me põe de lado nesta discussão pouco aproveitada. Tracejando favores em diminuto, recuando e acelerando notas que façam um acorde cheio. Um mundo que vibre e construa sua estrada melódica. Seu princípio, meio, fim e sumiço generalizado. Buscamos ser aquele refrão vivo de risos, porém esquecemos de preencher a ponte da canção. Ligamos-nos apenas no que é dedilhado rarefeito e esquecemos os pesos de algumas promessas desenhadas... Nunca mais fizemos aquelas casinhas felizes, pois nossos olhos se desacostumaram com a fantasia. Nunca mais desenhamos o sol no centro, pois molhamos nossas vidas com a chuva, carregando assim nossa sobrevivência com as nuvens... Destoamos de um ditado pré-escolar por vontade própria e esquecemos que, se soubéssemos ler corretamente, a nossa melodia-vida estaria com a partitura completa. Ela estaria repleta de maiores e menores, de jardins e brincadeiras sem sintomas, poetizadas e girando ao vento refrescante... Porém, temos apenas uma salada abstrata que não nos mostra caminho. Uma salada que nos desenha, que prendem até o desconhecido confuso. Uma salada que chamamos de experiência, porém nem lembramos mais como é o sabor de um beijo inocente em uma escada escura da infância...

janeiro 24, 2011

Em porçoes certas de sentimentos...

São fotos que esparramam momentos belos, são simples estatuetas com sorrisos infitos... São enlaços que forjaram uma eterna construção... São cores que, de tão vivas e tão completas, facilitam o entendimento do amor. Pudera eu tocar nessas fotos e voltar ao tempo delas. Pudera eu corrigir um qualquer detalhe perdido... Pudera voltar atrás e refazer novamente as promessas de eternidade... Pudera eu ter mais concretas essas lembranças de alegria. O presente é cinza, abafado e complicado... O presente é fruto de todas os passos antes feito, o presente é este que ao invés de contato, cheiros de lembranças, ao invés de um abraço de conforto, angústia pelas mãos tremulas... O presente é esse em que eu tenho poucas necessidades, mas que completariam a minha vida... O presente é esse em que sonho o que antes era real. Eu precisava ouvir de amor, eu só precisava de umas palavras, rimas soltas no vento, um abraço e aquele brilho todo especial... Eu precisava de você aqui.

janeiro 23, 2011

Talvez tenha uma falta sua em mim...

Os acordes limpos e acústicos emergem plenos no espiral em alguns quilômetros. A melodia me transborda para nomes de significados diferentes, porém um único sorriso. Seu e só seu. Responsável por boa parte do meu riso por tempos inimagináveis, responsável por algo tão surpreendente quanto real. Trocadilhos e junções abstratas de algo que tinha um futuro incerto... E deste incerto, se fez um silêncio. Cantei-te e poetizei palavras copiadas de algum artista perdido e conhecido. Rimei-te, em nossas andanças, todo o desejo surreal que nutria em mim o teu nome e tua presença. Com você fui completo e alegre, fui aquele querido e soube ser odiado. Porém seu doce e suas curvas nunca me abandonaram... Você me deu, uma vez, um presente que dizia "Que não passa de ilusão" e continuava, em outra parte, dizendo "Ilha adentro, noite afora"... Deste sempre, é nossa união, é o nosso momento, são as nossas canções.

janeiro 19, 2011

De partes partidas achei um inteiro...

Uma centelha completa de chamas vivas. Um mar vivo de cores, de perdidas inspirações e esquecidos significados. Tropeços de cartilha, pétalas descoloridas de tempo, espaço contínuo e emaranhado. Galerias diversas com a utopia silenciosa. Teclas que nada mais significam, juras espaças em um universo recheado de vácuo. Nada mais permite a existência, nada mais existe neste complexo momento. Olho ainda para as folhas esparramadas, as folhas que berraram tanto de mim e hoje silenciaram em amarelo desbotado. Passei muitas chuvas, tempestades e um único sol destruidor. Passei por tudo isso e ainda acho que faltou começarem aquele espetáculo diferente. Eu fiquei aqui trancafiado pela ilusão de que eu era único. Trancafiado por garras inexistentes de ironia e falsos beijos... Mas o pior foi ter idealizado você.

janeiro 13, 2011

O que era talvez tenha acontecido...

Eu era descrente em um ninho montado. Era um cego poético, com meias palavras soltas, sem rima ou anedotas, em meio a pétalas de prazer. Era um daninho sem história, que respirava por osmose e não sentia nada além da normalidade. Então me cortei com abstrações indevidas, com passos largos de um rouxinol em conto de fadas. Sangrei um acre veneno cor de destino, sangrei aquelas indefinidas canções esquecidas e infinitas... Sangrei para uma morte lenta e, como não sabia o que era o viver, foi indolor. Desmanchei o buquê das promessas, poetizei um cartão de visitas inexistentes e comecei a rimar o inconsciente. Entre cavernas e penhascos, entre chuvas e granizos... Criei o inevitável, o maléfico, o imperdoável e o santificado. Juntei conjunções destruídas, preposicionei os amargos extintores de vida... E quando, em escala menor e disjunta, consegui respirar pela primeira vez, avistei ao longe a bela de branco, o sorriso encantador, os olhos brilhantes e o perfume suportável... Algo concreto, que com olhos enxergava e nem com a mais doce e profunda inspiração, conseguia rimar abstrata. Ela existia, era real e se movia, delicadamente, sempre ao longe... Passei sempre a observar e ali, com minha respiração, comecei enfim a amar...

janeiro 10, 2011

E foi infinito até acabar...

Certo dia acordei e gozei poesias sobre ti. As rimas e construções poetizadas me lembravam tanto teu olhar, tanto tua leveza... Meus olhos cintilaram de lembranças amenas, abafadas pelo teu doce respirar. Eram tantas poesias! Tinham pouco da forma conhecida, tinham pouco daquele leve orvalho romântico... Mas tinham meu amor, em cada palavra, cada abstração que ninguém entendia, cada cenário que descrevia com o pouco, cada suspiro que encontrava na lira perdida, seu principal afeto. Um corredor móvel completamente tumultado, mas sentimentalmente rigoroso. Uma colheita de grãos que nunca poderia ser plantada novamente, apenas uma vez com o seu sabor infinito, somente uma vez com seu brilho de seda, somente uma vez com seu néctar dos deuses. O amor só existiu naquelas palavras, naquele tempo, com os olhos lacrimejando a principal verdade... Aquela que até hoje não consegui respirar, que tento não sonhar e acordo ao começar, a que não consigo mais mentir para meus sentidos... A verdade que eu não amo mais ninguém.

dezembro 27, 2010

Algo sobre a má-sorte do grão...

E o calor sacoleja um chocalho de boas novas. Sacoleja algo imóvel que proclama ao infinito a diversidade que alcançamos... Naquele tear de sonhos, plantamos nossas esperanças. Plantamos nossa realidade totalmente desenhada. Aquela realidade que sonhamos e que nunca queríamos por perto... Ela completou o seu afazer e se personificou em um grão de areia, um grão tão grandioso e pesado que fez marcas em mãos virgens, virgens do tempo e de vida... Bebericou aquela gota de alívio, aquela única em meio ao deserto. Este grão valorizou milhões, comprariam ilhas e arquipélagos... Comprariam a liberdade de nunca mais ter que enxergar ou ouvir. Mas ele rompeu no joelho articulado, no passatempo corrompido. O sino avisou a torre, que não se curvou ao receber tão importante recado... E dessa epopéia adestrada da má-sorte, quem contabilizou o ganho foi um pequeno pedaço de papel que contou a história dias depois, para o vento e que todos sabem do fim...

dezembro 26, 2010

Acontecimentos aquém realidade...

Quente! Como sempre, nesta ou em outra época do ano... Quente e seco! Sim, seco! Como um abanador úmido. Ela apareceu e não reconheceu meu carro, mas tinha um sorriso no rosto. Um cheiro de fruta, uma piadinha além da normalidade... Regamos a temperatura, regamos a junção de mundos diferentes e até dos problemas fizemos a prosa necessária. Ela não reconheceu meu carro, mas era tarde e ela foi a primeira coisa que vi... Pulamos os conceitos cotidianos, escachamos aquela máxima de velocidade... Vivemos e ponto. Quente! Muito quente! Carregava colônias nos bolsos, levava lembranças nas entrelinhas... Fiz o caminho traçado e encontrei o objetivo em forma de prédio. As olheiras denunciavam algo que o gosto do álcool não transpareceu. O bip trouxe a saudade e me aconcheguei no refrigerador que me soltava um ar frio e alegre. Fechei os olhos e pensei nas frases prontas que precisaria para contar, desenhando as personagens com as formas necessárias, abafar uma risada maior, soltar aquele som de forma respeitosa... E mais importante, inventar o que há tempos sonho em dialogar. Foi isso...

dezembro 15, 2010

Pedaços da totalidade imersa...

Eu sou um sonhador, eu sou aquele que fica por último por não ter acordado para ver o final... Que sonhou demais com aquele oceano de verão. Sou aquele que oferece a carona mais complexa e abstrata, que cobra por ela como se não tivesse um fim. Eu sou o último a sorrir, pois na poesia que transcrevo não carrego rimas prontas e ditadas por algum sopro de paixão. Sou apaixonado pelo impossível, sou eterno companheiro da solidão. Sou aquele que estende a mão, mas ganha um abraço. Abraço que poderia consolar ou dar amor, mas traz só o combustível da minha inspiração. Sou um eterno sorriso inexplicável, sou aquele que sonha com aquela estrada percorrida e que não lembra onde ficaram os contextos idealizados. Sou aquele que traz as flores sem perfume e aquele que, como sempre, busca o amor mais idealizado possível. Por ter este intento, rimei o meu final com o platonismo e carreguei os meus pertences para o início novamente...

dezembro 01, 2010

Perturbação por inúmeras tentativas...

A insônia guia um tiro certo, guia um mar em respaldo a clareza da mente. Guia, em fase sustenida, a mente por entre vielas que já foram visitadas... A insônia completa o jogo, reacende o desejo e mascara, com todas as forças, a vontade crucial de se voltar para casa. Depois de um dia, de uma semana ou até um momento, ela se torna personificada naquele rebento que é seu fruto de alimento. Ela se torna o momento oportuno, a vaga pretendida, a recompensa da promessa... Em canos com formas, em espirais difusas, no doce negro acre e no branco pálido de um opaco futuro... Ela guia em linhas tortas, o que deveria ser concreto e sem graça. Ela mostra uma ironia de funeral, como se fosse uma pétala perfumada no verão conturbado. A única coisa que ela não faz é falar... Ela não te informa seu progresso, ela não consegue pronunciar frases interrompidas... Não conseguimos definir a sua voz, se é doce ou pesada, ela simplesmente vem, dita as coisas em sua mente e fica ali, pesada o suficiente para ser notada e jamais esquecida...

novembro 06, 2010

Pelo menos teremos nossas histórias...

Ao ouvir a frase acima, entendi que todas as lembranças se encaixavam em uma gigantesca espiral... Nós crescemos em ruas conhecidas, em marchas solitárias e altas... Crescemos com cervejas baratas e trocos fantásticos... Construímos nossa identidade em letras e ritmos parecidos e tão distantes em alguns casos que formaram um grande círculo. Crescemos nas risadas de aprendizado e nas culturas aderentes. Crescemos com números e combinações prontas... Crescemos e fortalecemos as palavras "para sempre"... Prometemos nessa jornada tantas coisas que nem lembramos mais... Planejamos tanto que vimos os ventos levarem tudo para o nunca... Mas algo que nem imaginamos conquistar, se tornou parte da nossa essência. Essa essência tão única se faz presente nas lágrimas que escrevem essas linhas, essa essência traz as lembranças de dias tão comuns que se tornaram nosso conto épico. Nossa identidade maior e que carregamos sem querer, nos sorrisos e abraços estendidos. Se hoje o círculo aumenta e distancia as vidas pelas escritas de cada um, temos a certeza que carregamos na bagagem vital tudo que pode ajudar, tudo que acalma e que traz a certeza que estaremos no eterno laço do infinito.

novembro 02, 2010

As confusões de vozes que não se encaixam...

Um vento me puxa para o lado escuro e que precisa de angústia para descrição. Outro vem quente, ameno e reconfortante. Soprando poesia rimada, em um ambiente claro e totalmente único. Um suspira o cansaço da jornada, carregado em lembranças e apologias perversas de anteontem na vida passada... Um vem como brisa do mar, aquela que ao fechar os olhos as idéias se refrescam e tudo ganha a leveza correta, o certo no momento. Outro vem com aflição e causa um desconforto que necessita de ajuda, necessita de atenção e necessita de exposição para aliviar o coração pesado. Poetizo o lugar calmo, as vozes de alegria e o ar completamente suspenso na leveza de um paraíso. Descrevo com orgulho a solidão, a escuridão que se faz tão presente em dias e meses... Sinto os cacos jogados na trilha, rostos alegres manchados de passado, de algo tão antigo que não se faz mais presente. De um enxergo o sol e toda a paz que buscamos em vida. De um enxergo os vales percorridos e melodias introspectivas que dizem tanto sobre mim... O som que saí pelo quarto, dita os caminhos e aumentam as vozes de onde prosseguir este caminho sem conexão de algo. Percorrendo estas transições não consigo escolher, não consigo catalogar todas as idéias e desenhar este quadro de traços, este quadro de retalhos... Perdido em expectativas, travado nas equações... A brisa reconforta em paz os momentos passados e tudo o que foi vivido... Espalho ao meu redor todos os momentos de risos que confortaram meu coração outrora. Não carrego mais a angústia em mim, pois sei o que construí em romantismo concreto. Vejo certos pontos brilhantes nesta escuridão... Personifiquei a felicidade e hoje completo minha totalidade. Só com a abstração me sinto perto de ti. Nossas mãos uniram-se em infinito com o Sol dourando nossa união. E sem um fim, me despeço sabendo que fracassei hoje...

outubro 17, 2010

Talvez eu queira te dizer...

Que nem penso mais em formas geométricas para termos uma ligação esotérica. Que tudo que se guiou para o longe, foi forte o suficiente para não ter vento contra. Que as barreiras transpuseram nossa maré em pequenos afluentes de uma vida maior... E que agora eu olho sua letra com um pesar grande o suficiente, para virar um novo capítulo. Em pensar que hoje estaríamos perdidos em nossas energias, em nossas triangulações. Em pensar que em pouco tempo escreveríamos aquele parágrafo tão surreal, quanto surpreendente. Em pensar que tudo seria diferente, com eu e você, com nossos olhos se cruzando incrédulos... Seria diferente, pois seria algo unido e com uma aquarela de desejo. Seria diferente, pois teria uma risada abafada que mudaria qualquer infinito, transformando-o simplesmente em algo palpável e memorável para se guardar próximo a carteira. Hoje eu seria aquele que eu jamais me espelharia e diria coisas que iria me arrepender em minutos. Hoje eu usaria aquelas roupas despojada para me sentir sociavelmente ativo e corajoso o suficiente para te deixar para trás. Hoje eu escreveria emocionado algo tão único, tão pessoal que não seria para ninguém mais... Mas o ninguém é alguém tão longe que não existe. Alguém que talvez ainda nem nasceu e nem desenha pegadas nas trilhas perdidas da estrada. Hoje eu escrevo isso, pensando em minhas mãos e em meu suspiro que aprisiona o meu amor em uma cápsula chamada coração...

outubro 09, 2010

Alguns pontos não precisam ir além...

Ela veio me acordar no meio da madrugada com um sussurro nos ouvidos. "Acorda e vem cá!" dizia em som baixo que custei a entender. Seu sorriso estava postado em seu rosto. Seu sorriso era tão leve, tão limpo e tão lindo... Ele foi responsável algumas vezes em meus sonhos, me levando a lugares únicos somente pela sua beleza... "Vem poxa... Dorminhoco!" brincou ela brava em certo momento... Acordei e a segui pelo corredor, tentando acompanhar seus passos quase surdos, sem barulho, como toda suavidade possível. Ela me levou até a varanda, com a noite fria e o vento forte. Ela parecia não se importar com a temperatura e me chamou para o seu lado na cadeira que sobrava... Obedeci conforme ia acordando e a tontura do sono dissipava-se graças ao vento forte de fora... Perguntei o que tinha acontecido e o que ela queria me mostrar afinal. Seu sorriso sumiu durante um curto espaço de tempo, porém voltou com grande intensidade... Ela levou seu peito em meus ouvidos e falou "Escute este som, é o som do meu amor pulsando no meu peito, por você..."

outubro 06, 2010

Turbilhão de dúvidas sem parecer...

E o que será que ela quis dizer com seu sorriso e seus olhos vagos? O que será que ela quis dizer com o entrelaço de dedos e o sorriso para baixo? O que será que quis dizer aquela dança perdida no meio da noite? O que será que quis dizer aquele sorriso de madrugada bem no fundo dos olhos? O que será que tinha naquele copo que causou alegria em ambos? E aquele convite perdido para ver o luar? E aquela rebatida com olhar fixo e certo? E por que será que eu fiquei aqui contemplando um vazio ao ver que nada aconteceu e tudo pareceu um sonho? Novamente, só com lembranças vagas de momentos de vento em uma vida desgarrada...

outubro 03, 2010

Distantes como poesia esquecida...

A inspiração vem na solidão, ela vem me beijar sempre quando contemplo, incrédulo, a passagem estreita da vida... Vem com lira, vem com desejo e vem com obrigação. Vem como melodia, convida a dançar e a seguir o seu ritmo... Mostra cores no escuro, som no vácuo, a sensação de infinito em plena caixa fechada. Com ela tenho a descrição de completo em qualquer lugar que minha visão alcançar... Com ela tenho a explicação dos meus enigmas e toda sanidade explicada em prosa livre... Sem lágrimas e deixando os dedos ditarem o destino mais complexo do universo. Ouço um grito de uma canção que nunca se repete, ouço o sussurro de uma nova vida chegando, ouço o nascer de uma relação que jamais sairá do papel... Me pego dançando pelas vielas que sempre sonhei, me pego cantando desafinado o amor que nunca entendi, me pego escrevendo linhas que quando acordar deste sonho, vou duvidar que fiz. Crio um refrão que ficará suspenso durante a eternidade e perdido nas curvas da minha vida... Capitalizo as sensações e vejo que estou feliz. Sou o poeta que já fui em alguma etapa perdida... Não sou mais, mas ainda assim, continuo sorrindo, pois falam que sou melhor assim...

agosto 19, 2010

Se pedissem para escrever meu sonho...

Não sei se conseguiria, acho que faltaria algo que sustentasse tamanha descrição. Talvez não desse foco na cor, na mistura plausível de uma aquarela infinita... Talvez faltassem ouvidos para apurar os sons, sons de tudo, da planta respirando ao eco em um vale perdido... Talvez as máscaras que cobrem as personagens sejam mal interpretadas, pois elas nem sempre são os principais nos devaneios... E por fim, talvez eu não sonhe, talvez eu viva em uma realidade alternativa e que todas as vezes que me pego falando sozinho é, na realidade, a minha participação ativa nesta outra. Talvez este texto já tenha sido escrito e toda minha obra, minha loucura repentina transformada em frases, seja só um diário das lembranças deste meu outro eu, em um outro lugar... E, longe de novas definições, eu não sei dizer mais nada, além de notas, de rima e de abstração.

agosto 07, 2010

Seja educado, diga algo bem vago...

E não adianta o que eu faça, é meio impossível. Olhá-la é como um crime de tentação, uma sentença perpétua do organismo... É invisível a perceptividade, porém é completamente visível o não desejo dela... A vejo perfeita, sorridente por minha lira, dançando conforme minhas letras e arranjos... Entrando naquele leve estado de frenesi por causa de meu ritmo... A vejo assim e quase posso tocá-la... O sorriso é correspondido, os olhares se cruzam, o cabelo esvoaçante dança em um ritmo que quase posso acompanhá-lo... É o meu ritmo! Meu ditado embaçado e incompreendido a fazendo dançar. Empolgo-me ao mesmo tempo em que seus olhos cruzam outros e o mundo para... O sorriso é de outro brilho, o ritmo tem quebradas estranhas e desacompanhadas com o anterior... Os cabelos esvoaçam e gritam para a volta do anterior, mas o coração dela já foi engatilhado para o outro... O coração ditou mais uma das loucuras existentes... E em segundos, eu a perdi para um par de sorrisos ao seu lado. Sem lira, sem ritmo, sem poesia e sem rima... Simplesmente o pouco espaço existente venceu todo o meu trabalho...

agosto 02, 2010

Eu não finjo que conheço...

Depois de inventar caminhos desfeitos, tentei sacramentar a poesia. Inscrevi dizeres populares e rimas prontas, perfilei grupos de sonetos e tenras epopéias. Figurei de colorido os finais sombrios, assoviei cantorias esquecidas e nunca inventadas... Transcrevi tudo que pude enxergar com meus olhos desacostumados, experimentei os limites impostos pelo meu tato, agrupei sons que pude dedilhar pela audição. Utilizei todos meus sentidos para conseguir chegar ao lugar comum do não lugar... Ao lugar que talvez nunca deveria ter saído e, quando consegui acordar, fui descobrir que eu era mais um na multidão de perdidos deste cenário... Mas poetizei como poucos conseguiram todos estes poderes revelados e por esses notórios arranjos, me chamaram de amigo.

julho 14, 2010

Sobre o domínio dos lírios...

É da razão da chuva que se transforma o sabor do orvalho... Das pequenas pétalas que pintamos os melhores cartões postais... Das inúmeras feridas que se cria um coração. Ao caminhar por entre os caminhos da comparação e transformação, descobri meu significado criativo, meu motivo e minha busca. Dos meus olhos não acostumados, consegui enxergar uma pureza abstrata e nela consegui introduzir a paixão desvairada. Com palavras soltas, criei as poesias que me definem e me explicam... De campos abertos, encontrei um lugar pequeno para meus sentimentos maiores e, sem clausura, consegui ditá-los para o infinito silêncio. Se hoje carrego certa experiência, minha bagagem era leve no começo e pude coletar o volume máximo de imagens e de situações... E disto todo, olho para um horizonte bilateral e enxergo um oceano inteiro de inspiração para a vida... Deixando estas frases, soltas pelo caminho daquele que ainda procura respostas...

julho 06, 2010

Desta carregada razão...

De uma janela violeta foi ditado o cântico do amor platônico... De uma cela solitária no deserto foram escritas as redondilhas românticas... De uma taberna carregada saíram bibliotecas inteiras do amor idealizado... Das lágrimas angustiantes saíram as canções dos trovadores... Do fundo de uma garrafa de vinho tentou-se encontrar a definição de paixão... Das páginas despedaçadas foram escritas suposições do amor... E daquele papel amassado, no bolso moribundo, foi que foram escritas todas as poesias que minha lira te prometeu, sem nenhuma definição aparente, sem nenhuma resposta em vão...

junho 24, 2010

E o sentimento bate forte carente de aflito...

A insônia e a angústia por respostas sempre me fizeram refém do álcool. Único companheiro ouvinte de lamentações e consciente das dores dos que apelam para seu poder. Todos aqueles pobres e loucos que não conseguem te compreender, todos aqueles que não sabem nem falar e muito menos te ouvir. Sua voz que saboreia nossos ouvidos com consciência e sabedoria. Seu doce sabor que fazem os olhos brilhar... Seu poder! Quantas vezes me ditou linhas e linhas de uma lira interna que só você consegue ouvir? Essa maldita lira que só você consegue despertar! Você compreende o amor, os sonhos e as desilusões dos teus seguidores... Como escreveria, nas linhas do eterno, nosso mestre "Conhaque! Não te ama quem não te entende!" e eu cansei do tolo sabor enojado de mel da vida que tinha acostumado...

junho 20, 2010

Entre trovadores e contemporâneos…

De uma noite regada ao álcool surgiu a idéia perfeita de poesia. Recitar antigas líricas, corrigir sonetos inacabados, fazer girar as redondilhas menores e rimas desfeitas pelo vento... Foi essa a idéia, contar o amor pela visão noturna perdida, pela visão do caótico e do inesperado. Uma poesia que flui ao fazer as práticas diárias, uma lira que canta inteira nos raios do mesmo... Esta é a poesia! Uma poesia que não é capaz de ser escrita, de ser descrita ou de ser manuseada... Nunca foi! Trovadores tentaram, ao sabor do desconhecido, recitar versos escolhidos para uma amada que nunca existiu, se quer resistiu ao olhar... Românticos desvairados eternizaram figuras que só apareceram em seus sonhos... Os modernos jogaram em algum lugar-comum para dar vida aos personagens que não damos atenção... Os contemporâneos estão perdidos entre o folclórico e o imaginário da magia... Todos tentaram descrever o sentimento mais puro e simples. O sentimento que pode ser capaz de mover obstáculos só pela sua existência. O sentimento simples que me faz guiar em perigo pelas estradas sem-fim... A resposta é a lírica do vento, a perfeição do silencio obscuro, a falta de imagem em uma cena vazia, a presença secreta que jamais é anunciada... Eles tentaram descrever o impossível, porque, em suas vidas, era impossível amar.

junho 19, 2010

Da poesia escachada na porta...

O horizonte pinta de aquarela um novo dia, os pássaros anunciam este nascimento com seu canto encorajador. No cômodo perdido o dia anterior ainda não terminou e não é possível contar quantos dias estão perdidos. As melodias, que já foram doces um dia, ecoam pelo lugar, mas sua melancolia difere bem de quando foi composta, pelos primeiros raios de sol de um dia qualquer. É impossível entender a razão desta inércia e é mais complicado definir todo este cenário. O chão espalha restos de uma vida, de sonhos quebrados, de testemunhas felizes e de promessas registradas... As paredes carregam apenas marcas do que antes era um mural da perfeição. As chaves estão jogadas em um canto indefinido e perdidas. Existem rabiscos complicados em cada passo dado em direção a porta. Esta, aberta e batida, indo e vindo pelo sabor e rumo do vento. A complexidade desta esfera é entendida pela poesia cravada na porta, com a melhor letra arranjada, que diz em poucos versos:
"Cansei de esperar neste túmulo,
Nesta esfera parada e nula
E mirei o fim deste túnel.
Deixo as chaves do meu coração,
Para que não consiga mais ser enganado,
Para que jamais possa sentir o sofrimento
Esta eterna guerra entra razão e paixão.
E eu que relutava ao ver tudo acabado
Restou-me só poetizar o fim deste sentimento."

maio 30, 2010

O sereno da manhã quente...

Deste rabisco sem início surge uma nova epopéia. Das letras tensas e tremidas é composta uma nova canção. Das lembranças e dos abraços em ruas perdidas aparecem os personagens conhecidos... E a poesia é cantarolada no silêncio de um coração observador. Julgamentos, felicidade, promessas e discussões. Olhares, beijos, gritos e angustiantes lágrimas. Brincadeiras, vergonha, sorrisos e separação. A espera, a chegada, o Oi e o Adeus... Em grupos que se equivalem tecem, juntos e separados, a teia de mistério e significados que estaria por vir. A teia que poderia conter as suas características únicas naquele bando de desconhecido. Se fossem todos bons, seria o fim melancólico. Se fossem ruins, seria o fim alegre. Mas estão balanceados e tentam, frase após frase, cantar a música infinita de um amor desconhecido. Tentam depois de linhas escritas e completamente perdidas nas estrofes, significar o que o dicionário amigo definiu como amor.

maio 18, 2010

Começou com a chuva que esfriou...

As alças não se estendem mais como deveriam. Com um véu seco, impermeável que dança ao vento noturno. Noturnos bailam em um redemoinho de cantorias leves e complexas... Poderia criar imagens de encontros ditados, mas o Previsível nunca repete seus atos. Traz consigo a brandura do antes, as alegorias do nunca e a resposta do sempre... Cria um caminho desenhando outro, conta finais de histórias que não foram escritas, proclama números que são incontáveis... Sim! Ele transforma um verde na pose infantil da fotografia, no lugar que se perde nas lembranças vividas. Peca o espírito, chora a tríade importante, testa seus órgãos em um contato completamente compreensível... Pede a uma criança que o descreva, pois quer saber como se pinta para o mundo. Na inocência do amanhã, a criança dobra o papel e berra saltitante e incrédula 'A folha em branco é muito para sua poesia!'

abril 28, 2010

Meus desejos de ser...

Sonhei certa vez em ser um daqueles poetas que não passam despercebidos, que todos olham e admiram a obra. Que todos admirem, mas sem sucesso ou brilho. Seguiria a vida cantando uma prosa indecifrável, mas que marcasse os passos dados em uma névoa vital... Sonhei tanto que me perdi dos endereços do meu plano inicial. Continuei sem denotação, sem prosa e sem lírio... Continuei como uma vírgula colocada em um lugar errado que ninguém percebe e continua... Continua este ditado mal falado de palavras soltas ao vento, sem significados e sem distinção. Continuo tendo o abstrato como acolhedor da falta de sintonia entre eu e minha fraca tendência... E sonhei certa vez que gostaria de ter uma escrivaninha e um caderno limpo para escrever meus contos de amor... Sonhei tanto que hoje escrevo as lamentações, dia após dia, em retalhos de um coração que já se cansou de alimentar essa ilusão...

abril 20, 2010

As mãos entrelaçadas em um ponto além...

O perfume percorre o ambiente, impregna as mãos e guias meus sonhos. Seu olhar me conforta em pensamento, me acalma em meu deleite e aprofunda quando está perto. Tuas mãos trazem a tortura do aumento cardíaco, porém, sua leveza faz do inferno um imenso mar calmo. Tento colecionar os momentos rápidos e o sorriso sereno para poder completar o meu sono no recanto do amor... Falho nas inúmeras tentativas, afobo nas chances, anseio o som da vitória em seus lábios. Mas nada me traz de volta, nada me deixa retornar e conquistar. Você caminhava por entre o desconhecido e hipnotizado tentei seguir-te nesta névoa intolerável e daninha para meu sentimento... Ao acordar do transe, um sorriso nos lábios pelo sonho bom e a angústia funda no olhar por ver que tudo não foi real e como resultado minha vida no clichê infame do: Me perdi tentando te encontrar...

março 22, 2010

Sobre melodias e pedras...

Me ensina a ser como você quer, me ensina a me perder de uma razão para fazer tais coisas desfeitas. Me ensina a brincar de sorrir ao te ver. Me ensina a te tocar de um jeito único e me ensine a entender que seu olhar é o infinito do meu viver! Me mostre o caminho de ida, me faça esquecer a volta e me faça, cada dia mais, ser menos dependente de você. Sim, eu já pensei em tudo acima e resolvi desligar os fios sobre o meu colchão. Já desenhei meus novos mapas sem teu nome e as suas iniciais se perderam nas teclas do telefone... Eu esculpi a melhor obra do parque, cortei a melhor cena e fotografei a poesia viva... Todas elas, que antes me pertenciam, anotam outros nomes em suas placas frias... Todas elas se cansaram de cá e buscaram a alegria fora deste mundo melancólico. Em um lá maior que faz mais do que acordes e boa sinfonia... O lá faz as pedras menos polidas e mais marcadas de vida que você possa imaginar...

março 13, 2010

A visão abstrata do hoje...

O vento frio vem do tímpano da dúvida, de um pingo neutro da falta de coragem, que latiu em disparada há alguns dias e um pouco das letras apagadas da inspiração, que faltou onde mais se precisou, para traçar um caminho além. Os pingos que caem fazem a melodia triste e cadenciada do nada. Um dedilhar de sons agrupados, mas sem um ritmo definido. Sinais que passaram e que tentei, em vão falho, desvendar. Um olhar e um braço jogado para confortar, um beijo doce e um brincar que não sei o que pensar. É aquele sorriso que congela com um adeus inevitável. Um até breve que de breve, a estação muda e o esperar se cansa. Hoje contemplo traços invisíveis na parede onde antes escrevia seu nome em códigos... Para ser mais fácil de te encontrar e saber exatamente como te entender. Hoje, passeio nos brancos espaços de um terremoto sem fim, de uma dificuldade e uma falta absurdamente sentida, mas que, nem eu mesmo, saberia se é isto que eu gostaria de ter agora... Contemplo o hoje, tentando entender o agora, imaginando que em um futuro encontre, nos seus traços, o enredo para a próxima história a ser desvendada na fogueira...

fevereiro 28, 2010

Abstração e Não-Lucidez...

A viagem ganha um mundo paralelo. Companhia diária importante, o álcool começa a ser mostrar fraco para o desenvolvimento do sentimento e novas, e até então proibidas, substâncias são utilizadas. Elas afloram a mente e criam um paralelo que pode ser logo sentido nas primeiras linhas das leves brincadeiras. São jogadas ao vento palavras desconexas, que vão ganhando significado perante o caos supremo. A abstração vai aos poucos se tornando a maior parte da nossa mente e, cada vez mais, pede combustível para permanecer viva. Dia após dias ela ganha terreno mental e não conseguimos mais distinguir os paralelos que criamos. Alguns conseguem o controle quase total e só desenvolvem a parte abstrata do amor, outros se perdem no novo sabor e passam as horas de vida brincando com o concreto. Como o amor é complexo demais para descrevermos, a nossa abstração quebra a dificuldade de síntese com outros elementos. Abstraímos da respiração ao pulsar, do sorriso mais belo ao vento gélido da solidão. Entramos totalmente em um labirinto emocional que muda constantemente seus caminhos. Em leves clarões vemos seus resultados, porém, no instante seguinte, tudo é alterado e o jogo de palavras volta com novos significados. Vivemos neste parque de diversões das idéias, com suas charadas e suas adivinhações. Experimentamos o extremo de significados possíveis e impossíveis. Figuras transformando-se em sons, paisagens declarando todo seu amor em hinos irreconhecíveis, personagens perdendo a vida por olhares personificados. A pureza sendo envenenada na mudança de linha e o perdão mais puro aprisionando para sempre o eterno apaixonado. Todo este caos em linhas é o trabalho que resulta de uma mente perturbada, vivendo em outra realidade, com outros rumos e sem dificuldades. Assusta em seu início, mas vai ficando menos acre com o passar do tempo. E o que antes causava perturbação, ganha um sorriso leve ao final. Após um tempo indeterminado, deciframos todas as curvas existentes, dissipamos toda névoa causada pelo amor e sua descrição é vista em todos os rostos e textos dos viajantes. Porém, como uma brincadeira sem fim de uma terra incompleta, uma nova ponta nos é colocada, não sabemos se por culpa da abstração extrema ou da complexidade do amor, acabamos por viver cercados da Personificação dos Sentimentos...

fevereiro 12, 2010

Habitantes do Platonismo...

Nos é mostrado um mundo de sonhos perfeitos e caminhos perfumados de paixão. Jardins repletos e fartos, com a temperatura ideal para se apaixonar por todas as circunstâncias. Caminhando um pouco além, descobrimos que é só a fantasia que nos é mostrada. Alimentamos uma fome gritante, mas que jamais se mostra fim. Vivemos nos sonhos repletos e quando sonhamos com o realizar, nosso peito inflama e caímos novamente no início deste mundo. Redundâncias perfeitamente acentuadas! Lua e estrelas, nossas companheiras de túnel, tornam-se nossas melhores amigas, pois passamos madrugadas inteiras gritando a angústia do quase, a infelicidade da falta de perfeição e cantamos o nosso amor não correspondido. O álcool vira nosso combustível de vida, vira o sol de nosso mundo, pois não conseguimos viver sóbrio com a perfeição sem fim e nada real. Vivemos para nos embriagar e, desta embriaguez, soltar nosso lado de fantasia para tentar aguentar toda essa redundância. Seu doce e acre destilado infla nossas veias com a inspiração embriagada e fazemos poesias para a mais perfeita bela do mundo. Com todas essas poesias coletadas pela pureza do sentimento, durante dias e dias, criamos um jardim repleto da arte romântica e alcoolizada. Em nossas andanças madrugada adentro, escrevemos um rio de poesias, provas e juras eternas de amor, porém elas se calam ao amanhecer e ao fim das nossas forças. Essa infinita espera do nunca deprime e acentua a angústia. Em flashes com o mundo de nossa amada é quase impossível segurar a razão, uma loucura latente nos invade e perturba ao ver todos os nossos sonhos ruir como areia ao encontro do mar da realidade. Conhecemos os diferentes sabores da derrota e sabemos identificar todas as suas personificações. Quando estamos conectados ao mundo real, queimamos em seu inferno e nossas poesias, tão trabalhadas e verdadeiras, são as laminas que nos cortam e nos jogos novamente à fantasia e sonhos. Esta constante não realização de sonhos faz nascer, depois de muito sofrer, dúvidas da nossa capacidade. Dúvidas que tatuam nossa pele para tentar entender como o amor, vivido em nossa maneira tão pura, é capaz de ser tão injusto e diferente fora do mundo das idéias. Há os que ficam pelo caminho dos dias infinitos da solidão e do álcool e há também os que migram para outro estágio, o estágio forte da Abstração e Não-Lucidez...

fevereiro 07, 2010

O Túnel da Solidão...

Frio e implacável, úmido e convidativo, descritivo e conotativo. Colorido recheado de escuridão, em suas paredes carrega as marcas de seus passageiros... Recheadas de gritos, angústia, poesias, frases soltas e amor. O amor existe em seu mais perfeito estado de espírito. Cada caminho trilhado contém seu doce perfume. É na solidão que o amor consegue seu auge, na solidão que o amor rege seu sentimento e personifica-se em personagens diversos: pinturas, canções, letras, rimas e risos... Todos os elementos da inspiração fluída do amor. A pura inspiração destemida e ilícita do amor. Inspiração que expira o entorpecimento proibido. O entorpecimento das mais impuras naturezas, desde pílulas, cartas, comprimidos e sonetos até gotas, redondilhas, picadas e refrões. Doce impureza que arrasta madrugada adentro para um impossível desfecho. Sabe escolher para cada momento a melodia certa, a certeza da estrofe perfeita e nos faz cantar. Rasga-nos o peito e explode nossa garganta com sua lira, seu tenebroso veneno. Seu ilusório cantar. Perdemos os sentidos e as forças, vamos ao encontro das diversas loucuras em nome do nosso amor, ou quem ele tenha escolhido nestes meses tortuosos. Traçamos o plano perfeito, sonhamos acordados com o perfeito momento. Nunca nos importamos com a negação, pois ninguém pode negar o amor! Não o verdadeiro amor e nunca o maior amor que infla nosso peito. Tentamos descrever em palavras o que arde em nosso interior, mas procuramos este sentido em folhas inexperientes e sem significados, pois só quem é passageiro ou percorreu estas estradas consegue entender o que é viver isto intensamente. Suspeitamos de tudo e de todos que se dizem experientes, pois nosso sofrimento nunca se compara ao de ninguém. Luas e estrelas são testemunhas de nossa crescente angústia, de nossa terrível jornada. Só elas conseguem suportar quando avistamos o fim do túnel, o fim da jornada e realização do nosso amor, a resposta de nossa crescente dor, só elas conseguem nos suportar quando finalmente iremos desfrutar de toda a paralisia das nossas engrenagens. Neste fim é que conseguimos saborear o amor em seu mais profundo gosto, na sua mais profunda pureza... Sonhamos com este momento, com suas cores e cheiros singulares, com suas músicas cadenciadas e luz indescritíveis. E está ali, bem à frente, na saída que sonhamos durante dias incontáveis. Finalmente os últimos passos dentro do túnel que nos mostrou tudo com mágica e sabedoria. Ao primeiro passo, sempre dado em falso fora do túnel, descobrimos que mudamos de mundo e somos os mais novos Habitantes do Platonismo...

fevereiro 06, 2010

Dias a velas acesas passando...

Trapos e cacos de um caminho perdido se juntam no chão empoeirado. Tudo que podia lembrar você abstrai-se como a chuva repentina. Caem gotas silenciosas neste carrossel visionário. O álcool, que era para regar uma alegria, tomou conta do sangue e desenhou em minhas veias um pequeno abismo infinito. Um ponto verde, abaixo da língua adormecida, reluta os fatos jogados na praia de pedras. Rastejo para algo concreto neste oásis e vejo apenas um livro despedaçado. Logo me aprumo e vejo que livro conta uma história conhecia e surreal, divertida e piegas, com alguns personagens domesticados por todos. Seu primeiro capítulo, em letras miúdas que cobrem toda a extensão da página, sugere o início: O Túnel da Solidão...

fevereiro 05, 2010

Alguns dias eu venho concreto...

Minta sobre um destino que não te escolheu, um caminho que te foi fechado para sempre. Minta sobre as opções que fez e as lindas feridas que proporcionou... Minta sobre como deixou o coração alheio e minta também sobre como consegue mentir. Produza todos os seus feitos com a beleza noturna que nunca lhe foi característica. Seduza o orvalho perfeito e encha-se do seu perfume. Dê risadas abafadas, toques singelos e olhares perdidos. Crie a sua fantasia e faça disso uma poesia desconexa, falsa e sem nenhum sentimento. Jogue palavras ao vento e se enquadre em algo único e peculiar. Dance uma lira desconhecida, cante a ópera criada e faça da sua vida um teatro de fantoches vespertino. Porém quando todos se enjoarem e você não conseguir mais fingir o que é, chore! Chore as lágrimas inexistentes, mostre um choro confuso e sem voz. Nunca um choro daqueles enjoativos, recheado de pedidos e compaixão com um sofrimento inculpável. Culpe, fira, destrua e prometa... Simples jogos insolúveis que você proporciona. Engraçado como a inspiração transforma o sofrimento em prosa livre, transforma um aperto em parábolas construtivas... Engraçado é ver que, após tudo isso, você morrerá sozinha no caminho que sempre quis estar.

fevereiro 01, 2010

Com a cor branca de um rocheado...

Trabalhado o olhar correto em um momento inusitado, com todas as imperfeições características e um clima impossível de se notar. A inspiração falta e a construção pede à imaginação que venha fértil. Que venha e traga, junto ou em partes, o doce orvalho da tentação... Do impossível esquadro, das páginas usadas e do rascunho vislumbrante. As histórias se perdem, o olhar não passa de uma fachada esculpida em algo frio e o doce sereno enrola-se noite adentro. Situado como um jargão não utilizado, guardado com a vergonha alheia e a piedade de um sonho que nunca se concretiza, nunca vira algo diferente de um sonho. Redundâncias e brincadeiras jogadas ao vento singular e cortante... Frio como sempre, frio como um olhar que não responde as investidas e congela, para um todo sempre, um coração latente...

janeiro 23, 2010

Lançados dados no orvalho da sorte...

Diga para a ela que eu estou bem, que meus olhos se cansaram de esperar na mesma janela, dias inteiros, o carro azul chegar para poder sorrir. Que me cansei de sonhar com um endereço de uma cidade grande que pudesse estar meu futuro promissor. Diga que eu não ganhei fama ou nada com os versos endereçados e que fui virar poeta depois de muito tentar e que consigo não mais associar a banda de rock que era a predileta por ela... Diga para ela que eu consigo sorrir, que todos os textos que fiz durante as noites, serviram para eu ver o quão distante estamos e impossíveis de juntar. Que todas as noites em claros serviram para eu ver que cansado amo bem menos. Diga que todas as vezes que falei que amava ficaram guardadas em mim, porém endereçei elas para um desconhecido qualquer da rua, para que ele pudesse, encontrá-la naquele lugar e ocupar o posto que sonhei durante anos ser dono. Diga para ela que parei de sonhar, que todas aquelas horas no telefone congelaram meu coração que pulsava para o impossível. Que os momentos foram curtos e rápidos, assim como a morte durante o sono. Diga que minhas caminhadas serviram para conhecer o meu mais profundo sentimento e que, apesar da minha mínima idade, eu jamais seria o maior amor da sua vida. Diga para ela que não aceitei mais pedidos, que sei distinguir impulso de verdade e que minhas poesias sempre foram melhores abstratas. Que apesar da peculiaridade, a verdade e sinceridade sempre prevalecem em um mundo perfeito. Diga que eu percorri caminhos demais e sei que minha maldição é terminar só, afogando sentimentos e ganhando a doce solidão como prêmio final de um crime perfeito. Diga para ela que não sou tão igual quanto ela pensou, ou até possa parecer. Que meu sorriso não se incha ao vê-la e que tudo que passou, nesse meio-tempo gigante, pode ter ficado na história de um livro esquecido, folheado e guardado com estranheza. Diga que eu tive muitas idas e vindas e que as fotos borraram a parede lisa da minha vida. Depois de tudo, se alguma me procurar, diga que sei que fico sozinho, não por escolha ou destreza, porque sei que sempre vai ser assim, mudam-se os amores, pessoas e até as promessas, mas permanece o olhar único que congela, que inflama, que ama e que odeia... Aquele bendito olhar que pula de pessoa para pessoa, que atravessa épocas e não envelhece, que sabe que quanto mais você mude, ele jamais vai mudar pois será sempre notado. O olhar que hoje fujo e corro distante, o olhar que diz tanto sobre mim como se me conhecesse há tempos... E ele me conhece, muito mais do que eu gostaria, pois ele é o olhar do amor.

janeiro 12, 2010

Frustração guiada para a descrição...

Titularizar um poema abstrato que traga a evocação e resumo necessário. Flertar com rimas inexistentes, deixar a modernidade de um piscar de olhos guiarem o ritmo de uma dança fúnebre e carregada de sentimento... Caminhos traçados aos quatro ventos mundiais, inspiração que chega como um telefone amarelado da espera. Mãos atadas com nós invisíveis que frustram todo o amor latente. Cenário talvez impossível de se imaginar ou montar, porém vivo no coração de um poeta desconhecido, perdido e insolente, que utiliza sua lira, seu doce brincar, como forma de expressão e alimento. Sabe que carrega um espírito trovador dentro de si, com facilidades de cantigas e sonetos menores... Frustrado! Como sempre foi e como sempre será... Buscando em cada aurora reconhecer seus pontos comuns, reconhecer a origem de sua dor e seus desejos. Onde foi que iniciou sua jornada, razão da sua tortura, e onde que está o último capítulo... O desfecho de uma odisséia sem personagens ou enredo. Caminhou por entre montes conotativos, bebeu das chuvas que fizeram desgraças, sonhou com estrelas que queimavam seus olhos e tropeçou em jargões tontos e feitos. Procurou em pedras e pergaminhos, procurou nas escrituras e nas flores... Desistiu de encontrar sua missão e então, já alucinado com as possibilidades, decidiu que iria transcrever nos livres caminhos a incerteza do nada... Virou o silêncio do escuro.

janeiro 08, 2010

Morremos na tentativa do nunca...

A escuridão ganha um movimento estranho quando me pego pensando em você... As alternativas se esvaziam de um mundo paralelo e no horizonte brotam todos os sonhos que talvez tenha tido com você. Minhas histórias se confundem em um gotejar de oportunidades nunca assumidas pela razão. Esvaziado pelo parecer absoluto, me ponho a vasculhar se você não passou de mais um sonho etílico, desgarrado e ordinário, que ganhou vida em minha mente devastada. Se fosse para dizer qualquer coisa me perderia nas linhas que já escrevi, sóbrias ou não, completamente entupidas de adjetivos atormentados. As cores mudam de órbita, ganham um peculiar som de tristeza e desenham um sorriso perdido no céu negro... Em números me perco e multiplico tesouros inventados. Desenho mapas frustrados e escondo um dicionário de razões para ter você nesta loucura. Mas agora, a pintura principal de uma exposição visitada me mostra a mais terrível denotação... Você é a pérola perdida em um mar que um cruzeiro levou.
O prazo de validade venceu...

Nossos olhos não se cruzam mais... As palavras, antes doce, transformaram-se em imenso silêncio. Como aconteceu em outros tempos, me sinto um desconhecido lembrando de algo tão bom que é impossível dizer que foi real. Sua voz sumiu da lembrança e não posso mais dizer que era doce e sincera. O tempo passou e, pelas dificuldades alheias, fomos nos separando como duas peças nunca encaixadas... E os dias, que lembrava tanto, viraram "outros dias"... E pela solidão e sua ausência me faz questionar se foram reais... Os olhos em lágrimas, a caneta falha, a fome surpreendente são simples sinais que estou vivo na imperfeição e as marcas de um vidro fazem menção a um dia perdido em uma longa e distante estrada... A estrada que sem saber percorri pensando em você.

janeiro 04, 2010

A folha machucada transcrevia emoção...

Dedos entrelaçados em um futuro de propostas, lágrimas indecifráveis contando os minutos de um tempo que já não era senhor, nem tampouco, inspirados na odisséia de contar... Era ouvida uma canção ao longe, conhecida e com batida abafada, mas com outro refrão que dedilhava a mudança. Idéias marcadas de outros autores coroavam o momento e decoravam a parede do único cômodo com vida... Cores! Muitas cores formando um batalhão de claro e escuro... Misturadas ou aglomerando-se em um mar de hipóteses, certas ou erradas, vitais para seus dedos. Existia a folha no canto limpo da escuridão. Marcada e sofrida, dobrada e sofrida, rabiscada e sofrida... Nela se existia um único momento, era aquele que se perde no contexto para ter um fim... Aquele momento que, de tão carregado, experimenta o abismo primeiro de emoção e não volta ao seu estado normal. A folha tentava, em vão, ajudar e organizar... Mas existiam ali amor e sonhos tão complexos e abstratos que ao mexer eles evaporavam para uma nova mente... Um novo estágio de comoção. Não era nenhuma poesia perdida, muito menos um conto romântico ou um épico triunfal de algum herói desconhecido e manjado. Nas poucas linhas completas e nas palavras carregadas, existia ali simplesmente algo impossível de dizer, mas que todos conhecem e correm da sua existência... Existia ali, na sua inteira simplicidade, a angústia da dúvida.

janeiro 03, 2010

E tudo traduziu com o verde...

Se fosse para lembrar uma imagem, seria do seu sorriso. Se fosse uma razão, seria da água. Se fosse um momento, seria seu "Oi". Se fosse um som, seria da sua risada. Como compromisso, minhas chances se perdem ao dançar ou passam pelos corredores infinitos. Seriam quatro números e uma vírgula de uma história que não foi contada. As palavras fogem de uma descrição melhor e a minha razão se perde em não saber o que seu olhar quer dizer. Me perco no triste fim de um nunca, me perco em um silêncio ruim que não posso gritar para preencher. Todo o balanço não é capaz de me tirar do lugar, e, assim, sem soma ou subtração, continuo contemplando um olhar perfeito que é o seu...